As cerejeiras do Parque do Carmo, São Paulo – SP: só em julho e primeira quinzena de agosto

Quem nunca se imaginou num momento hanami, em um cenário de sonho? Mesmo que você não saiba o que é hanami – eu por exemplo, só descobri a palavra neste ano, graças ao Luccas Longo, com certeza já admirou a beleza das cerejeiras floridas.

Há várias espécies de cerejeiras, e podemos apreciá-las no Brasil graças a antigas alianças com a comunidade japonesa. Campos do Jordão tem um parque de cerejeiras, plantado e mantido pela corônia. Em São Paulo, no Parque do Ibirapuera também há algumas, mas a maior quantidade de árvores de São Paulo está no Parque do Carmo, em Itaquera.

A florada do Ibirapuera parece já ter passado. Mas você ainda pode ver a do Carmo, que tem oficialmente 1.500 pés de cerejeiras. Digo oficialmente porque grandes e floridos não parece ter mais de 100 pés, mas há campos inteiros com pequenas cerejeiras plantadas, e dá pra imaginar que daqui a alguns anos você realmente se sentirá em meio a centenas de cerejeiras.

O Parque do Carmo fica a uns 50 minutos (sem trânsito) da zona oeste. O endereço é Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951. Esse é o endereço de uma das portarias de pedestres, se você for de carro, passe por esse ponto, avance mais alguns metros e logo você verá uma placa indicando a entrada do estacionamento. Há um pequeno estacionamento logo no início, mas passe esse, avance, e você logo verá um maior, mais próximo de um ponto de controle pelo qual só veículos autorizados podem passar.

O lugar das cerejeiras não é muito pertinho do estacionamento, infelizmente. Quando você começa a andar pelo parque, vai passar por um descampado grande, subir uns degraus, verá um lago grande, de formato oval. Pegue o caminho à esquerda do lagão. Você andará por toda essa margem, na ponta tem uma pequena área com taboas, e quando parece que você vai começar a dar a volta pelo outro lado, verá o bosques das cerejeiras.

Fui lá durante a semana, com meus companheiros inseparáveis de passarinhadas, o Luccas Longo e a Juliana Diniz, sentindo a ausência do Rodrigo Popiel – que anda cheio de contratempos. Chegamos às 7h. Na área do descampado corre um pouco de água à esquerda, fomos andando por lá em busca das aves. Um bando de tiês-de-topete, som de pica-pau-de-cabeça-amarela e pica-pau-do-campo, pula-pula. Mas estava frio e escuro, nenhuma foto boa.

Na beira do lago, frangos- d´água-comuns, biguás, garça-branca-pequena, pés-vermelhos, patos-do-mato, savacu, garça-branca-grande.

Chegando ao bosque das cerejeiras, mesmo frio, céu cinza, escuro, passamos um bom tempo admirando as flores e tentando colocar em fotos um pouco da beleza daquele cenário onírico. Como esperávamos, havia poucas aves, fora um pica-pau-de-cabeça-amarela bem no baixo e no aberto, que estava lá quando chegamos, e passou um bom tempo permitindo ser fotografado por nós e por uma dupla de garotos com mochilas bem grandes, talvez estrangeiros. O Luccas foi o primeiro a ver o pica-pau.

Em Campos do Jordão, onde já acompanhei algumas floradas, via que a atividade costumava começar depois das 10h30, 11h, quando o dia esquentava. Imagino que daí há mais produção de néctar. Antes desse horário nem as abelhas aparecem.  Além do pica-pau, demos a sorte de topar com um macho de estrelinha-ametista, joia minúscula, mas que infelizmente não quis acender o pescoço.

Saímos do bosque e continuamos em frente. Entramos numa trilha no meio da mata à esquerda do caminho. Alguns sons de aves, mas sem avistamentos, e uma quantidade absurda de embalagens de camisinhas e camisinhas, pela trilha toda. Saímos da trilha quase no limite do parque, voltamos para a estrada principal, subimos por um caminho dos campos que estão com as centenas de pés de cerejeiras plantados, e entramos numa nova trilha. Nessa tivemos sorte de topar com um bandinho misto. Vários tiês-de-topete, tiê-preto, um pica-pau-verde-barrado, pula-pula, cambacica, pitiguari. Um pica-pau-de-banda-branca atendeu ao playback do Luccas, mas ficou um segundo e foi embora.

Hora do piquenique! Fomos para o estacionamento pegar as comidinhas, mas erramos o caminho da volta. Pegamos o lado errado do lago, demos uma volta maior. Eu já estava bem cansada, com a sensação de que meus três quilos de equipamento na verdade eram uns 5kg, e que alguém tinha colocado pedras na minha mochila, quando de repente olho pro céu e “ave de rapina no céu!!”. Algo diferente, com certeza não era um carijó. Não estava muito alto, mas pareceu que logo foi embora. O Luccas estava com o guia de campo, foi checar, e identificou “gavião-de-cabeça-cinza”. Primeira vez que vi um adulto. Antes disso, só um imaturo muito de longe. Continuamos olhando pro céu, e de repente ele voltou à vista, mas mais alto. Rendeu mais algumas fotos, e depois sumiu.

Somos um grupo muito unido, por isso a primeira pessoa em quem a gente pensou foi no Rodrigo. “Vamos fotografar o visor da câmera e mandar a foto pro Rodrigo, com um ‘chupa, Rodrigo!’ “. No fim a Ju não teve coragem de escrever isso, mas eu teria apoiado :o) Isso porque ele é amigo querido e não tinha ido porque passou por uma pequena cirurgia na mão, mas sabem como é essa relação com amigos: intimidade é uma merda.

Pegamos as comidinhas no carro e voltamos ao bosque das cerejeiras. Escolhemos um local em que pudemos colocar as comidas no banco, e sentamos no chão, sobre cangas. Pães, brie, requeijão, patê de azeitonas, cenoura, pepino, presunto-cru, cerejas, peras, morangos, água e vinho.

Piquenique é uma delícia, se você nunca fez, é muito fácil. As nuvens foram embora, o céu estava azul, vimos que agora havia muitas abelhas e outros insetos, e até chegamos a ver alguns beija-flores, sanhaçus e saíras-amarelas. Mas não pudemos explorar mais, era hora de ir embora.

Neste fim de semana, do dia 2 e 3 de agosto, é o 36º festival das cerejeiras. Provavelmente milhares de pessoas passarão pelo parque. Gente demais pra birdwatching tranquilo, mas se você só tem o final de semana, aproveite pra ir. Eu acho que ainda haverá flores pelas próximas duas semanas, mas cada vez menos.

Bom hanami!

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