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Xenofobia – espero que você não esteja no coro dos imbecis

A ficção científica é um gênero B, mas ela me ajudou em muitas coisas. Inclusive a ser um polo magnético que faz as pessoas terem vontade de me falar sobre qualquer assunto ou fazer qualquer confissão. Sei que os escritores de FC me ajudaram a entender como o mundo é grande, e que nada deveria ser estranho demais, no máximo bem curioso.

Nesses dias estive ausente da humanidade, com a tal questão de gente no hospital, mais férias do meu enteado – e continuo na onda de acreditar que cada momento com ele é ouro. Mas separei alguns minutos para ler um pouco sobre os atentados em Paris, análises, comentários do populacho….

Ah, o populacho. Sempre que leio os comentários gerais dos portais de notícias ou de algum post polêmico do Facebook lembro das utilidades de se ter um dente com cianeto. Que Deus me ajude a nunca cair nas mãos do populacho. Putaqueopariu… como disse um amigo meu “não leia a seção dos comentários, diminui a fé na raça humana”.

Mas assim são as pessoas, não? Mais tapadas do que topeiras. Tão certas de como são os muçulmanos, os árabes. Tão ligeiros em pegar os atos hediondos de alguns e generalizar para toda uma população.

Que cacete. Por que não prendem todos os brasileiros, já que é sabido nossa tendência à corrupção, e o fato de que tantos crimes terríveis contra a população são executados todos os anos? Por que não prendem todos os americanos em instituições psiquiátricas, pra evitar mais massacres em massa? Por que não proíbem a comercialização de qualquer produto chinês para outros países, dada a tendência à falsificação, trabalho insalubre, com substâncias perigosas? Por que não isolam a Alemanha pra impedir que o neonazismo se espalhe em outros países?

Por que não existe alguma coisa capaz de prender todas as antas capazes de falar do quanto “os muçulmanos”, “os árabes” são um povo violento e perigoso? Que as antas achem que as notícias dos crimes de alguns indivíduos representam todo mundo, até entendo. Anta é anta. Que as antas tenham voz pra influenciar algo, um linchamento, novas leis… isso já entra na categoria profundodesgostoevergonhadeserhumano.

Sim, é verdade que além de leitora de ficção científica ainda tenho uma família peculiar, em que eu tenho laços com judeus, minha irmã com muçulmanos, meu outro irmão com espíritas, e há a herança espírita-católica-e-seicho-no-ie. E que eu faço meditação e fiz cursos de cura prânica. Mas tenho certeza de que não é preciso esse caldo cultural pra saber o quanto é imbecil rotular um povo inteiro pelos crimes de alguns dos indivíduos. E não é preciso ter nem meia-noz como cérebro para saber como esse discurso contra “os árabes” “os muçulmanos” é capaz de criar um clima de terror para todos os árabes e muçulmanos inocentes, especialmente os que vivem nos países de cultura ocidental, e ainda mais para crianças.

Bullying e crueldade fazem parte da natureza do que é ser Homo sapiens? Isso explicaria tanta imbecilidade. Mas se você não se identifica com essas atitudes de rotular de baciada, de tratar com injustiça quem não pode se defender, de criar um clima de terror, levante sua voz pra qualquer um que ousar lhe falar do quanto “os árabes” e “os muçulmanos” são perigosos. Não são. São pessoas como eu ou você, com família, irmãos, filhos, mãe, pai. Que trabalham, sofrem pra conseguir vaga em hospitais, fazem festas para comemorar datas importantes, se preocupam com o bem estar das pessoas queridas, querem uma vida melhor. Há radicais, há loucos. Mas mais louco ainda é quem toma o crime de algumas pessoas e atribui a uma população inteira.

Critérios de seleção de romances – e talvez de pessoas

É insuportável obras em que os personagens são chatos. Por mais engenhoso que seja o enredo, por melhor que o autor escreva, se os personagens são chatos simplesmente não dá.

Não tenho como ceder meu tempo à intelectualidade de um autor que considera o charme dos personagens um aspecto menor.

Perder meu tempo em acompanhar um trecho da vida de personagens que não são gente? Personagens que fazem coisas totalmente estúpidas previsíveis, gente que não terá transcendência nem felicidade?

Não, sem masoquismo.

Não me identifico com personagens pequenos, fracos, estúpidos, falhos, medíocres. Só leio obras e só me interesso por filmes em que o personagem tem pelo menos um aspecto dele em que é sublime, inspirador, maravilhoso. Gosto de personagens e de gente que tem gana, sangue, fogo. Não precisa ser perfeito, de jeito nenhum. Mas se não tiver algum lugar em que a personagem ou pessoa é profunda ou ampla ou invejável ou admirável, não me fisga.

E digo mais.

Desconfio profundamente de gente que suporta livros e filmes com personagens chinfrins. Acho que gente capaz disso no fundo também se sente chinfrim.

Racismo e outras discriminações imbecis

Qualquer manifestação racista é uma demonstração do quanto a pessoa é um grande cabeça de bagre. Não encontramos os tais seres de outro planeta, mas dispomos do privilégio de viver num mundo em que há uma certa variedade de cor de pele, de cabelo, de porte, de formatos, de olhos, de línguagem, de vivências. Acho uma pena não haver uma variedade maior ainda de cores de pele. É tão legal topar ou se relacionar com pessoas que têm aparências tão diferentes da minha. O máximo de gostinho que vou ter de confederações intergalácticas.

Tratar mal alguém porque a pessoa não tem pele clara é querer alardear pro mundo que você tem meia ervilha no lugar do cérebro. Há poucos jeitos tão eficazes de dizer “sou um idiota, sem cultura, sem vivência, vivo num mundinho fechado, uma vida mesquinha, sou altamente influenciável pelos meios de comunicação e por isso acho que só quem tem jeito de europeu ou gringo presta, não tenho capacidade de pensar e analisar, só ligo para aparências, não sei olhar as pessoas como pessoas, humilho os mais fracos sempre que posso, mas é claro que não faria o que faço se a pessoa pudesse revidar, sou um merda”.

Meus avós chamavam os negros de kuros, que é palavra para negro, mas não vejo diferença entre chamar alguém de lemão, portuga, grego, turco. Nunca vi tratarem mal uma pessoa de pele escura e, diferente de outras famílias japonesas, os filhos puderam casar com quem quiseram. Dos cinco, só minha mãe casou com um descendente de japoneses, todos os outros casaram com brasileiros. Entretanto, meus pais tiveram quatro filhos, sendo que uma casou com um muçulmano marroquinho, e a outra com um judeu filho de romenos.

Sempre acho estranho quando alguém me censura ou diz que não se pode chamar alguém de negro. Como se fosse ofensivo. Só é ofensivo pra alguém que acha que há algo de errado em ser negro.

Claro que entendo todo o contexto histórico, e é claro que já me senti muito infeliz por não ser branca – entendendo muito bem frases de personagens do Cold Case, um jogador negro de beisebol, que falou “eu esfolaria minha pele com uma bucha de aço, se isso me fizesse deixar de ser negro”. Mas somos o que somos, melhor sorte na próxima vida. Quando estou conversando com negros, às vezes me pego pensando “como é possível tratar mal uma pessoa só pela cor da pele”. E como as pessoas podem ser incapazes de ver a beleza dos negros? Tantos negros e negras maravilhosos. Ah, se o Derek Morgan caísse no meu quintal…

E a polêmica do Facebook de uma semana atrás, a foto da garota negra com o namorado branco. Foi trolada com frases do tipo “onde você comprou essa?”, “ela é sua escrava?”. Que tipo de gente pensa ou escreve essas coisas? Provavelmente cretinos bem invejosos, porque a garota é linda, eles devem ter pensado “quem me dera”.

Se você tem amizade ou influência sobre qualquer um que demonstre pensamentos de meia ervilha, bombardeie seu amigo sempre que puder. Converse, faça a pessoa deixar de ser tapada e idiota. Não tem nada que justifique humilhar e tratar mal as pessoas por qualquer motivo que seja, especialmente aquilo que é ligado com aparência: ser negro, ou indiano, ou nordestino, ou japonês, ou gordo, ou muito magro, ou baixinho. Mesmo que você tenha crescido em um meio que propagava o preconceito e o bullying, já está mais do que na hora de pensar com sua própria cabeça. Pare e pense.

Por que a proibição do uso comercial de imagens feitas em parques públicos prejudica os parques públicos

Se você tem algum interesse na natureza, já deve ter reparado na pobreza cultural, ausência ou quantidade ínfima de livros, guias, produtos ou qualquer tipo de divulgação sobre os parques públicos brasileiros. A maioria dos parques as pessoas nem sabem que existe. Mesmo um local de importância internacional como a Serra da Capivara mingua com o crescente corte de recursos. A diretora procura empresas para tentar algum tipo de patrocínio e recebe como resposta “O parque não tem visibilidade, não temos interesse em apoiar”.

http://www1.folha.uol.com.br/dw/2014/05/1450106-parques-nacionais-brasileiros-sofrem-com-falta-de-recursos.shtml

Vocês sabem por que isso acontece, não? Não é só porque é difícil publicar ou lançar algo no Brasil. É de propósito mesmo. Existem instruções normativas e portarias que proíbem a divulgação dos lugares. Nada pode ser feito sem pagamento de taxas e aprovação dos projetos.

Publicar um livro ou fazer um produto de sucesso é muito difícil. Mas há cada vez mais fotógrafos, e o brasileiro é conhecido por ser um povo criativo. Numa abrangência pequena, mas em quantidades cada vez maiores, seria possível haver singelas iniciativas de divulgação dos locais. Mesmo que fosse para ter livros em PDF impressos sob demanda – isso seria perfeitamente possível.

Todos os fotógrafos amadores, e provavelmente alguns profissionais, gostariam de alardear com todo prazer “vão conhecer o parque x, lá é um lugar muito legal e que merece ser visitado”, mas só podemos fazer isso de forma restrita, devido às tais portarias e instruções normativas que ignoram a existência de internet, redes sociais e o crescimento exponencial de câmeras digitais e de fotógrafos.

O pessoal que escreveu essas leis considera melhor ganhar uns trocados com fotos – quanto vale uma foto de natureza? Cada vez menos. Com os bancos de imagem, tantas fotos são gratuitas e algumas valem centavos. Ainda há poucas imagens do Brasil, comparando com as imagens de EUA ou Europa, por exemplo, mas é só uma questão de tempo. Esses administradores não enxergam que ganhariam muito mais com divulgação, se eles largassem a mão de controle total sobre o que se publica sobre os parques. Num dos parques que eu fui, o PESM Curucutu, comentei que ia fazer um reporte sobre o passeio. E descobri que oficialmente eu não podia publicar num blog sem assinar dois formulários!

Hoje há poucos casos em que a pessoa é realmente proibida de fotografar dentro do parque, mas em vários é possível complicar bem a vida do cidadão. No Parque dos Trabalhadores, em São Paulo, ficou quase impossível – você precisa ir duas vezes ao parque, pra conseguir uma autorização que dura 1 dia, e no Parque Villa-Lobos também é preciso de autorização prévia do diretor. No Avistar deste ano (o maior encontro de observadores de aves da América do Sul),  birdwatchers foram abordados pelos seguranças e proibidos de fotografar porque não tinham a tal autorização.

Felizmente há vários exemplos positivos, como o Jardim Botânico de São Paulo, o Parque Ecológico do Tietê, o Parque do Carmo, o Parque do Ibirapuera, o Horto, o 9 de Julho – locais em que nenhum segurança aborda fotógrafos (isso em São Paulo. Nas outras cidades também há vários casos positivos). No Botânico e no Horto pedem para você assinar o tal termo de uso não comercial, mas é simples e feito na hora.

O problema é que mesmo quando o diretor do parque e os outros funcionários são perspicazes, e facilitam a entrada dos fotógrafos, eles não têm como escapar dessas portarias e instruções normativas que regem todos os parques públicos. Essa história de ter que aprovar tudo simplesmente não funciona, e a grande prova está aí, no vazio de publicações, produtos ou qualquer tipo de divulgação dos parques. Mesmo que não houvesse taxa, que só fosse obrigatório passar pela aprovação do parque, isso já seria um grande desincentivo, a não ser que houvesse vantagens claras em passar por essa etapa.

Deixem as pessoas fazerem o que quiserem, combinem algo racional do tipo “você pode fazer o que quiser, mas se não passar seu projeto pela aprovação da nossa comissão – que tem boa vontade e quer trabalhar em parceria com os amigos do parque, terá que colocar um disclaimer dizendo que o seu projeto é uma iniciativa pessoal e que o parque não se responsabiliza pela veracidade das informações. Mas se você passar pela aprovação, e for aprovado, podemos divulgar seu produto no próprio site do parque, e fazer uma parceria para as vendas”.

Controle e aprovação é a mentalidade da ditadura, precisamos evoluir na relação entre povo e administradores. Por exemplo, bancos de imagem propagam: “você pode usar essas imagens desde que elas não estejam associadas com temas como álcool, drogas, cigarro, racismo, discursos de ódio etc”. Por que isso não é suficiente na nossa relação com os parques? Por que somos obrigados a obedecer regras de pessoas que parecem viver num reino à parte, com total desconhecimento sobre câmeras digitais, redes sociais, concorrência pela atenção do público?

Se a pessoa vai lucrar com um livro, uma camiseta, uma caneca, qual o problema? Quanto ela vai lucrar? Nada. Se ela tiver qualquer lucro, não é nada comparado a o que ela gasta com equipamentos, viagens, tempo, dedicação. Qualquer pessoa que faz um projeto relacionado com a natureza não o faz por uma oportunidade comercial de ganhar dinheiro, só faz por amor à natureza, porque como negócio os lucros com a natureza são um fiasco.

Num futuro em que a natureza começasse a ganhar um pouco mais de relevância, talvez alguma empresa grande se interessasse em apoiar algum projeto grande, com chance de lucro real. Nessa situação hipotética poderia haver acordo com o parque.

Por enquanto, já é uma vitória se conseguíssemos divulgar a existência dos parques, ou que tais bichos bonitos existem nos parques tais e tais.

Mas não.

O povo brasileiro é gado, e nada passa sem a aprovação dos gestores e o pagamento das taxas.

Mais informações: http://virtude-ag.com/eu-divulgo-se-foto-bonita-divulga-por-que-parques-dificultam/

PS: faz tempo que o Cris me incentiva a fazer um fotolivro com minhas fotos. Só de curtição. Tentei, mas esse assunto da proibição de divulgação dos parques me acabrunha tanto que quando vi meu projeto era um protesto contra essas portarias. Logo compartilho.

Aos que vivem na mesquinharia da miséria sexual, enchendo o saco da vida dos outros, eu digo: vão se foder

Então aconteceu de eu postar fotos de um passeio num lugar bonito, feito com amigos queridos. Uma das pessoas divulgou uma foto do lugar bonito e disse “vejam a beleza desse lugar”. Comentei “o certo teria sido você usar esta foto” – e mostrei uma que tinha o cenário, e esses amigos queridos juntos, sentados um ao lado do outro – como exemplo de coisas bonitas.

Sabem o que aconteceu? A pessoa decidiu apagar tudo, porque recebeu um comentário no inbox “tá pegando o cara da foto?”, sendo que eles estão lá apenas sentados um ao lado do outro. Não era nem a minha foto com esse amigo, em que a gente passou o braço por cima do ombro do outro, aproximamos as cabeças e sorrimos pra câmera.

Se você é do tipo que acha que não existe amizade entre homem e mulher, que se dois amigos tiram uma foto sentados um ao lado do outro só pode significar que eles estão tendo um caso, read my lips: vai tomar no seu cu. Se você vive uma vida de miséria sexual o problema é seu, se você vê maldade em tudo o problema é seu, se você acha que estar próximo, ou mesmo que um abraço ou carinho é algo que só pode acontecer entre pessoas que estão tendo relações sexuais, você é um cretino.

Este é um assunto que me deixa muito brava, e que faço questão de panfletar, mesmo que seja por algumas horas – caso um dos amigos peça pra eu apagar. Mas pelo menos por algumas horas vou dizer publicamente: não vivemos num país nem uma época em que é errado haver proximidade física entre homens e mulheres. Se fosse cem anos atrás, se fosse em outro país, posso entender que era um escândalo tocar a mão de uma mulher em público, ainda mais se ela é casada com outro homem.

Mas o aqui e agora é Brasil-brasileiro-terra-de-samba-e-pandeiro-ano-2014. Ser calorosos e carinhosos é uma das características do nosso povo, e que encanta gente do mundo todo. Somos mamíferos e gostamos de contato físico. Somos menos idiotas do que outros países – nesse aspecto e, em geral podemos manifestar que gostamos de alguém com um abraço, com proximidade, com um carinho – sem que isso precise ter conotação sexual e de traição aos respectivos cônjuges.

O filho da puta que fez minha amiga apagar a foto, e que provavelmente fará ela se preocupar em não ter nenhuma foto que possa suscitar de novo esse tipo de comentário, ou que talvez faça ela até manter distância física dos amigos homens – para evitar que alguém fale merda – você que fala esse tipo de idiotice é uma das grandes pragas da humanidade, é alguém que contribui pro mundo ser pior, e sinceramente espero que um dia você seja capaz de enxergar o quanto sua postura mesquinha faz mal pro mundo.

Quem não reconhece a beleza dos seres humanos merecia uma surra

Se alguém me perguntasse, eu diria que é pela beleza. As aves são lindas de doer, é uma beleza de ser incapaz de tirar os olhos, sentir-se fascinado em acompanhar todos os movimentos. Quase uma obsessão.

Mas sabe o que é muito mais lindo do que as aves? Seres humanos. Não só pela beleza das infinitas combinações genéticas que resultam em aparências únicas, mas principalmente pelo o que as pessoas têm por dentro. Pelo potencial dentro de cada um, pelo o que uma pessoa pode vir a ser, criar, revolucionar em ciência, artes plásticas, poesia, literatura, tecnologia, filosofia, religião, meditação, levitação, poderes extra-sensoriais. E não só o que as pessoas parecem, ou o que elas fazem, mas como elas são mesmo, como indivíduos absurdamente complexos, e capazes de atos tão hediondos ou tão absurdamente belos.

Os seres humanos e nossa diversidade, variedade, imprevisibilidade, defeitos, incompletudes, genialidade é o que existe de mais belo, e se Deus, os anjos e Satã se divertem em nos observar Continue reading Quem não reconhece a beleza dos seres humanos merecia uma surra

“Curta minhas fotos”

Me deu vontade de responder “não sou sua mãe pra elogiar qualquer porcaria que você faz”, e isso porque nem tinha visto as fotos do indivíduo, é só uma revolta geral contra a oficialização da carência emocional do ser humano. Ah, e não estou falando do “Fulano sugeriu que você possa curtir o Pomo Dourado”, acho que essa propaganda faz parte. Mas alguém te dizer “me curte” é revoltante.

Não nego que exista carência. Acho que todo mundo é carente, todo mundo precisa de carinho e de amor, todo mundo precisa se sentir querido, valorizado, competente, bom, todo mundo precisa de elogio.

Mas aí começar a pedir elogios e aprovação pra desconhecidos e, pior, achar que os likes das pessoas pra quem você mendigou, ou com quem você faz troca-troca de favores sociais “curte o meu que eu curto o seu”, pensar que isso é a resposta para a carência emocional, se sentir nutrido por isso… Não é assim não. Isso é infantilização de adultos.