Category Archives: Música

Pra mudar de sintonia

Meio por acaso pensei em duas obras que mudam minha sintonia (pra melhor), e quis compartilhar. E pesquisando sobre uma delas, achei indicação de outra, que só o trailer é de tirar lágrimas. Vou falar delas:

1 – Os novos álbuns de Antonio Meneses

Com obras pra violoncelo de Schumann, Tchaikovsky. Nem sou entendida em música erudita, só descobri este disco porque uma sexta à noite fui levar o Daniel num aniversário, era num boliche. Parei em frente, ele não desceu do carro, perguntei se ele queria que eu entrasse com ele, ele olhou pra baixo e falou “seria gracioso da sua parte se você entrasse comigo”. Eu queria muito entrar. Ele tem quase 14, mas pra mim ainda é o garoto pequeno de 4 anos, que a gente levava em festas e quando ele via aquele monte de gente, apertava minha mão com força.

Mas a gente tem que incentivar autonomia, não? Então eu fiz de conta que sou durona e falei “vamos fazer assim. Você entra sozinho, e quando encontrar seus amigos, me manda uma mensagem. Eu estarei esperando aqui fora, quando receber sua mensagem, vou embora” (é preciso dizer que o boliche era na PQP, perto da Raposo, qualquer um ficaria com medo de ser o local errado, de ficar sozinho lá 🙂 ). Ele entrou. A rádio estava na Cultura FM e tocava uma das músicas lindas desse álbum, que felizmente depois o locutor contou o que eu estava ouvindo. Fiquei esperando o Daniel me mandar mensagem enquanto me escorriam as lágrimas da saudade da mão pequena do Daniel, da dor de ter que mandar ele entrar sozinho, a passagem inexorável do tempo.

E eu teria ficado esperando pra sempre, porque o cretino não me mandou mensagem. Fiquei 10 minutos esperando, daí mandei msg, e depois de uns minutos ele respondeu. Eu entendo. É mico encontrar os amigos e ter que parar uns segundos pra mandar mensagem pra madrasta dizendo “pode ir”.

O álbum é lindo. Não tem como ouvir e não ser transportado pra um mundo muito mais distinto.

Por causa desse disco que ouvi na Cultura FM, encontrei este outro, lançado também neste ano, parceria com André Mehmari. Outra lindeza sem fim:

 

2 – A Vida dos Elfos, de Muriel Barbery

O livro foi lançado no final de 2015, vi por acaso numa livraria no final do ano passado, ainda não tinha certeza se ia comprar mas o Cris decidiu comprar pra mim e sei que hoje é um dos livros que eu amo.

É uma obra carregada de magia. Posso pegá-la a qualquer momento, ler qualquer parágrafo, e ela me remete a uma esfera com mais arte, mais beleza, mais encantamento. Sem nenhum pudor de pensar nos elfos do Tolkien, mesmo no Orlando Bloom (que eu descobri que é um dos poucos atores que o Daniel guarda o nome, por causa do Legolas e do Will Turner. E que é capricorniano 1 dia mais novo do que eu).

Mas voltando, a Vida dos Elfos te transporta. Vou transcrever um trecho:

“(…) Não houve hesitação a respeito de quem deveria ir avisar à menina, o que muito explica o homem que aquele pai era. André, pois era esse seu nome, foi ao quarto de Maria e a encontrou mais acordada que um batalhão de andorinhas. Balançou a cabeça e se sentou ao seu lado com aquela maneira indescritível que era o talento desse camponês pobre mas com estofo de rei — pelo que se diz que não havia acaso no fato de a menina ter aterrissado ali, fazia pouco mais de doze anos, por mais rústica que fosse aquela estranha granja. Por alguns segundos Maria não se mexeu nem pareceu respirar. Depois teve um soluço miserável  e, como fazem todas as meninas, mesmo as que falam com javalis fantásticos e cavalos de mercúrio, chorou com soluços desesperados, desses que aos doze anos se gastam sem contar, enquanto aos quarenta é tão difícil que eles cheguem.”

Li o livro no ano passado e depois o deixei num canto, porque ele termina de forma abrupta, é a primeira parte de uma continuação que ainda não foi lançada e não se sabe quando será, tende piedade de nós, oh Muriel.

 

3 – The Red Turtle

Porque eu estava pesquisando quando vai sair a continuação de A Vida dos Elfos, encontrei um site que parece bem interessante.  Vale apena ler a resenha de Isabelle Simões sobre o livro: http://deliriumnerd.com/2017/09/05/a-vida-dos-elfos-muriel-barbery/

Dei uma olhada, e vi outro post interessante, sobre uma animação minimalista e sem diálogos, que é a mistura da Holanda com a Inglaterra e o Japão. Este é o tal que falei que só o trailer me tirou lágrimas. Talvez porque eu tenha passado os últimos dias lendo demais informações sobre lugares onde você pode fazer snorkel e nadar ao lado de tartarugas, esses animais fantásticos.

E talvez também por lembrar da história do amigo Robson Bento, uma conversa em que eu tentava convencê-lo a não trocar o trabalho de fotógrafo de eventos por fotografia de natureza, que não dá dinheiro. Eu já tinha contado minha história com o gaturamo-rei. Então ele contou de um passeio de caiaque numa manhã na Flórida, sobre estar num lugar longe da praia e de repente ver algo grande, que ele não sabia o que era, e quando chegou mais perto, meio com medo, viu que era uma tartaruga, enorme, linda. Ele olhou pra ela, ela o encarou, era um dia nublado mas nesse momento abriu um raio de sol que fez os olhos da tartaruga brilharem… e ele chorou muito.  Perdi o contato com ele, acho que ele não trabalha mais com fotografia de natureza, mas tenho como presente essa história, e a ideia de que as fotografias de um passeio são o registro do que as pessoas viram. Parece bobo? Pra alguém como eu faz muito sentido, se tornou um dos pilares pra explicar por que eu reclamo tanto do estilo de passeio que só quer registrar lifers.

A Tartaruga Vermelha tem pra comprar no Itunes por uns US$ 15, e vi algo que nunca tinha experimentado, o serviço de compras do Youtube. Sai por R$ 24, ou R$ 29 o HD. Vou comprar hoje ou nos próximos dias e conto se gostei.

https://www.theguardian.com/film/2017/may/28/the-red-turtle-review-studio-ghibli-masterpiece

Mick Flannery

Por causa da indicação da Marcela da Julie Feeney conheci Mick Flannery na rádio da Feneey do Spotify.

Apaixonei. Só não ouço mais porque o Cris é do tipo que não gosta de ouvir a mesma música várias vezes, então quando ele chega eu mudo de estação ou paro a música.

Tinha falado pro Marcelo que Flannery era um Tom Waits for sissies, depois descobri que Tom Waits é mesmo o grande ídolo do Flannery, e que ele tem o orgulho de ter ganhado uma competição em que o Tom Waits era o juíz. A Wikipedia diz que ele tem influências de Kurt Cobain, Leonard Cohen e Bod Dylan.

Músicas que combinam com dias cinza, paisagens amplas, cenas marítimas, ser obrigado a viver com alguma dor grande e que você não quer mostrar pros outros, amizades verdadeiras, homens honrados, um amor que te deixa quebrado pra vida toda, cantigas de ninar tristes. Várias músicas me trazem a sensação de um lugar secreto da sua alma que sempre será só seu, doce e dolorido.

Lyrics to Ships In The Night

I am a sailor, I am a sailor,
An’ I’ve been on my hunt for treasure,
When I find it, when I find it,

I will leave all else behind it.

But the day hasn’t come yet,
the day hasn’t come yet,
the day hasn’t come.

They say the way your life is made,
Is only stars aligning,
On you go the seas’d roll,
Lonely souls a-pining.
The great unknown you live and hope the one that fits you right,
Won’t pass you by.

I wanna see you, I wanna see you,
Though I have no idea what i’ll do.
I wanna feel it, I wanna feel it,
I wanna feel that very moment.

But the day hasn’t come yet,
The day hasn’t come yet,
The day hasn’t come.

They say the way your life is made,
Is only stars aligning,
On you go the seas’d roll,
Lonely souls a-pining.
Will we be those who meet and know a love on it’s sight,
Or two ships in the night?

They say the way your life is made,
Is only stars aligning,
On you go the seas’d roll,
Lonely souls a-pining.
Will we be those who meet and know a love on it’s sight,
Or two ships in the night?

==========================

Take it on the Chin Lyrics

— vale a pena ouvir a versão do White Lies Deluxe, tem no Spotify, com a gravação do show no Cork Opera House. No Youtube tem umas gravações amadoras, mas com som ruim.

E take it on the chin é uma expressão pra me lembrar mais vezes. Consolo pros dias de conversas difíceis com pessoas queridas.

 

Ray: I put fifty fine dollars on this hand

Luther: I”m in.

Paulie: I”m out.

John: Not a chance.

Ray: So only one of you dolls wanna dance?
Boy, you”d better have some b____ in those pants
Gimme two cards.

Luther: One card.

Ray: Oh look at that!
Try to fill a flush up to bite me in the a__.
Jese, you must think Lady Luck is up there hidin” in your hat,
Or you”re tryin” to f___in; fool me boy, we”ll see about that.
It”s a hundred to play now, we”ll see what you weigh now,
The pot is getting hotter boy, we”ll see if you stay around.

Chorus (Frank and Grace)
Oh, the road, the riverboat,
Take it on the chin and deal again,
Till your money”s spent.

John: Jacks or better, deuces wild,
Man, I haven”t won a round in while.
This whiskey must be cloudin” my mind.
I”m getting older, could be losin” my style.

Paulie: Hey John, I hear you”re leavin” us
Headin” off to better parts.
Don”t you go forget us now,
I hope you”re gonna send a card.

John: Yeah, I”m headin” down south a while,
You know me, just the wife and I,
I hear the weathers mighty fine
Down by St Columbentine.

But God knows I need a break from these
And paying your kids college fees
You”ll miss my money more than me
Hey, why don”t the two of you calm down
You”re acting like a pair of

Ray: Shut the f___ up, what the f___s it got to do with you
I don”t see your money here so you don”t get to contribute
Nothin” to this little battle me and the boy are havin”.

Luther: You gonna play or you gonna talk all day?
If you don”t got the money, throw those cards aay.

Ray: Ah you”re bluffin”, you got nothin”, I say read “em and weep, cause I”m in.

Chorus

Repeat Chorus

 

Obrigada pela confiança

Na semana passada almocei com uma amiga que não via há anos. Pra falar a verdade, no passado a considerava uma colega querida, não exatamente uma amiga, não que ela não mereça, mas só porque pra mim a palavra amigo tem um significado específico. Acho estranho ouvir as pessoas falando sobre seus amigos, e eu tenho um grau razoável de certeza de que estão falando de colegas, e não de pessoas em que você confia, se sente à vontade, conversa sobre coisas íntimas e importantes, pede ajuda, se preocupa, sente saudade, torce pra que a vida dê certo pra aquela pessoa, xinga e é xingado, os anos passam e você não sente distância.

Depois desse almoço já posso falar sem me preocupar “almocei com uma amiga”.

O prazer de conversar com alguém que está apaixonada, seguindo o coração, sem medo de falar dos sentimentos. Mãe separada, alguém que pode falar “não tenho empregada, faço as unhas na manicure mais baratinha, não tenho nenhuma roupa muito especial, não posso comprar coisas caras, como fora muito de vez em nunca. Mas pago todas as minhas contas, sempre posso pagar a escola do … que pra mim é a prioridade, passei um tempo sem carro, agora voltei a ter. E o mais importante: nunca mais fui obrigada a aguentar gente como o…”.

O … era chefe da …, alguém que capaz de mentir na cara dura e prejudicar a … só pra ganhar um olhar de aprovação do diretor. Eu não sabia dessas histórias, mas na hora que ela falou eu soube que era verdade. Ela contou que na época estava lendo um livro sobre o stalinismo (ela falou o título e eu esqueci), e ficava fazendo paralelos, pensando que dava pra entender como havia gente capaz de denunciar as pessoas sabendo que aquela denúncia levaria à morte, vendo a facilidade com que as pessoas podem mentir só pra ganhar um olhar de aprovação.

Conversamos sobre muitas coisas, mas queria destacar esse pedaço da conversa, porque vai ao encontro dos meus pensamentos pra 2016. Que eu quero cada vez mais distância de mentira, maldade, falsidade.

Que não ter que lidar, ou ter que lidar o mínimo com pessoas com falhas graves de caráter é algo que não tem preço.

A … me falou de tantas coisas importantes. E vou me permitir um tempo de comemoração mental porque acho que esse almoço aconteceu graças ao blog. Não conversávamos há anos, mas daí ela topou com um post meu vendo o Facebook da querida Marcela, começou a ler, me mandou alô, contou que estava adorando, de vez em quando mandava mensagens fofas do tipo “continue escrevendo, acredito que muita gente, como eu, o considera reconfortante e provacativo”, eu falando que a gente precisava se ver mas sem marcar de verdade, até que falei “faz assim: quando puder, me manda uma mensagem dizendo ‘vamos tomar um café na quinta em tal hora’ “, e daí eu desemperro, e foi assim que nos encontramos.

Você é muito querida, pode se sentir orgulhosa todos os dias das escolhas que você tem feito pra sua vida, adorei almoçar com você e espero te ver mais vezes.

 

E continuando na linha de assuntos demodê, como amizades de verdade, banana pro consumismo, bondade, nesses dias me peguei ouvindo de novo alguém que foi tão querido na adolescência e que tem tantas músicas que consigo ouvir até hoje. Especialmente as músicas de um disco que vendeu pouco, mas que tem letras que tenho cantarolado bastante nesses dias.

 

Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar

Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá

Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco,
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça

Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar

Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar

Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar pra bem longe

mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou

Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/os-anjos-1.html#ixzz3zpdvw9y4

 

(…)
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera –
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição

Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/perfeicao-com-trecho-da-musica-ao-vivo.html#ixzz3zpZzE5V0

Die a Happy Man – o ridículo de quase morrer por uma música cafona

A viagem foi incrível, talvez uma das melhores. A vastidão do Death Valley, jogo dos Lakers, momento intimista com os meus queridos pardais do deserto, comida tailandesa autêntica, ganhar drinks e dicas num bar em Los Angeles. E tantos pensamentos sobre cidades, pessoas, a riqueza da Costa Oeste, a pobreza do Brasil. E sobre o nada, o vazio, mas não os que trazem o desespero, e sim aquilo que te fortalece.

E o que estou fazendo em vez de registrar tudo isso? Só blogando sobre o ridículo.

– Você está séria

– Estava ouvindo a música. Fiquei comovida com a música.

– O que a música falava? Algo sobre hand, happy man (O Cris sabe muito mais inglês do que eu, só não estava prestando atenção na letra)

Segurei na mão dele e falei bem séria “If all I got is your hand in my hand, I would die a happy man”, com os olhos molhados. O Cris também ficou comovido, e os olhos dele começaram a encher de lágrimas. O problema é que ele estava dirigindo e eu fui ficando preocupada — “tá bom, tá bom, a gente ia morrer happy, mas não precisa ser agora, por favor, olha pra estrada”

Começamos a rir, as lágrimas acabaram, e não fiquei mais com medo de que a gente ia capotar o carro.

Uns dias depois resolvemos dar uma olhada na música, Die a Happy Man foi fácil de achar, mas aí topamos com o clip oficial da música e PUTAQUEOPARIU. Se a gente tivesse morrido por causa de uma música com um clip tão cafona, não daria pra morrer feliz.

Vimos a letra inteira, antes só tínhamos ouvido um pedaço. O Cris  achou lamentável falar de Northern Lights e Torre Eiffel, red dress, black dress, pra mim não era tão doído, o que doeu foi ver o close da cara do compositor-cantor — na primeira vez que ouvi imaginava um jeito mais cowboy-honesto-Robert-Redford-Encantador-de-Cavalos, mas o que realmente estraga é o clip.  Que eu não vou colar aqui. No Youtube tem um monte de covers, mesmo desafinados, alguns são bem comoventes. A melodia e o refrão são tão legais, custava ter uma letra melhor? Um outro clip? Se você tiver o espírito forte, só ouça a música e nunca vá ver o clip oficial.

 

Por acaso, na sequência do Youtube apareceu esta música, mas a versão original — que confesso que eu estava curtindo a melodia sem prestar atenção na letra, mas quando olhei no visor do rádio me senti constrangida “não acredito que estou curtindo uma música do Justin Bieber… e eu nem sei nada dele, só lembro daquele concurso em que os hackers alteraram o resultado pra dizer que o país que os fãs queriam mandá-lo era a Coréia do Norte”:

 

pop demais? Rodando pela Costa Oeste não parecia. Em Los Angeles as rádios enjoavam, mas na estrada no geral sempre havia muitos rocks e música country boa. Os dois países com as melhores músicas: Brasil e Estados Unidos.

 

Yon Preston e Kelly Kyara

(confesso que agora toda vez que estou brava com algo ou alguém me vem a voz doce da Kelly Kyara e eu posso cantarolar “Baby you can go and fuck yourself”)

Lyrics: 

Yo: 
All the times that you rain on my parade
And all the clubs you get in using my name
You think you broke my heart
Ohhh girl for goodness sake
You think I’m crying
Oh my ohhh, well I ain’t!

And I didn’t wanna write a song
‘Cause I didn’t want anyone thinking I still care, I don’t
But, you still hit my phone up
And baby I be moving on

And I think you should be somethin’ I don’t wanna hold back
Maybe you should know that
My mama don’t like you and she like’s everyone
And I never like to admit that I was wrong
And I’ve been so caught up in my job
Didn’t see what’s going on
But now I know
I’m better sleeping on my own

‘Cause if you like the way you look that much
Ohhhh baby you should go and love yourself
And if you think that I’m still holdin’ on to somethin’
You should go and love yourself

Kelly: 

All the times that you had to check my phone
The failed attempts to quit that shit that you smoke
Always stumbling in with makeup on your shirt
You think I don’t know that you still talk to her
And you told me you were movin on
You just don’t want anyone thinking you still care but you still keep them screenshots
And I guess you just loved you more
All your boys told me how you wanted something real but I guess I wasn’t good enough

My daddy gon’ kill you when he hears this song
He knows that you lied to me, he’s glad to see you gone
You’re just so messed up in your mind, you cannot see what’s inside mine
But now I know, I’m better sleeping on my own 
No I don’t like, the way, you played me out 
Maybe you can go and fuck yourself
and if you think that I’m still holdin on to something 
Baby you can go and fuck yourself

Yo: 

For all the times that you made me feel small
I fell in love now I fear nothin’ at all
I never felt so low when I was vulnerable
Was I a fool to let you break down my walls?

Cause if you like the way you look that much
Ohhhh baby you should go and love yourself
And if you think that I’m still holdin’ on to somethin’
You should go and love yourself

Yo & Kelly

Cause if you like the way you look that much
Ohhhh baby you should go and love yourself
And if you think that I’m still holdin’ on to somethin’
You should go and love yourself

Shut up and fish

Ouvimos na rádio local, talvez do Coachella Valley

E pude usar esta manhã (22/01, achei que tinha publicado mas não publiquei), no Zabriskie Point, quando o Cris ficou animado demais com o nascer do sol bonito e o céu cor de rosa e quis me falar como aquele lugar era lindo. Tinha outros fotógrafos ao redor, comecei a me sentir gafenta por estarmos quebrando o silêncio, e tive que falar “shut up and fish”.

Pensei em você, Taty. Vou te mandar uma msg depois.

E também gostei desta, com um ridículo básico que pra mim não é pra humilhar os homens, mas pra mostrar como o sensualismo dos clips é absurdo.

Eu gosto do cafona

Umas duas semanas atrás virei gente e criei uma conta pra mim no Rdio. O Cris já tinha uma conta que a gente usava, mas sabem como nunca é a mesma coisa você ter a sua conta, com as suas listas, suas escolhas.

(Se você não conhece: serviços como o rdio.com permitem você ouvir música por streaming, fazer playlists, baixar as músicas pro celular. Agora há vários. Custam em média uns R$ 15 por mês. O Rdio permite ter um plano familiar pra até 4 pessoas, que pagam mais R$ 7,50 pra ter os mesmos direitos do titular. Dizem que o Spotify cobre melhor lançamentos, mas começamos com o rdio e até agora foram pouquíssimas as músicas que procurei e não achei. Pra saber mais: http://www.androidpit.com.br/spotify-deezer-rdio-melhor-servico-streaming).

Tenho um Ipod velho, de 2007, a primeira vez que vi nem sabia o que era. O Cris estava me mostrando as coisas que trouxe da Coréia e falou “isso é seu”, e eu tive que perguntar o que era. Passei anos com os mesmos 4GB de músicas da época em que a gente emprestava CDs e criava bibliotecas no Itunes. Nina Simone, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Aretha Franklin, Chico Buarque, Elis Regina, Tom Jobim, Adoniran Barbosa, Cássia Eller, Cindy Lauper, Suzana Veiga, Diana Krall, Jane Monheit, Tom Waits, Nick Cave, Smiths, The Cure, algumas coisas de jazz, Bach, trilhas sonoras. E também um punhado de som de aves, o que deixa o shuffle engraçado.

Como vocês sabem, não acompanho atualidades e não tenho nenhum problema em curtir velharias ou coisas fora de moda.

Criei vida própria no rdio e comecei a fazer novas listas, a partir de coisas como post da Rolling Stones sobre as 500 melhores músicas. Por enquanto já são 17 playlists, com títulos do tipo “Dias de chuva e sol”, “Playlist da depressão”, “Churrasco”, “Longas edições”, “Milk Shake”. Nada depuradas, só estou jogando as músicas, algumas ainda nem ouvi a lista inteira. Elas são secretas, mas talvez antes de viajar eu as torne públicas.

Vendo a lista de músicas, descobri que não é só uma questão de não me preocupar com o que é cool e antenado: eu gosto de um monte de músicas cafonas. Até criei uma lista chamada “Cafonas queridas”, mas a verdade é que há um monte de músicas cafonas espalhadas nas outras listas.

Eu e o Cris estávamos tentando separar o brega do cafona. No geral parece que é assim: o brega não tem pretensões, ele nasce com o elemento do auto-deboche. Já o cafona achava que ia chegar lá, em determinado patamar cultural respeitável. Não chegou. Patinou no estreito caminho da elegância, geralmente por fazer concessões ao sucesso.

Das coisas que tornam uma música cafona: tem a parcela de letras ridículas, ou letras apelativas feitas pra você chorar. Mas acho que o que mais pesa na cafonice é a apelação emocional. Ela tem uma batida e um tom de voz feitos exatamente pra você cantar no chuveiro, ou de braços erguidos e olhos fechados, batendo palmas, ou fazendo uma onda com os braços. Muitas vezes a música tem um coro de “ôh ôh”, “hey hey”, “baby” ou algo assim, e refrões totalmente chiclete.

“Vai se foder”, você pode me dizer. Esse critério acaba com uma tonelada de músicas queridas.

Mas é exatamente aí que eu queria chegar. Não estou querendo livrar minha cara só porque eu gosto de um monte de músicas cafonas. O que eu queria é te falar que tudo bem gostar de músicas cafonas, tudo bem se render às armadilhas musicais.

Os motivos de se gostar de uma música podem ser quase tão variados quanto os que fazem a gente gostar de um filme ou de um livro. Ou de uma pessoa. Podemos gostar de coisas ruins por motivos específicos.

Acredito que o que nos faz gostar ou não de uma música não são motivos racionais. Ou melhor, que não deveríamos tentar buscar racionalidade, e sim apenas ouvir e decidir o que é que nos liga, nos anima, nos toca, nos impressiona. Como em tantas coisas na vida, foda-se a elegância, o bom gosto ou a opinião dos outros: deveríamos ouvir as músicas que nos lembram como a vida é boa, como há pessoas legais, que o mundo é amplo, que o futuro é brilhante. Ou então as que nos deixam muito tristes, se é o momento de querer se sentir bem triste. Ou as que nos tornam muito introspectivos, deixando crescer a tempestade por dentro, como algumas músicas eruditas conseguem.

Tudo bem cair em armadilhas emocionais dos produtos culturais. Tudo bem chorar em filmes feitos pra chorar, cantar de braços abertos letras de músicas criadas especialmente pra isso: pra nos ajudar a nos reconectar com momentos de felicidade grande e preocupação zero.

Escrevo este post selecionando músicas do Glee, que é um dos bons destilados da cafonice norte-americana. Recheado de músicas feitas especialmente pra se cantar sorrindo, balançando braços e a cabeça, ou marcando o ritmo com os pés ou os nós dos dedos.

 

Começou porque eu tinha selecionado esta música:

E isto aqui vai entrar pra minha lista do que assistir quando eu quiser sair de alguma deprê:

E esta é outra das cafonas queridas:

 

Mais posts de Alegria Alegria

  • Duas colunas
  • Celular
  • News
  • Alternative
  • Banner
  • Featured
  • Plain
  • Condensed

Alguns trechos favoritos de músicas

Dá pra reparar numa tendência?

 

And I don’t know where I ever got the bright idea that I was cool
So alone and independent
But I’m depending on you now
And you’ll always be the only thing that I just can’t be without
And I’m out for you tonight
I’m comin’ out for you tonight

 

We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears

 

I’ve been walking the streets at night
Just trying to get it right
It’s hard to see with so many around
You know, I don’t like being stuck in the crowd

And the streets don’t change but, baby, the names
I ain’t got time for the game
‘Cause I need you
But I need you

— x — x —

E comecei minha terapia. Uma entrevista e duas sessões. Já chorei pra explicar o quanto amo o Daniel, já chorei pra falar de lembranças não-boas da infância. Já tive vontade de ser topetuda com minha analista e dizer que não concordo com essa ideia de que terapia é algo difícil e doloroso. Ou melhor, que ser difícil e doloroso não é problema pra orientais. E daí que eu choro? E daí que dói? Ainda não falei pra ela, mas provavelmente vou falar, já que ela quer que eu conte tudo… já contei que estou lutando comigo pra não ficar julgando-a, pensando o que ela pensa sobre as coisas, sobre o que os comentários dela dizem sobre quem ela é… falei pra ela que penso essas coisas, mas que eu sei que não devia estar pensando. Espero que ela tenha algo como um marido com quem pode rir das coisas do dia, ou pelo menos que possa rir sozinha de gente como eu.