Category Archives: Inconformada

A gente se fudeu de novo na Batalha pela Terra Média? – O caso do Butantan

Queridos leitores,

talvez vocês tenham visto as denúncias contra o Butantan. Este é um dos poucos casos em que conheço pessoalmente gente capaz de dar informações em primeira mão, e esse meu colega me disse que a saída de Jorge Kalil é uma grande injustiça e tragédia pro Instituto.

O Butantan era minha esperança de pequena ilha de primeiro mundo no meio do Brasil. Um lugar que estava dando certo, dando lucro, investindo em pesquisa, produzindo vacinas, próximos de conseguir a vacina pra dengue e fazendo pesquisa de zika e chikungunya. E, o que mais me move: investindo em ações a favor da natureza. O tal Observatório de Aves. Apoio ao Avistar. Projetos pra monitorar outras espécies de fauna fora as aves.

Agora vai tudo por água abaixo, ou no mínimo vai ter essa injustiça atroz de jogar na lama o nome do homem que possibilitou tudo isso.

Se puder apoiar, por favor, assine a petição, compartilhe, peça pra outros assinarem também: https://secure.avaaz.org/po/petition/Governador_Geraldo_Alckmin_Apoie_o_Prof_Kalil_no_Instituto_Butantan/?copy&utm_source=sharetools&utm_medium=copy&utm_campaign=petition-409838-Governador_Geraldo_Alckmin_Apoie_o_Prof_Kalil_no_Instituto_Butantan&utm_term=noHash%2Bpo

E aqui tem o site que funcionários do Butantan montaram pra explicar o caso e reunir informações: https://salveobutantan.wixsite.com/defendaobutantan/blog

— x— x

Fazia tempo que eu não xingava. Mas putaqueopariu, que merda. Também fazia tempo que eu não chorava de desgosto, mas agora me vejo com os olhos molhados, de raiva, de pensar como as coisas estavam indo bem e a facilidade com que os Orcs destroem tudo.

Não terminou, mas do jeito como a grande imprensa foi comprada ou manipulada pelos inimigos de Kalil, ou por quem vai lucrar com a saída de Kalil, parece irreversível. Parece que perdemos. Parece que nos fudemos de novo.

Pra mim é doído como a vitória de Trump. Eu sei que a vitória de Trump tem um âmbito muito maior. Mas emocionalmente, o que estava acontecendo no Butantan era minha esperança de instituição pública capaz de investir na natureza. Com dinheiro, poder, competência, amor.

O que vai acontecer com o trabalho deles? Não sei.

Nas minhas panfletagens no Facebook, é claro que alguém ia falar que não põe a mão no fogo.

Esta foi a minha resposta ao colega:

“Um colega me disse que as denúncias têm que ser investigadas e que ele não coloca a mão no fogo por ninguém. Claro, a justiça é para todos. Mas escrevi um pouco sobre a diferença de investigação e crucificação, e por que eu estou colocando minha mão no fogo pelo Butantan.

— x —

Você sabe o que é manipulação da opinião pública? Esse é um tema importante porque está acontecendo o tempo inteiro em assuntos crucias para a vida de todos os cidadãos. O impeachment de Dilma aconteceu graças a essa manipulação. Eu era a favor da saída dela por vários motivos, mas também tenho a clareza de que houve um grande movimento dos meios de comunicação pra insuflar as pessoas. E que não teria havido manifestações públicas, como houve, se não fosse por essa manipulação.

Na eleição presidencial dos Estados Unidos os apoiadores de Trump conseguiram diminuir a quantidade de pessoas dispostas a votar em Hillary com uma estratégia de difundir uma série de notícias falsas nas redes sociais. E agora deu no que deu. O homem mais poderoso do planeta diz que não acredita em aquecimento global, vai acabar com os incentivos pro desenvolvimento de energia limpa e voltar a investir em energia fóssil, vai voltar a investir em arsenal atômico, e mais uma baciada de perspectivas sombrias pros Estados Unidos e pro mundo.

Eu já tinha visitado o Instituto Butantan alguns anos atrás. Era um lugar decrépito e deprimente, como a maioria dos museus e institutos no Brasil. Você sabe como é agora? Você foi lá recentemente? Você sabe o que é ter uma instituição pública que dá lucro, tem poder e prestígio, tem funcionários que se orgulham de trabalhar nela, investe em pesquisa, vai conseguir criar algo como uma vacina pra dengue, acredita na importância da ecologia, faz monitoramento de fauna?

Tudo isso aconteceu graças à gestão de Jorge Kalil. Não era assim até 2011. Antes da entrada de Kalil o Butantan tinha passado por um incêndio, por desvio de dinheiro, e também pela construção desse elefante branco que é a tal fábrica de hemoderivados de R$ 240 milhões, com tecnologia que ninguém sabe se vai mesmo funcionar, e sem ter garantia de fornecimento da matéria prima, o plasma, que não pode ser adquirido de nenhuma forma, o controle é da União, que resolveu concentrar tudo no Hemocentro em Pernambuco.

Jorge Kalil não está passando por um processo justo e honesto de investigação. Seus inimigos estão conseguindo destruir a reputação de um homem que já foi presidente da Sociedade Mundial de Imunologia e que tinha conseguido realizar um trabalho fabuloso no Butantan. Os inimigos de Kalil conseguiram fazer com que os grandes meios de comunicação fiquem divulgando a construção da fábrica de R$ 240 milhões como se fosse obra dele – o G1 diz claramente que a fábrica foi construída entre 2011 e 2014, quando na verdade foi antes de 2012, é fácil checar isso na internet. Alguns meios de comunicação, como a rádio, acho que a Jovem Pan, foi um pouco mais esperta, checou, e viu que fábrica não era obra dele, mas então a acusação é de não terminá-la e colocá-la pra funcionar. Na entrevista de Kalil pra Folha ele disse que a fábrica nunca saiu do radar deles, mas que havia negociações com o governo pra obter o plasma, e também muitas dúvidas se a tecnologia comprada iria funcionar. As reportagens dizem que pra fábrica começar a funcionar vai exigir mais algumas centenas de milhões de investimento (e pelo visto, sem certeza se vai dar certo). Kalil não priorizou isso.

A tal auditoria interna citada na imprensa aconteceu dois anos atrás. Eia. Dois anos atrás? E por que as tais irregularidades estão sendo denunciadas só agora? Coincide com a saída de André Franco Montoro da Fundação Butantan. As matérias dos principais portais dizem que Montoro pediu demissão por não concordar com o que estava acontecendo com o Butantan, e denunciou. Mas já li uma outra fonte que diz que Montoro estava pra ser demitido por seguir um caminho divergente das diretrizes da Fundação, então ele pediu demissão antes.

Na maioria das vezes a gente nem enxerga as cordas da manipulação da opinião pública, ou então não temos proximidade suficiente com o tema para conseguir investigar melhor. Mas desta vez eu tinha uma vantagem: conheço o Luciano Lima, e coloco minha mão no fogo por ele. Pela dedicação, integridade, amor à natureza, competência, por tudo que tem feito pela natureza no Brasil, desde a época da Lagoa da Turfeira.

Quando recebi o link do Guto Carvalho, do site defendaobutanta, repassei sem pensar, porque também confio no Guto. Mas antes de me envolver mais com o tema, quis ouvir do próprio Luciano. Se a saída de Kalil era mesmo uma tragédia pro Butantan. Ele disse que sim. Que todos estavam batalhando muito em manifestações, protestos, tentativas de audiência. Pra mim é o suficiente. Se alguém por quem eu coloco minha mão no fogo diz que a luta é justa, então pra mim é justa.

Talvez não dê em nada. Os inimigos de Kalil conseguiram fazer um trabalho incrível com a imprensa e a maioria das opiniões gerais que eu vejo são como a sua ou bem agressivas. É uma tristeza imensa, uma injustiça sem tamanho. Na melhor das hipóteses o substituto de Kalil vai continuar os projetos que ele iniciou e ficar com a fama. Ou talvez tudo seja interrompido. Observatório de aves, monitoramento de fauna, apoio ao Avistar? Tudo bobagem corta tudo. Vacina pra dengue? Não, a equipe de Kalil é um bando de incompetentes, era mentira que eles estavam na fase III, não conseguiram nada, não temos nada. Daí daqui a um ou dois anos algum laboratório particular diz que conseguiu, e vai ganhar bastante dinheiro com isso.

No geral eu sou pessimista. E no fundo acho que neste caso o mal venceu. Mas não é por isso que vou deixar de tentar. Vou mandar email pro Alckimin como a Lis sugeriu, vou montar um post pro Virtude, ontem fiquei umas duas horas pedindo por favor pra um monte de gente pra assinar e divulgar. E mesmo que o mal vença, pelo menos saberei que fiz minha parte na tentativa de combatê-lo. Abraços.”

Estamos realmente vivendo uma batalha pela Terra Média? – Parte 1 – realidade e ficção e realidade

Os vários erros do Chocolate Surpresa – edição de Páscoa – dinossauros

A Nestlé lançou uma edição de Páscoa do chocolate surpresa. Parece que vai ser um ovo de 150 gramas com 10 cards sobre dinossauros. Não há certeza, mas os geeks acham que não é relançamento da coleção, é só uma edição de Páscoa.

http://geekpublicitario.com.br/18227/ovo-de-pascoa-surpresa-chocolate-nestle/

Parece que nas redes sociais muita gente curtiu, mas eu vou falar por que esse projeto é errado.

  • O Chocolate surpresa foi um marco na vida de muitos brasileiros. Conheço várias pessoas que hoje são apaixonadas pela natureza, e me contam que o primeiro contato foi graças aos cards do Chocolate Surpresa.
  • Durante a década de 1980 a Nestlé lançou todo ano uma coleção nova, sobre a fauna brasileira, e a maioria das fotos era do grande Luiz Claudio Marigo, falecido em 2014.

Colecionar é viver | Os cards educativos do Chocolate Surpresa!

Pergunte pras pessoas com mais de 30 anos. A maioria vai se lembrar com bastante carinho do Chocolate Surpresa e dos cards. Nesse blog que tem o post sobre o Chocolate tem uma história boa, o autor conta que durante uma aula apareceu uma foto de um lobo-guará, e o professor não sabia o que era, chamou de cachorro-do-mato. O autor, então criança, disse que não, discutiram, e depois ele levou o card pra provar.

Muitos brasileiros têm uma relação emocional com o chocolate. Se você vai relançar algo que tem todo um passado, você não pode ignorar esse passado. E na era das redes sociais, você também não devia ignorar os fãs.

Não sou a pessoa mais antenada, mas pelo o que andei lendo, o lançamento aconteceu hoje numa feira de produtos de Páscoa, e foi surpresa pra todo mundo (perdoem o trocadilho). Está todo mundo comemorando, que legal, eba. Mas não tem motivo de comemoração.

  • Provavelmente não é a volta da coleção, só uma edição de Páscoa com um ovo caro e 10 cards. (Ovos de Páscoa por definição são absurdamente caros comparados à quantidade de chocolate que trazem. Compare o preço por grama com uma barra. Você está pagando embalagem e imagem).
  • Eles escolheram um tema batido, que há muita informação em diversas fontes, e ainda decidiram a versão baunilha do tema, que é mostrar dinossauros sem penas. Não achei imagem que mostre os 10 cards, mas a imagem principal, que parece ser de um T. rex, e o pouco que aparece dos outros cards parecem ser as imagens clássicas: sem penas. Ou seja, se você tem um mínimo de conhecimento sobre atualidades científicas, sabe que eles estão defasados com a ciência.
  • Eles ignoraram todo o legado dos 10 anos de cards sobre natureza brasileira. Nem uma menção a essa época, ao trabalho com o Marigo.
  • Fica parecendo só uma edição besta pra tentar vender um pouco de ovo de Páscoa.
  • Eles podiam ter feito um trabalho muito melhor de se conectar com os fãs e trazer mais valor pra marca Nestlé. Eles podiam ter contando que estavam pensando em lançar uma edição, simular uma enquete, ter uma equipe pra responder por que não seria sobre natureza brasileira e sim dinossauros antiquados, criar expectativa, lançar teasers.  Mas não, lançaram numa feira de Páscoa como se fosse qualquer produto.

A Nestlé também perdeu a grande oportunidade de fazer algo pelo bem da natureza brasileira. Talvez dinossauros seja mais rentável, mas hoje em dia não queremos mais empresas que não se preocupem também com o bem e a ética. A Nestlé não tem obrigação com a natureza brasileira, ela só perdeu a oportunidade.

Acho que a Nestlé é a única empresa que conseguiu manter por anos um produto que ajudou muito a divulgação da natureza brasileira, algo capaz de encantar toda uma geração. A Nestlé tem esse legado. Mas em vez de aproveitar esse legado e lançar algo que se conectasse com Brasil-natureza-sou-do-bem, optou por um produto meramente comercial com um tema batido e com imagens ultrapassadas.

 

Mais informações sobre os dinos:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150831_dinossauros_dez_tg

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/12/cauda-de-dinossauro-com-penas-e-encontrada-intacta-em-pedaco-de-ambar.html

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/07/1796552-dinossauros-brasileiros-tambem-tinham-penas-indica-novo-estudo.shtml

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/07/estudo-aponta-que-dinossauro-astro-de-jurassic-park-teria-penas-e-asas.html

Se você debocha do feminismo, você não faz ideia do que é ser mulher

“Quero saber se você é boa de meter” – uma das minhas melhores amigas do colegial, quando a gente tinha 16 anos, teve que ouvir isso de um cara na rua. Ela estava voltando da escola, de dia. Andou apressada quase correndo, e depois ficou com a impressão de que ele ainda estava seguindo-a.

Quando eu fazia tratamento de pele, minha esteticista contou que uma vez estava voltando pra casa e um homem tentou estuprá-la. Agarrou-a pelo pescoço, falou que tinha uma faca, começou a arrastá-la pra uma área baldia, meteu a mão entre as pernas dela – e sentiu o volume do absorvente. Daí ele empurrou ela com nojo, e assim ela conseguiu escapar.

Eu tinha uns 20 anos, era a época em que eu ainda comia no McDonald’s. Um McDonald’s da Av. Paulista que não existe mais, um que era uma casinha pequena com uma varandinha e mesas externas. Procurei e acho que era este de uma reportagem da Folha, agora é um Santander e fecharam a varanda com vidros. Av. Paulista, fim do dia, ainda tinha luz. Eu estava sozinha nessa varanda comendo meu lanche, um cara chegou e sentou numas mesas pra lá. Depois de um tempo olhei pra ele por acaso, e num primeiro segundo achei que ele tinha uma deformidade no dedão. Daí entendi que não era uma deformidade, ele estava com o pau pra fora batendo punheta. Não sabia se eu gritava, fugia, como ia sair de lá, tinha que passar perto da mesa dele. Antes de eu decidir o que fazer ele se levantou e saiu.

No Chega de Fiu-Fiu li uma história parecida. Uma moça estava no ponto de ônibus, o cara atravessou a rua na direção dela com o pau pra fora, batendo punheta e olhando pra cara dela. Ela chegou em casa chorando, foi contar pra mãe, a resposta foi “mas o que você fez pra provocá-lo? Alguma coisa você deve ter feito, ele não faria isso de graça”. E tenho uma amiga super querida, ela era adolescente, estavam no interior de São Paulo ela e o pai pescando juntos. De repente ela repara que tem um cara na margem do rio olhando pra ela e batendo punheta.

E você sabe por que nos trens existem vagões só pra mulheres? De tantos casos em que os homens bolinam, se esfregam, ou então ficam batendo punheta lá quietinhos até jorrar porra na roupa da mulher-objeto-infeliz que está na frente dele. Ou muito pior.

Eu devia ter 11 anos. No saudoso Playcenter, estava no Cine180 graus, com aquelas imagens estonteantes, você assistia de pé. De repente um homem me abraça pelos ombros. Quando eu senti o contato achei que era algum dos meus primos, mas olhei e era um desconhecido. Só me afastei, dei uns passos pro lado. Ele tentou de novo, eu me afastei de novo e comecei a olhar em volta procurando meus primos, e então ele se afastou e sumiu.

Mas o cara da punheta e o pedófilo não eram o pior. O ruim mesmo era andar na rua. Tensa, com medo, envergonhada. Eu sofria bullying por ser uma oriental numa cidade do interior de São Paulo. Meus amigos paulistanos não entendem isso, mas infelizmente era e provavelmente ainda é verdade. Homens e garotos passavam por mim e gritavam “banzai”, “arigatô”, “e aí, japoronga”, “ihhh, japonês, nééee?”, ou então me seguiam andando do meu lado puxando o canto dos próprios olhos e falando coisas que eles achavam que soava como japonês. Lembrar disso me faz rir e chorar.

Eu menstruei com 11 anos, ganhei peitos cedo. Sou peituda pra uma japonesa. Além de quem mexia comigo por eu ser japonesa, começaram a aparecer as secadas, os sons nojetos de sugar o ar entre os lábios, ou mandar beijo, sibilar. Passar por você, invadir seu espaço, se aproximar pra murmurar no ouvido “tesão”, “delícia”.

Tive uma época de só usar roupas largas, cortar o cabelo, largar a lente e voltar a usar óculos. Tive uma época de desencanar e andar com roupas normais, como bermuda no meio da coxa e camiseta. Lembro de uma vez que estava andando assim, com minha bermuda marrom de veludo favorita, uma camiseta grande, óculos de sol, e um garoto passou por mim e falou “parabéns por ser tão gostosa”, num tom de raiva. E de uma outra vez que ia ter que passar por dois garotos que vinham no sentido contrário. Decidi que dessa vez não ia atravessar a rua como costumava fazer (às vezes voltava pra casa em zigue-zague, só pra não ter que passar perto de nenhum homem ou garoto e correr o risco de ouvir bosta). No momento que passei por eles caiu uma gota de telhado na minha cara, no meu olho. Eles começaram a rir, um deles falou “você secou tanto a japonesa que até caiu água na cara dela”.

Eu tenho uma marca dessa época. Não sei olhar pra gente. Tenho olhos bons pra ver aves, insetos, objetos. Mas não reparo em quase nada de pessoas, e sou capaz de passar por um amigo e não ver que é a pessoa. Se ela não falar comigo, simplesmente não vejo.

Os anos em São Paulo me ajudaram a relaxar, consigo passar por homens e não sentir os músculos tensos, respiração presa. Mas não sei enxergar gente na rua.

Ser mulher também é ir pra uma balada e correr o risco de topar com desconhecidos que se acham no direito de te pegar pelo braço, passar a mão no seu cabelo, no seu ombro, e não é tão incomum um desconhecido que chega metendo a mão na bunda, no peito ou na buceta da desconhecida, ou dar beijos forçados.

Quando eu era adolescente e ia pra baladas nunca sofri nada mais pesado, só os desconhecidos que passavam a mão no cabelo, no ombro, tentavam te pegar pelo braço. Mas eu simplesmente não olhava na cara deles e continuava andando.

E veja bem: eu não tenho nada de especial. Sou uma japonesa baixinha. Aprendi a gostar de mim, mas tenho feições comuns, nunca tive corpão. Não é que só as beldades sofrem: homem mexe com qualquer mulher.

Responder, xingar, reclamar de quem mexeu com você ou pegou em você? São poucas as mulheres que fazem isso. A gente vive com medo. No mínimo ele vai te xingar de vaca, vadia, mocreia nem era com você, tá se achando é?, ou ele pode te dar uma bofetada na cara, ou pode resolver te espancar mesmo. Ou te furar com uma faca. Ou te dar um tiro.

Uma vez estava voltando do almoço com meus amigos, na época que ainda trabalhava na consultoria. Um cara veio pedir dinheiro, falamos não.  Uma das minhas amigas tem o corpo lindo (e só ela não enxergava isso), cinturinha e quadril, o que os homens chamam de bundão. Ele falou pra ela “sua calça está caindo”. Não estava. Era só um jeito de dizer que ele tinha reparado na bunda dela. Tomei coragem e falei “isso é muita falta de respeito, você não pode falar assim com as pessoas”, ele respondeu “fica na sua aí japonesa, não estou falando com você”, e então chegaram os taxistas do ponto, cercaram ele, e ele parou de falar. Eu nunca teria respondido se estivesse sozinha. Na verdade, mesmo em grupo (três mulheres e um homem) talvez eu tivesse ficado quieta, você não sabe quem é o louco do outro lado. Confesso que eu só falei porque era de dia, numa rua movimentada, e eu reparei no ponto de táxi. Senão só teria engolido a raiva.

Vocês viram o post de José Pires? Contando as experiências de ter montando um perfil falso, com foto de mulher jovem, bonitinha. Não decotada nem safadinha. Mas só por ser jovem bonitinha, experimentou um pouco do que as mulheres sofrem.

O dia em que fui mulher no Facebook

Muitos homens falam que feminismo é mimimi. Então faz um teste comigo: imagine uma realidade alternativa, um mundo bem parecido com a Terra. O mesmo cenário da Terra, os mesmos animais, os mesmos países, as mesmas pessoas, homens e mulheres. Só tem uma diferença: as mulheres têm pau, os homens não. Elas têm pau, são mais fortes do que os homens, são agressivas, muitas acham que têm todo o direito de enfiar o pau no cu do homem que elas quiserem, e que podem falar qualquer coisa pros homens porque eles são mais fracos e não podem revidar. Mesmo quando não estupram com violência, com hematomas, ossos quebrados, cortes profundos, dentadas, mutilações, ou um estupro que termina com assassinato, mesmo quando é só porque ela é mais forte e portanto pode fazer o que quiser, sempre ficam as marcas, o pavor, o medo constante. Pode não ter acontecido com você, mas com certeza você terá um conhecido que já foi estuprado por uma mulher, e há todas as histórias divulgadas na imprensa, os filmes, os livros. Imaginou? Imaginou bem, com detalhes?

Se você tem o mínimo de conexão com a realidade, sabe que violência doméstica, estupros e assassinatos de mulheres são corriqueiros em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil, inclusive coisas como estupros de crianças, estupros coletivos. Leram o caso da menina amarrada numa árvore do Ibirapuera enquanto um grupo se revezava pra meter? Ou do caso de um casal de jovens num trecho afastado de uma praia, o cara chegou, matou o rapaz, atirou na barriga da moça, achou que ouviu gente chegando e fugiu, mas não tinham ninguém chegando, então ele voltou e a estuprou, com o ferimento de bala e tudo? Aquele caso famoso da Índia, do estupro da estudante de medicina dentro do ônibus, vocês conhecem os detalhes? Eles não só a estupraram como pegaram uma barra de ferro e enfiaram dentro dela, pela vagina, várias vezes, até abrir um buraco na barriga grande o suficiente pra saírem pedaços do intestino. Depois a jogaram do ônibus. E ela não estava morta, sobreviveu pra ser internada, passar uns dias agonizando no hospital. Vi uma entrevista com alguns dos autores, que declaram “num estupro, a mulher é tão culpada quanto o homem. O que ela estava fazendo aquela hora da noite (20h) fora de casa? Foi culpa dela também”.

E isso pra falar só de uma das lutas do feminismo, que é pelo direito de não ser estuprada, mutilada, espancada, assassinada — só porque você é mulher.

Fale de novo que feminismo é mimimi.

A coisificação dos passeios de natureza

A África do Sul durante anos foi nossas férias favoritas. Fomos pra lá em 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2013 e teríamos voltado em 2015 se não fosse uma leve preocupação com ebola.

Sei que tem os avistamentos de baleias, tubarões, mergulho, paisagens incríveis, mas a gente viciou em observação de fauna terrestre. São dias e dias e dias acordando cedo pra passar o dia inteiro rodando pelo parque pra fotografar. Você só pode sair do carro em áreas determinadas (imagine o motivo dessa regra num lugar com leões, leopardos, cobras, escorpiões). Um pouco antes de escurecer temos que estar de volta ao campo onde vamos dormir, os portões fecham, pegamos uma cerveja e vamos ver o pôr-do-sol em frente a algum buraco d´água. Daí vamos pra nossa cabana, acendemos a churrasqueira, descarregamos os cartões, colocamos as baterias pra carregar, assamos carne, batatas e cenouras vendo o brilho do nosso fogo e o das outras churrasqueiras ao redor.

“Quando eu morrer, queria ser um fantasma aqui no Kruger” – não é uma ideia original, há dezenas de bancos e placas espalhados pelo parque com frases como “em homenagem ao meu amado marido John Doe, que amava esse lugar”.

O Kruger o Kgalagadi são apaixonantes, lugares pra você se perder e esquecer que o mundo é um lugar ruim.

Ou eram.

Imagino que o sinal de internet nos parques melhorou muito desde 2013. Em 2013 ainda não tínhamos sofrido isso, mas agora dá pra ver que o negócio está selvagem:

https://twitter.com/LatestKruger

Que tristeza.

Um dos nossos avistamentos de leopardo na viagem de 2007 foi num cenário lindo, com árvores grandes, um leopardo sonolento deitado sobre um tronco bonito (este da foto de abertura). Ficamos cerca de uma 1h admirando essa maravilha da natureza. Era uma estrada com pouco movimento, mas depois de 1h passou uma van. O leopardo estava olhando pro outro lado. Eles ficaram lá 2 minutos, resolveram buzinar pra chamar a atenção do leopardo. O leopardo realmente olhou na direção da estrada, mas daí levantou e foi embora.

Com os twitters dos avistamentos, posso imaginar várias situações assim. Fora os carros correndo na estrada pra tentar chegar logo no local em que twitaram algo interessante.

shingwedzi_05
A olho nu você vê o leopardo mais ou menos assim. Passamos por ele, pedi pro Cris voltar “talvez tivesse algo no tronco”. E tinha.

—- x — x

No birdwatching brasileiro de vez em quando alguém descobre um ninho de um bicho que não é fácil ver de perto, e daí vai todo mundo fotografar. Um dos casos famosos foi um ninho de um gavião-de-penacho na região do Petar. O ninho ficava numa propriedade particular, e o dono cobrava R$ 50 por pessoa. O lado bom é a pessoa saber que não deve dar um tiro de espingarda em bichos como esse, nem derrubar aquelas árvores grandes. E quem foi conseguiu fotos bem bonitas. Cris: “você não vai?” Não vou. “Por quê?” Sei lá… não parece tão diferente de ir pro zoológico. “Sei. Você acha que vai encontrar seu próprio gavião-de-penacho”. Por que não? Provavelmente nunca vai acontecer. Mas se acontecer, vai ser lindo.

Alguém poderia perguntar, justamente: “mas o objetivo não é fotografar os bichos?”. Imagino que pra maioria das pessoas é. Mas não o meu.

Quando saio pra fotografar não é torcendo pra aumentar minha life list ou pra conseguir fotos espetaculares. É legal quando você vê algo que nunca viu, ou consegue uma ótima foto. Mas eu faço isso há mais de 10 anos, e aprendi uma coisa: o inesperado tem um sabor muito mais doce. Muito mais.

Sei que ainda é possível aproveitar o Kruger, ainda mais com esse interesse por insetos, flores. Ficar nos campos. Um dos meus momentos mais legais na África foi num ano em que eu estava sozinha (o Cris tinha voltado pro Brasil com o Daniel), e o pneu do meu carro furou numa estrada com pouco movimento. Tive que rodar com o pneu furado até chegar na estrada principal, isso estragou totalmente o pneu, não tinha conserto. Fiquei sem step, só tinha mais um dia no parque e resolvi não sair pra passear, só iria usar o carro pra ir pro aeroporto. Nessa manhã andando a pé pelo campo vazio, topei com um bando de Vervet Monkeys, são macacos comuns, mas eles estavam fazendo isso:

A gente aproveitou muito da África pré-twitter. Provavelmente o pessoal de agora volta com mais fotos dos bichos incomuns. Fico pensando se sou como o diretor do Museo do Prado que proíbe a fotografia dentro do museu porque quer que as pessoas apreciem o museu de uma forma tradicional. Mas acho que não. Acho que a diferença entre mim e o diretor do Museo é que eu não proibiria o twitter, porque sei como as pessoas gostam da ideia de receber as informações de onde achar o bicho tal, tenho noção da realidade. Assim como não quero que o Wikiaves mude, eu sei como ele é ótimo pra dezenas de milhares de pessoas.

A coisificação do mundo, com as mudanças pra que você consiga as coisas mais rápido, em maior quantidade, com menos esforço é algo desejado por muita gente. Mas não pra mim. O que eu vivi, senti, minhas memórias, o gosto incrivelmente doce do inesperado continuarão pesando mais do que uma foto impressionante.

A democracia é uma merda

Eta tristeza da porra em ver o resultado do plebiscito do Reino Unido. Quase tão triste quanto resultado de eleição no Brasil.

A humanidade deu certo? Não deu certo? A gente vai continuar se explodindo, sequestrando crianças, estupros coletivos, gente com cérebro mas sem coração dizendo que feminismo é frescura, corrupção descarada e tanto descaso pra tudo, pra tudo.

Queria mais otimismo e alegria, minha gente, mas está difícil. Hoje tudo que consigo fazer é ver vídeos de flash mob, especialmente nos EUA, lembrar do clima da Califórnia… e sentar e chorar… imaginando um mundo em que a humanidade deu certo, em que todo mundo vive bem, em que as riquezas são compartilhadas, em que não há xenofobia, nem racismo, nem machismo, nem corrupção, nenhum discurso de ódio. Só gente capaz de dançar na praça, com uma multidão em volta pra bater palma e aplaudir.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36617121

“O resultado do plebiscito a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) revelou profundas divisões entre os britânicos.

Revelou, por exemplo, duas ‘Inglaterras’: Londres votou pela permanência, enquanto a maioria das outras cidades votou pela saída. A diferença entre as gerações também ficou clara. No grupo entre 18 e 24 anos, 64% disseram ter votado pela permanência, escolha de apenas 33% dos britânicos entre 50 e 64 anos.”

“A geração mais jovem perdeu o direito de viver e trabalhar em 27 países. Nós nunca conheceremos a extensão da perda de oportunidades, amizades, casamentos e experiências que serão negadas. A liberdade de movimento nos foi retirada pelos nossos pais, avós e tios em um golpe contra uma geração já afundada nas dívidas da geração anterior. Talvez mais importante, vivemos em uma sociedade pós-factual em que fatos se revelaram inúteis ao se confrontarem com mitos”.

Tem gente realmente feliz hoje?

Eu sei. Panfletei, sou a favor do impeachment, argumentei com um punhado de gente. Acredito que era o caminho certo, tanto porque Dilma não governava mais e assim não tinha condições de tentar tirar o país do buraco, como pelo fato de aceitar Lula como presidente de fato seria uma derrocada moral grande demais.

Sim, concordo que as pedaladas são motivo leve. Concordo que se a economia estivesse indo bem, ninguém se importaria. Concordo que houve toda uma manipulação pra chegarmos onde chegamos.

Mas não concordo em dizer que ela é totalmente inocente e injustiçada, uma vítima. Isso não.

Olha a situação que está o país.

Olha as denúncias da Lava Jato.

Ela pode não ser corrupta, mas ela é a presidente do país. Ela não tem nada a ver com isso? Não sabia de nada? Estava de costas o tempo todo?

Foi como a declaração de que não existe corrupção no governo dela. Ou é uma mentirosa cara-de-pau ou uma total ingênua. Nenhuma das opções prestava.

Dilma perdeu toda a base. O PT vai perdendo todos os aliados. País em recessão e com desemprego nas alturas. Temer não é a solução, era só a única alternativa.

Quem acompanhou os posts sobre política viu que não é uma questão partidária, e que evito demonizar o PT. E eu sei como há sujeira em todos os partidos, principalmente o PMDB. Mas tenho prestado atenção nos argumentos petistas e é lamentável. Quando o PMDB começar a falar provavelmente também será lamentável, mas por enquanto o destaque ainda está no PT, e me impressiona esse discurso que apela pra um sentimentalismo quase materno, e pra um fantasma de ditadura e repressão que ainda não conseguiram me explicar como vai acontecer. Pelo contrário: até agora, as atitudes mais milícia, de tacar fogo em pneu, interditar estradas, dizer que vão parar o país vem do PT.

 

Ouvi uma amiga defender Dilma, como se fosse uma pessoa física, quase uma amiga. “Coitada. Ela não fez nada. Nunca roubou, não enriqueceu. E agora está tendo que enfrentar isso. E a traição do Temer. Pensar que ele fez um juramento de lealdade, e depois…”

Era uma situação especial em que eu não estava lá pra discutir, então só ouvi e balancei a cabeça pra tudo.

Mas aqui eu posso dizer. Queridos, se liguem: Dilma não é pessoa física. A família dela pode falar coisas desse tipo, você não. Dilma é presidente do país. Quando você assume um cargo tão grande você perde o direito a um monte de coisas, inclusive o de ser pessoa física, um coitado. Você se torna uma figura pública, com obrigações do tamanho do mundo.

Caramba, que vergonha ler a declaração dela de que sofreu sexismo. Que desserviço pra causa feminista. Vergonha, vergonha… A derrocada dela não tem nada a ver com ser mulher, e sim com o fracasso do país somado às avalanches de denúncias de corrupção.

Tenho evitado ler qualquer discussão, e hoje nem abri o Facebook, então só o que eu tenho são os comentários da minha amiga, mas que imagino serem representativos entre várias pessoas contra o impeachment.

O fantasma da ditadura. Dilma faz questão de enfatizar que é golpe, de relacionar o impeachment com tortura, de insinuar que Temer provavelmente fará represálias contra os opositores. Minha amiga me citou uns dois ou três exemplos de reações intolerantes numa discussão política, e a pior situação era de uma mulher que saiu de um grupo de estudos. E me falou “se as pessoas estão fazendo isso, talvez a polícia e o exército terão que intervir, e daí não sei onde a gente vai parar”. Caramba. Gosto tanto dela, mas como foi duro ouvir essas coisas. Ainda mais emendadas com o que eu tinha acabado de contar sobre a Romênia comunista, que o pai do meu sogro foi assassinado pelos nazistas porque um vizinho alertou a fuga deles pra Gestapo “olha os judeus alí!”, ele e o tio foram presos, e no dia seguinte encontrados mortos num frigorífico, pendurados pelo pescoço.

Contei essa história e ela começou a me falar das discussões entre PTs x anti-PT.

Putaqueopariu.

As pessoas realmente acham que tem semelhança? Que a gente está mesmo perto de se tornar uma ditadura? Uma ditadura exige controle total sobre os meios de comunicação. Pra silenciar, ameaçar, prender, torturar, matar quem fala mal do governo. China, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Iran, Burma. Lugares em que e-mails e sites são monitorados e bloqueados, conteúdos inconvenientes apagados, em que os blogueiros têm que se cadastrar, e quando saem da linha recebem multas ou podem ser presos. Como isso vai acontecer no Brasil? Porque as pessoas estão batendo boca ou até se esmurrando eventualmente significa que o exército vai querer tomar o poder e tratar a população inteira na base do cassetete? As pessoas realmente fantasiam isso? Que grupo vai se arriscar a ser apedrejado pela opinião pública? A polícia andou batendo em manifestantes, foi execrada, e depois não começou a aparecer posando sorridentes, o pessoal tirando selfies com os policiais?

Graças à internet e às redes sociais hoje a opinião pública é um monstro. Pra combater esse monstro você tem que estar disposto a tomar medidas duras, terríveis e generalizados pro país todo, como os países que eu citei adotam.

Como é que o PT ou o PMDB ou qualquer grupo vai fazer isso?

Não consigo imaginar como eles fariam isso de uma vez. E pra fazer aos poucos (1) não tem efetividade, (2) é abrir telhado de vidro pra ser duramente condenado pelo mundo inteiro.

Hoje não é um dia feliz. Quem me dera que os ETs tivessem descido da nave mãe trazendo os novos políticos limpinhos e competentes. Não apareceram. A gente continua com o mesmo sistema de merda de sempre, mas agora com uma chance um pouco maior de sair do buraco. Só um pouco, porque a situação é terrível e os políticos do PT, vários já falaram que vão lutar contra o tempo todo, mesmo que seja uma proposta igual a o que o PT faria, se veio do Temer eles vão votar contra e boicotar. Bonito, não? Bem bonito. E também vemos Lula se articulando pra disputar e talvez ganhar a presidência em 2018.

É o meu país.

Mas ainda não consegui me livrar dos pensamentos de que a saída é Cumbica.

Não está fácil manter o otimismo

A gente está tão ferrados.

Tão ferrados.

Eu sei que estamos ferrados faz uns 500 anos, mas na onda da Lava Jato e do sucesso do impeachment eu me permiti começar a acreditar que agora vai, que eu veria em vida algo que achei que era coisa pra daqui a gerações.

Como se a grande besta fosse se entregar tão fácil. Claro que não vai.

E é claro que o impeachment não seria a garantia de fim da corrupção, mas era a esperança do fim do PT e o início de uma era em que no mínimo os políticos precisariam se preocupar em parecer honestos.

Com a anulação da votação começo a pensar que não vai ter fim do PT. Que a gente vai ter que aceitar de cabeça baixa que eles são muito mais fortes e poderosos. Que não vai ter terra devastada em Brasília, com investigação de todo mundo. Que logo vão dar um fim no Moro e na Lava Jato.

A melhor saída pro Brasil é Cumbica?

Queria conseguir não ir pra esse lado, mas hoje é difícil não se sentir derrotado.