Category Archives: Família

Me pegaram chorando em frente à prateleira dos M&Ms

Talvez só porque eu tenha trocado a pílula, ou porque tem tantas coisas acontecendo, ou porque às vezes dá quase um desespero de pensar “vai acabar, vai acabar” – ele faz 11 neste ano, em um ano e pouco ele não vai mais querer ficar com a gente, só vai querer os amigos. Quer dizer, é o que todos dizem, mas eu, com meu otimismo e pretensão característicos digo que não, que seremos muito próximos a vida toda e também durante a adolescência. Porque eu estou disposta a falar de garotas, amigos, rejeição, frustração, tentar se entender.

Numa situação com tantos elementos pra dar errado, mas que deu tão certo. E quando temos que explicar pra alguém o que eu sou dele, é com tranquilidade que ele responde “ela é minha Tatá”. E ele é meu …. [ele detesta que eu fale o apelido familiar dele fora de casa, então fica como três pontinhos].

 

Somos mamíferos

(e precisamos de contato físico)

O que eu queria? Foto de um bando de filhotinhos de leão ou de Wild dogs amontoados. Ou um bando de gatinhos ou de cães, de preferência não uma ninhada, mas um grupo de amigos.

Não tenho.

Por favor, não ria, só aceite por ora minha foto de um bandinho de capivaras. Nem de longe os mais carismáticos ou fofos. Mas mamíferos.

Tudo isso não passa de distração e chacota, porque a ideia não precisa de foto. Quero ver você negar Continue reading Somos mamíferos

E se vivêssemos todos juntos?

As pessoas se afastavam cada vez mais da câmera, virando pontinhos na paisagem, mas ainda se ouviam os gritos pela mulher morta.

Eu já tinha me inclinado pra frente, porque estava tremendo muito e quase soluçando e achei que o cara na cadeira do meu lado, um lugar vazio depois, podia sentir meus tremores pelos encostos das cadeiras.

“Esse filme está acabando, esse diretor filho-da-puta vai terminar o filme agora, as luzes vão acender agora, eu estou aqui debulhada em lágrimas”. Continue reading E se vivêssemos todos juntos?

A loucura ronda a família

Uma parente próxima por parte do meu pai se suicidou quando tinha 20 e poucos, essa idade terrível em que tantas mulheres se matam, ou desejam sinceramente se matar. Um parente da minha mãe se jogou na linha do trem. Outro parente já foi hipnotizado em um ônibus, chegou em casa dizendo pra mãe que precisava ir até o banco, dar dinheiro pra fulano. Uma outra parente tinha um problema cristão de culpa por qualquer coisa que cheire a ócio ou lazer. Um outro tinha Alzheimer, outro tem TDAH, outra teve um aneurisma e mudou de personalidade.

Eu me apaixonei pelas aves, praticamente só faço passeios e viagens pra ver aves, penso em aves o tempo todo. Quando viajo pra cidades, vou pros parques urbanos fotografar aves, pros museus ver as aves nas pinturas, cerâmicas e esculturas (o famoso birdwatching de museu, não sei de mais ninguém que faça isso), e pras livrarias atrás de livros sobre aves. Ignoro o infame comentário familiar de que quando eu era criança, meu brinquedo favorito era um pintinho de plástico, de dar corda (o da minha irmã era um ganso), e que eu não tinha medo de pegar em minhocas (é um comentário só, as duas informações sempre são lembradas juntas, porque minha família se diverte em falar de pintinho e minhoca ao mesmo tempo).

Duvido que minha família seja mais maluca do que a média. Acho que quem não tem uma lista como essa está mal informado.