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Cerejeiras em Campos do Jordão – shut up and shoot

Pra quem não sabe as floradas são momentos imperdíveis para fotografar aves. As de cerejeiras, por exemplo, são um espetáculo. Flores lindas (e eu nem sou tão fã de cor de rosa) e, graças ao cenário, as fotos sempre ficam especiais.

As cerejeiras são da Ásia e há várias espécies plantadas no Brasil. As flores não duram muito tempo (acho que no máximo umas 2 semanas), mas como há várias espécies com inícios de florações diferentes, numa cidade como Campos do Jordão é possível ver as flores de meados de junho a início de setembro.

O início da floração também varia por condições climáticas. As flores só aparecem depois das árvores perderem todas as folhas, e outro dia descobri que há produtos usados para esse fim.

Fui pra Campos neste fim de semana, viagem com a família, mas como as pessoas normais não gostam de acordar cedo, sempre dá pra sair pra passarinhar. No domingo eu e o Cris fomos ao Parque das Cerejeiras, o que tem o festival, não o que fica ao lado do Corpo de Bombeiros. A gente não tinha muito tempo. As árvores estavam lindas, incríveis, mas estava difícil fotografar. Com tantas flores, as aves ficavam dispersas pelo parque, diferente de outros anos em que as fotografei em lugares com poucas árvores floridas.

Cris: “o que você está achando?”

Eu: “muito difícil. Os beija-flores ficam voando no alto, está difícil focar, o fundo dos tiribas também está ruim estão no contraluz, não vi nenhum beija-flor-de-topete até agora, só tem amazilia e papo-branco, alguns besourinhos, vi um beija-flor-preto, um tesoura, não vi gaturamos”

Cris: “vou te falar algo que você já falou pra mim: shut up and shoot”

Ri bastante. “Shut up and fish” é uma música da Maddie & Tae – não que eu soubesse quem elas são, a gente ouviu na rádio por acaso numa das viagens pros EUA e nos divertimos com o refrão. Nessa mesma viagem, estávamos fotografando nascer do sol num desses lugares populares, que tem um monte de fotógrafos, já tinha passado o momento mais bonito e o Cris começou a falar do quanto aquele lugar era incrível bla-bla, eu achei errado ter a voz dele quebrando o silêncio e talvez a contemplação dos outros, daí falei pra ele “shut up and fish”, e ele entendeu.

E como vingança é um prato que se come frio, no domingo ele aproveitou pra dar o troco, mas foi num ótimo momento. Pensei que era mesmo bobagem ficar pensando em espécies ou dificuldades de luz, e fotografei mais um pouco.

Até o início de setembro ainda é provável encontrar cerejeiras floridas em Campos do Jordão. Se você estiver por lá, fique atento. Pelas minhas experiências em outros anos, a atividade maior começa depois das 10h, acho que os raios de sol aumentam a produção do néctar.

Caso você vá no feriado de 7 de setembro, tente viajar em horários e dias alternativos. Teve uma vez que a gente levou 1h30 pra conseguir sair da cidade.

Pelo menos o céu eles não podem taxar e controlar

Na verdade, se junto com o céu estivesse alguma formação icônica de um parque, a foto não é mais totalmente sua.

Nesses dias em que voltei a me envolver com a comunidade dos birdwatchers conversei com algumas pessoas que já foram proibidas de fotografar num parque — e nunca mais voltaram. Alguns me falaram de problemas no parque tal, conversamos mais, ela me fala “mas deixa eu checar como está agora, porque já faz um tempo que eu fui”.

Eu sei como é.

É como minha relação com o Horto de Campos do Jordão. Depois que me proibiram de fotografar, em 2009,  não tive mais interesse em voltar. Nesses 8 anos voltei lá três vezes — e olha que vou várias vezes por ano pra Campos. Oito anos em que eu poderia ter feito vários registros dentro do parque e compartilhado as fotos com a administração, feito divulgação do lugar.

Faz mais de 10 anos que as câmeras digitais são populares no Brasil. São 10 anos em que dezenas de milhares de pessoas poderiam ter fotografado com alegria e dedicação as Unidades de Conservação brasileiras. Pra registrar, fiscalizar, promover, proteger.  Mas em vez de criar esse vínculo com a população, o que nossas autarquias fizeram nesses 10 anos? “Tem autorização para fotografar?”

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Em março de 2016 foi publicada a portaria estadual 236, que descriminalizou o porte de câmera grande. No fim de semana passado fui ao Horto, almoçar no restaurante D. Chica, e aproveitei pra fazer mais um experimento — de andar com a câmera à mostra. Nenhum problema. Em vez de seguranças dizendo que é proibido fotografar, havia funcionários com camisetas do parque, com aquele jeito de gente pra quem você pode pedir informação, você olha pra pessoa e fala bom dia.

As fotos deste post foram feitas em Wenceslau Braz – MG, logo depois da divisa com Campos do Jordão. Tudo numa manhã só.

Ainda que não seja mais proibido fotografar nas UCs da Fundação Florestal, confesso que foi uma alegria grande pegar esse nascer do sol maravilhoso sabendo que eu tinha acabado de sair do parque e que as fotos eram só minhas. Como falei no outro post, eu, e provavelmente outras pessoas, podendo escolher sempre vamos pra beira de estrada fora do parque. Mesmo sendo altamente improvável fazer algo comercial com a foto, ninguém quer se sentir amarrado.

A portaria que descriminaliza o birdwatching nas UCs da Fundação Florestal foi um grande passo, mas queremos mais. Não basta sermos apenas tolerados, queremos o fim do controle sobre as fotos, da política que tolhe iniciativas, que castra nossa vontade de registrar e divulgar as Unidades de Conservação.

Precisamos de uma mudança de cultura. Chega de gestor que acha que cidadão precisa pedir autorização pra tudo. Gestores: buscar controle total é um erro. Tratem as pessoas como gente, como seres humanos. Incentivem alianças, iniciativa e criatividade. Burocracia e controle é o caminho errado, é o caminho que vocês seguiram até hoje, e veja aonde levou.

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Saio de férias amanhã, não sei se consigo blogar durante a viagem. Se não conseguir, volto no início de agosto.

 

Quem me dera o Vincent Munier

Algumas fotos do Vincent Munier:

Vincent Munier Vincent Munier Vincent Munier Vincent Munier Vincent Munier Vincent Munier

Vincent Munier se tornou meu fotógrafo favorito. Gosto muito do Jim Brandenburg, mas Jim não tem publicado coisas novas no site, e é preciso reconhecer que essa elegância monocromática do Munier é hipnotizante.

As fotos do Munier me causam um finiquito (eta ousadia usar essa palavra num post que contém Munier), como as obras do Kamisaka Sekka, outro que já teria morrido mil vezes se elegância matasse:

E cá estou eu tentando brincar de Vincent Munier, a anos luz, mas me sentindo inspirada, reolhando fotos, trabalhando loucamente.

“Estou reolhando e reeditando um monte de fotos, quero olhar de novo todas. Estou pegando as fotos com céu branco, na ausência de ambientes com neve é o meu minimalismo de pobre” — o Cris estava bebendo água enquanto eu falava isso e quase engasgou porque queria rir, mas sei que ele gosta do minimalismo e falou que a gente devia fotografar mais as aves da praia, que a areia também servia de fundo claro e limpo. Quem sabe o Cris volta a se animar com fotografia.

Reflexões sobre controle e poder – o Inaturalist x Wikiaves

Désolé, mas pelo visto vou ficar falando do Inaturalist por um bom tempo. Nestes dias andei conversando com um entomologista alemão, um botânico mexicano, um biólogo americano, um biólogo africano. É o sabor do início do Wikiaves, quando eu podia ficar papeando com as pessoas sobre as aves e lugares, mas amplificado pelo alcance internacional e por não ser só aves, ser toda a natureza.

Vou dormir tarde e acordo cedo porque quero ficar mexendo nas minhas fotos, pesquisando mapas para poder postar com localizações mais precisas, checando identificações e lendo sobre as espécies, agradecendo as ajudas, tentando descobrir alguma dica sobre que bicho ou planta é aquele, pra pode colocar pelo menos família ou gênero.

O Wikiaves… como eu gostava do Wikiaves na época em que havia esse clima de fraternidade desinteressada.

Eu não posso dizer o que o Wikiaves é, porque não acompanho mais. Mas posso falar dos motivos que me afastaram, e comparar algo da estrutura e escolhas dos dois sites.

Quando o Wikiaves começou a crescer, de repente começaram a pipocar dezenas de elogios nas minhas fotos. Muitos. Eu estava acostumada a papear com as pessoas, e parecia indelicado não falar nada, não agradecer, não ir lá ver e comentar as fotos delas também. Mas era numa frequência e quantidade absurdas que eu simplesmente não dava conta, e comecei a me sentir mal por ter que ignorar aqueles elogios. Mas dar atenção pra elas exigia um tempo que eu não tinha. Então parei de responder qualquer comentário que não fosse uma pergunta específica, e parei de papear com as pessoas.

O que estava acontecendo? A área principal da homepage do Wikiaves tem um ranking de fotos mais votadas. Um colega, que tem fotos bonitas e que costumam receber muitos pontos, me falou “é preciso ir lá comentar e votar as fotos dos outros, para que eles também venham votar nas minhas”.

As fotos mais votadas são bonitas. Mas, olha só que coincidência: elas também são das pessoas que fazem bastante social no site. E há várias pessoas que também têm fotos bonitas, mas que não recebem votos. Porque não fazem social.

Eu estava indignada com essa sensação de corrupção na minha atividade favorita. Perguntei pro dono do site “por que precisa existir esses votos?”, “pra poder escolher a foto da página da espécie, e pra que as melhores fotos apareçam primeiro quando você faz uma pesquisa”.

Vocês têm ideia do que essa história de votação causa nas pessoas? Você tem. Você sabe as pessoas fazem nas redes sociais para conseguirem likes.

A foto da página da espécie deveria ser a foto que melhor mostra as características da ave no quesito identificação. Mas nem sempre é assim, às vezes a foto que está lá é só uma foto bonita, com um autor que faz bastante social, e que ganhou muitos pontos. Mas pra identificação da espécie é comum ver fotos melhores. E você também sabe que não existe uma única foto boa pra tão desejada foto da página da espécie, que há dezenas de fotos que poderiam estar lá.

O Inat também deve ter seus problemas de gestão. Mas sei que não há sanha pra ser a foto da página da espécie. Sabem por que? Porque qualquer um pode mudar. Você vai lá na página da espécie, ele te mostra fotos do Inat e as do Flickr em que a pessoa autorizou o uso não-comercial das imagens, clica numa foto, e plin, essa é a nova foto da página da espécie.

Confiança total e plena de que os usuários do site são pessoas adultas e responsáveis, movidas pelo bem comum e não por vaidades.

O Wikiaves tem moderadores. Voluntários que validam fotos, discutem questões de gestão do site. É comum esses moderadores serem objeto de ódio porque corrigem identificações erradas dos usuários, e assim fazem com que a tal Life List da pessoa diminua.

No Inaturalist todos os usuários são moderadores e moderados. Quando você posta uma foto, se ela tiver data e local, ela ganha o status de “Need ID”, e uma outra pessoa vai lá olhar sua foto pra concordar com sua identificação, ou corrigi-la, ou denunciar caso pareça potoca (se você associar uma espécie com um local improvável, por exemplo). Se você diz que é uma coisa, e outras duas pessoas dizem que é outra, passa a ser aquela outra. A não ser que você tenha mudado a configuração para não aceitar a opinião da comunidade, e assim ninguém pode alterar suas identificações. Mas neste caso, sua foto não passa pro estágio seguinte, que é “Research Grade”. Se sua foto é aprovada pela comunidade, ela passa a fazer parte da base de dados pros pesquisadores que usam o Inat, e também pra alimentar os dados do GBIF – um banco de dados mundial sobre biodiversidade.

O Wikiaves tem na homepage ranking pra mostrar as fotos mais votadas, as mais raras, as mais contestadas. Também tem ranking das pessoas com mais espécies, e cidades com mais espécies.

Os rankings do Inat não ficam na home, ficam numa página quase escondida, e são das pessoas que mais fizeram identificações num período, ou seja, quem mais está ajudando o site, e também dos que mais subiram arquivos no mês – arquivos com datas atuais, feitas naquele mês. Pra incentivar as pessoas a saírem e postarem sempre. Mas isso não é a home. A home são as suas postagens, um painel que mostra quem acrescentou identificações ou comentários nas suas fotos.

Você tem a opção de seguir ou criar um projeto, de seguir as postagens de um táxon. Qualquer um pode ser um curador. Há grupos como “Aves do Mundo”, “Pica-paus do Mundo”, “Fauna e flora do parque tal”, e volta e meia suas fotos são escolhidas pra fazer parte desses painéis, porque os curadores estão sempre olhando novas postagens relacionadas com os temas de interesse e selecionam suas fotos. Eles também têm “Foto do dia”, que é compartilhada no Facebook, no Twitter, e tem a “Foto da semana”, que além de ser uma foto legal também é uma minirreportagem sobre o autor daquela foto, em geral alguém com uma história bem interessante de relação com a natureza.

No outro post comentei sobre o tamanho das fotos, que no Wikiaves aparecem grandes, e no Inat são pequenas, feitas para serem vistas em celular, ou se for no computador, no máximo em 500 pixels. Isso contribui pra que não haja uma louvação pra questões técnicas da foto, do equipamento, da definição, e sim a espécie, o que foi registrado.

Sem luta por holofotes. Sem competição. Sem tráfico de elogios, sem spam de elogios. Sem polêmicas de ódio a moderadores. Só espaço para conversar sobre características de identificação das espécies, agradecimentos pela ajuda, eventualmente algum elogio pra uma foto.

Não vou dizer o que o Wikiaves podia ou não podia aproveitar, porque não acho que ele deva mudar. Sei que há dezenas de milhares de pessoas que adoram o Wikiaves do jeito que ele é, a ponto de ser um dos sites sobre birdwatching mais visitados do mundo, altamente viciante. O Wikiaves não está errado em estimular a competitividade, eu é que desenquadrei e fui procurar minha praia. Parece que achei.

I am a naturalist – em love com o Inaturalist.org

inaturalist

Parece que chegou o fim da minha crise existencial. No final de 2008 me reconheci como birdwatcher. No início de 2010 comecei a me perguntar se era mesmo, e só passei os últimos 6 anos num sô-não-sô.

Rótulos limitam mas também podem dar uma sensação boa de pertencer a algo. Espero que dure muito tempo, mas pelo menos por enquanto, posso falar com o coração  brilhando “Sou uma naturalista”.

Claro, com uma leve queda pelas aves. Mas sempre gostei de olhar pra tudo, especialmente flores e insetos.

O birdwatching é uma atividade competitiva. Nasceu competitivo, seu principal combustível é esse desejo imenso de aumentar sua Life List.

Passei um ano passarinhando assim. Fiz algumas viagens ainda na inércia desse movimento nos dois anos seguintes, e no final de 2011 tinha 670 espécies de aves brasileiras registradas, mas desde 2010 já começava a me sentir meio besta. (Por favor, não estou dizendo que quem faz isso é besta, e sim que eu, comigo, começava a me perguntar se era isso mesmo que eu queria fazer).

E agora encontrei uma rede social de sonhos. Nascida na Califórnia. um dos três fundadores é alguém que fala abertamente que não curte o espírito competitivo, e isso transparece na estrutura do Inaturalist.org.

O Wikiaves tem ranking de quem tem mais espécies, pontuação nas fotos, na home a área de destaque é pras fotos mais votadas. As fotos aparecem em tamanho grande e se a pessoa tiver subido um arquivo de 1.200 pixels, vai aparecer o link “ver foto em tamanho grande”.

A homepage do Inaturalist são umas imagens bonitas e explicações gerais de como funciona, quando você ainda não é cadastrado. Depois que você se cadastra, a home passa a ser o seu dashboard, com os seus registros e os das pessoas que você está seguindo. O único ranking que achei fácil é o de quem ajuda mais o site fazendo identificações das imagens. E um ranking de quem subiu mais registros no mês. Veja, não é sua life list, é o quanto você tem contribuído pro site subindo fotos de tudo que você tem observado na natureza.

Qualquer um pode ser um curador e passar a montar painéis sobre temas diversos, e você pode seguir aquele painel. As primeiras fotos que subi, de repente aparece um aviso que os curadores dos grupos tais e tais tinham selecionado minhas fotos pra fazerem parte do painel. Essa é uma ideia muito boa, faz tempo que eu pensava como seria bom se tivesse no Wikiaves, não sabia que já existia e era muito bem aplicada.

Você sobe uma foto, se ela tiver o exif e você colocar uma localização plausível ela ganha o status de “Need id”. Se outra pessoa do site validar sua foto, ou identificar seu registro, ele ganha o status de “Research Grade” e seu registro passa a fazer parte de uma base de dados que é usada por pesquisadores, e também compartilhada com o GBIF, o Sistema Global de Informação sobre a Biodiversidade.

Quando você clica na foto aparece uma imagem de 350 pixels e se clicar na lupa verá em 500 pixels, esse é o tamanho máximo. O site incentiva a você usar o celular para subir registros (plantas, insetos, moluscos podem ser fotografados com um celular). A escolha de não ter opção pra mostrar imagens grandes facilita a manutenção da base de dados, que não vai sofrer com arquivos pesados, e também diz que seu equipamento não importa, que você não precisa ter super-câmeras e super-lentes pra participar. Em 350 ou 500 pixels, a maioria das fotos vai aparecer no mínimo razoável.

Quando você se cadastra, eles sugerem que você deixe suas fotos com a licença de creative commons que permite o uso para fins pessoais e acadêmicos, mas não os comerciais. Mas você pode mudar isso se quiser, com facilidade, inclusive pra colocar o “all rights reserved”, ou seja, ninguém pode usar sua foto pra nada antes de falar com você.

Falei dos painéis? Digitar o nome de um lugar e ver em images a riqueza biológica? A chance de descobrir o nome de plantas, pelo menos o gênero ou família de alguns insetos. Todo mundo educado, polido. Aparentemente sem aquela coisa que eu acho horrível de spam de elogios, de ficar elogiando os outros pra você ser elogiado e votado. Uma sensação de que estamos todos lá só porque gostamos da natureza, não porque precisamos de massagem pro ego.

O Wikiaves é um site fabuloso que mudou a história da ornitologia e portanto da natureza no Brasil. Ele tem um valor incomensurável e tem muitas pessoas boas lá. Mas as escolhas por incentivar a competitividade, o apreço pelas tais fotos com penas super-definidas e portanto a valorização de câmeras mais caras, life lists grandes, a loucura pela pontuação, spam de elogios e tráfico de elogios… essas coisas mataram o prazer que eu tinha de frequentar o site. Eles não estão errados no que fazem, muita gente adora, e sei que a competitividade é boa pra alimentar o site. Só não me identifico com isso.

— quem tiver mais interesse no assunto, a entrevista com o Ken-ichi Ueda é bem legal. https://www.reddit.com/r/askscience/comments/50mt9d/askscience_ama_series_i_am_the_cofounder_of/

Selecionei alguns trechos. Melhor do que isso: inscreva-se no Inaturalist e passe a subir fotos, mesmo que você só tenha o celular, tem muita coisa pra se compartilhar e aprender.

[–]Deathowler 3 pontos

Do you think that this has to do with the fact that the website received attention from a dedicated fanbase and therefore unlikely to be trolled?

[–]kmuedaiNaturalist AMA 8 pontos

Could be. Could also be that, well, if you’re not into nature or aren’t interested in becoming interested in nature, it’s kind of boring. It’s also not a metropolis of a website like Reddit or Twitter where you could discuss anything with anybody. It’s more like a campus or research station where everyone is busily doing similar things in the same spirit, so if that’s not what you’re doing, a) it feels kind of weird, and b) we’ll probably just shut you down b/c iNat isn’t about what you had for lunch or what you think about the current election.

I’d also like to believe that naturalists are pretty good people, on the whole. While there are strands of competitiveness (coughbirderscough) and intransigence (coughtaxonomistscough) in natural history, almost every naturalist I’ve ever met has been pretty nice and decent, and even if they’re not, you can still have a civilized conversation about nature.

(…)

[–]kmuedaiNaturalist AMA 33 pontos

Ah, Pokemon. We do have plans to add some more structured activities to the app in the next year. Pokemon and iNat have some superficial similarities, I’ll admit, but personally, part of what I find so appealing about natural history is the lack of structure, stats, competition, etc. Different people have different ways of appreciating and exploring nature, though, so we’ll see if iNat can accommodate a more game-oriented mindset.

Cores de outono em Yosemite e June Lake – out/2016

Em outubro de 2016 eu e o Cris aproveitamos uma promoção de passagens a US$ 500 pra São Francisco, e fomos conhecer Point Reys, Monterey, June Lake e Yosemite.

Foi uma das melhores viagens que a gente já fez. Point Reys é lindo, em Monterey teve passeio de barco com direito a baleias e 2 mil golfinhos, June Lake é lindo – ainda mais no outono, e Yosemite entrou pra lista de lugares que a gente quer voltar várias vezes.

Yosemite é tão famoso e visitado que você encontra fácil informações de como ir lá, inclusive em português, então não vou escrever relato de viagem detalhado. Mas queria compartilha as fotos, e dizer que vale muito a pena conhecer. Dizem que é lindo em qualquer época do ano, mas no verão é absurdamente lotado, na primavera é quando você pode ver as cachoeiras e lagos, e o inverno é pra quem se dá bem com a neve.

Fotos de June Lake, um local colado em Yosemite. Cidadezinha simpática demais. Ficamos no June Lake Motel, uma cabine com cozinha, lugar espaçoso, quentinho, aconchegante. A poucos metros do hotel ficava uma cervejaria artesanal com cervejas excelentes, no quarto, um garrafão que você podia levar lá pra encher e pagar um pouco mais barato. No dia que chegamos na rua em frente estava rolando uma apresentação de blues. E nos arredores, no June Lake Loop, tinha cenas assim:

Por que Yosemite é espetacular

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“Você acha que Yosemite é o parque mais bonito que você já viu?”

Pergunta da fisioterapeuta do Cris, que já foi pra lá. Fiquei feliz quando soube que ele concordou com a minha opinião, apesar de sempre achar engraçado que as pessoas queiram eleger um “o mais”.

“Eu concordo com o que a Claudia falou. Torres del Paine pode ser lindo, mas Yosemite impressiona pela concentração, por ser tudo junto e tão fácil. Há lugares muito melhores para ver bichos, como o Pantanal, a África do Sul, Yellowstone. Mas pra cenário não tem igual”.

A gente já tinha feito um balanço da viagem, durante a viagem. E sei que não estou enviesada ou solitária, em português e em inglês você encontra frases como “embasbacante”, “de cair o queixo” (jaw-dropping), “como se fosse um cenário do Senhor dos Anéis”, “o lugar mais lindo que eu já fui”, “vou falar de Yosemite, de novo, porque não canso de falar daqui”.

É realmente lindo e apaixonante, e vou dar uns motivos:

Cenário-dramático-maravilhoso-impactante-de-fácil-acesso pra qualquer um, não só pra quem vai fazer trekking, escalada, acampar. Muitas fotos lindas você tira de dentro do carro, ou estacionando o carro e andando 15 metros, ou fazendo alguma trilha bem fácil.

O parque tem 3.000km2, e a gente entrou pela parte de cima, que é mesmo bonita, mas era um bonito como tantos lugares são bonitos. Mas daí você vai pro vale. Um lugar de 18km2, que no verão eles pedem pelo amor de Deus pra você não ir de carro, e sim pegar os ônibus gratuitos que circulam por lá, de tanto que lota (4 milhões de visitantes por ano).

Você vai pro vale. Roda um pouco por umas estradas com pinheiros lindos, altos, como se fosse cenário daquelas florestas de O Retorno de Jedi. Bonito. Em alguns trechos, dogwoods e outras árvores que no outono estão com folhas amarelas, rosa, vermelhas. Bonito. Mas daí de repente você entra num campo aberto, com uns paredões de rocha de 900m dos dois lados. É lindo como um cenário de O Senhor dos Anéis. Só que em vez de estar a pé sendo perseguido por Orcs, você está num carro, numa estrada larga asfaltada, com um monte de lugar pra estacionar, vários carros estacionados e muita gente com um sorriso de orelha a orelha tirando selfies ou só vagando de um lado pro outro, embasbacados.

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Falei pro Cris que é uma felicidade palpável, dá pra sentir a alegria das pessoas por estarem num lugar tão lindo, seguro, em que você chega com tanta facilidade, e pagando tão barato. Mesmo pra quem é brasileiro.

É doído de lindo, tanto pelo cenário, quanto pela democracia, por ser tanta beleza junto de um jeito que qualquer um pode ver, mesmo que você não tenha fôlego pra fazer trekking, mesmo que você esteja numa cadeira de rodas. As belezas estão lá, no lado da estrada.

Yosemite fica a 3h30 de São Francisco. Sabia que São Francisco e Los Angeles são alguns dos destinos com passagens mais baratas? A gente pegou uma promoção com passagens de US$ 500 (saindo de São Paulo). Sem precisar ser promoção, só por ser baixa temporada, Los Angeles em abril-maio custa US$ 750. Aluguel de carro é barato, gasolina é barata, há muitas opções baratas de alimentação seja em restaurantes ou pra fazer umas compras e almoçar lanches de trilha. A entrada do parque é ridiculamente barata: US$ 30 / por carro pra 7 dias. Ou você pode comprar um passe anual por US$ 80, que vale pra duas pessoas, e dá direito a entrar em 2.000 parques.

Infelizmente em Yosemite a hospedagem não é barata. Quer dizer, é barato pra acampar ou ficar nas tent cabins (parece que é diária de US$ 60), mas eu e o Cris acabamos preferindo uma casa com estrutura, então a gente se sujeitou a pagar US$ 240 / dia nos apartamentos de Yosemite West, alugados no Airbnb. Yosemite West fica ainda dentro do parque, a 30 minutos do vale. No próprio vale há hotéis, mas com diárias de uns US$ 400. Há várias opções em Mariposa, uma cidade fora do parque, mas daí você está a 2h do vale.

As tent cabins parecem bem legais, são tendas com camas de verdade, chão de verdade, e ficam no centro do vale. Mas é claro que lotam rápido. Dizem que pro verão, a época mais procurada, no início de abril já reservaram tudo de julho. Talvez a gente tente na próxima ida. Mais informações aqui: http://gocalifornia.about.com/od/cayosemite/a/tent_cabins.htm

http://www.viciadaemviajar.com/yosemite-como-chegar-quando-ir-quantos-dias-e-onde-ficar/#.WBJrD_krIwY

Pesquisando no Google tem toneladas de informação, inclusive em português. Sabem que eu sou viciada em fotografia de fauna, mas mesmo não sendo um lugar com mamatas para fotos de animais, se puder voltarei várias vezes.

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Felicidade de estar em lugares assim. Esses pinheiros incríveis que a gente estava fotografando, cravados na rocha, ficavam a poucos metros do estacionamento. Sem cordas ou cercas. Olmstead Point.

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Repare onde passa a estrada

El Capitain, veja que lugar espetacular, um paredão de 900 metros de altura: yosemite-espetacular_45

E olha onde está a estrada, repare na linha de carros entre o capim e o verde:

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Esse foi um dos meus lugares favoritos. Pegamos um fim de tarde mágico, com um capim dourado que eu estava quase agoniada em tentar captar algo da luz. Falei pro Cris que quando a gente voltar queria ter uns dias pra fazer como várias das pessoas que estavam lá,sentadas no chão em frente à rocha. Fazendo nada. Só aproveitando o entardecer frente a um lugar tão espetacular.

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El Capitain em preto e branco, pelo Cris
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Eu tentando registrar o cenário dourado

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Com a estrada construída pra passar bem do lado mesmo:yosemite-espetacular_18

Fim de tarde era assim:yosemite-espetacular_20 yosemite-espetacular_04yosemite-espetacular_48

Dentro do parque tem um supermercado com mais coisas e mais barato do que os mercados nas cidades vizinhas, o Cris comprou até um uísque:yosemite-espetacular_35 yosemite-espetacular_34 yosemite-espetacular_33

O famoso Glacier Point também fica do lado de um estacionamento amplo e não tem cercas ou grades… na verdade, acho que aqui ainda nem era o Glacier Point, que ficava uns metros pra frente, mas achamos aqui tão bonito que paramos pra ver o fim do dia aqui. Uma das lindezas dos parques americanos é como não tem guardinha fiscalizando, e como você pode andar em lugares perigosos (mas lindos) onde se você escorregar ou tropeçar você morre. Mas é seu direito e sua responsabilidade.yosemite-espetacular_26 yosemite-espetacular_25 yosemite-espetacular_24

Fotografei três tipos de esquilo, talvez duas ou três especies de chipmunk, veadinho com filhote, algumas aves, mas realmente não é fácil ver fauna. Não como em Yellowstone ou Rocky Mountain. E mesmo assim, é um lugar que me impressionou demais.

Yosemite é como Meca. Queria que todo mundo pudesse ir pelo menos uma vez na vida.