Crie rituais bons – coma gostoso em casa – parte 2/3

— fiz este post antes de sair de férias, e achei que tinha publicado. Ainda não voltei pra São Paulo, mas estou naquela fase da viagem em que você começa a voltar a ver emails, blog — descobre que seu domínio não estava em renovação automática e seu blog ficou 5 dias fora do ar. Ainda fico devendo a parte 3/3, e provavelmente vou compartilhar informações de viagem sobre a Romênia. No fim de julho. —

Uma frase do Jonathan Franzen sobre o cigarro, que comentei com vários fumantes que concordaram totalmente, e que poderia ser aplicada a outros hábitos.

“Não há uma razão simples e universal que explique por que as pessoas fumam, mas de uma coisa eu tenho certeza: elas não fumam porque são escravas da nicotina. Meu palpite a respeito da minha própria atração pelo cigarro é que pertenço àquela classe de pessoas cujas vidas são insuficientemente estruturadas (…) Adotamos uma toxina tão letal (…) porque ainda não encontramos prazeres ou rotinas que possam substituir a reconfortante sequência de necessidade e gratificação, que proporciona um sentimento de estrutura, e que só o cigarro pode oferecer.” [1996]

Acho que além do cigarro, há outros momentos que criam essa sequência de necessidade, gratificação. Como comer um doce, principalmente como uma compensação ou prêmio. Comer frituras num boteco. Sair pra beber.

Eu sei que é muito difícil ir pra um restaurante ou pra um boteco e pedir o peixe com legumes no vapor, não pegar nenhum bolinho, não beber, não pedir a sobremesa. Você se sente idiota de estar lá, pagando pelos pratos sem graça, ou deixando de experimentar tal coisa que você sabe que é maravilhosa.

Solução? Pelo menos até você se sentir mais forte, coma menos fora.

 

Coma mais em casa

Todo mundo sabe como tem sido triste comer fora, principalmente se você mora numa das cidades com custo de vida alto.

Claro que é mais barato comer em casa. Mas e a vontade de sair? Mais do que vontade, a necessidade de sair, de se sentir fazendo algo divertido? E o alimento pra alma? Também dá pra resolver em casa.

Comida gostosa com apresentação bonita, com toalha de mesa bonita, trilha sonora boa e de preferência você com roupas pelo menos razoáveis. Também vale diminuir a luz, acender uma vela bonitinha. Pode ser jantar romântico, ou chamar os amigos pra jantar na sua casa, e ser convidado pra jantar na casa deles.

Já pensou?

É claro que assim fica bem mais divertido cozinhar e comer em casa.

A apresentação faz diferença. Se você não tem toalhas, jogos americanos, taças, travessas bonitas, vá atrás disso, não precisa ser caro. Coloque música boa desde o momento que vai começar a cozinhar.

O mais importante, a comida em si. Vou descrever algumas coisas que a gente costuma fazer que são bem fáceis.

Lamento não ter mais fotos, vou tentar fotografar mais as comidas. É que os pratos como camarões grandes, steak tartare na forminha, ceviche na taça são fáceis de fotografar. Comida mais do dia a dia não é tão fácil ficar estético, então não parece certo deixar comida esfriando enquanto você tenta arrumar algum enquadramento.

 

Carne bovina

A gente passou muito tempo comendo pouca carne bovina em casa por motivos ecológicos. Eu não queria comprar algo que contribui pro desmatamento da Amazônia. A gente comprava carne no Zaffari, porque as carnes vêm do Sul, dos Pampas, onde há pastagens que não destroem a natureza, mas é um lugar fora de mão pra fazer compras. Uns meses atrás apareceu uma linha da Korin, com gado criado em pastagens naturais do Pantanal, e passei a comprar esses. Evito comprar carne que eu não tenho certeza da origem.

– Com coxão mole, ou acém, ou patinho você pode fazer uma boa carne de panela, dessas com cebola e cenoura, cozida na panela de pressão. Há receitas diversas na internet, vai experimentando. Aqui a gente faz sem batatas, só com cebola e cenoura, o tempero é só sal. Refoga a cebola e cenoura, depois os cubos de carne, água, sal, vinte minutos na pressão. Macio, saboroso, congelável, ótimo pra comer com arroz e feijão, ou polenta, (ou a carne e saladona, se você estiver querendo emagrecer) ou desfiar e virar molho de macarrão.

– Com acém ou patinho também fazemos nossos próprios hambúrgueres. Cebola picada pequena, bem frita, até quase queimar. Bacon em cubinhos pequenos. Tomilho seco. Mistura tudo com a carne crua, depois faz os discos. Dá pra congelar. Pra descongelar, basta evitar o microondas, ou então colocar por pouco tempo no microondas, só para iniciar o processo, e depois terminar de descongelar em temperatura ambiente, para não correr o risco de começar a cozinhar a carne. Coloque sal só na hora de fritar. Toste em fogo alto, numa panela grossa com um fiozinho de óleo. A gente gosta de ao ponto – mal passado. O tempo na frigideira depende do seu fogão.

Nossos próprios hambúrgueres (lamento não ter foto de um pronto, no próximo fotografo) estavam no top dos nossos favoritos. Altos, bem tostados por fora e vermelhos por dentro. Mas tem pelo menos dois que a gente reconhece que são melhores: o do Épico e do DeBetti. O Épico é incrível, talvez o melhor que a gente já tenha comido. Fica na cidade de Brotas, só entre quinta e domingo. Outro dia faço um post sobre ele. E o DeBetti trabalha com carnes especiais e dry aged. O hambúrguer deles custa R$ 16 (só o hambúrguer, cru, congelado, numa caixinha), eles entregam em São Paulo. Deve ter taxa mínima de entrega, a gente sempre compra outras coisas junto. Ele funciona principalmente por Instagram. É muito bom. Costumamos usar o pão da Wickbold com gergelim, achamos bem decente. Não gostamos dessa moda de pães adocicados. 

– Com filé mignon a gente faz steak tartare, seguindo a receita do Ici. http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2014/06/1461192-receita-como-fazer-o-steak-tartare-do-melhor-restaurante-frances-de-sp.shtml. Já testamos algumas carnes, mas achamos que com filé mignon faz diferença. Não seguimos a recomendação de precisar ser carne fresca, sempre fazemos com carne descongelada. Compramos uma peça grande de filé mignon, fracionamos. O certo pra descongelar é tirar um dia antes e deixar na geladeira, descongelado aos poucos, mas confesso que a gente sempre esquece e o que fazemos é tirar do congelador e deixar no saquinho dentro de uma vasilha com água, às vezes com saquinho duplo pra não entrar água na embalagem. Seguimos a receita do Ici, e fazemos um pão tostado pra acompanhar. Às vezes só na torradeira, às vezes com um pouco de azeite na frigideira. Muitas vezes foi nosso jantar – acompanhado de vinho ou espumante, é claro, mas se você estiver querendo emagrecer, corte o álcool também. Este da foto tem um pouco de páprica agridoce.

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– Com entrecote a gente corta bifes grossos, de preferência deixe uma hora num tempero de mostarda, molho inglês, alho triturado. Se não tiver esse tempo, uns 10 minutos de tempero já fazem diferença. Depois grelha numa panela grossa em fogo alto. O tempo de cada lado depende muito do seu gosto e do fogo, da panela, mas se você gosta da carne rosadinha ou vermelhinha, erra pra menos, tira da panela, faz um corte no meio pra ver como está e se for o caso volta pra panela.

 

Carne suína

– File mignon suíno – é uma das carnes mais saudáveis. Pouca gordura e macia. Há inúmeras formas de fazer, pode experimentar o que quiser, tanto na forma de cortar quanto no tempero. A gente faz com o tempero de mostarda, alho, molho inglês, mas em geral também colocamos um pouco de canela em pó. Às vezes suco de laranja e alho.

O mais interessante de qualquer carne, principalmente se você é do tipo que gosta de ao ponto ou mal passado, é fazer em fogo alto pra que ela toste por fora sem cozinhar demais por dentro. Os tostados quase queimadinhos que ficam por fora dão um sabor a mais pra qualquer carne, e também são ótimos pra fazer molhos depois se você quiser, naquela mesma panela.

– Bisteca de porco. Um tempinho na mostarda, alho, molho inglês, canela, e depois numa frigideira grossa com um fio de óleo.

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– Costelinha suína. Quando compramos a peça inteira, fatiamos antes de colocar no tempero. Esse é um dos poucos pratos que eu recomendo ter tempo. É fácil de fazer: dá pra fazer temperando na hora e em menos de 1h de forno alto, mas descobrimos que se você deixar um tempo no tempero, e depois 2h em fogo baixo, na faixa dos 220 graus, fica muito mais macio.

Como eu passo bastante tempo em casa, é comum eu colocar as carnes no tempero no meio da tarde pra preparar à noite ou no fim do dia, no caso da costelinha. Se você tem menos tempo, eu arriscaria colocar no tempero na noite anterior, pra tostar na noite seguinte.

Esses pratos com porco também são congeláveis.

Com porco também já fizemos nosso próprio lamen, seguindo aquela receita da Marisa Ono que leva 6h de cozimento de ossos de costela. Tínhamos macarrão importado comprado na Liberdade, um pacote que fica refrigerado. Fizemos tyashu, tínhamos alga, cebolinha, shitake, tikuwa. Mas esse é o tipo de coisa que merece um post só pra esse prato, ele não entra na categoria dos práticos.

Na categoria dos práticos, a sugestão seria turbinar o seu miojo com o ovo de gema meio mole (uns 6 minutos depois que começa a ferver), cebolinha e, se você gosta, bisteca picada em pedaços pequenos no lugar do tyashu.

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Peixe

Filé de tilápia é nosso peixe principal. Às vezes também compramos salmão, porque o Daniel gosta, mas temos evitado.

O filé pode ser temperado, empanado e frito, mas poucas vezes fazemos isso. Nossos principais pratos com tilápia são cozidos com legumes ou ao forno.

– O cozido com legumes você pode variar os temperos e os ingredientes como quiser. Vou descrever nosso tailandês. A gente pica cebola bem pequena, refoga, depois acrescenta tomate picado pequeno, sem sementes, um pouco de coco ralado, um pouco de sal. Enquanto os legumes estão refogando, jogo um pouco de limão, sal, pimenta do reino nos dois lados dos filés de peixe, e separo o filé em duas partes, porque sempre tem a parte mais fina e mais grossa. Quando esses legumes estiverem bem refogados vai o leite de coco, gengibre ralado, cozinha um pouco, depois você coloca as partes do filé mais grossas, deixa uns 3 minutos, depois coloca as partes mais finas do peixe. Depois de desligar, umas folhinhas de hortelã. Se você gostar, pode colocar um pouco de óleo de dendê quando for colocar o leito de coco.

– Ao forno é bem fácil. Ligue o forno. Tempere os filés com limão, pimenta do reino, sal, alcaparras picadas. Coloque numa assadeira, regue com azeite. Menos de 10 minutos no fogo médio-alto, na parte de cima. A aparência não é tão bonita, mas fica leve e saboroso.

– Ceviches. O ideal é com o peixe fresco, mas já fizemos com peixe descongelado. Pegue alguma receita da internet. O nosso básico é tempero de limão, sal, coentro, pimenta fresca bem picada, cebola. Você joga o peixe no tempero, com cubos de gelo, depois tira os cubos pra não deixar aguado, os cubos são só pra gelar, fica mais gostoso. Também já experimentamos com um pouco de leite de coco, fica bom, com gengibre também, ou com pedaços de caju também é uma delícia.

– Salmão grelhado. Se quiser fazer, recomendo um molhinho que cria um ótimo contraste: azeitona preta e anchova picadas, aquece um pouco numa panela com azeite, depois acrescente tomate picado bem pequeno, só aqueça o tomate, tire do fogo, tempere com vinagre (algum vinagre bom, não esses de lavar salada). Não precisa colocar óleo na panela, o salmão já solta muito. E não costumo por sal.

– Sashimi: a gente simplesmente compra uma bandeja de filé de salmão no supermercado, e em casa tira a pele e tenta cortar em formatos semelhantes a o que o sushiman faz. Temos shoyu e wassabi. Quando compramos o salmão em geral a parte mais grossa vira sashimi, e o resto do pedaço cortamos e grelhamos.

Mais receitas com peixes, camarões, polvo: http://claudiakomesu.club/pratos-faceis-com-peixes-e-frutos-do-mar/

 

Frango

Acreditamos que os hormônios dos frangos não fazem bem pra pessoas, então compramos o da Korin.

– o mais fácil é pegar filé de peito, picar em cubos médios-pequenos, temperar a seu gosto (a gente gosta com curry), e tostar em fogo alto numa frigideira com um pouco de azeite.

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Você pode fazer o mesmo com frango, ou porco, ou carne bovina

– você também pode temperar a seu gosto e cortar no estilo de filé, bifinhos, e tostar assim.

– Com coxa e sobrecoxa fazemos cozido na panela com legumes. Frita a cebola, o tomate, o alho, tosta o frango dos dois lados (se veio com pele, tire a pele, é fácil arrancar com a mão), acrescenta um pouco de água e deixa um tempo cozinhando. Deixa cozinhando até ficar bem macio, é só ir testando com o garfo. Se você tiver pequi em vidro, pode acrescentar durante o cozimento, fica ótimo. Com pedaços de gengibre também fica muito bom. No final, pode escolher colocar salsinha ou coentro se você gostar. As duas ervas são congeláveis.

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– frango assado inteiro: pode parecer estranho, mas dá muito certo. Você compra o frango inteiro, tira o saquinho que vem dentro dele com os miúdos, lava, deixa escorrer um pouco a água. Enfia naquela cavidade do frango uma colher de manteiga, uma colher rasa de sal, uma cebola inteira média, sem casca. Amarra as perninhas do frango, de forma que o buraco da cavidade fique menos exposto, e deixa assando por quase 2h em fogo médio, até ficar bem tostado.

Sem aquele plástico de assar fica com a pele crocante, mas faz uma sujeira enorme no forno, então eu me rendi e costumo usar aquele plástico de assar.

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Os assados como o frango, as costelinhas, o cordeiro levam mais tempo, mas pra mim estão na categoria dos fáceis, porque levam 10 minutos ou menos pra enfiar no forno, e daí você pode sair da cozinha e ir fazer outras coisas.

 

Cordeiro

Infelizmente em São Paulo está cada vez mais caro. Sei que no Sul é mais fácil encontrar cordeiro a preços melhores. As costeletinhas de cordeiro são ótimas, mas pra comprar em São Paulo geralmente é doído. O pernil de cordeiro está na faixa de uns R$ 70, mas como serve umas 4 pessoas vale a pena. Seguimos uma receita da Wessel: você pega o pernil, faz furinhos nele pra enfiar lascas de alho, pedacinhos de anchova, rega com um pouco de óleo e tomilho seco, depois leva pro forno (que você já tinha deixado ligado), durante uns 15 minutos você rega um pouco mais com esse óleo e tomilho, rega umas 3 vezes nesse tempo. Daí tira do forno, joga sal, vira, e fica mais uns 20 minutos em fogo médio. Polenta ou cuscuz são os acompanhamentos.

 

Sopas

Nossa favorita, que a gente mais faz, é de carne bovina com cebola, cenoura, tomate, alho e pouca batata. Gostamos dela com curry, mas às vezes fazemos sem curry porque o Daniel não curte tanto.

Há muitas receitas de sopa, e geralmente elas são congeláveis. Vale a pena fazer quantidades grandes, guardar congelada, e assim você sempre terá um jantar saudável, que pode ser incrementado com um queijinho e um pouco de pão.

Atualização sobre sopas – ago/2016

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Em julho de 2016 fomos pra Romênia e viciamos na chorba. Há receitas infinitas, mas basicamente ela terá legumes, alguma carne (de boi, ou de porco, ou carneiro, ou frango, ou peixe), e será azedada no final com limão, ou vinagre, ou um pozinho da caldo Knorr.

Depois que voltamos já fizemos 3 vezes. A receita básica é:

  • cebola, cenoura e pimentão vermelho cortados pequenos e refogados. Você pode incluir salsão, tomate, vagem, o que você quiser. A gente só fez a versão cebola-cenoura-pimentão e esse trio mais salsão. Refoga um pouco depois acrescente água pra deixar cozinhando.
  • Quando os legumes começarem a amolecer, você joga pequenas bolinhas de carne moída, as perisoare. É carne moída crua, misturada com arroz cru. Opcional colocar cebola bem picada e cebolinha nessa mistura.
  • Uma variação é a sopa com costelinhas de porco e as bolinhas de carne moída, ou então só com costelinhas de porco. Colocamos as costelinhas logo depois de refogar os legumes, junto com a água. Mas depois de mais de uma hora de cozimento, as costelinhas ainda estavam duras. Tirei-as, pus na pressão por uns 20 minutos, pra elas amolecerem, depois voltei pra sopa. Deixei mais uns 20 e coloquei um pouco de arroz pra cozinhar com a sopa.
  • Na hora de comer, as costelinhas estavam bem macias. Tiramos a carne num prato à parte, colocamos o limão na hora de comer, salsinha, e uma colherada de coalhada ou iogurte natural sem açúcar.
  • Numa das vezes testamos uma receita com páprica. Interessante, mas achamos que a páprica fica muito pronunciada, preferimos sem. Numa das vezes estávamos sem limão, azedamos com vinagre. Funciona, mas com limão é melhor. A não ser que seja peixe, se for chorba (ou ciorba) de peixe, eles recomendam azedar com vinagre.

É muito comfort food e seria bastante light, se não fossem pelos pães, queijos e vinho que acompanharam a sopa.

 

Massas

– Penne ou espaguete com molho de linguiça, tomate, ervilhas. Penne sempre bem durinho. O Barilla a gente costuma cozinhar 2 minutos a menos do que a caixa dizer ser ao dente. No molho de tomate e linguiça colocamos um pouco de pinga e tomilho. Às vezes um pouco de feijão branco – pode parecer estranho, mas fica bom, invenção do Cris. Lembre que tem que ser a ervilha congelada, não a em lata. Servimos a massa e o molho separados, montamos o prato na hora, acrescentamos parmesão também ralado na hora. Não use molhos prontos baratos. Faça seu próprio molho com tomates bem maduros, ou então use aquelas passatas (aqueles vidros de polpa de tomate), e você cozinha com cebola e alho.

– Penne ou espaguete com legumes e alguma carne picada pequena. Vagens picadas na transversal. Cebola. Tomate em cubinhos. Se quiser, alguns palitos de cenoura finos e pequenos, mas não é essencial. Tudo tostado no azeite. Os cubinhos de carne podem ser algo que você tinha pronto no congelador, ou se você fez na hora, use a mesma frigideira que você tostou a carne pra tostar os legumes, dá mais sabor. Os cubinhos de carne podem ser de carne, ou de porco, ou de frango, ou de cordeiro. O tal tempero de mostarda, alho e molho inglês combina bem com esse prato.

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– espaguete à carbonara. Nossa versão é cubinhos de bacon bem pequenos, com a gordura escorrida. Duas gemas de ovo (só a gema, sem as claras), misturadas com um pouco de algum queijo forte, como pecorino ou parmesão ralado na hora. Deixe o espaguete um pouco mais duro do que ao dente, porque você ainda vai mexer um pouco ele na panela quente. Escorremos a água do espaguete, na mesma panela acrescentamos o bacon e depois a gema com o queijo aos poucos, sempre mexendo. Na mesa, você deixa mais queijo pras pessoas se servirem. Também fica uma delícia com um pouco de azeite trufado. O Tartufólio da Colavita, trufas brancas, na faixa de R$ 40 e pouco está muito bom. O azeite trufado também combina muito com ovos ou qualquer massa que não tenha molhos fortes. O Spadaccino (restaurante na Vila Madalena) tem um prato que é um ravióli grande, recheado com uma gema de ovo, e um intenso sabor de trufas. Uma delícia.

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Pra calcular quantidades: a medida é cerca de 100 gramas por pessoa. Se tem pouco molho, como no carbonara, e o carbonara é o único prato, colocamos um pouco mais.

 

Acompanhamentos

Antes de falar dos acompanhamentos, queria dizer que a gente gosta de pratos com contrastes. Carne de panela bem temperada acompanhada de polenta suave. Costelinha de porco acompanhada de purê de maçã. O tal salmão grelhado contrastando com um molhinho ácido. Tinha um restaurante bem falado, mas apesar da comida bem feita eu não gostava porque eles faziam coisas como barriga de porco em molho adocicado, acompanhada de purê de castanhas. Sem contraste, sem graça.

Também costumamos jantar pratos que num restaurante seriam só uma entrada, como a polenta com carne, o cuscuz, o steak tartare.

– Os clássicos arroz e feijão. Os dois são congeláveis. Em geral minha empregada faz arroz branco, que vai durar uns 3 dias, e o feijão a gente vai tirando de potes pequenos do congelador quando queremos comer feijão.

– Legumes tostados: vagem, quiabo, fatias finas de berinjela, fatias finas de cenoura, pimentão, pimenta doce: vai testando. Tostados na frigideira com um pouco de azeite e sal. Ótimo acompanhamentos pra qualquer carne.

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– Cuscuz marroquino. Muito fácil de fazer: a mesma medida de água e de cuscuz. Você ferve a água com um pouco de azeite e sal ou um pedacinho de cubinho de carne. Quando a água ferver, você desliga, e vai jogando o cuscuz devagar e mexendo. Deixa tampado uns 3 minutos. Depois com uma colher de pau você dá uma aerada pra deixar ele soltinho. Opcional é voltar pro fogo com um pouco de manteiga, em geral a gente não faz. Colocamos ervilhas e às vezes amêndoas também.

Comemos o cuscuz como acompanhamento de cordeiro, ou de frango, ou também comemos só o cuscuz turbinado com pedaços de carne.

– Ervilhas congeladas da Boundelle. Por muito tempo eu só conhecia as ervilhas em lata, e achava que não gostava de ervilhas. Depois que comi as congeladas, minha opinião mudou. Elas têm uma cor, textura e sabor muito melhor do que as em lata. Ferva a água, jogue as ervilhas, deixe uns 2 a 3 minutos, vá provando. Se for da safra boa, elas farão um ploc na sua boca. Escorra, coloque azeite e um pouco de sal.

– Cenoura: pique em palitos finos. Esprema bastante limão, um pouco de água, um pouco de sal, deixe uns minutos no congelador. Viram cenouras crocantes deliciosas.

– Outro que fica mais crocante em água gelada é a cebola. Quando fazemos ceviche deixamos as fatias de cebola uns minutos numa tigela com gelo.

– Rabanetes: se você pega os bons, eles são bem crocantes (naturalmente, sem precisar de nada), e alguns um pouco ardidos. A gente só lava, corta ao meio ou em quatro, e joga um pouquinho de sal.

– Pimentões temperados com alho, pimenta do reino e vinagre. Você pode levar ao forno ou colocar direto na chama do fogão. No forno ele só murcha, no fogo a casca fica pretinha. Depois de tirar do forno ou do fogo coloque dentro de alguma embalagem fechada e deixe uns minutos: fica mais fácil pra tirar a casca. Tire casca e sementes, fatie, tempere com alho cru fatiado fino, grãos de pimenta do reino, vinagre e sal. Bom acompanhamento pra carnes diversas.

– Abóbora japonesa: comprada daqueles pacotes a vácuo, já picada. Com cebola, alho e sal. Se estiver com pressa, cozinhe antes uns minutos no microondas, depois você leva pra panela com a cebola e alhos tostados.

– Polenta. Outra beleza de facilidade. Ferva a água com sal, depois vai colocando a polenta devagar, e mexendo sempre. Ela vai borbulhar e espirrar, é bom ter uma colher de pau comprida, mas em poucos minutos você pode desligar. A caixinha dá uma proporção de água e polenta que não serve pra gente, gostamos dela bem mais mole, então é uma medida meio no olho. Uma polenta bem quentinha, com um bom parmesão ralado em cima, ou cubinhos de queijo misturados, e acompanhada de alguma carne, é bem comfort food.

– Brócolis. Dizem ser um dos vegetais mais completos. Brócolis, couve, espinafre, tudo que for verde escuro, dê preferência. Gostamos do brócolis bem durinho. Cozinhamos no vapor, vai furando com o garfo pra testar, tira da panela, o certo seria jogar numa bacia com água e gelo, mas confesso que só passo na água da torneira. É pra interromper o processo de cozimento. Comemos com azeite e sal, ou às vezes fatio e tosto com um pouco de azeite e alho. Se você pretende tostar um pouco com alho e azeite, cozinhe por menos tempo no vapor.

– Couve: picada no jeito tradicional, com alho.

– Batata inglesa ou batata doce. Ambas você pode cozinhar na água ou no micro-ondas, até ficarem macias (fure com um garfo pra saber), depois você tosta numa frigideira com um pouco de azeite e uma ervinha como alecrim ou tomilho, até ficarem bem coradas de cada lado. Não as descasco: só lavo com a bucha, e pico em rodelas médias, com casca e tudo.

Na Espanha conhecemos a patatera: uma batata com páprica e gordura de porco preto, uma delícia. Na internet achamos umas receitas com 40% de gordura de porco (não me admira que a gente passasse mal vários dias). No Brasil fizemos uma receita adaptada: descascamos a batata inglesa, cozinhamos no microondas até ficar macia, depois picamos em pedaços pequenos. Numa frigideira aquecemos um pouco de alho esmagado, depois colocamos a batata regada com azeite, mais páprica agridoce e um pouco da picante, tostamos um pouco e amassamos com o garfo. Temos um negócio chamado lardo, que é a gordura de porco maturada. Picamos pedacinhos pequenos e acrescentamos no final, um pouco antes de desligar. Ótimo acompanhamento pra polvo ou carnes.

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Tortilha: Nossa receita é duas batatas médias cozidas no microonadas até ficarem macias, tira, fatia, tosta no azeite. Depois coloca numa tigela, amassa um pouco com a colher de pau, e acrescente 4 ou 5 ovos batidos, dependendo da sua frigideira. A gente tem uma omeleteira, é ótimo. Esse é o básico da tortilha. Antes de fritar você pode acrescentar pedacinhos de queijo, ou de linguiça, ou cebola frita. Tem várias receitas na internet. Uma vez o Cris quis experimentar uma que fazia pra cozinhar as batatas em um montão de azeite, em vez de dourar com um pouco de azeite, mas achamos que não vale a pena. Várias receitas tradicionais de outros países recomendam doses enormes ou de óleo, ou azeite, ou manteiga. A gente sempre diminui e acha que fica melhor.

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– Farofa. Há vários tipos, mas uma das nossas favoritas, em especial pela praticidade, é a de Mandioca Deusa que você coloca numa panela pequena e fica mexendo até ela ficar bem tostada. Coloque um pouco de sal. No caso de acompanhamento do peixe, colocamos um pouco de óleo de dendê, mas não é essencial. Quando é acompanhamento da carne, às vezes colocamos um pedacinho de manteiga, e fazemos um vinagrete simples de tomate e cebola picados pequenos e temperados com vinagre pra acompanhar a carne. Também fazemos farofa com ovo cozido e azeitonas.

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– Grão de bico. Tem várias receitas na internet. Cozido na panela de pressão, entre 15 e 20 minutos. Da última vez deixei de molho de um dia pro outro, e 20 minutos na pressão, mas achei que passou do ponto, ficou mole demais, a gente gosta dos grãos mais firmes. Servem como acompanhamento pra alguma carne, só com sal e azeite, ou podem ser com tomate, cebola, salsa ou coentro. E também combinam com alguma carne de sabor mais forte, como a carne de panela ou linguiça. Você também pode fazer um homus simplório batendo o grão de bico (cozido, molinho) no liquidificador com um pouco de água, um pouco de alho, azeite, sal e limão. E tahine se você tiver, mas eu já fiz sem e não fica mal.

– dizem que o grão de bico de lata da Boundelle também é bom e super prático.

– Tabule: trigo para quibe não faz parte dos pós brancos, está na categoria de alimentos desejáveis. É muito fácil fazer tabule. Aqueça água, deixe o trigo de molho uns 20 minutos, escorra bem, de preferência com ajuda de um guardanapo de pano. E depois acrescente a cebola, tomate, salsinha, hortelã, sal, azeite, pepino. (Eu já fiz o simplório, de quem não tem salsinha e hortelã e esqueceu do pepino. Também fica bom).

– Guacamole: ótimo com o ceviche. Exige avocados bem maduros, em geral raros de achar, eu compro e tenho que esperar uma ou duas semanas eles amadurecerem, daí providencio o peixe pro ceviche. Pra guacamole basta misturar o avocado com um pouco de limão, coentro, sal, cebola, pimenta.

– Um prato romeno, pra quem gosta de feijão e alho: o feijão branco, caixinha pequena tetrapak da Camil. Abre, lava, escorre, tempera com azeite, alho cru amassado, sal. Fica muito bom com carnes bovinas.

 

Não jogue comida fora

Guarde restinhos, ressuscite comidas, seja criativo. A maioria das carnes que você já comeu numa refeição pode ser picada em pedaços pequenos e virar ingrediente de um delicioso molho de tomate para massas ou polenta. Fazemos isso com boi, frango, cordeiro, salmão.

Você também pode tostar cebola, vagem, tomate, brócolis e acrescentar os pedacinhos de carne. Pra ser um macarrão, ou pra acompanhar um cuscuz ou arroz.

Você pode ter só os restinhos da carne e não querer fazer nada, só esquentar, e compor com outros restinhos (como grão de bico), a cenoura crocante, salada.

A maioria das comidas que precisa ser ressuscitada revive muito bem numa frigideira com um pouco de azeite e às vezes algum tempero. Outro dia ressuscitamos uma polenta mole que estava há 2 dias na geladeira. Em vez de ir pro lixo, ela foi pra frigideira com um pouquinho de azeite, ganhou uma casquinha crocante e ficou uma delícia.

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Tostar algo numa frigideira com um pouco de azeite renova qualquer coisa. Esse é meu pão integral com queijo branco (quase já totalmente comido, só lembrei que precisava fotografar no fim), tostado com um pouco de azeite. Assim nem parece queijo branco.

 

Outra dica da reeducação alimentar: não coma até ficar satisfeita, pare antes. Se a gente engordou, estamos comendo mais do que precisamos e provavelmente o estômato está dilatado. Vá se acostumando a comer quantidades menores.

Lembre que as sobremesas são totalmente dispensáveis, que comer doce é um vício químico. Se terminou o jantar e ainda está inquieto, vai comer uma fruta, ou faça um chá gostoso, de preferência sem açúcar ou adoçante, saia da mesa.

 

Cuide principalmente das suas refeições noturnas, elas são o que mais influencia na balança.

Não caia na armadilha do pão com presunto, pão com salame. Muita gente faz um lanchinho à noite se sentindo comendo algo leve, mas é bem calórico. Coma um omelete, ou uma carne com legumes, ou uma sopa, uma saladona.

Tente não chegar ao ponto de ficar morrendo de fome, crie o hábito de comer alguma coisa entre as refeições, mas algo saudável, como uma fruta, um cereal, um pouquinho de castanhas, um iogurte. Se você vai pro jantar morrendo de fome a chance da esbórnia é bem maior, além de fazer mal pro seu metabolismo.

 

No próximo post falo sobre as refeições tipo boteco,  brunch ou piquenique. Mas vai demorar… saio de férias hoje e devo ficar offline até o final do mês, a não ser que me sobre muito tempo na viagem, ou que aconteça algo que me obrigue a blogar.

Mais informações sobre pratos com frutos do mar neste post: http://claudiakomesu.club/pratos-faceis-com-peixes-e-frutos-do-mar/