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Quando você precisar rebater o desespero com as caixas de comentários: navegue pelo Quora

O Quora é definitivamente uma rede social de sonhos. Não sei como eles conseguiram, se só deram sorte de ter as pessoas certas no começo que imprimiram a personalidade, mas o que prevalece é gentileza, autenticidade, franqueza, bondade, humildade, contar coisas pessoais, contar coisas humilhantes. Mostrar-se humano. Em geral essas são as respostas mais votadas.

Tenho certeza de que deve ter seu grau de competitividade e loucura também, a ansiedade de ser votado, comentado. Mas aparentemente muita gente é madura o suficiente pra não estar nem aí pra isso.

Sabem como é: passear pelas caixas de comentários dos portais brasileiros é um convite pra depressão, ainda que eu tenha sentido uma leve mudança nos últimos meses. Há um pouco menos comentários totalmente idiotas, e há um pouco mais de comentários com bom senso. Ainda tem muita bobagem, é claro, mas parece haver esperança. Quem sabe um dia a gente chega no nível dos países desenvolvidos… uma amiga que mora na Inglaterra me falou que quando ela abre uma notícia do The Guardian, em geral ela vai primeiro pra caixa de comentários, porque há tantas opiniões sensatas e bem estruturadas.

Não sei o quanto tenho uma leitura enviesada, de só prestar atenção no que me interessa. Mas vou te falar: ler o Quora é astral. Te faz acreditar que pode haver esperança pra humanidade.

O quora.com é só em inglês. Já pensei em participar algumas vezes, mesmo com todos os prásticos que eu vou escrever. Mas sempre tem o problema com o conflito de tempo, das outras coisas que quero fazer, como a fotografia, desenho, divulgação da natureza. Já basta o blog que sempre me absorve. Fora isso, tem a sensação de que eu realmente não preciso participar, que um monte de coisas que eu penso já está representadas lá de alguma forma, ou em vários trechos de pessoas diversas.

As pessoas são educadas e gentis.

Ninguém escreve grosserias pros outros, não se xingam.

As pessoas escrevem o quanto querem, e ninguém vai comentar “lá vem textão”. Escreva o quanto quiser, lê quem quiser. Quem tem preguiça de ler, não leia.

O tempo todo há promoção dos valores de ser você mesmo, de ajudar os outros, de ser humilde, de não ser escravo de padrões.

Recomendo muito.

Sei que tem a pequena tristeza de ser em inglês, e bate um pouco aquela dor de se saber país de terceiro mundo, de pensar em como são as redes sociais em português: aquele mar de lama de futilidade, infantilidade, agressividade, jocosidade, vaidade, carência. Mas quem sabe um dia a gente evolui.

Talvez os dias em que você pode qualquer coisa

De vez em quando falo disso, então me desculpe pela repetição se você conhece a história. A referência a alguma HQ de muitos anos atrás, em que um imperador romano tem o direito a um dia por ano poder pensar sem ser influenciado por nenhum deus. Ele tem consciência disso, e nesse dia se veste de mendigo e perambula pela cidade, tentando aproveitar ao máximo esse lapso de independência.

Não sei o quanto você já encerrou o clima de festividades e voltou à rotina… mas talvez ainda não tenha voltado totalmente. Eu por exemplo estou adiando o quanto posso. Respondi os emails mas ainda não abri o Facebook. Fico tentando fazer poucas coisas por dia. Mesmo a edição das fotos da Austrália segue em câmera lenta, com vários momentos pra bancar a nerd e tentar descobrir a identidade de alguns LBJs.

No shopping Villa-Lobos agora (ou talvez faça tempo) tem uma Fábula, a linha infantil da Farm. Eu queria que a Farm tivesse tamanhos adultos. Vendo a vitrine, ao vivo, tantas roupas bonitas celebrando animais e plantas, e ouvindo minhas playlists de sempre, que o Cris acha um tédio “parece que é o mesmo palco e violão, e vão aparecendo pessoas diferentes pra cantar o mesmo estilo de música”, mas fazer o que se e em muitos dias é isso que combina com meu estado de espírito. Kina Grannis, Jasmine Thompson, Megan Davies, Madeleine Peyroux, Erato, Canyon City — de volta, talvez a combinação da Fábula com as fotos da Austrália e a trilha sonora e estar ainda longe das alegrias e agruras do mundo passarinheiro, dos problemas políticos, das tosquices,

talvez ainda seja o meu período pra pensar nas coisas sem influência,

ou talvez seja apenas a influência de outros deuses.

Hoje a vontade é de passar meses afastada da política e discussões. E só desenhar, ser capaz de criar estampas e talvez até peças de roupa pra celebrar a beleza da natureza. Talvez até esquecer que o foco devia ser a natureza brasileira e desenhar sem culpa os psitacídeos fabulosos da Austrália.

Acho que não serei capaz de realmente me afastar. Vai surgir algum imbróglio e não vou resistir.

Mas por hoje. É só a vontade de conseguir expressar o quanto a natureza é maravilhosa.

Imagens do Pinterest:

 

Algumas fotos da Austrália:

Sweet disaster

 

Ok, vou confessar uma das minhas grandes vaidades.

Muitos anos atrás, na faculdade, um dos nossos bons professores (Plínio Martins, editor da Edusp na época) me falou “mas você é mesmo o câncer da classe”.

Foi um tanto gratuito. Eu nem era mal comportada, foi só um momento em que eu estava falando algo com o …, um daqueles caras muito inteligentes e cultos, a gente estava rindo baixinho, não lembro o que era. O guruzinho também gosta dessa história, a gente considera emblemática o suficiente, ela sempre nos diverte.

O câncer da classe.

E ontem numa C&A encontrei umas roupas de mano em liquidação, e por R$ 15 agora tenho uma camiseta escrito Sweet Disaster, que eu gostei tanto a ponto de me dar o trabalho de me fotografar com ela só pra fazer este post.

Não é uma honra sem tamanho, um ideal a ser cultivado?

Adoraria ser isso mesmo. O câncer da classe, um sweet disaster, um tsnumami gentil, algo pra, com bastante jeito, abalar sua rotina, destruir sua casca, te tirar da concha, te inundar com dúvidas e inquietações e te obrigar a  nadar pra fora da zona de conforto, fazer você querer se reinventar. Pra você desejar ser maior, mais forte, mais brilhante, reconhecer que você é incrível e que o mundo é um lugar grande e maravilhoso.

Somos a história que contamos pra nós mesmos, e agora tenho mais um adjetivo pra pensar em mim.

Sobre a dificuldade de encontrar uma voz

Não sou uma escritora. Mas tenho uma pequena mazela que compartilho com escritores: a necessidade de escrever. Escritores escrevem porque precisam, porque tem algo comendo-os por dentro, porque é uma das únicas formas de lutar contra os quartinhos fedorentos mas no caso do escritor não é apenas uma forma de terapia. A diferença de simples desabafo e a arte da escrita é que no caso do escritor há uma musa guiando-os, às vezes com generosidade, mas não, na verdade acredito que ela é sempre exigente, caprichosa e até sádica, ou muitas vezes sádica. Acho que a maioria das coisas que vemos e nos parece muito bom demandou os 90% de transpiração, você pode ler e achar que a musa foi generosa, mas esquece de quantos meses ou anos ela fez o escritor rastejar, suplicar, se prostituir, quase se jogar de uma ponte, qualquer coisa que fizesse a bela mostrar um pouco mais de sua face luminosa e transformadora.

A musa pode (caprichosamente, como sempre) escolher te possuir durante um período da sua vida e os motivos de por que ela veio, ou por que se foi, não devemos ter a pretensão de entender. Há musas capazes de acompanhar um mortal durante décadas, até sua morte? Claro que sim. Nossas obras de artes plásticas, arquitetônicas, musicais, escritas são a grande prova de que as musas existem.

As musas. Quer sejam seres etéreos atemporais que decidiram acompanhar a humanidade, ou que foram criados a partir dos pensamentos da humanidade, ou sejam apenas uma forma de descrever o estado mental que umas poucas pessoas conseguem alcançar depois de passar anos ou décadas trabalhando (vou bancar a espírita e dizer que as crianças prodígio são reencarnações de artistas que também passaram décadas na labuta, só que em outra vida) pra que seu domínio técnico sobre alguma atividade ultrapassasse o existente, o formal, o correto e desse aquele passo além que traz o bom trabalho pro nível do sublime e do imortal.

Não sou uma escritora, muito menos uma artista. Mas dentro da minha tosquice, os fragmentos da inspiração, do orgulho de se sentir trabalhando em e talvez até criando algo capaz de me agradar, que eu consiga reler várias vezes, ou fotos que são o tal pequeno portal capaz de mostrar um pouco da atmosfera do mundo secreto das aves, agora dos insetos, aranhas, ou das ilustrações de estampas de tecido com que sonho fazer a natureza brasileira se tornar mais concreta e presente no cotididiano, são fragmentos capazes de iluminar meu caminho.

 

Ser feliz não é ter uma vida perfeita

Não sei o quanto é influência da cultura pop americana, mas esse sempre foi um dos temas mais importantes na minha vida. A ideia de que não somos vítimas e que temos poder de escolha.

“É impossível”, “Não tenho o que fazer”, “Estou de mãos atadas”, “Eu tinha que fazer tal coisa”, ah como essas coisas me irritam. Veja, estou falando de coisas razoáveis. É impossível ganhar na mega sena? Sim, beira o impossível, e se é isso que te faz infeliz você é apenas idiota. Mas não é impossível saber mais sobre você mesmo, trabalhar seus defeitos, gostar mais de você, se transformar, buscar um trabalho que lhe traga mais satisfação e menos perrengues, ou então encontrar o seu estado mental que te permite encarar a jornada do trabalho apenas como o trabalho, apenas como algo que serve pra pagar suas contas.

Ninguém nunca está de mãos atadas num relacionamento. Ninguém é realmente obrigado a fazer coisas. “Vocês me obrigaram a fazer isso”, eu pergunto: eu coloquei uma arma na sua cabeça e te mandei fazer isso? Se você não queria fazer tal coisa, por que não falou claramente que não queria? É muito melhor do que fazer e ficar resmungando.

Você está no controle da sua vida.

– Saiba quem você é.

– Goste de você. Se tem coisas que te impedem de gostar de você, mude isso.

– Liberte-se da ilusão sobre o quanto aparência e opinião das pessoas importam. Isso não importa. Aparência de modelo não é item de felicidade, ser escravizado pelo o que vão falar de você só te acorrenta.

– Invista em você, em fazer coisas que você goste, busque a companhia de pessoas que te fazem bem e que gostam de você, mesmo que seja uma só ou mesmo que durante meses não seja ninguém, mas se afaste da maldade, da futilidade.

– Saiba dizer não. Como dizem no Pinterest, não é uma palavra curta que evita problemas longos.

– Aprenda a se expressar, a dizer que gosta de alguém, se expresse mais. O mundo precisa muito de mais amor.

– E também aprenda a ter conversas difíceis, a falar pra alguém que aquela pessoa te machucou ou ofendeu. É claro que você não precisa resolver tudo imediatamente, e algumas coisas só passam e você supera. Mas se aquilo ainda incomoda, ou se o comportamento do outro é recorrente, converse com a pessoa sobre aquilo. Engolir sapo é um dos maiores venenos pra alma.

Você não é vítima de nada, não importa o seu passado. Quem está no controle é você, está nas suas mãos ficar revivendo traumas, dores e problemas ou dar um passo em direção a uma vida muito maior, com mais luz, satisfação, momentos de felicidade. Se o passado é pesado demais, procure ajuda. Se possível um terapeuta, se for impossível pense e escreva muito sobre isso, encontre um amigo sensato com quem conversar, que possa te dar conselhos no caminho da libertação e do perdão. Não é pra esquecer e nunca mais falar, pelo contrário, é pra falar e processar até que aquilo não machuque mais, não fique mais ocupando espaço na sua cabeça e no seu coração. Quando seu passado e seus problemas pararem de ocupar esse espaço, só assim as coisas boas poderão entrar na sua vida.

Não é verdade que o coração é o cérebro são ilimitados. Eles têm uma área finita e se você os enche de velharias, quinquilharias e podreras, fica quase impossível ter renovação e coisas boas.

Liberte-se.

99% de transpiração

Sobre se sentir travada, sem inspiração, muitas vezes também me sinto assim… mas quando quero mesmo fazer alguma coisa, lembro que talento ou genialidade é 1% de inspiração e 99% de transpiração 🙂

voltei a desenhar hoje. Nada muito bom ainda, mas sei que só vai ficar bom se eu treinar bastante e fazer vários testes, e sei que tudo que parece simples e harmonioso em geral demandou muito tempo aparando arestas.

Não se intimide com a falta de inspiração, só faça, releia, reveja, escreva de novo, desenhe de novo, sempre vai sair melhor.

Algumas poucas vezes a gente faz algo como se estivéssemos possuídos, e talvez a gente esteja mesmo, mas no geral dependemos da transpiração.

— um email levemente editado que acabei de mandar pra uma amiga.

Ela não falou sobre isso, mas é um tema correlato: a tristeza do Jeca quando não reconhecem seu bom trabalho. Lembrem sempre do exemplo do Neil Gaiman, a tal historinha que ele contou na FLIP de…. 2008, acho.  Ele já era famoso, já tinha milhões de seguidores, mas quando terminou de escrever Deuses Americanos, passou meses viajando pelos Estados Unidos pra promover o livro.

O Neil Gaiman. E Deuses Americanos.

O que dizer de nós pobres mortais.