Category Archives: Alegria alegria

Seleções do Pinterest e do Bored Panda

Do Bored Panda são os diálogos deste post: https://www.boredpanda.com/overheard-conversations-new-york-overheardnewyork/

Do Pinterest tem uma primeira rodada aqui:

Coisas que me ajudam em momentos difíceis

E algo que sempre me faz sorrir são os vídeos das Dance Cam, Kiss Cam:

Dance Cam, Kiss Cam – o mais legal da NBA

Enfrentando meu tubarão

É comum ver que as pessoas que passaram por algum desastre ou acidente enquanto realizavam um hobby ou alguma atividade de que elas gostavam querem mesmo é voltar a fazer aquilo. Mesmo que com um braço a menos, uma perna a menos.

Talvez tenha algo a ver com não se sentir derrotado… imagino que não é difícil ter pesadelos, mas e se você puder falar pro monstro “eu não tenho medo de você. Você não vai controlar minha vida”.

Dois anos atrás perdi um pedaço da alma enquanto surfava na internet. Meu tubarão veio na forma de descaso, omissão, a não-ação da comunidade de birdwatchers que poderiam fazer coisas simples como em 30 segundos deixar uma mensagem de apoio pela liberdade pra fotografar, quando começamos as negociações com ICMBio e Fundação Florestal, mas não faziam, e o tubarão mordia mais doído ainda porque eu passeava pelas páginas e via as pessoas se manifestando pros temas mais diversos e mais idiotas – mas nada de gastar 30 segundos com os pedidos, que não foram só meus, eu sei que sou uma misantropa filhadaputa que não interage com ninguém, não comento ninguém, por que alguém ia atender um apelo meu mesmo sendo pra um assunto importante? Mas o próprio fundador do Wikiaves colocou um aviso na home sobre o assunto, e mesmo assim quase ninguém participou. E esse descaso me arrancou um pedaço.

Um pedacinho.

O pedação quem arrancou foi por ter que, pela primeira vez na vida, lidar com atuações mau caráter dentro da comunidade, inclusive de gente que eu admirava e achava que era puro idealismo e bondade. Durante meses, no segundo semestre de 2015, todos os dias eu entrava no Facebook, lia as dúvidas e reclamações, respondia, explicava por que a gente precisava de uma portaria. Com a paciência de Jó de uma assessoria de imprensa classe A. Então começaram as mentiras. Essa pessoa que eu admirava falou “a portaria vai obrigar todo birdwatcher a contratar um guia para poder andar num parque”, eu li aquilo e desesperei porque ele é uma pessoa importante e conhecida. Tentei ligar, não me atendeu. Mandei mensagem perguntando “por que você está falando isso? De onde você tirou isso?” nunca me respondeu.

No final eu respondi nas redes sociais e acho que ele não fez estrago, não apareceram mais pessoas contra o processo do que as que já estavam lá. Mas aquilo me doeu muito porque era alguém que eu admirava pra caramba, e a única explicação pra o que ele fez, conversando com amigos é: inveja.

Além desse cara, teve um outro que me fez propostas imorais. Era um dos caras que todo dia falava mal do processo, dizendo que estávamos errados em seguir esse caminho. Numa conversa inbox em que ele puxou assunto, perguntei “Mas por que você está sendo tão contrário se a gente já falou que é uma primeira versão, se a Fundação já deixou claro que podemos alterar a redação se algo não funcionar como devia?” Demorou vários segundos e ele respondeu “porque pra mim a situação não está ruim e eu tenho medo do que pode acontecer se mudar”, “pode não estar ruim pra você, mas está ruim pra mim e pra muitas outras pessoas que são proibidas de fotografar. Você não é proibido de fotografar, eu sou”, “Mas isso eu posso resolver. Da próxima vez que tentarem te barrar, você me liga, eu resolvo na hora”, “Não! Eu não quero resolver o meu problema, quero resolver o problema de todo mundo!”, “Claro, claro é o que eu quero também”.

Corrupção. Corrupção na porra do birdwatching, uma das coisas que eu mais gostava de fazer na vida.

 

Essas três coisas me arrancaram um pedaço da alma e me deixaram doente, doente mesmo. Eu faço checkups anuais há mais de 10 anos, e no de dezembro de 2015 foi a única vez que apareceram duas coisas: um pequeno tumor no seio esquerdo, Birads 3 “provavelmente benigno, mas faça controle de 6 em 6 meses”, e uma pedra na vesícula, que misteriosamente desapareceu no segundo e no terceiro ultrassons, mas se estivesse lá eu teria que extrair o órgão.

Fui embora.

Falei chega e liguei o foda-se, eu estava tão desconectada que quando a portaria foi publicada em março de 2016 eu li e não conseguia entender que era uma baita vitória, que eles tinham publicado quase tudo que a gente pediu, eu só consegui enxergar um pedacinho que eles tinham mudado em não explicitar que tripé também é permitido, e escrevi reclamando pro nosso contato na Fundação Florestal (um santo com paciência infinita). Meu colega do grupo (Não) É proibido fotografar ficou rindo de mim e me fez enxergar a realidade. Comemoramos, celebramos, pude escrever um post “chupa que é de uva”.

Ainda assim eu estava sem um pedaço da alma, e não queria mais me relacionar com questões políticas do mundo do birdwatching.

Mas nesse ano voltei. Em julho participei de reunião com secretário do meio ambiente e acho que minha participação foi importante pra acalmar ânimos, usei minha experiência como mediadora, ouvidora, pra mudar a sintonia das pessoas. E agora há uns dias, meio por acaso, me envolvi em outra situação de Facebook, em que de novo fiz um pedido pra comunidade (não era do mesmo porte, era só pra dar uma força num post do Estadão, pra mostrar que os birdwatchers existem), e de novo, quase ninguém foi. E de novo me envolvi em discussões, com gente atacando e reclamando, e de novo apareci como assessoria de imprensa classe A, respondendo todas as dúvidas com elegância e gentileza, sem entrar no clima de briga ou de irritação.

Recebi um monte de “parabéns”, “obrigado”, “você me representa”, “concordo com tudo que você falou”, inclusive mensagens inbox de guias famosos, me agradecendo pelo o que eu estava fazendo.

Não fiquei mais brava pelas pessoas serem omissas e um zero à esquerda em ações simplórias da vida política, como gastar 30 segundos pra fazer um comentário de apoio num post. Resisti à tentação de responder aos vários que me falaram “estamos junto, conte comigo”, não falei “beleza. Da próxima vez que eu pedir pra manifestar apoio num post, vai, e pede pros amigos irem também”, não falei nada, fui uma dama.

Consegui levar as coisas com muito mais leveza.

Usei táticas que meus opositores devem ter odiado. Não briguei com eles, não respondi comentário por comentário deles, não falei “fulano, você falou tal coisa mas na verdade é isso”, quer dizer, fiz isso no começo e depois vi que era o caminho errado. Em vez de bater boca com eles, escrevi textos compridos, com títulos, disseminando minhas ideias, e sem falar o nome dos opositores. O objetivo não era brigar com eles, e sim ganhar simpatizantes, ou dar argumentos pras pessoas entenderem e defenderem por que é errado burocratizar.

E com as várias pessoas dizendo “concordo”, “concordo, é isso mesmo”, “penso da mesma forma”, deixava claro pra eles que não será fácil eles insistirem na ideia de burocratizar e restringir.

Um dos opositores disse que devia haver controle sobre a atividade dos birdwatchers, algo como uma licença pra passarinhar como existe licença pra pescar (afinal, a gente mata muitas aves). Contei isso pra um amigo ornitólogo, que respondeu “a doença mental não tem limites”.

Mas acho que venci.

Meus opositores não falaram mais nada, e já avisei que logo vou desconectar (saio pra viajar de novo… na quinta… não sei se blogo de lá, ou se é só em janeiro). Talvez eles voltem a se manifestar, mas sei que haverá mais gente disposta a enfrentá-los, que eu ajudei a dar os argumentos e que eles sabem que não estão sozinhos na luta, que há muitas pessoas contrárias ao cabresto nas pessoas.

 

Venci o tubarão.

 

Ps: se você tiver qualquer curiosidade sobre o tema pode olhar meu Facebook. Os posts estão lá como públicos, nov/2017. Sei que uma das coisas que ajudou a atrair interesse é que algumas pessoas que viram meus posts tiraram printscreens do que as pessoas estavam falando e compartilharam em grupos de WhatsApp, então vários dos que se manifestaram já sabia que tinha coisas cabeludas pra lidar.

Coisas que me ajudam em momentos difíceis

Não que fosse muito difícil, não estou passando por nada cabeludo. Umas preocupações com família, uns bate-boca com o Cris sobre como lidar com as preocupações, uns desgostos de pensar nos EUA, no Brasil, a indignação de ver uma professora passando vídeos dizendo que foi o clamor do povo que fez o Costa e Silva publicar o AI-5, que a Ditadura foi algo bom pro Brasil.

Não era nada cabeludo. mas fica reverberando. Nesses momentos minha pasta de Pinterest sempre me ajuda. É uma pasta pública chamada Bobagens e Inspirações.

Ontem à noite todas as vezes que eu pensava que foi a população que pediu pelo AI-5, que o AI-5 foi feito pra proteger a população, eu pensava “Pikachu choque do trovão”.  Ajudou.

— atualização

A mesma pessoa que postou os vídeos postou um texto dizendo que os guerrilheiros comunistas eram os grandes vilões do cenário, matando qualquer um inclusive crianças nos assaltos aos bancos, e que comparado às ações deles as do DOPS nem eram tão graves.

Daí eu não aguentei. Saí do grupo. Deixei um texto de despedida.

“Boa noite amigos. Com certeza há muitas histórias que podemos ouvir de pessoas que viveram a época, que podem falar que era só invenção da imprensa, ou de gente que pode contar que foi torturado ou teve parentes torturados. Há muito material para ler na internet também, e em livros publicados, com detalhes de revirar o estômago.

Eu faço parte do grupo que acredita que a Ditadura no Brasil foi um período terrível, que eu espero que nunca mais se repita. Pra mim não tem nada que justifique a tortura, a censura, o terror.

Acredito nos depoimentos de tortura no Brasil, assim como acredito no Holocausto. O pai e avô do meu sogro foram mortos por nazistas. Foram perseguidos, denunciados por vizinhos enquanto tentavam fugir pelos telhados “olha os judeus!”, pegos pela Gestapo e encontrados enforcados no dia seguinte, os corpos pendurados num frigorífico.

Pra mim a perseguição, tortura de pessoas e abusos do governo é um assunto tão pesado, que eu levo tão a sério, que não posso mais continuar no grupo. Boa noite e tudo de bom pra vocês.”

O que lhe traz alegria?

Estava lendo este artigo no quietrev. É uma ideia compartilhada por muita gente, e em que eu também acredito: a melhor forma de ajudar os outros é primeiro cuidando de si. Quem está machucado ou sofrendo ou traumatizado tem muito mais dificuldade de perceber os outros, porque tudo gira em torno da própria dor. http://www.quietrev.com/the-paradox-of-joy/

Quem se sente feliz está muito mais apto a ajudar os outros.

Mas o que é a alegria, a felicidade? Como é acordar sintonizado?

“I asked the Dalai Lama what it was like to wake up with joy, and he shared his experience each morning. ‘I think if you are an intensely religious believer, as soon as you wake up, you thank God for another day. And you try to do God’s will. For a nontheist like myself, but who is a Buddhist, as soon as I wake up, I remember Buddha’s teaching: the importance of kindness and compassion, wishing something good for others, or at least to reduce their suffering. Then I remember that everything is interrelated, the teaching of interdependence. So then I set my intention for the day: that this day should be meaningful. Meaningful means, if possible, serve and help others. If not possible, then at least not to harm others. That’s a meaningful day.’”

A declaração do Dalai Lama é bonita como sempre, e tenho certeza de que ela ilumina o caminho de muita gente. Mas não o meu. Gentileza, compaixão, não machucar os outros, esses não são meus ideais.

O que me traz alegria? O que eu desejaria vivenciar todos os dias?

Justiça.

Liberdade.

Power to the people.

As pessoas cada vez mais despertas, livrando-se das preocupações e angústias causadas por ilusões como a importância do padrão de beleza, de status, de likes. A ilusão de que existem times, do tipo coxinhas contra mortadelas, que vergonha ver tanta gente cair num dualismo tão barato.

Eu gostaria de ver as injustiças sendo cada vez mais combatidas e o bem vencendo a corrupção, a apatia, o descaso, o racismo, o machismo, a xenofobia, a destruição da natureza. Que cada vez mais pessoas fizessem escolhas a favor do respeito pelo outro, do reconhecimento de que não é a cor da pele, a religião, a aparência, as roupas, o fato de ser homem ou mulher que devia fazer uma pessoa ser bem tratada ou desprezada.

O fim da corrupção. Sabem quando de vez em quando aparecem as notícias sobre uma carteira ou um celular devolvido? É simples assim. Você não fica com o que não é seu, sejam os dois mil reais de fulano, sejam as centenas de milhões de reais que o povo foi obrigado a pagar na forma de impostos e que deveriam servir pra educação, segurança, saúde e qualidade de vida de todo mundo, e não pra serem convertidos em luxo e esbórnia para poucos.

Admiro o Budismo e os budistas. Mas meu caminho não é o da não-violência, nunca machucar ou causar sofrimento.

Uso sem cerimônia qualquer estratégia, mesmo que haja risco da pessoa se ofender ou se irritar comigo, quando há boas chances de trazer uma mudança que não aconteceria de outra forma ou que levaria muito tempo e energia se fosse pra ser feita pelo caminho suave.

Panfletei durante anos pela liberdade de fotografar e divulgar a natureza brasileira. Cartazinhos provocativos no Facebook. Alguns colegas vieram me falar que discordavam da estratégia, mas que reconheciam que chamava a atenção. E por fim conseguimos uma portaria estadual, a 236, que descriminalizou o porte de câmeras grandes nos parques estaduais do Estado de São Paulo.

Tenho discussões terríveis com o Cris, mas quase todas as vezes elas resolveram o problema, e ficamos mais próximos e mais conectados. Tive aquela briga com o meu pai, pra dizer que ele tinha que parar de comprar coisas pro meu sobrinho. Foi ruim na época, mas olha só: neste Natal não compramos nada. Já faz uns anos que decidimos não ter mais troca de presentes, e sim juntar o dinheiro que gastaríamos com presentes e dar pra algum parente que precisa. Neste ano nem meu sobrinho ganhou nada, eu queria comprar, mas meu pai falou “ele está brincando tanto com esses Smurfs, não precisa de nada novo”.

Talvez isso tivesse acontecido sem a discussão, talvez não, mas eu achei maravilhoso e me sinto no direito de pensar que aquela briga de meses atrás lançou uma semente.

Ver alguém se livrando de uma ilusão, de um preconceito, de um hábito ruim, de uma escravidão a algum valor que a sociedade tenta impor. Ver alguém se sentindo cada vez mais no controle da própria vida, capaz de enxergar que a felicidade ou no mínimo a satisfação depende muito mais de fatores internos, de como escolhemos ver e interpretar as coisas que acontecem com a gente. Esse é o tipo de coisa que me traz alegria e que eu gostaria de vivenciar todos os dias.

Não numa grande escala, porque entrar em modo Mission from God exige diversos sacrifícios da sua vida pessoal que eu não me sinto nem um pouco propensa a praticar.

Mas nessa microescala do que consigo fazer dando espadadas em família, amigos, amores,

e saber que há pessoas que leem o blog, às vezes loucamente (picos no contador de visitas sem links externos em geral indicam alguém que se identificou e clicou em vários posts), pensar que talvez eu ajude essas pessoas a se sentirem cada vez mais livres,

Essas coisas me alegram.

Pra quem está precisando de um filhote de panda

Foi-se Angelina e Brad. Pra quem era ligado no cenário nacional, teve Fátima e William.

Em outro patamar teve a tragédia de Domingos Montagner e o no more Derek Morgan.

Se você também se sente precisando de um filhote de panda pra abraçar, selecionei fotos de um casal que me chama a atenção. Acho que depois de True Detective Matthew Mcconaughey se consolidou como meu ator favorito. E tem os outros filmes bons: Contato, Interestelar, Clube de Compras Dallas, Mud, Como Perder um Homem em 10 Dias, A Time to Kill. O Lobo de Wall Street é só uma ponta, mas foi inesquecível, um dos melhores momentos do filme.

E daí tem a cereja do bolo: o cabra é casado há 9 anos com uma modelo mineira e de vez em quando aparece em Belo Horizonte. Tem fotos dele sambando no camarote da Brahma, a família com camisas de futebol do Brasil.

Não estou reencontrando a citação, mas tenho certeza de que li uma entrevista em que ele conta que no Oscar 2014 (que ele ganhou de melhor ator pelo Clube de Compras Dallas), ele disse que um dos filhos dele falou “papai, você não vai ganhar”. Não “Daddy”, e sim “papai”.

Um ator de quem eu já gostava desde Contato, depois fez True Detective e Interestelar, casado com uma mineira há quase 10 anos, falando português com os filhos.

É filhote de panda suficiente pra mim por enquanto, vida longa ao casal.

“O ator estava com amigos na balada, incluindo Lance Armstrong, quando viu Camila Alves. “Eu vi de canto de olho aquela figura flutuante em verde água próximo de mim”, lembra ele. “Lembro o que saiu da minha boca. Eu não disse “quem é essa?”. Veio a minha cabeça ‘esse não é um tipo de mulher que você chama do outro lado da sala. Levante seu traseiro e vá buscá-la’. E eu fiz isso”.

Quase uma década depois e três filhos (Livingston, Levi e Vida), ainda é fácil para McConaughey descrever o que chamou atenção na mulher. “O auto-respeito que ela tem, o modo como eu a entendi e seu relacionamento com a família, o jeito como ela me respeitou sem esperar nada em troca”, conta.

O ator diz ainda que o primeiro encontro com a brasileira aconteceu três noites depois de se conhecerem. “E eu tenho tido vontade de sair com ela durante os últimos nove anos e com ninguém mais”, declarou.”

http://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2016/06/matthew-mcconaughey-diz-que-se-apaixonou-primeira-vista-por-camila-alves.html

Comidas não tão light, mas irresistíveis parte 3/3

Lanches, panquecas, brunch — acompanhados de cerveja, ou espumante, ou vinho. E, fora as panquecas, sempre com bons pães. Essa é uma das nossas perdições. Não são refeições light, mas se você come quantidades pequenas e fez exercício aeróbico durante o dia, no geral a gente fica no 0 a 0 com a balança, mesmo com o pão e o álcool. Mas isso é como funciona com a gente, você tem que ter sua balança, se pesar todo dia e ver como as coisas funcionam com você.

Os queijos

Em São Paulo tem um lugar em Pinheiros chamado O Mestre Queijeiro, que sempre tem queijos bons. Se você vai a uma loja especializada, papeie com o vendedor, fale dos seus gostos, peça indicações.

Se você só tem acesso a supermercados, os mais comuns de serem encontrados (e que a gente acha que valem a pena) são o brie e o camembert, o parmesão, o gorgonzola, queijo de cabra (o Cablanca). Às vezes você encontra Saint Paulin ou Taleggio da Serra das Antas. Essa é uma marca boa, mas esses queijos, (assim como o brie e o camembert) para serem saborosos precisam estar bem maduros. No caso do Taleggio e o Saint Paulin é um fedor de queijo, ou seja, é o tipo de coisa que não é pra qualquer um. A gente adora, são dos nossos queijos favoritos — além do coulommier, que lembra o brie e camembert, mas não é tão fácil de achar.

Se você já comeu um brie, camembert, Saint Paulin, taleggio ou colommier e achou sem graça, com certeza provou um queijo ainda não maduro. Nesse caso eles são bem sem graça mesmo. Comprei um Saint Paulin num Mambo antes da viagem pra Romênia — escolhi o mais mole, e que já tinha um aroma característico. Abrimos, estava verde. Ficou 1 mês e meio na minha geladeira, e quando voltamos da viagem é que estava bom.

Se você não tem acesso ou não tem verba pra nenhum desses queijos, não tem problema: você pode picar a mussarela em cubinhos e temperar com orégano e azeite, ou pegar o queijo branco, cortar cubos médios e tostar na frigideira com um pouco de azeite.

Os pães

O ideal é ter algum dos pães tchaptuchura, com fermentação natural. Quando você encontrar pães desse tipo que você gosta, pode comprar a mais e congelar. Para ressuscitá-los, pode tirar umas horas antes do congelador, ou deixar uns 20 segundos no microondas, e depois levar pra uma frigideira (sem nada de óleo, só a panela) em fogo totalmente baixo, com tampa, e ir virando de vez em quando.

Esse processo no fogo baixo deixa a casquinha crocante e o miolo quentinho, melhora qualquer pão, inclusive os franceses, mesmo que for do dia anterior. Mas tem que ser fogo bem baixo e deixar bastante tempo, mais de 10 minutos. Em geral estamos preparando outras coisas e já deixamos o pão na panela. Ele também é bom pra pizzas amanhecidas, com a diferença que a gente não fica virando, só no final (e dependendo da cobertura), viramos a pizza pra aquecer a parte de cima.

Nunca fique com preguiça de fazer isso com os pães, faz toda a diferença na refeição. Quer dizer, se seu objetivo for sabor. Se for questão de dieta, é melhor não fazer, porque o pão fica muito mais gostoso e você come mais.

As frutas e legumes

Peras portuguesas, maçãs, uvas, figo, morangos. Procure um bom fornecedor, é a diferença de frutas doces ou não. O Natural da Terra da Vila Madalena é bem confiável pra frutas.

Sempre lave as frutas ou legumes em água corrente e depois deixe uns minutos de molho em água e vinagre.

Adoramos palitos de cenoura (e também gosto de palitos de pepino, e às vezes salsão quando tenho). Basta cortar fino.

Uma variação dos legumes é deixar esses palitos imersos em água com bastante limão e um pouco de sal, e uns cubos de gelo ou um tempinho no congelador, só pra gelar, não pra congelar. Fica uma delícia.

Embutidos

Não é saudável. Mas gostamos de salame, presunto cru, alheira. Fazem parte da alegria das refeições. O Fricco tem ótimos embutidos e pães artesanais: http://www.fricco.com.br/

Ovos

Bom de todos os jeitos. Se for fazer mexido, faça em fogo baixo, mexendo o tempo todo, e tire do fogo enquanto ainda estão bem moles, você vai ver como fica muito mais cremoso e saboroso. Também gostamos de ovo frito com gema mole, ou cozido com gema mole (são uns 8 minutos de fervura), e os poché — esses são mais complexos, não vou conseguir explicar, melhor ver uma receita na internet.

Omeletes também são bons, e às vezes fazemos a tortilha, mas no geral a tortilha é o único prato do lanche, junto com um pouco de pão (e vinho).

Salmão defumado e outros peixes

Salmão defumado é sempre uma delícia. E uma das vezes tinha sobrado um pedaço de atum cru (o jantar tinha sido sashimi), e no brunch do dia seguinte o Cris temperou esse pedacinho com vinagre, alho, cebola, tostou, e ficou muito bom com o bruch.

Waffles

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Não é nada diet, eu sei, mas de vez em quando, principalmente pra café da manhã de fins de semana preguiçosos, é um luxo.

Temos o aparelho de fazer waffle, e seguimos uma receita que vai leite azedado com limão e claras em neve, é muito boa: http://www.grandbaby-cakes.com/2014/03/buttermilk-waffles/

Como os waffles puros, ou com algo salgado, como presunto cru. O Daniel prefere com Nutela.

Umas poucas vezes a gente faz a esbórnia de fazer uma receita típica do Sul dos Estados Unidos, que é waffles com frango frito (e pode colocar quiabo, milho como acompanhamentos). Descobrimos essa maravilha no Amy Ruth’s, em NY http://amyruths.com/

http://www.grandbaby-cakes.com/2014/03/homemade-chicken-and-waffles/

 

Cobb salad

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Não é coisa de brunch, mas achei que não fazia parte da comida rotineira. É uma salada altamente satisfatória, dá pra comer só ela e pão, ainda que da última vez que comemos foi acompanhada de um ótimo acem Wagyu. Há várias receitas, a nossa foi: alface frisée, tomate, avocado, cubinhos de lombo defumado bem fritinhos, ovo cozido com gema mole, molho de coalhada com um queijo do Mestre Queijeiro que lembra Roquefort, mas na ausência dele teríamos colocado gorgonzola. Delícia.

Todos os pratos descritos vão muito bem com espumante, mas é claro que você pode tomar com cerveja, vinho branco ou tinto — ou água, se você for forte.

Outros

Azeitonas, manteiga boa, nozes, geleia, anchovas, pepino em conserva, cogumelos tostados com um pouco de azeite: o que você quiser colocar na mesa. E arrume um azeite trufado também. O Collavita tartufo branco está bom, custa uns R$ 40. O azeite trufado é ótimo para colocar nos ovos, batatas e, por estranho que pareça, fica ótimo no steak tartare também.

Eu era um bêbado e vivia drogado hoje estou curado encontrei Jesus

Depois de ter passado meses brigando com meus colegas birdwatchers, e ter visto coisas que eu nunca imaginei ver, mentira, desonra, jogo sujo, as coisas tinham chegado a um ponto de estragar minha relação com o birdwatching. Fui pra Campos do Jordão no final do ano e nem me dispus a sair pra passarinhar na chuva, algo que eu sempre faço.

Pensava em passarinhar e não vinha mais aquele calor de sol morno no peito. Tinha um ranço amargo, não conseguia deixar de pensar nos meus colegas desonrados, e depois em atitudes de um gestor de parque que me deixou surtada de tanta raiva.

Mas agora passou. Passou, desapareceu.

Estou mexendo ainda nas fotos de Ouro Preto, especialmente as do cauré e do gavião-de-rabo-branco melânico, e tudo que eu sinto é alegria, orgulho, vontade de passarinhar mais, ver mais, fotografar mais. E olha que hoje meu dia começou tendo que ouvir de um amigo mais tranqueiras que o tal gestor desonrado está aprontando. Fiquei muito brava na hora, mas isso não foi o suficiente pra voltar a foder minha relação com as aves.

Aves. Passarinhar. Ver bichos lindos. Voltou a alegria sem tamanho.

Não sei dizer o que curou. Acho que o tempo. Ou talvez ajuda de alguma entidade, não sei. Tudo que eu posso falar é obrigada, obrigada, obrigada. Como é delicioso voltar a se sentir encantada.