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Dicas para acabar com a timidez

Primeiro é preciso deixar claro: ser quieto ou introvertido não é o mesmo que ser tímido. Quando alguém tenta te falar que não tem nada de errado em ser tímido, ele está confundindo conceitos, ele quer dizer que tudo bem ser quieto ou introvertido. Mas a meu ver, a timidez é realmente um problema porque ela não é o seu jeito de ser, ela é um trambolho que te impede de fazer coisas com medo de ser julgado ou de mandar mal.

É bem diferente fazer algo porque você não quer (não estou falando porque não quero. me sinto tranquilo e feliz), e não fazer porque você tem medo (não estou falando porque me sinto ansioso e com medo de falar bobagem, de ser ignorado, ou que riam de mim).

 

Por exemplo, alguém do Quora perguntou “Qual a diferença entre ser tímido, antissocial e introvertido”, e considero essa a melhor resposta:

“Barry McGuinness, Psychologist – Answered Sep 22

Shyness is a difficulty with entering into social encounters due to debilitating anxiety, self-consciousness and uncertainty. Having to communicate evokes a fear of others’ perceptions and reactions.

Antisocial refers to a behaviour pattern that is characterised by an uncommon lack of care or concern for the wellbeing of others. People who are antisocial deliberately do things to upset others.

An introvert is someone who is temperamentally suited to solitary activities as they find social interactions to be over-stimulating and, after a short while, draining.

Introversion has nothing to do with being antisocial. Many introverts are sensitive types who simply get overwhelmed too easily by loud group situations. Introverts are not antisocial; they are just not very sociable because it doesn’t suit their temperament.

Shyness also has nothing to do with being antisocial. Most shy people are sensitive and pro-social but suffer from a degree of social anxiety, and therefore avoid having to express themselves to others.

And finally, introverts are not necessarily shy — one can be a socially confident introvert. At the same time, not all shy people are introverts. Even an extravert can develop social anxiety after some particularly negative (humiliating) experiences.”

https://www.quora.com/Whats-the-difference-between-shy-antisocial-and-introvert

 

Tenho trocado emails com um dos leitores queridos, que além de ser misantropo (introvertido), é tímido. Resolvi pesquisar mais no Quora, porque imaginei que haveria dicas práticas de como as pessoas conseguiram superar a timidez. No meu caso, o que registrei na minha memória é que acabei com a minha timidez fazendo algo bem gafento e difícil (ter 15 anos, ser tímida, e chamar na sua casa o garoto por quem você é apaixonada pra contar pra ele que você é apaixonada por ele, sabe que ele não gosta de você, mas quer ouvir isso dele). Depois disso, senti que podia fazer qualquer coisa. Também acho que minhas aulas de teatro no primeiro grau ajudaram.

Esse amigo misantropo não se deu bem com as aulas de teatro, e não sei se ele está a fim de tentar a técnica do evento chocante. Então fui tentar achar dicas de outras pessoas sobre como elas lidaram.

Ele concordou com minha sugestão de que deve tentar falar com estranhos. Li vários posts de pessoas contando que isso ajuda bastante. Apesar do detalhe religioso que não curto tanto, achei que esse cara, Bevan, dá várias dicas legais, por isso colei a resposta inteira dele mais abaixo.

Mas em resumo é: manter o costume de olhar ao redor. Fazer contato visual com as pessoas. Sorrir. Falar bom dia. Olhar nos olhos da pessoa e sustentar o olhar. Ele fala pra escolher qualquer um. Faça no ambiente de trabalho ou na escola, gente que você vê todos os dias mas que não tem contato e gostaria de ter. E também descobri que o certo é fazer isso com todo mundo que você interage: caixa de loja, funcionários de guichês, motoristas. Falar a rodo, em bom tom, tanto bom dia quanto obrigados. Isso eu aprendi em… 2005, a primeira vez que fui pra Paris e entreguei minha entrada do Louvre sem olhar pra cara da pessoa, e ganhei um “Bounjour madame” num tom de voz que me deixou morrendo de vergonha. Não era por ser arrogante, eu era só caipira mesmo. Se você chega num lugar e fala “Bom dia”, “Boa tarde”, num tom de voz normal, audível, a maioria das pessoas responde. Você vê isso acontecendo. Fale e olhe pras pessoas, e se gosta de alguém, olhe e sorria.

Bevan também diz que o “faça de qualquer forma” sempre o ajudou. Pra mim também. Não é que eu seja a rainha da cocada, é verdade que evito algumas situações, não gosto da ideia de entrevista ao vivo e apresentações. Mas faço se for preciso e não é motivo de sofrimento. Eu tinha um mantra “só se vive uma vez”, e repetia pra mim quando precisava tomar coragem pra fazer algo (como levantar do meu lugar, ir até a fileira de computadores da frente e pedir o email do moço mais lindo, culto e articulado de uma das matérias optativas que eu estava fazendo – isso 20 anos atrás, quando a internet tinha começado, e interações entre desconhecidos em geral eram sob anonimato de um nickname).

Em outros posts, as pessoas falam que puxar conversa com estranhos (só pela prática), ou com alguém que você quer tentar conhecer melhor, inclui a tática de fazer perguntas mesmo que você saiba a resposta. Como pedir orientações de como chegar a um local, informação sobre alguma coisa, opinião da pessoa se aquele produto é bom, perguntar sobre o livro que ela está lendo. A história que eu conto do restaurante de São Francisco, provavelmente foi algo assim. O cara queria papear com a gente e falou que era a primeira vez dele no restaurante e que ele não sabia o que pedir.

Um outro post diz que as pessoas adoram falar sobre elas, e adoram ser elogiadas. E, claro, sempre tem que ser num contexto que não deixe a pessoa com medo ou desconfiada. Qualquer aproximação a pessoa tem que estar à vontade para dizer não, para não se interessar.

Por exemplo, uma das perguntas do Quora era como convidar uma garçonete pra sair. E um dos caras falou “é fácil, basta fazer de uma forma que seja muito fácil ela falar não”, e contou que ele fez isso uma vez. Pediu papel e caneta, e na hora de ir embora deixou junto com a conta um papel com o telefone dele, no topo da folha estava escrito “faça o que quiser com isso”, mais o telefone dele, e mais um desenhinho de bonecos de palitinho explicando “nós no nosso primeiro encontro”, e depois ele mostra as trocas de mensagem entre os dois, ela dizendo “não costumo entrar em contato com os caras que me deixam o telefone, mas achei seu bilhete fofo, e gostei de você”. Ele recomenda deixar o bilhete, não ser só o número e sim mais alguma coisa que te diferencie e seja simpática, pra não dar gorjeta de forma exagerada, só um pouco a mais do que o normal, e pra não esperar muito. Achei esse um ótimo exemplo pra ser aplicado em qualquer abordagem: faça de um jeito leve, que seja fácil do outro recusar, tente se diferenciar, despertar interesse, e não fique abalado se não rolar.

Dê uma olhada na pesquisa do Google sobre “body language confidence”, tem muitas imagens bobas mas dá pra ter uma ideia geral. Esse é outro ponto que ajuda a se livrar da timidez. É comum as pessoas tímidas assumirem uma linguagem corporal de ocupar o menor espaço possível, e fazerem de tudo para não serem notadas. Mude isso. Use roupas pra ser visto/vista, ocupe espaço (sem ser abusivo com os outros). Já reparou como as pessoas populares, solares, não tímidas, não têm nenhum receio de se movimentarem, sentarem, se posicionarem, de um jeito que todo mundo olha pra elas? Não estou falando dos palhaços que querem chamar atenção, que fazem coisas exageradas, mas sim de pessoas que não têm medo que olhem pra elas. Mesmo a questão da palhaçada, lembro dos meus amigos adolescentes que a gente saía em grupos, e não tinham medo de fazerem coisas ridículas em lugares públicos, e se alguém olhasse muito, eles acenavam e sorriam. Ou pais e mães que não têm receio de brincar com os filhos na frente dos outros (não quero dizer falar em bebenês, pra mim isso não é questão de não ter vergonha, mas só de ultraje à dignidade). Mas acho que deu pra entender o cerne: parar de ficar pensando o tempo todo que você está sendo julgado e recebendo notas baixas.

Outro comentário que achei bem legal foi de uma moça contando como lidou com a timidez, se obrigando a dar bom dia pras pessoas, e que algo que a ajudou foi o comentário de um amigo: “não quero parecer rude, mas acho que você está errada na sua avaliação do quanto as pessoas prestam atenção em você ou julgam você. As pessoas não estão nem aí pra nada ou pra ninguém, cada um vive sua vida” — ok,  ela parecia ser de algum lugar da língua inglesa – Inglaterra ou EUA, em que em geral isso é verdade nas cidades grandes, e sei que nas cidades pequenas, ou mesmo nas grandes em lugares com mentalidade pequena, não é bem assim. Mas esses são os momentos pra ligar o foda-se. É a sua vida.  Se querem ficar fazendo fofoca e dando risadinhas de qualquer coisa que pra eles soe como atrapalhada, isso é problema deles, não seu. Eles estão desperdiçando o tempo dele com coisas pequenas. Você tem mais o que fazer.

 

Olhar em volta. Reparar nas pessoas. Contato visual. Sorrir. Olhar nos olhos. Não ter receio de falar com estranhos, fazer perguntas mesmo que você saiba a resposta, fazer elogios se for num contexto que não assusta ou cria desconfiança.

 

https://www.quora.com/How-do-you-become-confident-if-you-are-a-very-shy-person

“Bevan Audstone, Author of a new age – self help book “Three Steps to Enlightenment” http://www.bibliotastic.com/ebooks/phil…

Updated Jun 9, 2013

Originally Answered: How do you become less shy?

1) I have become through practice, training and determination – to be a very confident man.  That is my answer for you.

Practice talking in meetings or at the grocery store or in line at the bank.  Just small things. Some work some don’t.  No miracle moment – just steadily moving to where you are able to talk to people.

1a) Try.  Small Things.  Pick a person.  Say good morning.  Let it go.  Try a new person the next day.

1b)  Find out about them.  Not to be weird or stalky – but so you can have a  conversation opener about them.  “How is your new Elm tree? – actually  works.

1c) Take a course – Dale Carnegie is my favorite though it is expensive – 12 weeks once a week; to learn how to talk in public.  To speak.

Many many other alternative courses and books on your issue.

2) In addition, I found that the ‘do it anyway’ principle for social interaction – gave me a lot of benefits.

2a) Try it.  Believe me for everytime you think everyone else has it together and you’re the only one feelings so shy, I guarantee someone in the room or very close by, feels exactly the same way as you do.

2b) You may find yourself able to talk; to exchange but you STILL feel nervous.  Man oh Man do I get sweaty when I am nervous.  But I’ve learned to keep my tone calm and sound relaxed.

Everybody is insecure.  Everyone is uncertain about social interactions. Many of us learn to push past our red faces and dry mouths and just do it anyway.

3) – ****** Give yourself a break.  Admit your shyness (when in a safe place) and ask for help. Hey I’m quite shy but I do want to talk and learn to be a good conversationalist.  Many many people will gladly be patient and help you.******

You are fine and have as much right to be comfortable and friendly as anyone else.”

Sobre o grande erro da generalização. Especial para tímidos.

Nosso cérebro trabalha com padrões, categorizações, sentido, experiências prévias, faz parte da nossa fisiologia. Comento sempre sobre o livro da Lisa Barrett.

Categorizar é essencial pra poupar energia, mas isso na questão do funcionamento cerebral, de milhares de percepções instantâneas que acontecem a cada segundo. No campo dos pensamentos a gente não pode fazer generalizações toscas, aqui entra outro terreno em que não dá pra funcionar no automático, com base em pré-conceitos.

Por exemplo. Há uma grande quantidade de criminosos que são negros ou pardos, e não há qualquer determinismo genético, é puramente a marca horrorosa da nossa história e cultura. Gente que veio pro Brasil como escravos, pior do que gado, que depois foram libertados, mas nunca houve uma ação coordenada para inserir as pessoas na sociedade. E que lutam até hoje os horrores de viver na pobreza, miséria e violência perpetuada por argumentos pretensamente cristãos, mas que impedem uma relação sadia com o sexo, e faz com que tantas meninas jovens, negras e pobres engravidem, muitas vezes, e continuam alimentando o ciclo de gente vivendo na pobreza e violência, com os nossos 60 mil homens assassinados por ano, na maioria jovens pobres de periferia.

Porque há vários negros que roubam e matam, muita gente acha que qualquer pessoa com pele escura tem que ser tratada com desconfiança. Imagine. Você entra numa loja e começa a ser seguido pelos seguranças. Você aprende que precisa estar sempre muito bem vestido, ou no geral vai ser destratado e desrespeitado de um jeito que nunca fariam com uma pessoa de pele clara.

O racismo é uma realidade no mundo todo, inclusive no nosso querido país que tem tanto do que se orgulhar no quesito simpatia do povo, mas qualquer um que queira dizer que não existe racismo no Brasil é uma besta quadrada.

Outro exemplo comum da generalização, que sempre comento é do povo que fala “esses árabes, muçulmanos, são uns animais, deviam ser impedidos de sair dos países deles, e eles que se explodam por lá”. Bonito, não? Com algumas variações de tom, inclusive em tom comedido e pretensamente científico, já li esse argumento várias vezes. E sempre penso: “Esses brasileiros, esse povo é tudo corrupto, pra qualquer lugar que eles vão eles espalham corrupção, o pessoal fala que os outros países são amadores perto do Brasil nos esquemas de corrupção. Esses brasileiros deviam ser impedidos de sair do país deles, pra não estragar os outros países”.

Certo, imagino que até aqui dificilmente você está discordando de mim.

 

Mas o que talvez você não enxergue é que quando você fala “não consigo puxar conversa com uma garota num show” e que você fala uma outra língua, que já tentou puxar conversa e não rolou, e viu como o cara fortão chegou junto e facilmente ganhou a menina – bom, você está fazendo uma generalização.

Não é grave como nos casos que descrevi, mas é tosca do mesmo jeito e, pior, sempre auto-sabotagem pra você.

Você disse que tentou puxar conversa sobre a música, mas viu que ela não se interessou em continuar a conversa. Ok. Tudo bem. Você agiu certo, é uma abordagem correta. Mas ela olhou pra você e pensou que não estava muito interessada, e não alimentou a conversa. Tudo bem, direito dela.

“Mas daí eu vejo que nos shows, chega o playboy saradão e elas sempre vão ficar com ele”.

Ah, meu amigo, é idiota se martirizar com isso. Quem se encaixa nos padrões de beleza tem portas que se abrem instantaneamente. Quem está num desses padrões não precisa fazer nada pra rolar alguma coisa, o outro vê a pessoa como um prêmio, uma oportunidade, no mínimo pra se auto-vangloriar e pra poder contar pros amigos. Isso pra ficar com alguém. Namoro ou casamento é outra história, pra ter um relacionamento que presta é preciso mais do que um padrão de beleza.

Você falou que o que mais pega é ser magro, que você queria ser fortão (já que os fortões conseguem tudo). Meu amigo, entenda que se apegar a esse aspecto seu é bobagem, uma ilusão. Muita gente transforma o corpo pra poder se encaixar em algum dos padrões de beleza — mesmo que tenha que se mortificar pra isso, ou tomar substâncias que vão aumentar o risco de ter aneurisma ou ataque cardíaco, tudo pra poder ter essa sensação de alta taxa de sucesso e babação.

Mas eu acho que seu caminho não é esse. Que você não precisa ter uma grande quantidade de garotas dizendo o quanto você é lindo e gostoso, que você está em busca de uma garota legal. Uma. E essa uma tem que ser alguém que te enxerga como pessoa, que o fator de corte não é o tamanho do seu bíceps ou sua conta bancária.

Ou seja, é auto-sabotagem achar que ser magro é o que está te impedindo de encontrar alguém. O que te impede de encontrar alguém são os seus quartinhos fedorentos, achar que tem algo errado com você. E fora isso, tem que sempre lembrar da taxa de sucesso da pescaria, e que eu só vou aceitar você dizer que está difícil depois de sair com 30 mulheres.

Você tem que parar de achar que é inferior porque não é fortão ou porque tem pouco dinheiro. A insegurança transparece no tom de voz, no jeito de olhar, na postura corporal, você percebe na hora que o cara é inseguro. É o quartinho fedorento causando estrago. Num show em geral você não quer começar a conversar com um cara inseguro. Se a pessoa te conhece em outros ambientes, então ela poderá saber mais sobre você, o quanto você é legal, etc, e sua insegurança não vira fator de corte. Mas num ambiente como num show ou num bar, pra um desconhecido, em geral é fator de corte.

– Uma mulher não querer conversar com você num show não significa que qualquer mulher que você tentar conversar não vai querer conversar com você. Isso é generalização tosca.

– Mas enquanto você não se livrar da timidez e insegurança, é bastante provável que você receba vários nãos, e não tem nada a ver com você ser muito magro, e sim com o que você emana.

 

Não gostou das aulas de teatro. Tudo bem. Mas vai ter que ter outro plano pra se livrar da timidez. E eu tenho que te perguntar umas coisas sobre as aulas. Qual foi o problema? Se sentiu exposto? Se sentiu fazendo coisas idiotas? Ficou pensando o que os outros iam pensar de você? Mexeu com a sua zona de conforto?

Não imagino qualquer ação pra se livrar da timidez que não passe por isso. Se livrar da timidez é se livrar do grande juíz que fica te falando “o que vão pensar de você? E se ela rir de mim? Se tirar sarro de mim? Se me ignorar?”

Você tem que saber o tempo todo quem você é, que você é uma pessoa incrível, você precisa ter essa fortaleza porque quando a gente tem essa fortaleza (que alguns resolvem com a religião, o tal ter Jesus no coração), é muito mais difícil se abalar com adversidades. Ela não se interessou por você? Azar dela, não sabe o que está perdendo. Ou então, bom, não era pra ser mesmo, devemos ter valores bem diferentes. E nada de “ela não se interessou por mim? É porque eu sou magro demais, eu não sei puxar conversa, eu nunca vou conseguir ficar com ninguém num show, eu nunca mais vou tentar puxar conversa com uma mulher num show”.

Você tem que aprender a ligar o foda-se. Fortaleça todos os dias as certezas sobre o quanto você é bom, e enfraqueça todos os dias os pensamentos de que o que os outros pensam (no sentido de fofoca ou comentários levianos) importa, ou que receber um não significa que você não presta.

É a sua vida. A sua, a que só você pode viver. Você é quem paga suas contas, você é quem sabe das dores e delícias de ser você, você não deve satisfação pra ninguém e não devia ficar pirando sobre o que os outros vão pensar, ou se você está fazendo algo ridículo ou estranho.

Livre-se da sua timidez. Aceito que não queira fazer aulas de teatro, mas qualquer coisa que você vá fazer vai exigir trabalho duro, vai exigir se expor. Dentro da concha é seguro e tranquilo, mas ao mesmo tempo que a concha te protege ela também te impede de viver aventuras.

Pare de se preocupar com o que os outros vão pensar.

Pare de achar que um não determina todas as outras situações.

Vá puxar conversas com estranhos, vá se expor ao ridículo, mate sua timidez.

Combatendo a timidez e os monstros todos os dias

Não se preocupe. Eu sei que é difícil, mudanças não são uma linha reta ascendente, e sim uma espiral, mas uma espiral pra cima e que se desvanece. Você vai passar pelas mesmas encanações muitas vezes, mas sempre será um pouco mais forte.

Todo mundo tem problemas, todo mundo tem esqueletos no armário, todo mundo é material danificado. Todo mundo. A encanação com a sua família, sua casa, é pura bobagem, porque é algo externo a você. Te falei algumas vezes e falo de novo: só o que importa é você.

Você vai conhecer uma garota legal. Vai demorar alguns encontros, às vezes meses, pra começar a falar sobre conhecer família. Quando chegar essa hora, você conta pra ela o que ela vai ver, e pronto. Sem drama. É simples assim. Pensa bem: se ela não quiser ficar com você porque sua casa é feia, sua família tem problemas, ela é muito burra, e por mais que seja dolorosa uma separação, melhor assim. Sua família não é você, sua casa não é você, e se ela não consegue enxergar isso, ela é burra e materialista.

Essa coisa de ser magro demais também é bobagem da sua cabeça. É como eu, adolescente, pensando que ninguém podia se interessar por mim porque eu tenho uma cara esquisita, cabeça grande demais, porque não sou loira, porque não tenho cinturinha. É, meu amigo, é besta assim. Você pode ter ficado traumatizado porque sua colega falou que você não tem bíceps, ou por ficar ouvindo as mulheres falando ou ficando com os caras fortões. Mas isso é só um estereótipo, fetiche, fogo no rabo. Ser fortão saradão te dá as vantagens de ser loira bunduda, morena peituda, esse tipo de coisa, mas é só isso. É uma vantagem inicial, mas olha só: pessoas dos mais diferentes formatos namoram e casam e são felizes.

Você é tão bom quanto qualquer outro, merece muito ser feliz, e tem um pouco mais de obrigação de ser feliz do que os outros, porque você é misantropo e tem essa consciência aguda sobre tantas coisas. Inclusive sobre a brevidade e preciosidade da vida.

Mata a timidez. Timidez não serve pra nada. Faça algo, mesmo que seja pensando que é uma promessa pra mim, uma missão pra cumprir. Volta pra loja que tem a caixa que te encarou, descobre os horários dela, pergunte algo sobre coisas da loja, algum dos produtos expostos, e pode falar do calor, ou da chuva, ou da praia, ou de algum acidente ou notícia de jornal. Sei que tem gente que gosta, mas eu desaconselho o “seus olhos são lindos, seu sorriso é incrível”, mesmo que isso esteja passando pela sua cabeça. Repare se tem algo dos acessórios que ela usa, ou das roupas, que dê uma dica do que ela gosta. Convida pra ir tomar um suco, um sorvete. Não precisa provar nada pra ninguém, não precisa impressionar ninguém. É só papear, sabe? Como a gente faz com taxistas, senhoras em supermercado, gente na mesma fila. Basta se livrar do nervosismo por ser uma mulher bonita, porque o fato é: se for pra rolar, rola. Se não for, se não rolar sintonia, afinidades, não rolou.

Você pode conversar com qualquer um sobre qualquer coisa.

Vai guardando as histórias. Você pode falar pra uma mulher que você quer almoçar só com ela, sem ter o peso de uma cantada, de um encontro, explicando que você gosta de conversar com as pessoas e que nos grupos nunca dá pra conversar direito.

Lembra da história do restaurante em São Francisco? O cara queria papear com a gente (eu e o Cris), e ele simplesmente falou um “Com licença, desculpe incomodar, mas vocês costumam vir aqui? É que é a primeira vez que eu venho, não sei o que pedir” – nem sei se era mentira, afinal, ele morava em São Francisco, e a gente estava lá só de passagem, mas funcionou pra um início de conversa.

Lembra que quando a internet só tinha começado, e ainda eram bem estranha a ideia de conversar com desconhecidos, eu fui até o cara bonito da minha matéria optativa e falei “oi. Me dá seu email?” (o tal que eu descobri depois que era gay, mas que rendeu muita diversão).

Se estiver muito difícil se livrar da timidez, considera aquela ideia de fazer as aulas de teatro.

Mas acredito que é possível vencê-la com algum mantra… o meu era “só se vive uma vez, só se vive uma vez” (mantras de gente que cresceu espírita e depois rompeu com a religião 😛 ), e sempre que eu estava receosa de fazer algo, esse mantra me ajudava a me dar coragem.

Sobre a mulher do show, você não precisava ter conversado algo com ela, era um show e ela estava naquele pique, você podia só ter dançado com ela. Mas se avexou. Porque tem essa falha-base, essa fantasia maluca de você vai conhecer uma garota e ela vai falar “oi. Posso conhecer sua casa e seus pais, agora?”. Pode rir, porque é ridículo assim.

Meu amigo, não tem nada de errado com você, nada que exija você contar de cara.

Coisas que eu acho que precisariam ser postas na mesa numa primeira conversa: se você fosse casado, se você tivesse HIV ou alguma doença terminal, se você fosse procurado pela polícia, pelo PCC.

Você não é uma farsa. Não é pecado morar em casa feia ou ter família complicada, e não falar isso de cara não é enganar as pessoas.

Se livra da timidez. Pode tentar a minha técnica de fazer algo difícil pra ver se com isso destrava (a tal história de eu ter chamado na minha casa o garoto por quem eu era apaixonada, quando eu tinha 15 anos, pra falar “eu sei que você não gosta de mim, que você gosta da fulana, mas preciso ouvir isso de você”), de usar os mantras, ou ir pra aula de teatro. Mas tem que fazer alguma coisa.

E tem que combater todos os dias os pensamentos de que casa feia, família complicada, ser magro te impedem de alguma coisa. Não impedem. Está só na sua cabeça. Tão besta quanto eu pensando que ninguém podia se interessar por mim porque eu era uma japonesa feia e esquisita.

Você vai combater todos os dias. Todas as vezes que o pensamento vier, você vai pensar como é idiota e errado, e se estiver difícil afastar o pensamento, você vai escrever sobre isso. Pelo menos uma página, de por que é errado, besta e idiota. Não precisa me mandar a lição de casa, mas se quiser, pode.

Eu queria poder te mandar sorrir pra uma garota que está olhando pra você, mas entendo que com a falha-base, só bate o terror e você desvia o olhar. Então por enquanto vou te dar duas missões:

– combater os pensamentos errados, mesmo que seja pra ter que escrever sobre isso toda semana, ou mesmo todos os dias;

– papear com desconhecidos. Qualquer um. Pra ajudar a destravar.

É claro que eu não posso te obrigar a fazer nada. Mas espero que você realmente se dedique nos próximos meses a acabar com a timidez e com os pensamentos errados. Você pode ter outras estratégias, não precisa ser o que eu mandei fazer. Mas precisa trabalhar nisso. Sem corpo mole 🙂

Não gostou de mim não serve pra mim

Queridos leitores e leitoras, é simples assim, eu juro: não gostou de mim, não serve pra mim. Ninguém devia se preocupar em impressionar, ou se sentir inseguro, porque o fato é que se a pessoa não gostar de você porque você é gorda, ou muito magro, ou porque não é sarado, ou porque não conhece os bons vinhos, ou porque não conhece os autores tais, ou porque não é rico, porque seu carro é popular, porque você não sabe inglês ou sei lá o quê, essa não é a pessoa certa pra você.

Não precisamos e nunca deveríamos ter que impressionar, maquiar, enganar. Quer dizer, se for pra só uma noite e nada mais, tudo bem, deve ser um vale tudo. Mas se você está buscando um relacionamento, tudo tem que ser o mais transparente possível.

Kingsman é um filme legal e divertido. O Kingsman II não é legal, mas lembram da cena em que o Eggsy vai jantar com a realeza, os pais do amor da vida dele (a tal princesa que ofereceu a porta dos fundos), e tem o cheating da Lancelot dando todas as respostas pra ele sobre as diversas questões que o pai faz? É só uma comédia, mas o fato é que no mundo real as pessoas mentem, omitem, enganam, pra tentar impressionar alguém. Pra ficarem pensando que você é o que não é. No filme tem a leveza de ser só uma medida protocolar, não é uma entrevista de emprego, e concordamos com os valores de que Eggsy não deveria ser gongado por não ter conhecimentos sobre economia e política, porque só importa que Eggsy e Tilde se amam. Seria uma situação muito diferente se a Tilde estivesse fazendo as perguntas, se ele estivesse mentindo pra ela. Isso seria vil. E quando você vai a um encontro e finge ser quem não é, saber o que não sabe, ter vivido o que não viveu, você está sendo vil. Ou no mínimo, totalmente idiota, porque mentira tem perna curta, quando você acha que o outro vai descobrir que você é uma farsa?

Quando nos relacionamos com as pessoas com quem queremos conviver, precisamos ser os mais autênticos e transparentes que pudermos. Pra não dar merda.

E é por isso que ninguém devia se sentir inseguro ou com medo de conhecer gente. Somos o que somos e o outro tem que ser capaz de nos enxergar na nossa essência ou, se ele não enxerga, se os valores dele são outros, ele simplesmente não serve pra você.

Como sempre falo: você faz tudo junto. Aparência não devia ser o item que mais pesa, mas o fato é que pesa, e se você quer aumentar suas chances… bom, quero ver alguém discordar de que sua aparência conta, pra qualquer coisa. Não precisa seguir padrão de beleza, mas tem que ter jeito de gente saudável, que se cuida, que se ama. Você vai cuidando de você por dentro e por fora. Alimentação, exercícios, pele, cabelo, roupas, e também exterminando os quartinhos fedorentos, descobrindo hobbies, fazendo coisas divertidas, se for o caso mudando de emprego, e tudo vai melhorando.

Cuide de você, seja a pessoa que mais sabe sobre você. Se ame, se valorize, se perdoe, peça perdão pra quem você tiver magoado, ajeita sua vida, e tenha certeza de que não tem nada errado com você. Se não gostou de você, não servia pra você, simples assim, bola pra frente.

Inseguranças masculinas

eu achava que era isso mesmo que estava acontecendo com você. sabe por que? porque você disse que está sozinho e meio desiludido por não ter encontrado ninguém, então pensei “ainda não conseguiu resolver o suficiente o quartinho fedorento“, porque no dia que você conseguir, vai chover mulher na sua horta. Quer dizer, não sei o quanto vai ser fácil logo chegar nos 10 ou 1% que valem a pena, mas sim que vai ser muito mais fácil ter o primeiro momento, seja a coincidência, ou um primeiro passeio.

Sabe que eu não sou metida, mas posso te falar: eu resolvi meus principais quartinhos fedorentos, e tenho certeza de que eu conheceria gente legal quando eu quisesse, porque é o que tem acontecido comigo. Adoro ficar na torre, mas quando saio, é fácil conhecer gente legal, às vezes até por acaso, mesmo quando não estou procurando. Nunca é com interesse romântico porque tenho o Cris, mas se não tivesse o Cris eu tenho certeza que encontraria fácil namoricos. E tenho certeza que você também pode, que é o que vai acontecer assim que você conseguir vencer um pouco mais essa ala fétida.

O que você acha que tem que oferecer? Você diz que não é só na questão do dinheiro, que você fica se diminuindo. Qual é a insegurança? Por que você acha que tem que oferecer alguma coisa? Imagino que você está falando de coisas materiais? Sabe que a sedução via presentes ou exibição de habilidades construtivas ou de força é comum no mundo animal, mas é isso, é algo no nível animal. Mulher que precisa de presentes ou alguma exibição de habilidade pra ter um relacionamento não está muito evoluída no quesito ser humano, e você não devia se preocupar com essas.

Pra ficar claro: não acho que é errado a mulher ficar impressionada com algo material do cara, como um carrão, sentir tesão e querer ter uma noite de sexo. Ou tesão porque o cara foi o campeão de alguma coisa. Ok. O mecanismo do desejo sexual é complexo e diversificado. Mas estamos falando de outra coisa, certo? Você não está procurando uma noite de sexo, você está procurando uma garota legal pra se relacionar, e nesses casos não basta um momento de tesão motivado por sei lá o quê. Vai importar quem vocês são de verdade, e quem você é de verdade não depende da sua conta bancária, de ter ou não ter carro ou da marca do seu carro. Só o que importa é seu caráter.

O que podem ser as outras inseguranças além da encanação de não ser rico?

– Ser muito magro e não ter um monte de músculos? Já te falei, se a mulher precisa que você tenha um determinado formato físico pra gostar de você, descarta. E como falo sempre, não é que aparência não importa, claro que importa, julgamos o tempo todo. Mas se a pessoa olha pra você e só consegue ver que você tem essas gordurinhas aqui, ou é muito magro ali, ou não tem o bíceps do jeito tal, essa pessoa não serve pra você, ela não consegue olhar pra você como pessoa, só pra sua casca, descarte essa pessoa.

– Não ter vivência internacional? Descarta também. Que tipo de gente acha que alguém é menos gente porque não viajou pra outros países.

– Cultura? Bagagem literária, formação escolar, conhecimentos sobre economia e política, gastronomia, esse tipo de coisa? Bobagem. Eu falei que fazia pré-triagem de gostos culturais dos caras que eu ia encontrar, mas era só porque tinha um monte pra escolher, mas de verdade? Não importa de fato. Ninguém precisa ter match cultural pra formar um casal. Todo mundo tem amigos, ou então encontra em grupos, fóruns, gente com quem conversar sobre livros, história, política, se isso for importante pra pessoa. Seu namorado não precisa. A não ser que você seja alguém pra quem essas questões são muito importantes… se a mulher for muito politizada e militante, por exemplo. Mas provavelmente aí vocês também não vão dar muito certo. Nos outros casos, nenhuma pessoa que presta vai te desprezar porque você não tem conhecimento sobre alguma coisa. Se for algo que ela considere importante, ela pode até pensar em te ensinar, te ajudar a aprender sobre algo, mas se ela te desprezar porque você não tem paladar pra vinho, porque não conhece os autores tais, porque tem falhas grandes em conhecimentos gerais… essa pessoa é uma elitista metida cabeça-de-bagre, e não te merece.

– Habilidades sexuais? Tamanho do pênis? Capacidade de fazer ela gozar? Se a mulher acha que você tem que obrigação de ser uma máquina de prazer, descarte-a também. Você não é um objeto, um robô, um fetiche. Você é uma pessoa, e se vocês gostarem um do outro, vão descobrir o prazer juntos.

Você tem que resolver esse quartinho fedorento. Ele já passou tempo demais contaminando sua vida. Ele age como uma falha-base, ele faz você se sabotar em tudo. Você não consegue enxergar  quem se interessa por você, ou atrair as pessoas legais, ou fazer divulgação de você nas redes sociais, ou ir pra aplicativos, porque você olha pra você e bate a insegurança.

E vai ter que tirar mais selfies e fotos com gente querida de um jeito que você aparece bem. Sem preguiça. É missão, você precisa ter fotos boas, isso te ajuda internamente a construir sua auto-imagem. Não tô bem no meu post de ruiva descabelada de 41 anos? Nas minhas fotos na página “Eu”? Você acha que eu sou fotogênica? De jeito nenhum, o mais comum é eu sair péssima nas fotos. Mas o negócio é volume, seleção. E ajuda tirar as fotos sob luz natural, testar ângulos do rosto, de preferência nos dias que você está se sentindo bem, ou quando está na companhia de gente querida.

Ter fotos boas de si parece uma tarefa absolutamente banal, não? E que você não conseguiu cumprir até hoje. Porque seu quartinho fedorento continua grande demais. Você vai trabalhar nele todos os dias. Se quiser, me escreva todas as semanas, ou mais até se bater crise, me conte das suas inseguranças, eu vou te responder por que é errado o que você está pensando, e quem sabe isso te ajude a combater o monstro.

Quero saber mais sobre você

– Vamos almoçar no shopping?

– Vamos. Quem mais vai?

– Ninguém. É só nós dois. Não gosto dessa história de almoço com um monte de gente, não dá pra conversar direito com as pessoas.

– Tá bom.

Não fui em quem chamei pra almoçar a dois. Foi o …, um cara que trabalhava na consultoria na época, e que depois se tornou um amigo muito querido. Fazia pouco tempo que eu tinha começado a namorar o Cris e eu sentia que isso deixava as pessoas bem curiosas. O Cris é sócio-diretor da empresa, eu era alguém do baixo clero com nada vistoso. Imagine, eu nem era ruiva naquela época, meu cabelo era preto e curto. Depois soube que uma das mulheres com quem eu trabalhava costumava falar “o Cristian é louco de namorar a Claudia, isso é um absurdo”. Ah, as alegrias de chocar a burguesia…

Eu e o Cris gostávamos muito do …  O Cris já o conhecia, de um jeito engraçado, mesmo antes do …. ter ido pra consultoria. Uma vez o Cris estava numa loja de móveis, respondendo perguntas do vendedor pro cadastro, e o … ouviu o nome do Cris e foi falar com ele. “Você é o Cristian Andrei?” Eu leio as coisas que você escreve. (Cris não bloga, eles estavam falando de um material sobre economia.)

Eu e o … fofocávamos muito, eu estava a par das aventuras amorosas dele. Ele era bem mulherengo. Uma vez uma das namoradas dele, com quem ele ficou, terminou (e acho que isso enquanto estava namorando outra, mas não tenho certeza), de repente estava namorando um outro cara, um conhecido muito bom moço e simpático. Ele me contou que a fulana estava namorando o fulano, e eu respondi “Que legal. Muito bom pra ela”. “NÃAAAAAOOO! Não é isso que você tem que dizer, porra, me ajuda”. “Vou te falar o quê? Acho que ela vai ser bem feliz com ele” (pra não falar, ‘bem mais feliz do que com você’, não quis jogar isso na cara). Ele me xingou bastante naquele dia, mas o fato é que eu estava certa. A fulana e o fulano casaram e estão juntos até hoje.

O … mudou de emprego, depois de cidade, perdemos contato. Sinto saudades dele.

E o que eu queria contar é que esse jeito despachado é uma inspiração. Se você quiser conhecer alguém, não tenha receio de chamar a pessoa pra fazer algo. Nessa linha de “só nós dois, em grupos não dá pra conversar direito”.

É verdade que eu passei minha adolescência inteira sendo anta em perceber interesse por mim. Mas nessa época acho que eu já tinha aprendido algo da vida… ou não, sei lá, no fundo acho que ainda sou imbecil pra isso e desde que comecei a namorar com o Cris, simplesmente não importa. Mas o que eu queria dizer é que pra mim isso não soou nada como uma cantada, achei legal alguém dizer que queria almoçar só comigo pra gente poder conversar.

Fica a dica. Quer conhecer alguém, convide a pessoa pra fazer algo que não pareça romântico. Um almoço, um café, uma exposição, se ela perguntar quem mais vai você diz que são só vocês, que você acha que nesses encontros com um monte de gente nunca dá pra conversar direito com as pessoas.

 

Exemplo de abordagem ruim: muitos anos atrás, na época do meu blog anônimo relativamente famoso, eu saía com um grupo de outros blogueiros de São Paulo. Uma vez um deles me convidou pra sair à noite. “Quem mais vai?”, “Ninguém. Só nós dois, eu quero ter um encontro com você”.

Nossa, que horror. Sei que tenho minha história de vida, minhas tacanhices, mas posso dizer que isso foi bem ruim de ouvir. Não quis sair com ele. Eu não tinha nenhum interesse especial por ele, mas mesmo que tivesse, acho que não iria. Mas se ele tivesse me chamado pra algo informal durante o dia, e não falar que era um encontro, e que seriam só nós dois porque num grupo com várias pessoas nunca dá pra conversar direito (como o … fez), provavelmente eu teria ido.

 

Se houver uma desculpa junto então, acho que cola melhor ainda. Vamos ver a exposição tal? Vamos dar uma volta, conhecer a sorveteria tal? E eu precisava comprar um presente pra minha irmã, você me ajuda?

Pra primeiros encontros, qualquer coisa que seja de preferência de dia, em ambientes seguros e tranquilos, imagino que funciona pros dois lados. Todo mundo gosta do inesperado (do bem) http://claudiakomesu.club/todo-mundo-gosta-inesperado/. Vocês passam um tempo juntos e descobrem se rola sintonia. Se gostaram da companhia um do outro, combinam outro passeio, e por aí vai. Sem peso, responsabilidade, expectativas.

Repare que o seguro e tranquilo é especialmente importante se você for um homem convidando uma mulher. A gente gosta de receber convites, mesmo que não haja nenhum interesse em namoro, é um ponto de honra feminista dizer “qual o problema de fazer um passeio com fulano? Homens e mulheres não podem ser amigos?”. Mas é preciso ter uma sensação de segurança. De dia, lugares públicos movimentados.

A não ser que vocês façam parte de alguma comunidade muito específica em que todos se conhecem… no birdwatching por exemplo o Facebook e o Wikiaves são nossa praça romana, isso te dá uma segurança de que todo mundo tem uma vida pública e uma reputação a zelar, então algo muito errado não vai acontecer. No birdwatching eu posso marcar passeios com gente que eu nunca vi e que até conversei pouco, porque eles têm uma reputação. Minha mãe fica horrorizada de saber que eu passo uns dias no meio do mato com um recém-conhecido. Já tentei explicar pra ela, mas depois, só parei de contar detalhes dos meus passeios.

Quais são as características de pessoas com inteligência emocional alta?

Faz uns meses que me divirto com o Quora. Recebo emails periódicos deles e sempre tem assuntos interessantes e respostas legais. Quando estava na Austrália, gostei muito de ler um “Compare a vida na Austrália e nos Estados Unidos”, e um cara que é cidadão nos dois países descreveu a situação, e pra mim fez bastante sentido.

Nesta semana recebi um email com uma pergunta sobre inteligência emocional, e descobri que (acho) que eu também pontuaria alto num teste. Contei isso pro Cris e ele riu. Eu entendo. Sei que é esquisito mas não exatamente contraditório eu ser uma pessoa dura e fria em muitas situações, mas ao mesmo tempo ter IE alta.

Uma das situações engraçadas do item 5 foi saber de um cara que eu conversava às vezes por Facebook, conheci-o pessoalmente um dia num passeio passarinheiro, mas foi um “oi, você é o Marcos”, “você é a Claudia”, a gente se deu um abraço mas não conversamos, estávamos em grupos separados. Depois um conhecido me contou que ele falou “gostei tanto de conhecer a Claudia, ela é tão zen”, e eu fiquei pensando “Caramba, eu só falei oi”.

E também tem o contrário. Algumas poucas pessoas com quem eu convivia mas que não gostava delas, e eu as sentia tensas perto de mim. Provavelmente elas reparavam que eu não sorria ou ria dos comentários e piadas maldosas, isso já te classifica como alguém perigoso.

Recomendo o Quora. É verdade que tem umas respostas bem bestas (no sentido nonsense, não de ofensivo) com uma quantidade absurda de votos, mas em geral elas costumam expressar sinceridade, franqueza, humanidade, tolerância e até amor. Gente do mundo todo participa e, nas minhas fantasias, é o tipo de coisa que ajuda a criar um caldo global pra valorizar autenticidade e bondade.

 

What are characteristics of people with high emotional intelligence (EQ)? What distinguishes them from low EQ people? How could I become a high EQ person?

Resposta mais votada: Melissa Tavilla, BA Conflict Resolution & Legal Studies, Brenau University
Updated Apr 4, 2017

I’ve been professionally tested as having a high EQ. I can share my personal experience versus the textbook answer.

  1. Total strangers will share their most personal information with me in a short time after meeting.
  2. People like to vent to me.
  3. No matter what jobs I’ve had, my bosses have kept me close as an advisor. They like bouncing ideas off me.
  4. Always asked to be in focus groups. Valued as a team member to smooth communications.
  5. The most common feedback I get from people is “I feel so relaxed and calm when I am with you.”
  6. I’ve helped many people resolve their disputes with others. I’m a trained mediator.
  7. I cry easily with strong emotion.
  8. I love people. I want/need to give them emotional comfort.

EQ is about always listening intently and feeling a great concern for other people’s wellbeing.

EQ can obviously be developed. Listen to people with intense  curiosity to learn everything you can. Find a characteristic you like/value in everyone you meet. Focus your feelings on that while you listen. Don’t judge. Your body language and facial expressions communicate to people your interest and positive feelings toward them.

https://www.quora.com/What-are-characteristics-of-people-with-high-emotional-intelligence-EQ-What-distinguishes-them-from-low-EQ-people-How-could-I-become-a-high-EQ-person