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Jantares fáceis com amigos

Mais uma vez, os títulos apelativos. Vocês verão que a maioria dessas fotos foram feitas de dia, mas poderiam ter sido feitas à noite, é só pra ilustrar. Além do engodo do horário, tem o fato de que a maioria delas não foi em festa, nem em ocasião especial. O problema das festas é que acabo desfocando em fotografar. Mas as ideias de cardápio continuam valendo 🙂

Você também tem achado desumano jantar fora? Cansou de pagar R$ 120 por um vinho que você sabe que não vale nem R$ 50? Coma mais em casa. Já fiz alguns posts sobre o assunto, neste vou repetir algumas informações e compartilhar pratos favoritos.

Música e aperitivos pra diretoria

Cozinhar não precisa e não deve ser um sofrimento. Não deixe a diversão só pra quando estiver tudo pronto, divirta-se de cabo a rabo. Antes de começar a preparar as coisas, coloque alguma música animada, divertida, inspiradora. Comece a beber, belisque alguma coisa. Não cuide dos preparativos como se fosse a parte chata, e sim como parte do programa. Eu e o Cris cozinhamos juntos e se vamos beber, já abrimos o vinho ou o espumante ou a cerveja, ou começamos com uma dose de vodca ou pinga, pegamos um pouco de pão e queijo ou presunto. E sempre com música.

Bebida!

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A gente tem assinatura na wine.com.br, e costumamos comprar vinhos de lá. Fim de semana passado fizemos uma noite de queijo e vinhos e todos gostaram do Goulart T, um Torrontés. Não sei se as pessoas teriam gostado menos se soubessem que é barato, não contamos 🙂 Bem aromático e ótima acidez.

Além do Goulart T 2013, separei alguns espumantes, rosé e um Pinot Noir que estavam bem avaliados e com preços bons. Os preços abaixo são os de associados, quem não é sócio paga um pouco a mais.

Rosé Vin Mousseux R$ 34,85 https://www.wine.com.br/vinhos/vin-mousseux-veuve-d-argent-rose-brut/prod8469.html

Goulart T Torrontés 2013 (atenção pra safra) R$ 35,70 https://www.wine.com.br/vinhos/goulart-t-torrontes-2013/prod12606.html

Espumante Toro Loco Cava Brut R$ 45 https://www.wine.com.br/vinhos/toro-loco-cava-brut/prod8722.html

Espumante Louis Bouillot R$ 62,90 https://www.wine.com.br/vinhos/espumante-louis-bouillot-perle-noire-blanc-brut/prod12733.html

Pinot Noir Maycas R$ 63 https://www.wine.com.br/vinhos/maycas-reserva-especial-pinot-noir-2014/prod14382.html

Espumante Chateaau Beausoleil R$ 68 https://www.wine.com.br/vinhos/chateau-beausoleil-aoc-cremant-de-limoux-brut-reserve/prod14145.html

O Cris também costuma comprar vinhos pela Vinci: https://www.vinci.com.br/

Se você gosta de beber, é importante sempre ter bebidas em casa porque assim você gasta menos: fica mais fácil decidir não ir ao restaurante. Você fica pensando “vou pagar R$ 140 por um vinho que não vale R$ 60, quando tenho várias bebidas boas em casa”. Outra dica é sempre ter pães bons congelados, e algum queijo, presunto, alheira congelada. Se der preguiça de cozinhar, basta abrir um vinho, colocar uma música, preparar um pão com algum acompanhamento e você já tem a noite.

Comidas

Queijos, pães, frutas e legumes

Qualquer um com um pouco de vivência de Europa sabe que essa é uma combinação clássica,  alegre, boa pra quando tem várias pessoas. Dá pouco trabalho, as pessoas ficam petiscando e papeando por horas. Tive uma mesa linda na semana passada, não tirei nenhuma foto, mas vou descrever:

– pães bons. Se não puder ter pães das padarias especiais, com fermentação natural, tudo bem ser pão francês. O mais importante é estar quentinho e casca crocante. Depois que o forno aquecer, deixe os pães por 5 a 7 minutos. Se não for festa, e for só um pedaço de pão, use a frigideira com o fogo no mínimo, sem nada de óleo, apenas tampe e vire o pão de vez em quando por uns 8 a 10 minutos.

Julice sempre tem pães bons
Julice sempre tem pães bons

– queijos. Na ausência dos franceses, o meu favorito nacional é o taleggio da Serra das Antas. http://www.serradasantas.com.br/queijos-de-vaca/taleggio-br/taleggio.html. Quando maduro, ele é muito cremoso e saboroso, mas tem um odor bem forte, prepare-se. Se você acha que é fedor demais pra você, pode optar pelos bries, camembert, Saint-Marcellin, Saint-Paulin, gorgonzola.

A Serra das Antas é uma marca muito boa, mas é importante os queijos estarem maduros, ou perdem toda a graça. A gente comprou na terça-feira dois taleggios, e um Saint-Paulin e eles ficaram fora da geladeira até o sábado, dia da festa. Na quinta eu não aguentava mais o cheiro dentro do apartamento e os coloquei na varanda, com a tampa de pratos do microondas. Também compramos gorgonzola cremoso, pecorino, Pont L´Eveque. Tivemos que ir à Casa Santa Luzia. Às vezes algum Pão-de-Açúcar ou Mambo tem taleggio ou Saint-Paulin, mas é inconstante. O Cris comprou uns queijos de ovelha num dos queijeiros da Vila Madalena (acho que tem uns dois, O Mestre Queijeiro e o Queijeiro).

– Manteiga e patê. Se puder, invista numa manteiga boa e algum patê.

– Azeitonas, palitos de cenoura e de pepino.

– Uvas bem doces e de preferência sem sementes. A Thompson costuma ser boa.

– Pera, morango, geleia de frutas vermelhas, nozes.

– Pra quem gosta, presunto cru, salame ou outros embutidos. No nosso caso a festa tinha crianças, que não têm o menor interesse ainda nos queijos, então fizemos linguiças, elas comeram pão com linguiça.

As fotos acima não são de uma festa, mas de diversas refeições pra dois, que idiotice não ter fotografado a mesa arrumada. Arrume tudo em travessas bonitas numa mesa central, onde você também pode colocar pratinhos pequenos, garfos, as taças pros vinhos e copos pra água. As pessoas se servem e sentam nos sofás. Veja se todos têm onde apoiar os pratos e taças. Eu trouxe uns bancos da cozinha pra servir como mesinhas de apoio. Não descuide da trilha sonora, também é importante pra dar o clima de festa. Pra mim a rádio da Nina Simone ou do Louis Armstrong, no Spotify, nunca decepciona.

Bifes grossos e mal-passados

Este é mais difícil pra uma festa com várias pessoas, mas pra um jantar romântico ou um comitê pequeno, vale a pena comprar as carnes do deBetti, ou os Wagyus. Acém Wagyu com osso ou sem osso não é caro e é bem satisfatório. Um pedaço de uns R$ 35 rende um jantar pra mim, o Cris e o Daniel. Cortamos em três pedaços, esfregamos um pouco de alho triturado, molho inglês e pimenta do reino, colocamos um pouco de sal na hora de fritar numa frigideira grossa em fogo bem alto, uns 3 minutos de cada lado. Se você gosta de mal passado, erre pra menos, tire da frigideira, corte um pedaço pra ver se já está bom, se precisar volte pro fogo.

Acompanhamentos:

– polenta mole (você faz na hora em poucos minutos. Deixe a água ferver, depois vá despejando a polenta aos poucos e mexendo. Na caixa tem uma medida que sempre deu errado pra mim, ficava dura demais, então não uso mais medida, só sinto a consistência. As importantes você precisa colocar um pouquinho de sal, a polentinha já vem salgada);

– batatas tostadas, as doces ou as inglesas, com ou sem alecrim. Cozinhe no micro-ondas até ficarem macias quando você enfia o garfo, é mais ou menos uns 3 minutos por batata, depois fatias médias, frigideira com um fio de azeite;

– Cenouras cortadas em fatias finas e tostadas com azeite também ficam muito boas;

– farofa é outro acompanhamento clássico dos bifões;

– também combina bem com Cobb salad;

– se for um almoço, brócolis cozidos no vapor, mas de forma a ficarem ainda bem duros. Você pode servir assim, só com azeite, ou depois fatiar e tostar com um pouco de azeite, alho e sal também fica muito bom. Outro acompanhamento prático pra almoço são essas caixinhas de feijão pronto da Camil. Lavamos, e depois temperamos com pimenta do reino, alho triturado e sal.

 

Comida de boteco

Essa também não é fácil para várias pessoas, a gente costuma fazer quando estamos em dois, mas é possível. Costumamos fritar bolinho de bacalhau, esse Ribeira Alves que tem em qualquer Pão-de-Açúcar. É bem decente, o importante é você raspar bem o bolinho se houver cristais de gelo em volta dele, ter óleo de forma a cobrir todo o bolinho, colocar em óleo quente mas depois baixar pra fogo médio, senão ele queima por fora e fica frio por dentro. E deixar até ficar com uma cor bem bonita. Fica ótimo com uma pimenta porreta, são esses da foto com as taças de espumante.

Além dos bolinhos de bacalhau fazemos alheiras tostadas na frigideira, picamos palitos de cenoura, pepinos em conserva, azeitonas, pão quentinho e crocante.

Brunchs com ovos poche, presunto cru, espumante.

Steak tartare também é um clássico fácil de fazer. As receitas vão mandar você usar carne fresca, mas a gente sempre usa os pedaços de filet mignon que fracionamos e congelamos. O único cuidado é pra descongelar, de preferência sem ser no micro-ondas, e sim numa vasilha com água, em saco duplo ou triplo se for necessário pra água não invadir a carne.

Patatera light. Comemos na Espanha e adoramos, mas não temos coragem de fazer a receita tradicional, que vai bastante banha de porco. Então fazemos uma versão que é a batata cozida no microondas até ficar macia, depois amassa como se fosse um purê com bastate páprica, um pouco de azeite, cubinhos de bacon ou lardo. É um ótimo acompanhamento pra polvo, ou pra comida de botecom com embutidos. A patatera é essa foto em que aparecem duas taças de cerveja.

 

Comida americana

Costelinha de porco. Costumamos deixar marinando por umas 3h em suco de laranja, molho inglês e alho triturado, ou em cerveja, mostarda e alho triturado. Salga na hora de ir pro forno. Para conseguir costelinhas bem macias, o importante é fogo baixo. Pode ficar na prateleira inferior do forno, mas tem que estar a uns 200 graus ou menos por umas 2h.

Cobb salad

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Alface frisée, tomate, avocado, cubinhos de lombo defumado bem fritinhos, ovo cozido com gema mole mas não líquida (7 minutos a partir do momento que começa a ferver), molho de coalhada com um queijo do Mestre Queijeiro que lembra Roquefort ou gorgonzola. Delícia.

É uma salada muito rica e satisfatória. Dá pra jantar só ela e um pouco do pão quentinho e crocante. Se todos seus convidados gostarem dos ingredientes e da ideia de jantar salada, também dá pra fazer pra festa. Aprendemos no 210 Dinner, de Higienópolis, acho que não tem mais mas era muito boa. A gente costumava se encontrar por lá e jantar só a salada.

 

Hamburgueres

Também dá pra fazer pra festinhas. Deixei os hambúrgueres pré-feitos, mal passados, e na hora que forem comer monta no pão e (os acompanhamentos que as pessoas quiserem como cheddar, gorgonzola, ou queijo prato) deixa uns minutos no forno quente e serve. Tomate, alface, pepino ou cebola, pra quem quiser, coloque depois de tirar do forno.

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Os do deBetti a R$ 16 cada são excelentes, mas se quiser fazer os seus, também ficam bons. Tem receita aqui: http://claudiakomesu.club/crie-rituais-bons-coma-gostoso-em-casa-parte-23/ (dá um ctrl F hamburg). Já testamos várias misturas de carne, mas uma das nossas favoritas e fáceis de achar é coxão duro com acém. Só acém a gente achou menos tchans.

 

E nestes posts tem sugestões de várias outras receitas que fazemos sempre, quase todas são bem fáceis, práticas e a maioria é barata.

http://claudiakomesu.club/comidas-nao-tao-light-mas-irresistiveis-parte-33/

http://claudiakomesu.club/crie-rituais-bons-coma-gostoso-em-casa-parte-23/

http://claudiakomesu.club/reeducacao-alimentar-pra-emagrecer-de-verdade-e-viver-mais-parte-13/

http://claudiakomesu.club/pratos-faceis-com-peixes-e-frutos-do-mar/

Comidas não tão light, mas irresistíveis parte 3/3

Lanches, panquecas, brunch — acompanhados de cerveja, ou espumante, ou vinho. E, fora as panquecas, sempre com bons pães. Essa é uma das nossas perdições. Não são refeições light, mas se você come quantidades pequenas e fez exercício aeróbico durante o dia, no geral a gente fica no 0 a 0 com a balança, mesmo com o pão e o álcool. Mas isso é como funciona com a gente, você tem que ter sua balança, se pesar todo dia e ver como as coisas funcionam com você.

Os queijos

Em São Paulo tem um lugar em Pinheiros chamado O Mestre Queijeiro, que sempre tem queijos bons. Se você vai a uma loja especializada, papeie com o vendedor, fale dos seus gostos, peça indicações.

Se você só tem acesso a supermercados, os mais comuns de serem encontrados (e que a gente acha que valem a pena) são o brie e o camembert, o parmesão, o gorgonzola, queijo de cabra (o Cablanca). Às vezes você encontra Saint Paulin ou Taleggio da Serra das Antas. Essa é uma marca boa, mas esses queijos, (assim como o brie e o camembert) para serem saborosos precisam estar bem maduros. No caso do Taleggio e o Saint Paulin é um fedor de queijo, ou seja, é o tipo de coisa que não é pra qualquer um. A gente adora, são dos nossos queijos favoritos — além do coulommier, que lembra o brie e camembert, mas não é tão fácil de achar.

Se você já comeu um brie, camembert, Saint Paulin, taleggio ou colommier e achou sem graça, com certeza provou um queijo ainda não maduro. Nesse caso eles são bem sem graça mesmo. Comprei um Saint Paulin num Mambo antes da viagem pra Romênia — escolhi o mais mole, e que já tinha um aroma característico. Abrimos, estava verde. Ficou 1 mês e meio na minha geladeira, e quando voltamos da viagem é que estava bom.

Se você não tem acesso ou não tem verba pra nenhum desses queijos, não tem problema: você pode picar a mussarela em cubinhos e temperar com orégano e azeite, ou pegar o queijo branco, cortar cubos médios e tostar na frigideira com um pouco de azeite.

Os pães

O ideal é ter algum dos pães tchaptuchura, com fermentação natural. Quando você encontrar pães desse tipo que você gosta, pode comprar a mais e congelar. Para ressuscitá-los, pode tirar umas horas antes do congelador, ou deixar uns 20 segundos no microondas, e depois levar pra uma frigideira (sem nada de óleo, só a panela) em fogo totalmente baixo, com tampa, e ir virando de vez em quando.

Esse processo no fogo baixo deixa a casquinha crocante e o miolo quentinho, melhora qualquer pão, inclusive os franceses, mesmo que for do dia anterior. Mas tem que ser fogo bem baixo e deixar bastante tempo, mais de 10 minutos. Em geral estamos preparando outras coisas e já deixamos o pão na panela. Ele também é bom pra pizzas amanhecidas, com a diferença que a gente não fica virando, só no final (e dependendo da cobertura), viramos a pizza pra aquecer a parte de cima.

Nunca fique com preguiça de fazer isso com os pães, faz toda a diferença na refeição. Quer dizer, se seu objetivo for sabor. Se for questão de dieta, é melhor não fazer, porque o pão fica muito mais gostoso e você come mais.

As frutas e legumes

Peras portuguesas, maçãs, uvas, figo, morangos. Procure um bom fornecedor, é a diferença de frutas doces ou não. O Natural da Terra da Vila Madalena é bem confiável pra frutas.

Sempre lave as frutas ou legumes em água corrente e depois deixe uns minutos de molho em água e vinagre.

Adoramos palitos de cenoura (e também gosto de palitos de pepino, e às vezes salsão quando tenho). Basta cortar fino.

Uma variação dos legumes é deixar esses palitos imersos em água com bastante limão e um pouco de sal, e uns cubos de gelo ou um tempinho no congelador, só pra gelar, não pra congelar. Fica uma delícia.

Embutidos

Não é saudável. Mas gostamos de salame, presunto cru, alheira. Fazem parte da alegria das refeições. O Fricco tem ótimos embutidos e pães artesanais: http://www.fricco.com.br/

Ovos

Bom de todos os jeitos. Se for fazer mexido, faça em fogo baixo, mexendo o tempo todo, e tire do fogo enquanto ainda estão bem moles, você vai ver como fica muito mais cremoso e saboroso. Também gostamos de ovo frito com gema mole, ou cozido com gema mole (são uns 8 minutos de fervura), e os poché — esses são mais complexos, não vou conseguir explicar, melhor ver uma receita na internet.

Omeletes também são bons, e às vezes fazemos a tortilha, mas no geral a tortilha é o único prato do lanche, junto com um pouco de pão (e vinho).

Salmão defumado e outros peixes

Salmão defumado é sempre uma delícia. E uma das vezes tinha sobrado um pedaço de atum cru (o jantar tinha sido sashimi), e no brunch do dia seguinte o Cris temperou esse pedacinho com vinagre, alho, cebola, tostou, e ficou muito bom com o bruch.

Waffles

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Não é nada diet, eu sei, mas de vez em quando, principalmente pra café da manhã de fins de semana preguiçosos, é um luxo.

Temos o aparelho de fazer waffle, e seguimos uma receita que vai leite azedado com limão e claras em neve, é muito boa: http://www.grandbaby-cakes.com/2014/03/buttermilk-waffles/

Como os waffles puros, ou com algo salgado, como presunto cru. O Daniel prefere com Nutela.

Umas poucas vezes a gente faz a esbórnia de fazer uma receita típica do Sul dos Estados Unidos, que é waffles com frango frito (e pode colocar quiabo, milho como acompanhamentos). Descobrimos essa maravilha no Amy Ruth’s, em NY http://amyruths.com/

http://www.grandbaby-cakes.com/2014/03/homemade-chicken-and-waffles/

 

Cobb salad

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Não é coisa de brunch, mas achei que não fazia parte da comida rotineira. É uma salada altamente satisfatória, dá pra comer só ela e pão, ainda que da última vez que comemos foi acompanhada de um ótimo acem Wagyu. Há várias receitas, a nossa foi: alface frisée, tomate, avocado, cubinhos de lombo defumado bem fritinhos, ovo cozido com gema mole, molho de coalhada com um queijo do Mestre Queijeiro que lembra Roquefort, mas na ausência dele teríamos colocado gorgonzola. Delícia.

Todos os pratos descritos vão muito bem com espumante, mas é claro que você pode tomar com cerveja, vinho branco ou tinto — ou água, se você for forte.

Outros

Azeitonas, manteiga boa, nozes, geleia, anchovas, pepino em conserva, cogumelos tostados com um pouco de azeite: o que você quiser colocar na mesa. E arrume um azeite trufado também. O Collavita tartufo branco está bom, custa uns R$ 40. O azeite trufado é ótimo para colocar nos ovos, batatas e, por estranho que pareça, fica ótimo no steak tartare também.

Crie rituais bons – coma gostoso em casa – parte 2/3

— fiz este post antes de sair de férias, e achei que tinha publicado. Ainda não voltei pra São Paulo, mas estou naquela fase da viagem em que você começa a voltar a ver emails, blog — descobre que seu domínio não estava em renovação automática e seu blog ficou 5 dias fora do ar. Ainda fico devendo a parte 3/3, e provavelmente vou compartilhar informações de viagem sobre a Romênia. No fim de julho. —

Uma frase do Jonathan Franzen sobre o cigarro, que comentei com vários fumantes que concordaram totalmente, e que poderia ser aplicada a outros hábitos.

“Não há uma razão simples e universal que explique por que as pessoas fumam, mas de uma coisa eu tenho certeza: elas não fumam porque são escravas da nicotina. Meu palpite a respeito da minha própria atração pelo cigarro é que pertenço àquela classe de pessoas cujas vidas são insuficientemente estruturadas (…) Adotamos uma toxina tão letal (…) porque ainda não encontramos prazeres ou rotinas que possam substituir a reconfortante sequência de necessidade e gratificação, que proporciona um sentimento de estrutura, e que só o cigarro pode oferecer.” [1996]

Acho que além do cigarro, há outros momentos que criam essa sequência de necessidade, gratificação. Como comer um doce, principalmente como uma compensação ou prêmio. Comer frituras num boteco. Sair pra beber.

Eu sei que é muito difícil ir pra um restaurante ou pra um boteco e pedir o peixe com legumes no vapor, não pegar nenhum bolinho, não beber, não pedir a sobremesa. Você se sente idiota de estar lá, pagando pelos pratos sem graça, ou deixando de experimentar tal coisa que você sabe que é maravilhosa.

Solução? Pelo menos até você se sentir mais forte, coma menos fora.

 

Coma mais em casa

Todo mundo sabe como tem sido triste comer fora, principalmente se você mora numa das cidades com custo de vida alto.

Claro que é mais barato comer em casa. Mas e a vontade de sair? Mais do que vontade, a necessidade de sair, de se sentir fazendo algo divertido? E o alimento pra alma? Também dá pra resolver em casa.

Comida gostosa com apresentação bonita, com toalha de mesa bonita, trilha sonora boa e de preferência você com roupas pelo menos razoáveis. Também vale diminuir a luz, acender uma vela bonitinha. Pode ser jantar romântico, ou chamar os amigos pra jantar na sua casa, e ser convidado pra jantar na casa deles.

Já pensou?

É claro que assim fica bem mais divertido cozinhar e comer em casa.

A apresentação faz diferença. Se você não tem toalhas, jogos americanos, taças, travessas bonitas, vá atrás disso, não precisa ser caro. Coloque música boa desde o momento que vai começar a cozinhar.

O mais importante, a comida em si. Vou descrever algumas coisas que a gente costuma fazer que são bem fáceis.

Lamento não ter mais fotos, vou tentar fotografar mais as comidas. É que os pratos como camarões grandes, steak tartare na forminha, ceviche na taça são fáceis de fotografar. Comida mais do dia a dia não é tão fácil ficar estético, então não parece certo deixar comida esfriando enquanto você tenta arrumar algum enquadramento.

 

Carne bovina

A gente passou muito tempo comendo pouca carne bovina em casa por motivos ecológicos. Eu não queria comprar algo que contribui pro desmatamento da Amazônia. A gente comprava carne no Zaffari, porque as carnes vêm do Sul, dos Pampas, onde há pastagens que não destroem a natureza, mas é um lugar fora de mão pra fazer compras. Uns meses atrás apareceu uma linha da Korin, com gado criado em pastagens naturais do Pantanal, e passei a comprar esses. Evito comprar carne que eu não tenho certeza da origem.

– Com coxão mole, ou acém, ou patinho você pode fazer uma boa carne de panela, dessas com cebola e cenoura, cozida na panela de pressão. Há receitas diversas na internet, vai experimentando. Aqui a gente faz sem batatas, só com cebola e cenoura, o tempero é só sal. Refoga a cebola e cenoura, depois os cubos de carne, água, sal, vinte minutos na pressão. Macio, saboroso, congelável, ótimo pra comer com arroz e feijão, ou polenta, (ou a carne e saladona, se você estiver querendo emagrecer) ou desfiar e virar molho de macarrão.

– Com acém ou patinho também fazemos nossos próprios hambúrgueres. Cebola picada pequena, bem frita, até quase queimar. Bacon em cubinhos pequenos. Tomilho seco. Mistura tudo com a carne crua, depois faz os discos. Dá pra congelar. Pra descongelar, basta evitar o microondas, ou então colocar por pouco tempo no microondas, só para iniciar o processo, e depois terminar de descongelar em temperatura ambiente, para não correr o risco de começar a cozinhar a carne. Coloque sal só na hora de fritar. Toste em fogo alto, numa panela grossa com um fiozinho de óleo. A gente gosta de ao ponto – mal passado. O tempo na frigideira depende do seu fogão.

Nossos próprios hambúrgueres (lamento não ter foto de um pronto, no próximo fotografo) estavam no top dos nossos favoritos. Altos, bem tostados por fora e vermelhos por dentro. Mas tem pelo menos dois que a gente reconhece que são melhores: o do Épico e do DeBetti. O Épico é incrível, talvez o melhor que a gente já tenha comido. Fica na cidade de Brotas, só entre quinta e domingo. Outro dia faço um post sobre ele. E o DeBetti trabalha com carnes especiais e dry aged. O hambúrguer deles custa R$ 16 (só o hambúrguer, cru, congelado, numa caixinha), eles entregam em São Paulo. Deve ter taxa mínima de entrega, a gente sempre compra outras coisas junto. Ele funciona principalmente por Instagram. É muito bom. Costumamos usar o pão da Wickbold com gergelim, achamos bem decente. Não gostamos dessa moda de pães adocicados. 

– Com filé mignon a gente faz steak tartare, seguindo a receita do Ici. http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2014/06/1461192-receita-como-fazer-o-steak-tartare-do-melhor-restaurante-frances-de-sp.shtml. Já testamos algumas carnes, mas achamos que com filé mignon faz diferença. Não seguimos a recomendação de precisar ser carne fresca, sempre fazemos com carne descongelada. Compramos uma peça grande de filé mignon, fracionamos. O certo pra descongelar é tirar um dia antes e deixar na geladeira, descongelado aos poucos, mas confesso que a gente sempre esquece e o que fazemos é tirar do congelador e deixar no saquinho dentro de uma vasilha com água, às vezes com saquinho duplo pra não entrar água na embalagem. Seguimos a receita do Ici, e fazemos um pão tostado pra acompanhar. Às vezes só na torradeira, às vezes com um pouco de azeite na frigideira. Muitas vezes foi nosso jantar – acompanhado de vinho ou espumante, é claro, mas se você estiver querendo emagrecer, corte o álcool também. Este da foto tem um pouco de páprica agridoce.

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– Com entrecote a gente corta bifes grossos, de preferência deixe uma hora num tempero de mostarda, molho inglês, alho triturado. Se não tiver esse tempo, uns 10 minutos de tempero já fazem diferença. Depois grelha numa panela grossa em fogo alto. O tempo de cada lado depende muito do seu gosto e do fogo, da panela, mas se você gosta da carne rosadinha ou vermelhinha, erra pra menos, tira da panela, faz um corte no meio pra ver como está e se for o caso volta pra panela.

 

Carne suína

– File mignon suíno – é uma das carnes mais saudáveis. Pouca gordura e macia. Há inúmeras formas de fazer, pode experimentar o que quiser, tanto na forma de cortar quanto no tempero. A gente faz com o tempero de mostarda, alho, molho inglês, mas em geral também colocamos um pouco de canela em pó. Às vezes suco de laranja e alho.

O mais interessante de qualquer carne, principalmente se você é do tipo que gosta de ao ponto ou mal passado, é fazer em fogo alto pra que ela toste por fora sem cozinhar demais por dentro. Os tostados quase queimadinhos que ficam por fora dão um sabor a mais pra qualquer carne, e também são ótimos pra fazer molhos depois se você quiser, naquela mesma panela.

– Bisteca de porco. Um tempinho na mostarda, alho, molho inglês, canela, e depois numa frigideira grossa com um fio de óleo.

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– Costelinha suína. Quando compramos a peça inteira, fatiamos antes de colocar no tempero. Esse é um dos poucos pratos que eu recomendo ter tempo. É fácil de fazer: dá pra fazer temperando na hora e em menos de 1h de forno alto, mas descobrimos que se você deixar um tempo no tempero, e depois 2h em fogo baixo, na faixa dos 220 graus, fica muito mais macio.

Como eu passo bastante tempo em casa, é comum eu colocar as carnes no tempero no meio da tarde pra preparar à noite ou no fim do dia, no caso da costelinha. Se você tem menos tempo, eu arriscaria colocar no tempero na noite anterior, pra tostar na noite seguinte.

Esses pratos com porco também são congeláveis.

Com porco também já fizemos nosso próprio lamen, seguindo aquela receita da Marisa Ono que leva 6h de cozimento de ossos de costela. Tínhamos macarrão importado comprado na Liberdade, um pacote que fica refrigerado. Fizemos tyashu, tínhamos alga, cebolinha, shitake, tikuwa. Mas esse é o tipo de coisa que merece um post só pra esse prato, ele não entra na categoria dos práticos.

Na categoria dos práticos, a sugestão seria turbinar o seu miojo com o ovo de gema meio mole (uns 6 minutos depois que começa a ferver), cebolinha e, se você gosta, bisteca picada em pedaços pequenos no lugar do tyashu.

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Peixe

Filé de tilápia é nosso peixe principal. Às vezes também compramos salmão, porque o Daniel gosta, mas temos evitado.

O filé pode ser temperado, empanado e frito, mas poucas vezes fazemos isso. Nossos principais pratos com tilápia são cozidos com legumes ou ao forno.

– O cozido com legumes você pode variar os temperos e os ingredientes como quiser. Vou descrever nosso tailandês. A gente pica cebola bem pequena, refoga, depois acrescenta tomate picado pequeno, sem sementes, um pouco de coco ralado, um pouco de sal. Enquanto os legumes estão refogando, jogo um pouco de limão, sal, pimenta do reino nos dois lados dos filés de peixe, e separo o filé em duas partes, porque sempre tem a parte mais fina e mais grossa. Quando esses legumes estiverem bem refogados vai o leite de coco, gengibre ralado, cozinha um pouco, depois você coloca as partes do filé mais grossas, deixa uns 3 minutos, depois coloca as partes mais finas do peixe. Depois de desligar, umas folhinhas de hortelã. Se você gostar, pode colocar um pouco de óleo de dendê quando for colocar o leito de coco.

– Ao forno é bem fácil. Ligue o forno. Tempere os filés com limão, pimenta do reino, sal, alcaparras picadas. Coloque numa assadeira, regue com azeite. Menos de 10 minutos no fogo médio-alto, na parte de cima. A aparência não é tão bonita, mas fica leve e saboroso.

– Ceviches. O ideal é com o peixe fresco, mas já fizemos com peixe descongelado. Pegue alguma receita da internet. O nosso básico é tempero de limão, sal, coentro, pimenta fresca bem picada, cebola. Você joga o peixe no tempero, com cubos de gelo, depois tira os cubos pra não deixar aguado, os cubos são só pra gelar, fica mais gostoso. Também já experimentamos com um pouco de leite de coco, fica bom, com gengibre também, ou com pedaços de caju também é uma delícia.

– Salmão grelhado. Se quiser fazer, recomendo um molhinho que cria um ótimo contraste: azeitona preta e anchova picadas, aquece um pouco numa panela com azeite, depois acrescente tomate picado bem pequeno, só aqueça o tomate, tire do fogo, tempere com vinagre (algum vinagre bom, não esses de lavar salada). Não precisa colocar óleo na panela, o salmão já solta muito. E não costumo por sal.

– Sashimi: a gente simplesmente compra uma bandeja de filé de salmão no supermercado, e em casa tira a pele e tenta cortar em formatos semelhantes a o que o sushiman faz. Temos shoyu e wassabi. Quando compramos o salmão em geral a parte mais grossa vira sashimi, e o resto do pedaço cortamos e grelhamos.

Mais receitas com peixes, camarões, polvo: http://claudiakomesu.club/pratos-faceis-com-peixes-e-frutos-do-mar/

 

Frango

Acreditamos que os hormônios dos frangos não fazem bem pra pessoas, então compramos o da Korin.

– o mais fácil é pegar filé de peito, picar em cubos médios-pequenos, temperar a seu gosto (a gente gosta com curry), e tostar em fogo alto numa frigideira com um pouco de azeite.

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Você pode fazer o mesmo com frango, ou porco, ou carne bovina

– você também pode temperar a seu gosto e cortar no estilo de filé, bifinhos, e tostar assim.

– Com coxa e sobrecoxa fazemos cozido na panela com legumes. Frita a cebola, o tomate, o alho, tosta o frango dos dois lados (se veio com pele, tire a pele, é fácil arrancar com a mão), acrescenta um pouco de água e deixa um tempo cozinhando. Deixa cozinhando até ficar bem macio, é só ir testando com o garfo. Se você tiver pequi em vidro, pode acrescentar durante o cozimento, fica ótimo. Com pedaços de gengibre também fica muito bom. No final, pode escolher colocar salsinha ou coentro se você gostar. As duas ervas são congeláveis.

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– frango assado inteiro: pode parecer estranho, mas dá muito certo. Você compra o frango inteiro, tira o saquinho que vem dentro dele com os miúdos, lava, deixa escorrer um pouco a água. Enfia naquela cavidade do frango uma colher de manteiga, uma colher rasa de sal, uma cebola inteira média, sem casca. Amarra as perninhas do frango, de forma que o buraco da cavidade fique menos exposto, e deixa assando por quase 2h em fogo médio, até ficar bem tostado.

Sem aquele plástico de assar fica com a pele crocante, mas faz uma sujeira enorme no forno, então eu me rendi e costumo usar aquele plástico de assar.

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Os assados como o frango, as costelinhas, o cordeiro levam mais tempo, mas pra mim estão na categoria dos fáceis, porque levam 10 minutos ou menos pra enfiar no forno, e daí você pode sair da cozinha e ir fazer outras coisas.

 

Cordeiro

Infelizmente em São Paulo está cada vez mais caro. Sei que no Sul é mais fácil encontrar cordeiro a preços melhores. As costeletinhas de cordeiro são ótimas, mas pra comprar em São Paulo geralmente é doído. O pernil de cordeiro está na faixa de uns R$ 70, mas como serve umas 4 pessoas vale a pena. Seguimos uma receita da Wessel: você pega o pernil, faz furinhos nele pra enfiar lascas de alho, pedacinhos de anchova, rega com um pouco de óleo e tomilho seco, depois leva pro forno (que você já tinha deixado ligado), durante uns 15 minutos você rega um pouco mais com esse óleo e tomilho, rega umas 3 vezes nesse tempo. Daí tira do forno, joga sal, vira, e fica mais uns 20 minutos em fogo médio. Polenta ou cuscuz são os acompanhamentos.

 

Sopas

Nossa favorita, que a gente mais faz, é de carne bovina com cebola, cenoura, tomate, alho e pouca batata. Gostamos dela com curry, mas às vezes fazemos sem curry porque o Daniel não curte tanto.

Há muitas receitas de sopa, e geralmente elas são congeláveis. Vale a pena fazer quantidades grandes, guardar congelada, e assim você sempre terá um jantar saudável, que pode ser incrementado com um queijinho e um pouco de pão.

Atualização sobre sopas – ago/2016

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Em julho de 2016 fomos pra Romênia e viciamos na chorba. Há receitas infinitas, mas basicamente ela terá legumes, alguma carne (de boi, ou de porco, ou carneiro, ou frango, ou peixe), e será azedada no final com limão, ou vinagre, ou um pozinho da caldo Knorr.

Depois que voltamos já fizemos 3 vezes. A receita básica é:

  • cebola, cenoura e pimentão vermelho cortados pequenos e refogados. Você pode incluir salsão, tomate, vagem, o que você quiser. A gente só fez a versão cebola-cenoura-pimentão e esse trio mais salsão. Refoga um pouco depois acrescente água pra deixar cozinhando.
  • Quando os legumes começarem a amolecer, você joga pequenas bolinhas de carne moída, as perisoare. É carne moída crua, misturada com arroz cru. Opcional colocar cebola bem picada e cebolinha nessa mistura.
  • Uma variação é a sopa com costelinhas de porco e as bolinhas de carne moída, ou então só com costelinhas de porco. Colocamos as costelinhas logo depois de refogar os legumes, junto com a água. Mas depois de mais de uma hora de cozimento, as costelinhas ainda estavam duras. Tirei-as, pus na pressão por uns 20 minutos, pra elas amolecerem, depois voltei pra sopa. Deixei mais uns 20 e coloquei um pouco de arroz pra cozinhar com a sopa.
  • Na hora de comer, as costelinhas estavam bem macias. Tiramos a carne num prato à parte, colocamos o limão na hora de comer, salsinha, e uma colherada de coalhada ou iogurte natural sem açúcar.
  • Numa das vezes testamos uma receita com páprica. Interessante, mas achamos que a páprica fica muito pronunciada, preferimos sem. Numa das vezes estávamos sem limão, azedamos com vinagre. Funciona, mas com limão é melhor. A não ser que seja peixe, se for chorba (ou ciorba) de peixe, eles recomendam azedar com vinagre.

É muito comfort food e seria bastante light, se não fossem pelos pães, queijos e vinho que acompanharam a sopa.

 

Massas

– Penne ou espaguete com molho de linguiça, tomate, ervilhas. Penne sempre bem durinho. O Barilla a gente costuma cozinhar 2 minutos a menos do que a caixa dizer ser ao dente. No molho de tomate e linguiça colocamos um pouco de pinga e tomilho. Às vezes um pouco de feijão branco – pode parecer estranho, mas fica bom, invenção do Cris. Lembre que tem que ser a ervilha congelada, não a em lata. Servimos a massa e o molho separados, montamos o prato na hora, acrescentamos parmesão também ralado na hora. Não use molhos prontos baratos. Faça seu próprio molho com tomates bem maduros, ou então use aquelas passatas (aqueles vidros de polpa de tomate), e você cozinha com cebola e alho.

– Penne ou espaguete com legumes e alguma carne picada pequena. Vagens picadas na transversal. Cebola. Tomate em cubinhos. Se quiser, alguns palitos de cenoura finos e pequenos, mas não é essencial. Tudo tostado no azeite. Os cubinhos de carne podem ser algo que você tinha pronto no congelador, ou se você fez na hora, use a mesma frigideira que você tostou a carne pra tostar os legumes, dá mais sabor. Os cubinhos de carne podem ser de carne, ou de porco, ou de frango, ou de cordeiro. O tal tempero de mostarda, alho e molho inglês combina bem com esse prato.

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– espaguete à carbonara. Nossa versão é cubinhos de bacon bem pequenos, com a gordura escorrida. Duas gemas de ovo (só a gema, sem as claras), misturadas com um pouco de algum queijo forte, como pecorino ou parmesão ralado na hora. Deixe o espaguete um pouco mais duro do que ao dente, porque você ainda vai mexer um pouco ele na panela quente. Escorremos a água do espaguete, na mesma panela acrescentamos o bacon e depois a gema com o queijo aos poucos, sempre mexendo. Na mesa, você deixa mais queijo pras pessoas se servirem. Também fica uma delícia com um pouco de azeite trufado. O Tartufólio da Colavita, trufas brancas, na faixa de R$ 40 e pouco está muito bom. O azeite trufado também combina muito com ovos ou qualquer massa que não tenha molhos fortes. O Spadaccino (restaurante na Vila Madalena) tem um prato que é um ravióli grande, recheado com uma gema de ovo, e um intenso sabor de trufas. Uma delícia.

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Pra calcular quantidades: a medida é cerca de 100 gramas por pessoa. Se tem pouco molho, como no carbonara, e o carbonara é o único prato, colocamos um pouco mais.

 

Acompanhamentos

Antes de falar dos acompanhamentos, queria dizer que a gente gosta de pratos com contrastes. Carne de panela bem temperada acompanhada de polenta suave. Costelinha de porco acompanhada de purê de maçã. O tal salmão grelhado contrastando com um molhinho ácido. Tinha um restaurante bem falado, mas apesar da comida bem feita eu não gostava porque eles faziam coisas como barriga de porco em molho adocicado, acompanhada de purê de castanhas. Sem contraste, sem graça.

Também costumamos jantar pratos que num restaurante seriam só uma entrada, como a polenta com carne, o cuscuz, o steak tartare.

– Os clássicos arroz e feijão. Os dois são congeláveis. Em geral minha empregada faz arroz branco, que vai durar uns 3 dias, e o feijão a gente vai tirando de potes pequenos do congelador quando queremos comer feijão.

– Legumes tostados: vagem, quiabo, fatias finas de berinjela, fatias finas de cenoura, pimentão, pimenta doce: vai testando. Tostados na frigideira com um pouco de azeite e sal. Ótimo acompanhamentos pra qualquer carne.

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– Cuscuz marroquino. Muito fácil de fazer: a mesma medida de água e de cuscuz. Você ferve a água com um pouco de azeite e sal ou um pedacinho de cubinho de carne. Quando a água ferver, você desliga, e vai jogando o cuscuz devagar e mexendo. Deixa tampado uns 3 minutos. Depois com uma colher de pau você dá uma aerada pra deixar ele soltinho. Opcional é voltar pro fogo com um pouco de manteiga, em geral a gente não faz. Colocamos ervilhas e às vezes amêndoas também.

Comemos o cuscuz como acompanhamento de cordeiro, ou de frango, ou também comemos só o cuscuz turbinado com pedaços de carne.

– Ervilhas congeladas da Boundelle. Por muito tempo eu só conhecia as ervilhas em lata, e achava que não gostava de ervilhas. Depois que comi as congeladas, minha opinião mudou. Elas têm uma cor, textura e sabor muito melhor do que as em lata. Ferva a água, jogue as ervilhas, deixe uns 2 a 3 minutos, vá provando. Se for da safra boa, elas farão um ploc na sua boca. Escorra, coloque azeite e um pouco de sal.

– Cenoura: pique em palitos finos. Esprema bastante limão, um pouco de água, um pouco de sal, deixe uns minutos no congelador. Viram cenouras crocantes deliciosas.

– Outro que fica mais crocante em água gelada é a cebola. Quando fazemos ceviche deixamos as fatias de cebola uns minutos numa tigela com gelo.

– Rabanetes: se você pega os bons, eles são bem crocantes (naturalmente, sem precisar de nada), e alguns um pouco ardidos. A gente só lava, corta ao meio ou em quatro, e joga um pouquinho de sal.

– Pimentões temperados com alho, pimenta do reino e vinagre. Você pode levar ao forno ou colocar direto na chama do fogão. No forno ele só murcha, no fogo a casca fica pretinha. Depois de tirar do forno ou do fogo coloque dentro de alguma embalagem fechada e deixe uns minutos: fica mais fácil pra tirar a casca. Tire casca e sementes, fatie, tempere com alho cru fatiado fino, grãos de pimenta do reino, vinagre e sal. Bom acompanhamento pra carnes diversas.

– Abóbora japonesa: comprada daqueles pacotes a vácuo, já picada. Com cebola, alho e sal. Se estiver com pressa, cozinhe antes uns minutos no microondas, depois você leva pra panela com a cebola e alhos tostados.

– Polenta. Outra beleza de facilidade. Ferva a água com sal, depois vai colocando a polenta devagar, e mexendo sempre. Ela vai borbulhar e espirrar, é bom ter uma colher de pau comprida, mas em poucos minutos você pode desligar. A caixinha dá uma proporção de água e polenta que não serve pra gente, gostamos dela bem mais mole, então é uma medida meio no olho. Uma polenta bem quentinha, com um bom parmesão ralado em cima, ou cubinhos de queijo misturados, e acompanhada de alguma carne, é bem comfort food.

– Brócolis. Dizem ser um dos vegetais mais completos. Brócolis, couve, espinafre, tudo que for verde escuro, dê preferência. Gostamos do brócolis bem durinho. Cozinhamos no vapor, vai furando com o garfo pra testar, tira da panela, o certo seria jogar numa bacia com água e gelo, mas confesso que só passo na água da torneira. É pra interromper o processo de cozimento. Comemos com azeite e sal, ou às vezes fatio e tosto com um pouco de azeite e alho. Se você pretende tostar um pouco com alho e azeite, cozinhe por menos tempo no vapor.

– Couve: picada no jeito tradicional, com alho.

– Batata inglesa ou batata doce. Ambas você pode cozinhar na água ou no micro-ondas, até ficarem macias (fure com um garfo pra saber), depois você tosta numa frigideira com um pouco de azeite e uma ervinha como alecrim ou tomilho, até ficarem bem coradas de cada lado. Não as descasco: só lavo com a bucha, e pico em rodelas médias, com casca e tudo.

Na Espanha conhecemos a patatera: uma batata com páprica e gordura de porco preto, uma delícia. Na internet achamos umas receitas com 40% de gordura de porco (não me admira que a gente passasse mal vários dias). No Brasil fizemos uma receita adaptada: descascamos a batata inglesa, cozinhamos no microondas até ficar macia, depois picamos em pedaços pequenos. Numa frigideira aquecemos um pouco de alho esmagado, depois colocamos a batata regada com azeite, mais páprica agridoce e um pouco da picante, tostamos um pouco e amassamos com o garfo. Temos um negócio chamado lardo, que é a gordura de porco maturada. Picamos pedacinhos pequenos e acrescentamos no final, um pouco antes de desligar. Ótimo acompanhamento pra polvo ou carnes.

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Tortilha: Nossa receita é duas batatas médias cozidas no microonadas até ficarem macias, tira, fatia, tosta no azeite. Depois coloca numa tigela, amassa um pouco com a colher de pau, e acrescente 4 ou 5 ovos batidos, dependendo da sua frigideira. A gente tem uma omeleteira, é ótimo. Esse é o básico da tortilha. Antes de fritar você pode acrescentar pedacinhos de queijo, ou de linguiça, ou cebola frita. Tem várias receitas na internet. Uma vez o Cris quis experimentar uma que fazia pra cozinhar as batatas em um montão de azeite, em vez de dourar com um pouco de azeite, mas achamos que não vale a pena. Várias receitas tradicionais de outros países recomendam doses enormes ou de óleo, ou azeite, ou manteiga. A gente sempre diminui e acha que fica melhor.

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– Farofa. Há vários tipos, mas uma das nossas favoritas, em especial pela praticidade, é a de Mandioca Deusa que você coloca numa panela pequena e fica mexendo até ela ficar bem tostada. Coloque um pouco de sal. No caso de acompanhamento do peixe, colocamos um pouco de óleo de dendê, mas não é essencial. Quando é acompanhamento da carne, às vezes colocamos um pedacinho de manteiga, e fazemos um vinagrete simples de tomate e cebola picados pequenos e temperados com vinagre pra acompanhar a carne. Também fazemos farofa com ovo cozido e azeitonas.

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– Grão de bico. Tem várias receitas na internet. Cozido na panela de pressão, entre 15 e 20 minutos. Da última vez deixei de molho de um dia pro outro, e 20 minutos na pressão, mas achei que passou do ponto, ficou mole demais, a gente gosta dos grãos mais firmes. Servem como acompanhamento pra alguma carne, só com sal e azeite, ou podem ser com tomate, cebola, salsa ou coentro. E também combinam com alguma carne de sabor mais forte, como a carne de panela ou linguiça. Você também pode fazer um homus simplório batendo o grão de bico (cozido, molinho) no liquidificador com um pouco de água, um pouco de alho, azeite, sal e limão. E tahine se você tiver, mas eu já fiz sem e não fica mal.

– dizem que o grão de bico de lata da Boundelle também é bom e super prático.

– Tabule: trigo para quibe não faz parte dos pós brancos, está na categoria de alimentos desejáveis. É muito fácil fazer tabule. Aqueça água, deixe o trigo de molho uns 20 minutos, escorra bem, de preferência com ajuda de um guardanapo de pano. E depois acrescente a cebola, tomate, salsinha, hortelã, sal, azeite, pepino. (Eu já fiz o simplório, de quem não tem salsinha e hortelã e esqueceu do pepino. Também fica bom).

– Guacamole: ótimo com o ceviche. Exige avocados bem maduros, em geral raros de achar, eu compro e tenho que esperar uma ou duas semanas eles amadurecerem, daí providencio o peixe pro ceviche. Pra guacamole basta misturar o avocado com um pouco de limão, coentro, sal, cebola, pimenta.

– Um prato romeno, pra quem gosta de feijão e alho: o feijão branco, caixinha pequena tetrapak da Camil. Abre, lava, escorre, tempera com azeite, alho cru amassado, sal. Fica muito bom com carnes bovinas.

 

Não jogue comida fora

Guarde restinhos, ressuscite comidas, seja criativo. A maioria das carnes que você já comeu numa refeição pode ser picada em pedaços pequenos e virar ingrediente de um delicioso molho de tomate para massas ou polenta. Fazemos isso com boi, frango, cordeiro, salmão.

Você também pode tostar cebola, vagem, tomate, brócolis e acrescentar os pedacinhos de carne. Pra ser um macarrão, ou pra acompanhar um cuscuz ou arroz.

Você pode ter só os restinhos da carne e não querer fazer nada, só esquentar, e compor com outros restinhos (como grão de bico), a cenoura crocante, salada.

A maioria das comidas que precisa ser ressuscitada revive muito bem numa frigideira com um pouco de azeite e às vezes algum tempero. Outro dia ressuscitamos uma polenta mole que estava há 2 dias na geladeira. Em vez de ir pro lixo, ela foi pra frigideira com um pouquinho de azeite, ganhou uma casquinha crocante e ficou uma delícia.

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Tostar algo numa frigideira com um pouco de azeite renova qualquer coisa. Esse é meu pão integral com queijo branco (quase já totalmente comido, só lembrei que precisava fotografar no fim), tostado com um pouco de azeite. Assim nem parece queijo branco.

 

Outra dica da reeducação alimentar: não coma até ficar satisfeita, pare antes. Se a gente engordou, estamos comendo mais do que precisamos e provavelmente o estômato está dilatado. Vá se acostumando a comer quantidades menores.

Lembre que as sobremesas são totalmente dispensáveis, que comer doce é um vício químico. Se terminou o jantar e ainda está inquieto, vai comer uma fruta, ou faça um chá gostoso, de preferência sem açúcar ou adoçante, saia da mesa.

 

Cuide principalmente das suas refeições noturnas, elas são o que mais influencia na balança.

Não caia na armadilha do pão com presunto, pão com salame. Muita gente faz um lanchinho à noite se sentindo comendo algo leve, mas é bem calórico. Coma um omelete, ou uma carne com legumes, ou uma sopa, uma saladona.

Tente não chegar ao ponto de ficar morrendo de fome, crie o hábito de comer alguma coisa entre as refeições, mas algo saudável, como uma fruta, um cereal, um pouquinho de castanhas, um iogurte. Se você vai pro jantar morrendo de fome a chance da esbórnia é bem maior, além de fazer mal pro seu metabolismo.

 

No próximo post falo sobre as refeições tipo boteco,  brunch ou piquenique. Mas vai demorar… saio de férias hoje e devo ficar offline até o final do mês, a não ser que me sobre muito tempo na viagem, ou que aconteça algo que me obrigue a blogar.

Mais informações sobre pratos com frutos do mar neste post: http://claudiakomesu.club/pratos-faceis-com-peixes-e-frutos-do-mar/

Reeducação alimentar – pra emagrecer de verdade e viver mais – parte 1/3

“80, 90% do resultado é o que você come, não a quantidade de exercícios que você faz”.

Declaração de um dono de academia de NY.

Não vale dizer que você não tem tempo pra fazer exercícios, não é isso que conta. Os exercícios ajudam muito a ter mais disposição, são essenciais pra saúde e qualidade de vida e, é claro, também ajudam a queimar gordura e delinear o corpo.

Mas fora alguns casos mais complicados, no geral ser gordo ou magro depende só de você: das suas escolhas todos os dias.

Já escrevi sobre isso neste post, mas deu vontade de escrever de novo, desenvolvendo alguns temas.

Algumas pessoas não ligam muito pras refeições. Eu sou o tipo de gente que se passa uns dias comendo coisas mal feitas ou sem graça, vou ficando triste. Este é um post pra quem gosta de comer, e tem que equilibrar o gosto pela comida com as questões de saúde, e balança e espelho.

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Suas escolhas do que você põe na boca repercutem em tudo (Tinha que escrever uma frase como esta). Carnes magras, frutas, verduras, legumes, cereais, grãos – essas coisas transparecem na pele, no cabelo, na sua disposição, na sua saúde. Refrigerantes, doces, enlatados, frituras, embutidos, sanduíches, ah – álcool – também.

Quem come pouca comida industrializada ou processada, pouco doce-álcool-frituras-gorduras é mais saudável e geralmente mais magro do que os reles mortais. E quanto mais você se alimentar das comidas naturais, melhor pra você. Eu sei disso, todo mundo sabe disso, mas talvez você pense como eu pensava. Eu achava que no dia que eu precisasse ir pro mundo das carnes magras e legumes no vapor entraria em depressão.

Quatro anos atrás não passei no exame de triglicérides e tive que mudar meus hábitos alimentares. Emagreci 11kg em 2 anos. Não fiz dieta nem exercícios, só mudei meus hábitos.  Meu menor peso foi 63kg em meados de 2014, quando comecei a ficar com o rosto encovado. O Cris disse que eu estava ficando com cara de gente que passa fome. Relaxei na alimentação, concordei que 63 ou 60 era demais pra mim. Passei um bom tempo no 65-66 e hoje estou no 68, graças a uma esbórnia no mês passado, em que a gente compensou a ausência de viagens com muitas idas a restaurantes, algo que ferrou nosso orçamento mensal e nosso peso.

No ano passado entrei pra uma academia, parei em março. No final de maio comecei o treinamento funcional e apesar de morrer em várias aulas estou achando muito bom. Medi hoje e descobri que estou com a mesma cintura e com 4cm a menos de quadril do que quando eu pesava 63kg. Pesar mais mas diminuir medidas é mérito dos exercícios físicos.

 

Queria compartilhar alguns hábitos, escolhas, pratos que tornam possível se divertir muito com as refeições, e ainda emagrecer e passar nos check ups anuais. Não é o mais saudável ou mais light, e sim o que a tem funcionado pra gente. Quanto mais você se aproximar da alimentação natural e menos dos industrializados, e menos álcool, melhor pra sua saúde e silhueta. Faça check ups anuais, se possível tenha acompanhamento de um nutricionista, e assim você vai descobrindo o que é melhor pra você.

Neste post vou falar principalmente dos alimentos que você precisa tirar da rotina. Num outro post sobre refeições práticas e gostosas pra preparar em casa. E também sobre as deliciosas e não tão light, que nos trazem lembranças das viagens pra outros países, e que é bom pra fazer de vez em quando.

 

Tire os pós brancos da rotina

1 – Açúcar

Tem gente que não gosta de doce, e a vida dessas pessoas é mais fácil neste quesito. Não é o meu caso. Adoro doces e tudo que engorda. Cresci numa família em que rotineiramente tinha bolo recheado, pudim, rocambole, tortas, coxinhas, esfihas, pão-de-queijo, pão-caseiro, bolo salgado, pastel, bolinho-de-chuva, rosquinha-de-São-João, biscoitos caseiros. Não era só em dia de festa. Minha casa era frequentada por muita gente, e minha vó e minha mãe preparavam quitutes pras visitas. Sempre tinha refrigerante e sorvete. Meu pai levava a gente ao mercado e podíamos escolher aqueles doces e salgados vendidos à granel. A família do meu pai tinha um bar e às vezes ele chegava em casa com esfihas, croquetes, lanches. Meu pai trabalhava em São Paulo e chegava no fim de semana com o pão de semolina do Frango Assado, e uma bandeja com vários doces de padaria.

Uma infância feliz e com muito comfort food. Mas que depois de adulto, se você mantém os mesmos hábitos vai engordando.

Adoro os bolos e tortas do Amor aos Pedaços. Adoro as sobremesas dos restaurantes. Mas depois de ter ganhado o cartão vermelho no triglicérides passei pela fase de desintoxicação alimentar dos doces.  Como doces de vez em quando, mas:

– não sinto mais aquela vontade louca de precisar comer algo doce.

– na minha casa tem poucos doces, principalmente os deliciosos. Não faço pratos doces, exceto brigadeiro pro Daniel bem de vez em quando. “Por que você não cozinha doces gostosos, já que você gosta tanto?”, “Porque não sou trouxa. Tenho tendência a engordar e já tive problemas com triglicérides. Não posso jogar contra mim”.

– às vezes como sobremesas. Em fases de esbórnia, como no mês passado, sou capaz de comer sempre, e isso engorda muito. Mas no geral evito as sobremesas, mesmo que esteja com vontade de comer algo doce. Até leio a descrição das sobremesas, o Cris pergunta se eu quero algo, sorrio, minto, digo “não, só a conta”. Chego em casa e tomo um chá (sem açúcar), quentinho e aromático. E logo a vontade passa.

– Temos Hershey’s 60% de Cacau, barrinhas de cereal, frutas, às vezes tem paçoca, sobremesas lácteas, gelatina. Mas são coisas pra comer de vez em quando. Uma paçoca. Dois quadradinhos de chocolate. Um flan. Uma barrinha. E não todos os dias.

Açúcar causa dependência química. Se você estiver morrendo de vontade de comer doce, não coma. Trate como se fosse desintoxicação mesmo, leve a sério e com orgulho. Volte a comer doce só quando você puder comer com moderação, sem fissura, sem glutonice. E se conseguir não comer, melhor ainda. Açúcar só faz mal.

 

2 – Farinha

Farinha engorda. Espero que você não pare de comer tudo que tem glúten, porque dizem que isso aumenta muito suas chances de desenvolver intolerância a glúten, o que pode tornar sua vida um inferno. Conheci uma moça que desenvolveu intolerância a glúten e tudo fazia mal. Ela emagreceu muito, mas de um jeito ruim e a um preço bem alto. Cuide-se pra não desenvolver intolerância.

Adoramos pães. Pão quente com manteiga, uma das melhores coisas que existe. Adoramos pizza, massas, esfihas, pães indianos, pães árabes, pães artesanais.  Quantas coisas deliciosas. Mas a gente come pouco na rotina. Uma fatia de pão integral no café da manhã. Um jantar que precisa de um carboidrato, um pouco de pão pro couvert. Fazemos massas de vez em quando,  4 vezes no mês, em geral um penne ou um espaguete com molhos simples.

As exceções: quando decidimos fazer brunch, ou uma refeição tipo boteco, ou quando vamos almoçar ou jantar num árabe. Tem um árabe ótimo perto de casa, mas não sei ir lá e não pedir aquelas esfihas que eles assam na hora, os pães feitos na hora. É muito bom. Mas me engorda 1kg. Não é figurativo. Eu me peso todos os dias e sei o que ferra a rotina.

Batata não é farinha, mas engorda como farinha. Não pense na batata como um legume, e sim como um dos alimentos pra comer com moderação.

 

3 – Diminua o sal

Diminui sua chance de ter problemas com pressão alta. Diminui retenção de líquidos. Em pouco tempo seu paladar fica mais apurado, você passa a sentir mais o sabor dos alimentos.

 

4 – Cocaína

Não tenho experiências com cocaína, mas como estava falando de pós brancos, não podia deixar de mencionar :). É só uma citação infame. A relação com a cocaína é que dizem que açúcar e farinha são tão viciantes quanto. Pós brancos capazes de escravizar as pessoas.

 

5 – Quanto menos frituras, melhor

 

6 – Essa é doída de dizer, mas álcool só faz bem se você for do tipo que consegue tomar só um cálice de vinho tinto. Eu nunca consigo, é sempre meia garrafa. Vinho, cerveja, pinga, vodka, uísque. São coisas que seria melhor não consumir, mas eu gosto muito. Elas engordam, mas decidi que enquanto eu continuar passando nos exames de sangue, aceito ser mais gorda pra poder continuar bebendo.

 

Coma gostoso sempre

Sabe as descrições de cardápio de dietas, com queijo branco, gotas de azeite, carnes magras, legumes cozidos no vapor? Você pode chegar lá, mas eu não faria isso de uma vez.

Se você segue o cardápio da dieta com rigor, você emagrece rápido, mas é difícil seguir por muito tempo e quando você volta à rotina engorda rápido.

Por isso sou contra dietas. Acho que o certo é fazer reeducação alimentar. Cortar açúcar, farinha, frituras (queria dizer álcool, mas não consigo), menos industrializados.

Faça adaptações no cardápio pra que a comida fique gostosa, saborosa, mesmo que seja mais calórica. Tempere com mais azeite. Acrescente queijos, mesmo que não seja o branco. Use salsinha, coentro, gengibre, curry, mostarda, páprica, temperos pra dar sabor pra comida, pra que você se sinta comendo algo gostoso e não vá caindo pra depressão. Troque itens. Que tal em vez de salada com frango grelhado, uma bisteca de porco (sem a gordura), com a salada? Pra não enjoar rápido, pra não se sentir sofrendo o tempo todo.

É mais saudável e menos calórico comer legumes no vapor. A gente raramente faz. Em geral nossos legumes são tostados na frigideira com um fio de azeite e uns pedacinhos de alho.

Nas refeições do dia a dia foque em legumes, salada, carnes. Evite massa, tortas, bolinhos.

Durante um tempo, pra manter o pique, quando for sair com seus amigos não vá pro boteco com fome. Coma em casa, ou leve uma marmita saudável pro trabalho e coma antes de ir. Assim fica mais fácil não cair na esbórnia.

Faça acordos com você, com datas. Algo como: “nas duas próximas semanas não vou comer nenhum doce”. E não coma. E quando chegar o dia em que a promessa acabou, tente não ir pra esbórnia, e se possível  começar um novo acordo “sem frituras pelas próximas duas semanas”, e você vai se acostumando.

 

Jogue a seu favor

– compre uma balança e se pese todos os dias, inclusive no dia seguinte a algum jantar em que você quebrou todos os acordos. Ver um número alto na balança, e o desgosto disso, te dão força pra fazer as coisas direito da próxima vez. Você vai condicionando sua cabeça à ideia de que toda ação tem consequências.

– não tenha em mãos coisas industrializadas e engordativas. Faça compras pra ter frutas, cereais, queijos saudáveis.

– não deixe família, namorado, amigos te sabotarem. Se alguém ficar te enchendo pra comer tal coisa, fale sério com a pessoa “eu estou tentando mudar meus hábitos alimentares pra viver mais. É muito difícil mudar hábitos, e eu sinto muita falta de todas essas comidas que você quer que eu coma, mas sei que não fazem bem pra mim nem pra ninguém. Será que você pode não me atrapalhar?”

Vale a pena ter lava-louças

Vivi anos sem lava-louças. Porque via as pessoas lavando a louça antes de colocar na lava-louça. E também perguntava pra quem usavam, teve uma que me falou que a máquina era  boa, mas que não tirava mancha de café da xícara, por exemplo.

As propagandas também não ajudavam. Lembram da propaganda, da Brastemp, acho? Que mostrava alguém escalando um prédio, e a vovozinha perguntando “por que vocês não usam o elevador?”.

Se eu visse uma propaganda com o que eu vou mostrar neste post, teria comprado há muito mais tempo.

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Este foi um jantar que o Cris fez sozinho, enquanto eu jogava com o Daniel (acho que foi na fase do Minecraft Pokemon). Um delicioso ossobuco com polenta, e porção extra de tutano:

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Bonito, não? E estava delicioso, o Cris é um excelente cozinheiro, muito mais caprichoso do que eu.

Só não foi bonito na hora que eu entrei na cozinha. Parecia zona de guerra. Em geral as mulheres vão cozinhando ao mesmo tempo que vão guardando e arrumando as coisas. Parece que é comum (porque já ouvi outras histórias) os homens não conseguirem fazer isso. Problema de processador? Falta de costume de lavar louça? Não querem perder o foco? Talvez tudo junto. Só sei que se o Cris cozinha sozinho, o resultado vai ser este.

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A primeira foto da cozinha foi 00:48 (jantamos tarde, lá pelas 22h, jogamos mais, depois resolvi encarar a cozinha antes de ir dormir).

00:59 eu tinha conseguido colocar a maioria das coisas que cabiam no lava-louças, e a pia já estava assim:

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Raspei os restos de comida, mas os pratos foram sujos de molho:vale-a-pena-ter-lava-louças_05 vale-a-pena-ter-lava-louças_07 vale-a-pena-ter-lava-louças_08

Tinha várias panelas, inclusive aquelas que você precisa ficar esfregando, e o fogão também estava bem sujo. Por isso a gloriosa foto de pia decente só foi à 1:31. Ou seja, foi meia hora lavando panelas e limpando o fogão. Sem a lava-louças, seria pelo menos mais 40 minutos lavando pratos, copos, taças, talheres.

Se tem poucas panelas e se não é preciso limpar o fogão, em geral são de 5 a 10 minutos pra colocar a louça dentro da máquina, e mais uns 5 ou 10 pra lavar as panelas ou tigelas ou grandes.vale-a-pena-ter-lava-louças_09

A louça sai bem limpa. Minha lavadora tem vários programas. O chamado Dia a dia demora 2h40, porque lava duas vezes e depois tem um tempo longo de secagem. Só o uso quando a louça está bem suja. Em geral uso o programa de 0h30 ou o de 1h.vale-a-pena-ter-lava-louças_10 vale-a-pena-ter-lava-louças_11 vale-a-pena-ter-lava-louças_12 vale-a-pena-ter-lava-louças_13 vale-a-pena-ter-lava-louças_14

(O Daniel não tomou vinho, aqui tinha louça de mais de uma refeição)vale-a-pena-ter-lava-louças_15

Minha lava-louças é uma Brastemp Active 12 serviços e não sei mais viver sem ela. Quando estávamos procurando outro apartamento (não vou mais mudar. Outra história rocambolesca cinematográfica), um dos critérios era cozinha em que coubesse uma lava-louças grande.

“Podemos trocar por uma lava-louças menor, fazemos duas levas”.

“Não. Não aceito”. (Não é o Cris que arruma a cozinha, por isso a frase sem noção).

Gostamos de cozinhar e não é só uma questão de pratos e copos, tem as panelas, tampas de panelas, tigelas — coisas que não cabem numa lava-louças pequena. Em geral somos só duas pessoas, às vezes três, mas por causa das peças grandes sempre loto minha máquina.

Às vezes você abre a tampa e tem louça suja. Acho que isso acontece quando não raspo direito os restos de alimento, e algum pedacinho entope um canal de água. Pelo menos comigo foi temporário, na lavagem seguinte, ou duas depois, já estava boa de novo.

Teoricamente você tem que tirar as pás e o ralinho e lavar na pia todas as vezes que você usa. Mas confesso que não faço isso e não aconteceu nada.

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Com a fortuna que tem sido a conta do restaurante, vale muito a pena comer mais em casa. E nada de delivery: é uma delícia fazer comidas boas. Cozinhe ao som de músicas favoritas, sirva em louça bonita, toalha de mesa bonita, dependendo da ocasião você diminui a iluminação e coloca uma velinha tipo bistrot, boas cervejas ou bons vinhos e tcharam, mais divertido do que comer em restaurante.

Sem fila, sem ter que ouvir conversas idiotas da mesa ao lado, sem gente perfumada empesteando o lugar, sem precisar brigar pela atenção do garçom, sem depressão na hora de ver a conta, sem precisar dirigir pra casa ou ter que pegar um Uber.

Nos próximos posts vou valar de pratos favoritos e bem fáceis de fazer. Tanto aqueles que você fica 5 ou 10 minutos na cozinha e daí coloca algo no forno, que você só vai precisar tirar dali a x tempo, ou de refeições que você prepara em menos de meia hora.

Goya, nosso atual favorito na Vila Madalena

 

[Escrevi ontem, estava esperando o Cris chegar pra checar uns valores, fomos atropelados por outros assuntos, mas vou postar assim mesmo porque vale a indicação de lugar]

Na Wisard, 88, onde ficava o finado Rothko, nosso favorito de hamburguers na Vila Madalena. É o mesmo dono, mas decidiram excluir os ótimos hambúrgueres e investir num cardápio de pratos pequenos, que eles chamam de bocados. Como se fossem umas tapas um pouco maiores, com preços entre R$ 19 a uns 46… mas na média, entre 25 e 27.

Hoje foi a primeira vez que fomos almoçar lá, e eu adorei. Já tínhamos ido jantar umas duas ou três vezes. Gostamos, mas com algumas ressalvas, alguns pratos melhores do que outros. Mas o prato do dia hoje estava excelente: alheira com um vinagrete de tomates-cereja, cebola roxa, azeitonas pretas, arroz, couve-manteiga no ponto, não-cozida demais, um ovo com gema bem mole, e uma batata ao murro deliciosa, que me vi obrigada a perguntar como foi feita.

Delicioso: alheira, batata ao murro, couve no ponto, ovo com gema mole
Delicioso: alheira, batata ao murro, couve no ponto, ovo com gema mole

Nosso simpático atendente – não era o garçom, acho que ele é um sócio ou o dono —  gente cabeluda, barbuda, de óculos, tatuados – como se fossem saídos de filmes americanos, ele veio trazer a conta, perguntar se estava tudo bem. Elogiei, e perguntei como eles conseguiam a casquinha crocante na batata ao murro. Ele disse que não sabia, e que era um segredo bem guardado… e que poderia perguntar ao chef, mas que teria que nos matar depois. Falei que tudo bem. O Cris disse algo sobre a gente ter que ir embora rápido, ele falou “mas você acha que é alguém daqui? Temos gente contratada lá fora”. Como é bom lidar com gente com senso de humor.

Nosso barbudo foi até à cozinha, e voltou com o próprio chef (um outro barbudo tatuado, de boné), que nos explicou como fazer: cozinhe a batata com casca na água, até ficar bem macia. Tire da água, dê uma amassada (o murro) regue com bastante azeite, um pouco de sal, um pouco de alho, e coloque no forno beeem quente. Preciso tentar fazer isso em casa, foi uma das melhores batatas que já comi. O prato inteiro estava muito bom, tudo combinando, e a batata era mesmo especial. Totalmente satisfatório.

Quando levantamos pra ir embora, o barbudo 1 nos falou algo sobre “vá pela esquina de cima, não a de baixo…”, mas daí eu não sabia se era a dica pra gente escapar dos assassinos, ou pra cair numa emboscada. De qualquer forma saímos distraídos, e fomos pra cima, porque em geral estacionamos o carro por lá, e de repente lembramos que tínhamos deixado o carro no estacionamento da Harmonia, e tivemos que fazer uma movimentação tola… típica de quem precisa despistar assassinos.

Os pratos estão sempre mudando, mas o que podemos dizer é: tudo é feito bem no capricho. Alguns pratos têm mais sabor do que outros, mas não dá pra negar que foram feitos com todo o carinho. Ou seja, tem que ir com tempo, não é linha de produção, imagino que o chef cuida pessoalmente de muita coisa.

Já comemos a abóbora assada com creme azedo – boa, mas como não somos vegetarianos, depois pensamos que o certo teria sido pedir em dupla com a barriga de porco (muito boa), aí sim faria uma ótima combinação. Pastel de rabada é muito bom, massa bem crocante. O bolinho de pequi é simpático, mas acho que eu queria um sabor mais intenso. Ovo perfeito muito bom, apesar de não ser o ovo perfeito mais bonito que já comi. Uma vez pegamos algo como uma fraldinha… mas não estava muito tchans. Frango com quiabo muito bom. Tábua de linguiças artesanais também bem boa. Eles têm ótimas cervejas. Da última vez pegamos várias Juan Caloto.

O ambiente é como você vê na foto: sensação de Estados Unidos, trilha sonora ótima, rock clássico, country, Nina Simone, mas tudo num volume agradável. O exaustor às vezes não é muito bom, e o cheiro de comida fica no saguão, mas não vejo problema. Eles têm um vitral lindo, com garças Art Decô, comprado num desses lugares que vende móveis de madeira de demolição.

As ressalvas negativas são:

– Não tem vallet. Se não conseguir estacionar na rua, tem que parar no estacionamento na Harmonia, aquele em frente ao Baccio di Latte.

– Eles não são bons em sobremesas. Já comemos o pudim (doce e denso demais), o papo-de-anjo (nada inspirador), os bolinhos de chuva (também sem nada pra entusiasmar). Na próxima vez que formos lá, provavelmente não pediremos sobremesa, e se precisarmos de doce, vamos pra Baccio.

– Os pratos demoram um pouco pra chegar. Nosso almoço levou 1h30. Mas vale a pena. Talvez hoje seja o restaurante da Vila Madalena que mais estamos botando fé.

Nunca está lotado, até queríamos que tivesse mais gente pra não ter risco de fecharem. É um lugar que vamos com a certeza de bom atendimento, simpatia, ótima trilha sonora, pratos executados com capricho e cardápio sempre com novidades.

Ps: não sei quanto era o prato do dia, mas nossa conta ficou em R$ 100 e pouco. Achei um bom valor considerando que além do prato do dia + saladinha, pedimos à parte entrada de bolinhos de arroz e pequi (R$ 16), duas sobremesas, água com gás e um ale de amora que custava R$ 7. Ficou uns R$ 50 e pouco por pessoa. Sem sobremesa e sem ale, menos de R$ 38.

http://www1.folha.uol.com.br/comida/2015/02/1588964-goya-aposta-em-minipratos-ao-estilo-espanhol-feitos-com-esmero.shtml

http://vejasp.abril.com.br/estabelecimento/goya/

Pizzarias de São Paulo: Leggera x Carlos. E a Braz está morta.

Na primeira coluna as imagens foram feitas na Carlos, nas outras duas, na Leggera. Repare que a iluminação da Leggera é melhor para fotos.

Pra quem concorda com a ideia de que o principal ingrediente de uma pizza é a massa. E que pizza cheia de cobertura é o fim da picada.

Alguns anos atrás a Officina da Pizza da Purpurina era nossa favorita. Uma massa bem crocante, e até mesmo sabores como pizza de taleggio. Mas decaiu.

Durante um tempo a Braz foi nossa favorita. Mas também caiu. Das últimas vezes em que fomos lá a massa estava bem sem graça.

Daí a Nathalia, que sempre está por dentro de novidades, nos falou da Carlos e da Leggera. Já fomos duas vezes na Leggera, e nesta semana ligamos pra Carlos, no meio da semana, umas 20h e pouco, e não estava com a fila de espera que costuma ter em fins de semana.

São duas pizzarias com conceitos parecidos. Farinha italiana, foco na massa, pizzas individuais com preços entre R$ 22 a uns R$ 37. Pouca cobertura. Ótimo molho de tomate, pouco queijo. Alguns sabores nem têm queijo, como a de calabresa e erva-doce, da Carlos, o que é ótimo pra gente como o Cris que tem intolerância à lactose.

Gostamos das duas, mas colocamos a Carlos em primeiro lugar:

– apesar da trilha sonora às vezes ser tosca, cafona, irritante,

– gostamos mais da massa. Imaginamos que a Leggera seja mais autêntica, mas gostamos da leve crocância da Carlos.

– a carta de vinhos da Carlos também é melhor.

– as sobremesas também são melhores. Na Leggera há descrições elaboradas pra bolinhos pré-fabricados parecidos demais, uma decepção.

– as berinjelas assadas da Leggera e da Carlos são muito boas. Talvez um pontinho a mais pra Carlos, que vem acompanhada de um pão quentinho com um leve toque de parmesão em cima. A berinjela da Leggera vem acompanhada de nacos da massa deles, mas não vem quente, é algo que já está pronto.

– Na primeira vez que fomos à Leggera pegamos também a entrada de antepasto, mas achamos que não valeu a pena.

Entradas na faixa entre R$ 25 e R$ 30.

Posso dizer que as duas são bem parecidas, e não fico chateada de comer na Leggera, evitando as sobremesas e a entrada de antepasto. Mas se a Carlos estiver sem fila, prefirimos.

A Carlos fica na Vila Madalena, Rua Harmonia 501 (3813-2017). A Leggera fica na Rua Diana 80 (3862-2581), bem perto do estádio do Palmeiras.

A Carlos parece estar bem mais popular do que a Leggera, o que é uma pena, porque a Leggera também tem muitos méritos.

Apesar de uma pizza individual ser algo barato como menos de R$ 30, pegar duas pizzas, mais entrada, mais duas sobremesas, águas, e um Esporão de R$ 110 fizeram com que nossa conta na Carlos fosse de R$ 257. Havia vinhos na faixa de R$ 70. Se não me engano, eles cobram R$ 40 de rolha.