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Coincidências e intuição

Minha mística de meia tigela, e os maldosos podem dizer que estou apenas procurando uma justificativa pra ser desorientada, mas juro que vejo acontecendo.

Eu tinha trocado emails com uns espanhóis que pediram algumas informações de lugares para passarinhar. Daí no sábado, indo pra Campos do Jordão, resolvi passar pelo arrozal de Tremembé. Estou lá numa estrada de terra, cruzo com um carro no sentido contrário, o carro tem um casal. O carro passou por mim e voltou, pediu pra abaixar o vidro e me perguntam: “desculpe. Você é a Claudia Komesu?”

Me reconheceram pela fotinho do Gmail. A mulher, Vega, disse que foi o Manoel que falou “acho que aquela era a Claudia Komesu”, “não, não pode ser, o que ela estaria fazendo aqui?”, “mas eu acho que era, e olha como ela está dirigindo devagar, deve estar vendo aves”, e daí decidiram voltar e me perguntar.

Ainda saindo de São Paulo eu errei uma indicação do GPS, segui reto em vez de virar, e isso me causou uns minutos de atraso. E na estrada decidi não parar num posto pra almoçar, e sim comer depois. Tudo pra dar o timing certo de encontrar com os espanhóis.

Papeamos um pouco e disse que ia mostrar pra eles uma área legal, “me sigam”. Mas faz tempo que não vou lá, e de novo fui pro lado errado. No rodovia virei à direita em vez de esquerda, andei umas centenas de metros e reconheci que estava indo pro lado errado, voltamos. E essa voltinha foi o timing exato pra dar tempo do irmão do Marco Crozariol chegar, quando estávamos pra ir embora porque não achamos alguém pra nos autorizar a entrar na propriedade. Se eu não tivesse dado a volta errada, poderíamos ter ido embora uns minutos antes dele chegar.

Teve um passeio na França, que eu e o Cris não sabíamos se estávamos longe do ponto onde queríamos chegar, se a gente deveria continuar ou voltar. Ficamos alguns minutos parados olhando pro chão. Foi o tempo de aparecer uma senhorinha, com um mapa na mão, pedimos informações “é fácil, vocês estão perto, vale a pena ir, pode ficar com o meu mapa”.

E também contei daquela vez que fui pro Fleury, errei o caminho, levei 15 minutos em vez de 10, e foi o timing exato pra na saída, na hora de passar pela lanchonete, dividir a mesa com a mulher que acabou me contando que estava em tratamento de câncer, que detestava o trabalho mas não podia sair por causa do plano de saúde etc. Que depois eu dei um abraço nela, e tive certeza de que meu atraso era só pra dar esse timing.

Essa viagem pra Manaus não estava nos planos. Os planos eram ir pra Ilhabela fazer fishwatching, já tinha até alugado uma casa de Airbnb. Mas, troquei umas mensagens com o guia, gostei dele, pensei “por que não?”, e marquei. Deu tudo tão certo, foi tão bom que curou meu trauma de Amazônia brasileira.

Não encontro a citação exata, mas há uma história sobre uma mulher que contava a Joseph Campbell sobre uma viagem que faria pra Grécia, descrevendo com detalhes todo o roteiro. Campbell se irritou, e perguntou como ela teria chance de se conectar com o divino se tudo estava tão esquematizado?

Acredito que há um fluxo com o qual podemos nos conectar se a gente se permitir. Fazer coisas sem saber o motivo, sem ter certeza, errar ou fazer coisas atrapalhadas e depois entender o sentido daquilo.

Talvez não exista nada disso. Meu misticismo é tão de meia tigela, que além de eu não seguir nada, nenhum grupo, nenhuma crença, eu também não sou capaz de jurar que existe. Tem o lado racionalista que vai dizer que as coisas que aconteceram são apenas eu dando sentido após os acontecimentos. Isso também é uma das possibilidades.

Mas acredite: a vida é bem mais divertida se você decide acreditar que coincidências não existem, que tudo faz sentido, e que quanto mais consciente dos eventos, mais você se conecta a esse fluxo.

Blogando: visões da ayahuasca e o reencontro com as criaturas fantásticas, nov/17, por Claudia Komesu

 

Todo mundo gosta do inesperado

Claro, estou falando do inesperado do bem, não do inesperado do mal.

Um amigo da faculdade se dizia encantado como nos filmes você está na sua casa, de repente tocam a campainha e é um amigo te convidando pra ir passear, ou a garota que você secretamente admira, mas não tem coragem de falar com ela, vindo te pedir ajuda. E que esse tipo de coisa nunca acontecia com ele.

Obviamente.

Moramos em São Paulo, acho que é impossível mesmo. Mas quando eu morava em Limeira às vezes meus amigos apareciam na minha casa, desse jeito mágico. Sem ligar, sem ter avisado que iam. A pessoa simplesmente toca a campainha da sua casa e passa a tarde com você ou te convida pra fazer alguma coisa.

Sei que hoje em dia deve ser impossível alguém não mandar um WhatsApp pra confirmar se a pessoa está em casa, se quer. Mas, acredite, a era pré-celular tinha suas vantagens. O inesperado do bem é algo mágico.

Meu semideus das frivolidades internéticas, com quem passei um bom tempo bodeada pela desuminanidade e machismo, mas que está passando, já me imagino vendo-o de novo e na diversão de tentar extrair diálogos humanos dessa criatura, nos conhecemos há… talvez uns 10 anos, mas nos aproximamos porque um dia ele decidiu me fazer um convite. A gente nem era tão próximos, mas ele simplesmente me escreveu e perguntou “quer vir pro lugar tal, ver a ave tal?”. Era uma ave bem rara, mas o lugar ficava na PQP, aquelas coisas que exigem um voo e mais 4h num ônibus. Primeiro falei que ia. Depois falei que não ia, mas pedi por favor pra ele me convidar pra alguma outra coisa mais perto, que eu iria. Um tempo depois surgiu a oportunidade de ir passarinhar com ele num lugar que exigia só um voo curto,  ele ia me pegar de carro no aeroporto, então eu fui. Foi bem divertido e com momento mágico — poder fotografar um beija-flor incomum maravilhoso nos últimos minutos de luz do dia, o bicho de frente pra mim, com as penas iridescentes, aquela luz de fim de tarde e uma revoada de aleluias.

No feriado de 2 de novembro eu estava em Manaus, eu e o Cris, indo passarinhar com um cara que eu nem sabia qual era o rosto. Eu só tinha uma noção de reputação de gente competente, trocamos alguns emails e eu gostei dele a ponto de falar “você pode ser meu guia no feriado de 2 de novembro?”, e ele podia, apesar de estar nos dias finais da entrega da tese do doutorado. Devo escrever sobre a viagem, mas posso dizer que também foi mágico. Curou meu trauma da Amazônia brasileira (viagem traumática em 2011), o cara é uma pessoa incrível com uma tatuagem linda no braço à altura das coisas que ele viveu. E teve momentos pros meus diálogos silenciosos com a Mãe Terra e pra pensar nas visões da ayahuasca.

Umas semanas antes eu tinha ido pra …. passarinhar e conheci outro cara super-legal, desses que você consegue passar dias conversando. Um dos momentos lindos foi saber que ele era um pai esclarecido. Ele tem uma filha adolescente, linda, conheci a menina. Ele é separado, a filha mora com ele, a mãe nunca foi presente, mesmo quando ainda moravam juntos. Quando a filha fez 14 anos ele a levou numa ginecologista, e pediu pra ginecologista falar pra ela sobre sexo e DSTs, ele estava junto. E depois falou pra ela “você entendeu tudo? Eu não vou ser hipócrita de achar que você não vai fazer sexo, todo mundo faz. Mas você tem que se cuidar. Se você pegar uma DST, vai ser doído, e é você que vai sofrer. Se você engravidar, você é quem vai ter que cuidar do filho. Não vou te proibir de fazer sexo, só quero que você seja responsável”.  Eu tinha contado pra ele que sou feminista, e adorei saber dessa história, falei que o mais comum é pai ter ciúme, fazer de conta que a filha não cresceu, e que ele merecia os parabéns pela visão feminista.

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sou uma misantropa na torre e com ticket dourado. Mas sei que as pessoas são lindas e há beleza em todos os lugares, e que não é difícil se conectar com isso.

É fácil sair da torre, ir pro mundo, e não é pra ir pra festas ou outros tipos de tortura, mas pra passar umas horas ou alguns dias na companhia de pessoas de verdade, com histórias de vida incríveis.

E qualquer um pode fazer isso. Ir pro mundo e conhecer gente que vale a pena. Não precisa ser o amor da sua vida, nem o crush, nem mesmo um amigo — essas coisas dependem de muitas variáveis posteriores. Mas tenha certeza de que é fácil conhecer alguém e ter algumas horas (ou no meu caso, nos passeios pra ver natureza) alguns dias de conversas bem legais.

Entra na vibe.

Faça propostas inesperadas pras pessoas, e esteja aberto pra receber propostas inesperadas. Deixa a magia entrar na sua vida.

Abraçando desconhecidos

Na área de café do Fleury todas as mesas estavam ocupadas. Escolhi uma (achando que era ao acaso), pedi licença pra mulher e me sentei à mesma mesa.

Uma conversa que começou com algo sobre preguiça, horário, tempo chuvoso. Mas eu sou assim, então logo estávamos falando do câncer dela, dos problemas com o tratamento, as dificuldades no trabalho.

Não era desalmada. Ela também fez perguntas sobre mim, me olhou nos olhos, agradeceu muito pela conversa, pediu desculpas por ter chorado.

Saímos mais ou menos ao mesmo tempo, esperávamos juntas os carros chegarem, o meu chegou, não tive dúvidas: fui me despedir e perguntei se podia dar um abraço nela. Abracei-a bem apertado, falei que vai ficar tudo bem, pra ela pensar em coisas boas, ela chorou mais um pouco.

Esse encontro explica por que me perdi na ida, fiz algo bem idiota e levei 10 minutos a mais pra chegar. Sei que às vezes essas coisas acontecem pra acertar o timing com os encontros que precisam acontecer.

Tenho certeza de que essas situações fazem parte das minhas obrigações como bruxa, e ser humano. Espero que esse mínimo de atenção, e um abraço, tenham feito diferença no dia dessa mulher de quem não sei nem o nome.

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Abraçando gente que eu não via há 25 anos

Neste fim de semana encontrei alguns dos meus colegas do primeiro grau. Foi incrível. Mestre Choa e Mãe Terra, agradeço. Agradeço muito pelas preces atendidas, pelas oportunidades de relações mais humanas. Sei que não caiu do céu, que sempre é preciso atitude da nossa parte, mas também sei que pedi e aconteceu.

Encontrar gente que eu não via há tanto tempo, que teoricamente são desconhecidos, mas pudemos conversar como amigos de verdade. Posso só estar sendo enviesada, mas o que eu vi e senti? Bondade, carinho, compreensão, honestidade. Ninguém se pavoneando. Todos falando de problemas ou dificuldades ou os momentos difíceis de filhos, casamento.

Não vimos o tempo passar. Teve um momento que eu levantei da cadeira e me falaram “você tem que ir?”, “não, é que eu vou falar algo importante” (me ovacionaram). Um dos colegas tinha acabado de contar que era muito orgulhoso, que era capaz de passar 3 dias brigado com a esposa, os dois só falando bom dia, boa noite, e mais nada. Levantei da cadeira e falei “não imagino isso, gente, passar tanto tempo brigado. Vou falar de duas técnicas que a gente usa pra dissipar logo as brigas: viagem no tempo e bop”.

Tinha certeza de que já havia escrito sobre isso, mas não achei no blog, acho que ficou só no livro, então vou colar como próximo post.

 

bruxa verde

Eu e a magia – bruxa verde

Magia, mágica, bruxa são palavras amplas e talvez mais carregadas de preconceitos e desprezo do que feminismo. Tanta gente se diz feminista e presta um desserviço pro avanço da humanidade. E no caso da magia… é simplesmente amplo demais, não tenho a menor pretensão de dizer quem pode ou não pode se declarar adepto da magia.

Há muitas imagens assustadoras de magas e bruxas. Não as más, estou falando das espalhafatosas, as cheias de certezas, rituais, talismãs, trejeitos, diagnósticos… charlatanismo. Quem quer se identificar com magia nesses termos?

Mas a magia não é só isso, tenho certeza. Nunca tive um guru, mas acredito de verdade que há pedaços da verdade espalhados em livros, filmes, frases aleatórias, e pescando de fragmento em fragmento, sei que há um caminho com o qual me identifico: auto-conhecimento, disciplina, coragem, franqueza, bondade, gentileza, respeito, doação, compartilhar. Ser capaz de identificar a sua arte e compartilhá-la com o mundo. Tentar sempre agir pelo bem, pra incentivar as pessoas, promover as ideias de vida boa, controle sobre sua vida, ações pra melhorar sua vida – e, assim, você também melhora a vida de todos com quem você tem contato.

Energia, intuição, aprender a ouvir e respeitar sua intuição, especialmente sua impressão sobre as pessoas e suas intenções, suas virtudes e fraquezas.

Sou bruxa? Um tempo atrás falei que não era, que gosto das bruxas mas sou samurai. Mas a gente tem que ser uma coisa só? Acho que não, acho que podemos ser muitas coisas, e hoje li uma mensagem que me tirou lágrimas e arrepios:

Boa noite, Claudia!! Estou lendo seu blog, e senti a necessidade de vir aqui te contar uma coisa: você é uma bruxa verde!
Já fizeram isso por mim, uma bruxa que eu admiro muito veio me contar que eu era uma delas, e acho que é meu dever passar a mensagem adiante ao identificar uma bruxa verde. Você é a primeira!

Pra começar, na bruxaria verde, somos eremitas e possivelmente misantropas rs não veneramos deuses (nem cristãos, nem pagãos), nós veneramos apenas a própria natureza, seus elementos e seres vivos. Rituais, como os que têm na wicca, não fazem parte da prática. Nossa prática consiste em encher nosso dia-a-dia de significado e contemplação, e ela evolui no mesmo ritmo que a ciência evolui. Enfim… Achei um texto que vai te explicar melhor que eu.
http://www.magiazen.com.br/bruxa-verde-ecologica.html
Beijos e um abraço apertado!!

A moça que me mandou isso nem sabia que uns dias atrás escrevi pro meu grupo do 1º grau, decidi responder o “qual a sua religião?”, e contei que cresci numa família espírita, mas que não sou mais espírita. Não nego o espiritismo, só acho que existem muitas verdades, e que talvez a melhor palavra pra mim seja agnóstica, que nos passeios em meio à natureza são os momentos em que mais me sinto perto de algo que transcende. E falei sobre o Daniel ter me contado que acha que é ateu, e eu ter falado que tudo bem, que só importa ele ser bom e fazer o bem.

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Durante um tempo participei de um grupo de bruxas. Entrei pro grupo porque eu frequentava uma sala de chat do uol, que falava sobre assuntos filosóficos, e uma das mulheres da sala me chamou pras bruxas, falou que meus questionamentos tinham tudo a ver com bruxaria. Foi graças a elas que experimentei a ayahuasca.

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Sou bruxa?

Sim, acho que sou bruxa.

Não uma bruxa pra rituais e venerações, mas uma conectada com a natureza. Estava lendo sobre bruxaria verde, green witchery, e posso não ser alguém com horta ou conhecimentos de cura usando ervas. Mas sei que tenho mãos boas, capazes de massagear as têmporas de alguém e fazer uma dor de cabeça diminuir ou até ir embora. Às vezes faço pratos deliciosos, e essa é uma das formas de magia.

Enxergo cada vez mais. É uma escolha, não? Posso dizer que passei a andar mais devagar, prestando mais atenção, e com isso enxergo animais e plantas que antes passavam despercebidos. Mas também posso falar que aconteceu algo mágico na minha vida, um encanto, e foi como um véu caindo, o mundo se tornando maior, imagine como é legal ser capaz de andar numa trilha e de repente topar com lagartos lindos, caracóis minúsculos, aranhas incríveis.

Enxergo cada vez mais, não só nos passeios, mas na edição das minhas fotos. Estou revendo imagens e achando fotos lindas onde antes eu não via – porque tinha a visão como dos meus colegas, pra quem espécie rara, proximidade, penas super-definidas, ângulo ortodoxo, luz favorável, fundo homogêneo, são elementos tão importantes.

Enxergo cada vez mais, não só nos passeios, não só na hora de editar as fotos, mas pra me enxergar, pra enxergar os outros, pra não desperdiçar mais meu tempo com quem não tenho sintonia, e pra ser capaz de procurar e enxergar as pessoas com quem me identifico.

Há explicações perfeitamente mundanas pra isso, que não requerem o uso de uma palavra tão controversa. Mas nunca me importei com controversas, ou melhor, algo ser controverso dá até um apelo a mais. E as explicações mundanas e estéreis te fazem abdicar da poesia. Então quando eu olho pra um canto e de repente enxergo o lagarto, e a amiga que está ao meu lado não tinha visto (sendo que ela tem uma visão ótima pra aves, muitas vezes enxerga antes de mim); ou quando me ajoelho pra ver um sapinho, que já é minúsculo, e de repente vejo uma planária terrestre tricolor incrível, ou quando estou passeando os olhos e vejo o caracol de 3mm, é uma escolha eu dizer que isso é apenas minha visão cada vez mais treinada. Ou dizer que isso tem relação com magia, e que meus poderes de bruxa me ajudam a olhar pro lado certo, no momento certo.

E quando divulgo fotos da natureza, e faço as pessoas pararem pra olhar, talvez até mudar um pouco de sintonia, inclusive pra pensar na natureza de forma mais ampla e não só como uma coleção de lifers… bom, isso pra mim também parece ter uma boa dose de magia.

 

O rótulo não importa. Bruxa verde, ou mesmo bruxa ou não bruxa. Tem tantas coisas que a gente não precisa de uma palavra. Só sei que é uma escolha, e escolho viver com mais essa dimensão na minha vida, em ter mais essa riqueza no meu dia a dia.

Muito obrigada, …. por ter me chamado de bruxa. Mal vejo a hora de nos encontrarmos ao vivo.

 

Estas são algumas das fotos que fiz nos últimos 5 meses, depois que passei a enxergar mais. Andando nos mesmos lugares que vou há anos, mas antes não enxergava esses bichos:

Onde a mágica acontece

Olá, queridos leitores misantropos, introvertidos e simpatizantes. Desculpem pelos dias sumidos, em geral são os dias que saio pra fotografar. Neste fim de semana estava em Ubatuba, o 3G funcionava, mas é bom a gente sair e desconectar.

Queria saber como vocês estão nas missões de se abrir mais pro mundo, se arriscar mais, se sujeitar ao ridículo, aos risos, à chacota, ao desprezo, mas também ao maravilhoso. Ao risco de conhecer pessoas incríveis.

Tenho atualizações de como anda minha missão. Continuo firme e forte.

1 – Sabem o tal grupo com quem estudei dos 7 aos 14? Na missão de mundo mais humano, decidi insuflar assuntos como ganchos pra conversar mais de verdade com as pessoas. Tem um minigrupo de pessoas mais próximas, incluindo a menina que era minha melhor amiga nessa época, e mais dois caras com quem eu sempre fazia trabalhos em grupo. Perguntei o que eles achavam da ideia, eles acharam péssimo, mas falaram que eu podia fazer se quisesse, então escrevi este post:

Claudia Komesu 4 de abril de 2017 08:36

Queridos colegas do Sesi, não vou mentir, tem muita gente de quem eu não lembro, mas a iniciativa do Fabio foi muito boa e é uma alegria retomar contato com vocês, imagino que todo mundo lembra com carinho da época e que estamos todos animados com a ideia de nos reencontrar.

O Fabio falou que foi ótimo rever a Rosângela e a Fabíola, que a sensação foi de que eles tinham se visto ontem, e não há 25 anos, e imagino que muita gente vai se sentir assim.

Mas a verdade é que a gente não sabe mais nada de nós, certo? E num encontro com muita gente, você nunca consegue conversar com todo mundo. Que tal a gente falar um pouco de nós, pra ir papeando até o dia do encontro, e também pra aproveitar mais no dia, você já saberá que tal pessoa gosta de tal coisa e pode falar disso com ela.

E o que tem de melhor pra conhecer o outro do que o bom e velho caderno de perguntas? VEJA BEM: quem tem guardado não é pra publicar o que tem lá, de jeito nenhum, isso é coisa pra blackmail. Estou falando de responder agora. Vi este site http://www.anos80.net/brinquedos-e-brincadeiras/caderno-de-perguntas/ e separei/adaptei umas perguntas, vou colar aqui e quem quiser responde. Acho que a pessoa pode abrir um tópico com a pergunta, e quem quiser responder também escreve embaixo, como se fosse uma folha de caderno. Ou pode inventar outras perguntas.

Perguntei pro Fabio se eu podia fazer isso, ele me mandou uma mensagem de áudio com voz cavernosa dizendo que está fora, mas confirmei que seu quisesse fazer, a caveira é minha 🙂

Então quem quiser, pegue uma pergunta, abra um post e responda, eu vou respondendo também.

1. Qual o seu nome e apelido?
2. Qual a sua cor favorita?
3. Você gosta de alguém ou tem namorado (a)? Qual o nome dessa pessoa?
4. Você tem filhos? Quais os nomes e as idades deles?
5. Qual é seu hobby ou atividade favorita?
6. O que você estudou e qual o seu trabalho?
7. Qual o seu estilo musical favorito?
8. Fale de um filme de que você gostou bastante
9. E um livro?
10. Qual a coisa mais maluca que você já fez?
11. Você acredita em destino?
12. Qual foi a melhor e a pior viagem da sua vida?
13. Qual a sua comida favorita? E qual você odeia?
14. O que é um dia ideal para você?
15. Você tem medo de alguma coisa? Escreva o que é.
16. Onde você gostaria de estar agora?
17. Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as pessoas que vão ler este caderno?

 

Comecei pela 13. Contei que adoro pão quente com manteiga e que odeio sarapatel, mas que já tive que comer um prato todo pra não perder pontos com a minha sogra, porque sei como ela fala mal de quem não come isso ou aquilo, e já tenho muitos pontos a menos por ser quieta e só falar de alguns assuntos.

Um dos colegas contou que também é quieto, que a esposa reclama. Perguntei se ele já tinha lido sobre introvertidos. Ele contou que a mente dele é extrovertida, uma expressão de que gostei bastante.

Alguns outros participaram do post, só pra responder objetivamente a pergunta, mas aproveito cada resposta pra papear com a pessoa.

Estou me expondo pra gente que não vejo há 25 anos e que têm muitos motivos pra falar que eu sou louca, esquisita, gafenta.

Mas também estou me expondo pra quem estiver procurando um outro tipo de relações com as pessoas. Um mundo mais humano, mais gentil, mais franco, com sabor de mais intimidade e menos de discrição e temas pasteurizados.

Vou responder uma pergunta todos os dias, mesmo que com o passar dos dias ninguém mais comente. Não vou me sentir envergonhada ou avexada. Quem não tiver interesse, não leia meus posts, quem tiver interesse, vai me encontrar no início de junho sabendo mais sobre quem eu sou.

 

2 – Estou dando a chance pro meu amigo desumano ouvir isso de mim

Tenho um amigo desumano. Ele é uma pessoa muito inteligente, de bom caráter, bondoso. Mas é de gêmeos, e sabem como podem ser as pessoas de gêmeos: elas não te enxergam. Estão ocupadas demais com os próprios pensamentos e opiniões e não querem saber sobre você. Esse meu amigo tem várias qualidades, mas esse lado desumano dele me desconecta dele. Acho que ele pensa na gente como bons amigos. Somos amigos, mas ele não entra pro grupo seleto de amigos bem queridos. Acho que ele nunca perguntou o que eu penso sobre um determinado assunto, já falei sobre coisas bem importantes pra ele, e ele nem tchum, e ele foi a criatura capaz de falar “então já sabe, se encontrar uma mulher se afogando é melhor deixar morrer pra não correr o risco de ser processado depois” – o tipo de gente capaz de pegar histórias pontuais de gente louca pra falar o quanto o feminismo é mimimi.

Contei sobre uma viagem que vou fazer no fim do mês, nessas ocasiões ele costuma falar sobre o quanto eu devia ser o mecenas dele. Expliquei que se eu ganhar na mega sena, poderei ser mecenas. Talvez ele pense que eu tenho muito mais dinheiro do que tenho, falou que eu podia já ser mecenas aos poucos. “Eu e o Cris somos dois capricornianos, somos super-muquiranas (…)”, ele falou que “somos dois capricornianos” deve significar alguma coisa, mas ele não sabia o quê. Falei que ele perde muita coisa na vida por não acreditar em astrologia (não em previsão do futuro, mas em aspectos gerais de personalidade), falei sobre gêmeos, como eles não enxergam os outros (não todos, é claro. Tenho uma amiga bem querida de gêmeos que é boa pra enxergar os outros, mas ela também concorda que há vários geminianos que não são assim), dei o exemplo de uma frase do guruzinho “ei, você está pisando no meu pé”, “desculpe, não vi”, “é disso que eu estou falando”.

Ele me respondeu que não acredita em astrologia, que ele é de gêmeos e que é uma pessoa com muita empatia. Respondi que eu sei que ele é de gêmeos, mas que concordo com o guruzinho.

Agora cabe ao meu amigo decidir se quer ouvir o resto, ou não.

Gostaria muito de contar pra ele das coisas que ele faz que o tornam desumano porque eu realmente acho que ele não tem noção. E sei que não é loucura minha, temos outro amigo em comum, esse um cara com quem me sinto conectada, e ele concorda com essa sensação de desumanidade.

 

3 – Não estou só me expondo ao ridículo e ao risco de magoar e ofender pessoas. Eu rezei umas semanas atrás, certo? E não rezo por qualquer coisa, só rezo por coisas importantes. Pela saúde de pessoas queridas ou importantes pra gente querida, por ajuda em momentos muito turbulentos. Pedi algo que não tem nome, pedi um outro tipo de relacionamento com as pessoas, outras pessoas, ao mesmo tempo estou me arriscando mais, me expondo mais, e hoje recebi este presente aqui:

“Meu namorado (e companheiro na jornada pela natureza), não tem facebook, então pediu que eu repassasse um email que ele me enviou. “Minha eterna companheira e amor, estou escrevendo para você nesse momento, no qual transbordo de tanta FELICIDADE pela sabedoria e entendimento da NATUREZA DA VIDA que compartilhamos. Achei um assunto super interessante no blog da Claudia Komesu, Magia. Por favor meu amor, entre em contato com a Claudia e diga que eu li em especial a parte 7. Fiquei tao emocionado por eu e voce compartilharmos esse mesmo entendimento, sentimentos e conhecimentos da vida, e saber que ela ve isso também. Não vejo a hora de enviar nossas fotos e nos encontrarmos pessoalmente com ela. Sentir essa energia unida e compartilharmos tudo isso juntos. Essa eterna MAGIA DA NATUREZA DA VIDA. FRASE: UM OLHAR QUE SE TRANSFORMA, JAMAIS SERÁ O MESMO.” Ta feito! E devo acrescentar que li a matéria e senti o mesmo que ele. As vezes é bom saber que nao estamos ficando loucos ao despertar pra tudo o que está a nossa volta, e a tudo o que flui. Nao estamos sozinhos, estamos juntos. Um beijo no coração!”

 

É ou não é bonito?

A moça que me mandou a mensagem, conheço só por papear um pouco sobre fotos, ela também gosta de macro, mas não sabia nada mais pessoal. E agora sei. Agora sei de duas pessoas, que terei a oportunidade de encontrar pessoalmente em breve, gente que se sente conectado e que acredita em magia, desse jeito que eu também acredito. Não com fogos de artifício ou mistérios indecifráveis, mas sim como o reconhecimento de algo que é invisível aos olhos, mas que emana da gente, e do mundo, e tece uma teia de luz (ou de trevas) em volta de tudo. Sempre quis conhecer gente assim, me imagino caminhando por trilhas bonitas na companhia dessas pessoas, observando o orvalho, sentindo a luz do sol, descobrindo os insetos invisíveis. E logo vou poder. Porque não tive medo de me expor e falar de mim e falar pro mundo que eu quero algo que não tem nome.

 

A foto da abertura estava num banco de concreto no meio do Death Valley.

 

ps: estava pra publicar este post, e vi popando umas mensagens do Facebook, uma outra mulher que conheci por causa das fotografias de natureza, com quem papeei um pouco, depois a ajudei com algumas informações pra fazer um passeio num lugar que ela queria ir, e vi que agora ela está me mandando umas mensagens muito fofas contando do passeio, como foi legal, e como ela se sente grata.

Eu realmente sinto minhas preces atendidas. Já me sinto vivendo numa sintonia com pessoas mais humanas, mais de verdade, e continuarei sendo corajosa todos os dias em agir pelo o que eu acredito, em tentar ser a mudança que eu quero ver no mundo.

 

E você? Como está sua missão?

Como conhecer pessoas legais – especial para misantropos

Parte 1 – Você tem que aceitar de verdade, do fundo do coração, que mesmo sendo misantropo você precisa se relacionar com outras pessoas

Lembre-se: ser misantropo não significa não se relacionar com pessoas, e sim ser bem seletivo sobre com quem você quer passar seu tempo.

Todo mundo precisa de companhia, de amigos, de amor. Tudo bem que a gente se diverte muito sozinho, mais do que isso, ficar sozinho faz parte da nossa sanidade mental. Mas ninguém pode passar o tempo todo sozinho e digo mais: quanto mais jovem você for, menos direito você tem de ficar muito tempo sozinho.

Eu tenho 40 anos, sou casada há mais de 10, me aposentei aos 35, tenho alguns amigos queridíssimos desses pra quem eu poderia ligar às 4h da manhã, tenho a fotografia de natureza e sua divulgação como uma vocação, não tenho angústias sobre quem eu sou e se estou vivendo bem minha vida. Eu posso passar bastante tempo sozinha.

Você não.

Provavelmente você é mais jovem do que eu, alguns bem mais jovens, com metade da minha idade, e provavelmente você tem alguma insatisfação na sua vida, ou não teria achado meu blog. Querido misantropo, sinto em lhe dizer isso, mas você ainda não ganhou o ticket dourado. Você ainda não tem o direito de ficar bastante tempo sozinho. Você tem que ir pra rua, conhecer pessoas, encontrar o seu sentido, a sua alegria.

Adoramos ficar em casa sossegados. Mas não é aqui que a mágica acontece. Não, não, mesmo que você tenha encontrado o amor da sua vida num chat, você só teve certeza disso ao vê-lo ao vivo, depois de vários encontros com ele. Ou seja, precisou de interação, precisou sair. E podemos ter ótimos amigos de internet, gente em quem você confia e consegue conversar melhor do que com várias pessoas que você vê ao vivo – mas não se compara a poder ver a pessoa, sair pra passear com a pessoa.

Somos misantropos. Mas também somos seres humanos, e mamíferos. A gente precisa de contato humano. Olhar, tocar, sorrir, abraçar e ser abraçado, poder falar pra alguém que sentiu saudade, e ouvir da pessoa o quanto ela também gosta de você. Isso faz uma diferença enorme na vida.

É totalmente permitido não estar a procura de um namorado, grande amor, ninguém precisa ter isso como eixo da vida – ainda que um parceiro preencha vários vazios. Eu concordo que não há nada de errado em ser solteiro ou solteira.

Mas todos precisam de companhia, de contato com gente legal.

Estou aqui martelando algo tão banal porque se você não acreditar de verdade que deveria conhecer pessoas, é improvável conhecer alguém que valha a pena. É preciso ter no coração, como uma certeza, como um fato, ou você estará se sabotando, vibrando na energia errada, fadado ao fracasso mesmo antes de começar.

Se você não acreditar do fundo do coração, que sua vida pode até não ser ruim, mas que só será espetacular na companhia de pessoas legais, então pode parar de ler o post aqui.

 

Parte 2 – Ok, você me convenceu, eu reconheço que minha vida tem vários momentos de vazio, tédio, e que eu fico pensando como seria se tivesse mais pessoas legais na minha vida – seja amigos ou um namorado

Muito bem. Como é que você está, por dentro e na aparência? Como está sua auto-confiança, seu conhecimento sobre você, você sabe por que você é uma pessoa incrível? E os quartinhos fedorentos, está cuidando deles? Sua imagem está boa, se você fosse um desconhecido você olharia pra você e se interessaria por você?

Se você não tirou notas altas nas perguntas anteriores, mude isso.

Confiança sobre quem você é uma aparência agradável aumentam mil vezes a chance de você conhecer gente legal. Já insegurança e timidez, ou ansiedade e carência, aparência desleixada, de quem não se gosta, diminuem mil vezes as chances de conhecer gente legal. Você cuida bem da sua alimentação? Se você quer emagrecer, sabia que que na maioria dos casos não depende de ter tempo de malhar quatro vezes por semana, e sim sua disciplina na hora de comer?

Se você não está bem por dentro e por fora, mude isso. E sempre lembrando que aparência agradável não é padrão de beleza, não é ser magra com cabelo liso e comprido, não é ser um cara saradão.

Você pode ir pra Parte 3 mesmo que não esteja muito bem na Parte 2. É só ter consciência de que quanto mais você estiver fortalecido na Parte 2, em se conhecer, gostar de você, cuidar de você, mais fácil serão as etapas posteriores.

 

Parte 3 – Disponha-se a conhecer gente, mate sua timidez, aprenda a puxar papo com desconhecidos, seja ativo em redes sociais

1 – Se você for tímido, combata isso. Tem várias dicas aqui. A timidez atrapalha muito a vida. Veja: uma coisa é ser quieto, reservado, low profile, misantropo. Tudo bem, isso é personalidade. Outra bem diferente é não agir por medo de ser julgado, por medo de não saber lidar com uma situação. Isso é timidez e precisa ser combatida, porque diminui as chances de viver feliz.

2 – Você vai usar as redes sociais a seu favor. Procure redes sociais com assuntos do seu interesse e converse com as pessoas. Exponha-se no Facebook: você vai postar fotos em que você saiu bem, você vai falar de assuntos interessantes, vai fazer comentários inteligentes, espirituosos, engraçados, gentis, ou o que você acha que representam você e que tenham chances baixas de serem mal interpretados.

Se você está no modo procurar um parceiro, de vez em quando você vai mencionar que está solteiro e por que será que é tão difícil encontrar um cara ou uma menina que (e você menciona algumas poucas características).

Por exemplo, se fosse comigo, eu falaria algo como “Por que é tão difícil encontrar homens bacanas, solteiros, que gostam de passarinhar mas não são fissurados por lifers, que têm visão pra beleza do mundo, com interesse por artes, fotografia, que se importam com o meio ambiente? Sem querer ofender ninguém, conheço vários caras legais – mas são todos comprometidos. Meus amigos dizem que estou querendo muita coisa, que encontrar homem solteiro hetero já é difícil, ainda fico querendo essas firulas de visão estética, consciência ambiental, que assim nunca vou namorar ninguém”.

Pronto. Lancei minha garrafinha no mar e estou aumentando a chance de ser lida por alguém que se interesse por mim. Se você está procurando alguém, você devia dizer isso pro mundo de forma inteligente.

Escolha bem o que você vai falar. Talvez você até quisesse que o cara fosse um loiro alto musculoso rico taradão (ou o equivalente feminino) – mas se falar dessas coisas numa rede social, só vai afastar as pessoas legais. Vai ficar parecendo que você é fútil, interesseira, mané. Sei que você não é, mas se você fala das suas fantasias, e a pessoa só lê aquilo, não sabe que na verdade você não se importa com aparência de modelo, que o que importa mesmo é o cara ter caráter, ser franco, honesto, inteligente, culto, carinhoso – o que um desconhecido vai pensar de você se em vez de falar disso, você posta a foto do Thor e fica falando o quanto ele é incrível?

Eu não estou procurando ninguém, e tenho todas as críticas ao Facebook. Uso muito pouco, não acompanho as postagens dos outros, entro só pra postar ou responder mensagens. Mas falo dos assuntos que eu quero expor (não todos, ainda não tive coragem de falar de aborto e correr o risco de chatear meu pai), sei que tudo que eu falo vai compondo uma imagem, no mínimo ajuda a me deixar mais próxima de pessoas com quem tenho sintonia de valores e essas conexões podem ser úteis para projetos, ou no mínimo vão me ajudar quando eu encontrar a pessoa ao vivo, ela já saberá um pouco de quem eu sou e se temos valores em comuns, se sentirá mais à vontade comigo.

Você tem que se expor. Sei que você é inteligente, então use a inteligência a seu favor, jogue a seu favor.

Lembrando sempre que o que foi publicado online está publicado pra sempre. Sei que o mais seguro é ser discreto e não falar nada, proteção total à privacidade. Mas se for pra usar a estratégia ostra, como as pessoas vão descobrir que tem uma pérola dentro da concha? Não tem jeito, você tem que se abrir, tem que se expor.

Só fale de temas polêmicos se você realmente acredita neles e está disposto a brigar por eles. Fale dos seus valores. Em geral evite brincadeiras que não possam ser entendidas por todos, se for piada interna fale só com o seu amigo inbox. Não significa que você não pode falar algo zoeira, claro que pode, desde que não haja risco de ser mal interpretado, nunca esqueça que é internet, não é conversa no boteco. Peloamordedeus, nunca faça um comentário machista, racista, xenófobo, ou algum tema que possa te trazer problemas, vocês sabem como isso pode destruir a vida das pessoas.

Sempre que for pra falar de algo que tenha algum risco, leia de novo e pense se um inimigo poderia usar isso contra você.

Por exemplo, meu Facebook tem meu pai, meus primos. Por causa do meu pai não falo de aborto ou de liberdade sexual. Mas no meu blog eu falo dessas coisas. E penso na pior hipótese: se alguém que quisesse me prejudicar mandasse esses textos pro meu pai, como seria? Ou tem algo do que escrevi que poderia prejudicar minha imagem profissional (caso eu ainda trabalhasse 🙂 )? E as respostas eram que eu me sentia pronta pra conversar com meu pai, se isso acontecesse, e que no meu ambiente de trabalho não seria motivo de saia-justa alguém saber ou falar que sou a favor do aborto ou que eu vivi meu período de putaria depois dos 20 anos. Mas se eu trabalhasse num local conservador ou religioso, essas declarações me trariam problemas, talvez demissão.

A exposição pública tem seus riscos, mas também seus prêmios. Sou a favor de falarmos de temas não-baunilha, acho fundamental pra um mundo mais humano, mas isso tem que ser balanceado com os riscos de realmente te prejudicar. Acho que pra maioria das pessoas, ser a favor do aborto não impediria de conseguir um emprego. Mas se meus principais clientes fossem instituições da igreja católica seria diferente.

– Além do Facebook, procure outras redes sociais dos temas que te interessam e participe, mostre-se, mostre sua inteligência, seu raciocínio, sua cultural, sua ponderação, análise, seus trabalhos, suas habilidades. Mostre-se. Dê a chance de alguém se sentir atraído pela sua mente e, se você está solteiro, disponível, e tem uma aparência agradável, por que não?

Além de você se mostrar, você vai olhar os perfis as outras pessoas e papear com os solteiros que lhe pareçam interessantes. Faça perguntas, converse, se a conversa evoluir veja como poderia encontrar a pessoa ao vivo.

 

Parte 4 – Apps e serviços pra conhecer gente

Se na sua rede não aparecer nada ou, além da pescaria pelas redes sociais, você também pode fazer uso dos serviços como OkCupid, Tinder, meros chats e outros. Não tenho conhecimento sobre os sites de namoro atuais, só sei que milhões de pessoas se conhecem assim, você devia tentar também, pesquise o assunto e experimente. Mais uma vez, use a tecnologia a seu favor, use sua inteligência e perspicácia, pela troca de mensagens dá pra ter uma boa ideia se vai valer a pena conhecer a pessoa ou não.

Eu sou da época dos chats do Uol, conheci muita gente assim. Nunca me arrependi dos caras que conheci ao vivo. Não eram o amor da minha vida, mas foi diversão momentânea, ou rendeu papos, ou experiências, mas nunca foi caso de decepção ou se sentir enganada ou numa cilada. Conversando antes você consegue ter uma boa noção de como é a pessoa e se vocês terão algo em comum ou alguma sintonia.

 

IMPORTANTE: o tempo inteiro, cuide da Parte 2, que é a história de auto-conhecimento, segurança, combater ansiedade, timidez, cuidar de si. Esse é o motivo do fracasso da maioria das relações. Se você está bem nessa parte, conhecer gente nunca será ruim. Você pode descobrir que não era bem o que você queria, ou não rolar muita sintonia, ou não rolar química. Mas nunca será a tortura que é quando a pessoa se sente ansiosa, insegura sobre si, sobre sua aparência. Nesses casos, quando não dá certo isso tem um peso enorme, em vez de ser visto apenas como um “tentei mas não rolou”.

 

Parte 5 – Se você quer conhecer gente, ande como se quisesse conhecer gente e fale com as pessoas

No mundo da internet é fácil puxar papo com alguém e ver se a conversa evolui. IRL exige muito mais, principalmente se você ainda está lutando contra a timidez.

Como agente ativo, sua parte é participar das conversas. Você tem que participar das conversas. Não precisa dominar o grupo, não é pra fazer de conta que é quem você não é, brigar com os extrovertidos pra ser o centro de atenções. Mas participe. Faça alguma pergunta ou comentário que demonstra interesse, gentileza, inteligência ou humor. Analise as pessoas presentes no ambiente, identifique quem pode ser interessante, está disponível, veja se consegue chamar a atenção dessa pessoa, engrenar uma conversa com essa pessoa.

Olha como esse pedaço é importante “alguém que pareça disponível”. Se a pessoa está com o namorado, é claro que você não vai tentar algo com ela. Mas se ela está com amigos, e parecem bem entretidos e felizes, também exige um grau a mais de coragem pra irromper nesse grupo. Se ela está sozinha, mas com cara de gente chata, também é uma barreira a mais.

Se você quer conhecer gente, você precisa fazer cara de quem está disponível pra conhecer gente, facilite a vida de quem quer se aproximar de você. Se você estiver sempre acompanhado e com jeito de quem não precisa de nada é mais difícil, se você parece chato é mais difícil. No mínimo tenha momentos pra estar sozinho em algum lugar, com cara de gente legal, e você aumenta a chance de alguém ir lá puxar conversa com você. Não precisa ficar sozinho, pode ir com amigos, mas tem que prestar atenção no ambiente e reparar se tem alguém te olhando que te interesse também. Se for o caso, encare e sorria. O sorriso foi retribuído? Vai lá falar com a pessoa.

 

Parte 6 – Participe de grupos e socialize com esses grupos

Eu sempre conto que dois dos meus melhores amigos conheci assim, num passeio passarinheiro. A gente foi fotografar juntos e descobrimos que nossos santos batiam, que a gente se sentia bem com nossos silêncios, que tínhamos valores parecidos, que achávamos graças de coisas parecidas. Uma das minhas amigas mais queridas é de internet, nunca a vi ao vivo mas a gente conversa de coração, daquele jeito que você sabe que o outro se importa e está torcendo pela sua felicidade. Tenho outra amiga bem querida do mundo dos passarinhos que encontro às vezes, de dormir na casa dela, dela cozinhar pra gente, da gente conversar sobre assuntos íntimos.

E além dos amigos, tenho vários conhecidos de que gosto bastante. E se estivesse precisando conhecer mais gente, tenho um monte de oportunidades de sair pra passear com mais gente, é só entrar no Facebook e combinar um passeio.

No fim do ano passado conheci outra pessoa bem legal, no meio de uma trilha. A gente se viu de longe e nos reconhecemos como passarinheiros, passeamos juntos, papeamos, depois descobrimos que somos parças do Clube dos Chatos e papeamos até hoje por WhatsApp.

Nos grupos de interesse há muitas possibilidades de socialização.

 

Parte 7 – Eu acredito em energia e magia

Eu acredito em energia e magia, e ninguém é obrigado a acreditar. Mas acredito de verdade que há vibrações e sintonia, percebo pessoas que emanam coisas boas, com quem a gente se identifica e gosta de ficar junto, e também tem pessoas que olho com suspeita, de quem me afasto, que considero perigosas. Acho que há lugares com energia ruim, de eu ir e me sentir drenada, acabada, só quero chegar em casa, tomar um banho e dormir.

Fico reparando em coincidências e dando um sentido pra elas.

Não tenho religião e não tenho certeza se Deus existe. Mas acredito na Máfia do Invisível. Acredito que há forças invisíveis que agem pelo bem e pelo mal, em conjunto com as pessoas. Às vezes me sinto ajudando as forças do bem. Espero nunca ter ajudado o outro lado.

Estou falando disso porque acredito de verdade que quanto melhor você estiver por dentro, mais fortalecido, em paz com você, mais fácil fica pra perceber os outros, enxergar os outros, sentir a energia dos outros, ser ajudado por forças invisíveis, e se conectar com as pessoas certas.

 

Acredito de verdade que não é tão difícil assim conhecer pessoas legais. Olha como faz sentido:

1 – Você passa a acreditar de coração que sua vida será melhor na companhia de pessoas legais, seja amigos ou um amor;

2 – O tempo todo você está cuidando de você, pra ser cada vez mais uma pessoa inteira e com uma aparência atraente.

3 – Você age a seu favor, se expondo e buscando conhecer as pessoas, tanto pela internet quanto ao vivo.

Como é que você não vai conhecer gente legal?

 

Aja.

A mágica de verdade só acontece na companhia das pessoas que fazem nosso coração bater diferente.

Não acredito em pacifismo, mas acredito em sinais

Sou um guerreiro.

Não sou o mago, não sou o comerciante, não sou o ladrão, não sou o clérigo.

Acredito em coisas como “não vim trazer a paz, mas a espada”.

O que é o certo, é o certo e deveríamos lutar pelo o que é o certo. Escolhemos nossas lutas, elegemos o que vale a pena investir nosso tempo, nossa tranquilidade, nossa alma, e se isso vai trazer perrengues, conflitos, situações desagradáveis, ora. Não podemos ter medo de escaramuças, discussões. Se o outro, ou você, não sabe refletir, não sabe receber uma crítica, não sabe perdoar, evolua como ser humano. A passividade e imobilidade é um pântano venenoso.

Sou violenta e belicosa. Tento sempre ser gentil e simpática com os inocentes, mas se entro pra brigar em geral é truculento. Não fisicamente, é claro, mas meus argumentos em geral não têm nada de gentil. Mesmo com quem eu amo, ou talvez principalmente quem eu amo, as pessoas de quem eu gosto e com quem realmente me importo. O Cris, por exemplo, vocês podem imaginar o quanto ele já sofreu – mas juro que isso o levou pro tal patamar de ser humano melhor :).

Nem o Daniel escapa. Tivemos umas poucas discussões na vida, mas sinto que é um trauma. No bom, sentido, acho, que o ajuda a andar sempre na linha, a se controlar mais, porque quem já foi obrigado a ficar meia hora sentado comigo e com o Cris, ouvindo o que você tem feito de errado, gostaria de nunca mais passar por essa experiência na vida. Depois dessa tivemos que fazer uma ou duas ameaças de conversas sérias “Você não está cumprindo uma das suas obrigações, que é tratar bem seus vovôs. Você vai tomar jeito ou a gente vai ter que conversar sobre isso?”, e nos últimos meses ele tem sido impecável, mesmo em situações em que está com fome, cansado.

As coisas que fiz pelo birdwatching foram com a espada. Se eu fosse o comerciante, poderia ter construído lentamente e com dedicação relacionamentos com as autoridades, mas sou o guerreiro, então com panfletagem e palavras pesadas – nunca mentirosas, mas também longe da gentileza, tirei a proibição da entrada do tripé no Jardim Botânico de São Paulo, encabecei o movimento pela portaria estadual que reconhece a existência do birdwatching. E depois de um ano sabático, estava me preparando pra entrar numa nova luta – mostrar pro Wikiaves o quanto eles incentivam competição e tapadices.

Juro que não queria. O desgaste com meus colegas no processo da portaria foi tão grande que eu me sentia done for life. Mas no final do ano conheci um ornitólogo, numa trilha, esses encontros ao acaso, o tal que depois descobri ser meu parceiro no Clube dos Chatos. Alguém que também acha errado essa postura lifeira, de tratar as aves como meros números ou troféus, que também vê como o Wikiaves incentiva isso. E ele achava que a gente poderia fazer algo pra mudar essa situação. Conversar com o Wikiaves. Propor mudanças.

Eu ia começar esse trabalho neste ano, já tinha escrito um rascunho de apresentação pro Wikiaves, comparando com escolhas do Inaturalist. Mas então tive o encontro budista em Jaú.

Não acredito no pacifismo, sou um guerreiro. Mas não sou apenas um guerreiro, sou um guerreiro amigo de bruxas, simpático a questões exotéricas, e uma das coisas que eu acredito é em coincidências que têm um sentido. Em sinais. Na máfia do invisível.

Na hora não concordei com tudo que minha amiga falou. Mas fiquei pensando se havia um motivo pra ter tido aquela conversa.

Falei pra minha amiga das minhas preocupações com o que o Wikiaves tem ensinado as pessoas sobre o que é passarinhar, com aquele ranking, votações, ausência de menções a trabalhos pela preservação, desconectado do GBIF.

Minha amiga me falou que eu superestimo a influência do Wikiaves, e que eu não deveria me preocupar com os que pensam diferente de mim, e sim trabalhar com as pessoas com quem tenho sintonia.

Tentar mostrar pro Wikiaves que eles incentivam comportamentos que eles acham ruins seria uma pedreira. Nem o moderador com quem eu tenho mais contato, pra quem mencionei o assunto, aceitou a ideia, me falou que é uma questão cultural de “brasileiro sempre estraga redes sociais”. E imagino que conversar com os outros seria mais difícil ainda.

A gente não deve evitar algo só porque é difícil. Mas reconheço que minha amiga pode estar certa sobre a existência desse outro caminho, o de parar de me importar com o que o maior site sobre aves brasileiras faz, e tentar ir me conectando com quem pensa diferente.

Mostrando fotos de bichos comuns, e de insetos, e flores. Fotografia submarina. Falando de prazer e diversão, nunca de lifers, metas, rankings. Incentivando as pessoas a também fotografarem insetos, flores, peixes. Fazendo posts com fotos grandes, com painéis. E divulgando no Facebook.

Vocês podem imaginar, sou uma lorpa em redes sociais. Não faço social com ninguém, não acompanho as postagens de ninguém, converso e agradeço quando comentam postagens minhas, mas raramente vejo as postagens dos outros. Mesmo assim, quando posto um desses álbuns de fotos tenho mais de 100 curtidas – o que me parece um número altíssimo pra quem é lorpa, low profile e não está postando fotos das aves chamativas. Minha alegria é pensar que estou ajudando as pessoas a pensarem na natureza de um outro jeito, nos passeios de um outro jeito, um que não precisa de lifers, metas e fotões impressionantes.

E posso ler comentários assim: adorei essa borboleta / adorei as fotos macro, que câmera você usou? / que fotos lindas / suas fotos são pura poesia.

Acredito no valor da luta, da guerra, da espada. Mas também acredito na possibilidade de construir uma nova realidade parando de alimentar pensamentos e energia sobre o que lhe parece ruim, e investindo em promover o que você acha bom.

Vocês já viram algo da Seicho-no-iê? Meu avô era da Seicho-no-iê. Foi o que lhe trouxe paz depois que o meio-irmão dele morreu de um câncer fulminante. Meu avô estava inconsolável, e a igreja católica não conseguia dar respostas. Acho que foi minha madrinha que o levou pra Seicho-no-iê. Assim como faço com qualquer tema, tento me apropriar do que me parecem ser pedaços da verdade. De uma forma meio enigmática ou dogmática, daquele jeito oriental, eles falam sobre o poder do pensamento. Uma das recomendações é a importância da gratidão, e também em, em vez de rezar pedindo algo, rezar agradecendo por algo já ter dado certo, como se isso intensificasse o poder da sua mentalização.

Também acredito nisso. Que nossos pensamentos influenciam na construção da nossa realidade.

Uns dias atrás meu parça do Clube dos Chatos perguntou quando a gente ia começar a tentar mudar o Wikiaves. Expliquei pra ele sobre a conversa com minha amiga, acho que ele entendeu, e concordou com minha decisão. E vai ajudar. Ele vai ser pai agora, nos próximos dias, mas falou que nos intervalos entre uma troca de fralda e outra vai começar a separar fotos dele também.

Um Cold Case de um assassinato de uma mulher bonita, uma oriental de cabelos longos, ela era membro da família real de um desses pequenos países que tinha deixado de existir e agora vivia nos Estados Unidos, bem pobres, mas com aquele porte de rainha. Mostra que alguns segundos antes dela levar o tiro, enquanto ela segurava no colo o marido morto, ela olha pro assassino e com muito desprezo e fala “você não existe”. Nego sua existência.

Sempre lembro disso. E tento ao máximo alimentar pensamentos, energia e tempo com as coisas que eu quero que existam, e tento não ocupar meu pensamento com pessoas que não me importam, ou que de quem eu não gosto, é como se fosse lixo mental. Penso em problemas como machismo, xenofobia, manipulação, escrevo, espero que isso ajude os outros a também lutarem contra o mal. Mas busco manter o equilíbrio, tento não ultrapassar a linha que faz seus pensamentos e ações fortalecerem o que você gostaria que não existisse.

E por isso estou dando razão pra minha intervenção budista.