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Coisas que me ajudam em momentos difíceis

Não que fosse muito difícil, não estou passando por nada cabeludo. Umas preocupações com família, uns bate-boca com o Cris sobre como lidar com as preocupações, uns desgostos de pensar nos EUA, no Brasil, a indignação de ver uma professora passando vídeos dizendo que foi o clamor do povo que fez o Costa e Silva publicar o AI-5, que a Ditadura foi algo bom pro Brasil.

Não era nada cabeludo. mas fica reverberando. Nesses momentos minha pasta de Pinterest sempre me ajuda. É uma pasta pública chamada Bobagens e Inspirações.

Ontem à noite todas as vezes que eu pensava que foi a população que pediu pelo AI-5, que o AI-5 foi feito pra proteger a população, eu pensava “Pikachu choque do trovão”.  Ajudou.

— atualização

A mesma pessoa que postou os vídeos postou um texto dizendo que os guerrilheiros comunistas eram os grandes vilões do cenário, matando qualquer um inclusive crianças nos assaltos aos bancos, e que comparado às ações deles as do DOPS nem eram tão graves.

Daí eu não aguentei. Saí do grupo. Deixei um texto de despedida.

“Boa noite amigos. Com certeza há muitas histórias que podemos ouvir de pessoas que viveram a época, que podem falar que era só invenção da imprensa, ou de gente que pode contar que foi torturado ou teve parentes torturados. Há muito material para ler na internet também, e em livros publicados, com detalhes de revirar o estômago.

Eu faço parte do grupo que acredita que a Ditadura no Brasil foi um período terrível, que eu espero que nunca mais se repita. Pra mim não tem nada que justifique a tortura, a censura, o terror.

Acredito nos depoimentos de tortura no Brasil, assim como acredito no Holocausto. O pai e avô do meu sogro foram mortos por nazistas. Foram perseguidos, denunciados por vizinhos enquanto tentavam fugir pelos telhados “olha os judeus!”, pegos pela Gestapo e encontrados enforcados no dia seguinte, os corpos pendurados num frigorífico.

Pra mim a perseguição, tortura de pessoas e abusos do governo é um assunto tão pesado, que eu levo tão a sério, que não posso mais continuar no grupo. Boa noite e tudo de bom pra vocês.”

O que lhe traz alegria?

Estava lendo este artigo no quietrev. É uma ideia compartilhada por muita gente, e em que eu também acredito: a melhor forma de ajudar os outros é primeiro cuidando de si. Quem está machucado ou sofrendo ou traumatizado tem muito mais dificuldade de perceber os outros, porque tudo gira em torno da própria dor. http://www.quietrev.com/the-paradox-of-joy/

Quem se sente feliz está muito mais apto a ajudar os outros.

Mas o que é a alegria, a felicidade? Como é acordar sintonizado?

“I asked the Dalai Lama what it was like to wake up with joy, and he shared his experience each morning. ‘I think if you are an intensely religious believer, as soon as you wake up, you thank God for another day. And you try to do God’s will. For a nontheist like myself, but who is a Buddhist, as soon as I wake up, I remember Buddha’s teaching: the importance of kindness and compassion, wishing something good for others, or at least to reduce their suffering. Then I remember that everything is interrelated, the teaching of interdependence. So then I set my intention for the day: that this day should be meaningful. Meaningful means, if possible, serve and help others. If not possible, then at least not to harm others. That’s a meaningful day.’”

A declaração do Dalai Lama é bonita como sempre, e tenho certeza de que ela ilumina o caminho de muita gente. Mas não o meu. Gentileza, compaixão, não machucar os outros, esses não são meus ideais.

O que me traz alegria? O que eu desejaria vivenciar todos os dias?

Justiça.

Liberdade.

Power to the people.

As pessoas cada vez mais despertas, livrando-se das preocupações e angústias causadas por ilusões como a importância do padrão de beleza, de status, de likes. A ilusão de que existem times, do tipo coxinhas contra mortadelas, que vergonha ver tanta gente cair num dualismo tão barato.

Eu gostaria de ver as injustiças sendo cada vez mais combatidas e o bem vencendo a corrupção, a apatia, o descaso, o racismo, o machismo, a xenofobia, a destruição da natureza. Que cada vez mais pessoas fizessem escolhas a favor do respeito pelo outro, do reconhecimento de que não é a cor da pele, a religião, a aparência, as roupas, o fato de ser homem ou mulher que devia fazer uma pessoa ser bem tratada ou desprezada.

O fim da corrupção. Sabem quando de vez em quando aparecem as notícias sobre uma carteira ou um celular devolvido? É simples assim. Você não fica com o que não é seu, sejam os dois mil reais de fulano, sejam as centenas de milhões de reais que o povo foi obrigado a pagar na forma de impostos e que deveriam servir pra educação, segurança, saúde e qualidade de vida de todo mundo, e não pra serem convertidos em luxo e esbórnia para poucos.

Admiro o Budismo e os budistas. Mas meu caminho não é o da não-violência, nunca machucar ou causar sofrimento.

Uso sem cerimônia qualquer estratégia, mesmo que haja risco da pessoa se ofender ou se irritar comigo, quando há boas chances de trazer uma mudança que não aconteceria de outra forma ou que levaria muito tempo e energia se fosse pra ser feita pelo caminho suave.

Panfletei durante anos pela liberdade de fotografar e divulgar a natureza brasileira. Cartazinhos provocativos no Facebook. Alguns colegas vieram me falar que discordavam da estratégia, mas que reconheciam que chamava a atenção. E por fim conseguimos uma portaria estadual, a 236, que descriminalizou o porte de câmeras grandes nos parques estaduais do Estado de São Paulo.

Tenho discussões terríveis com o Cris, mas quase todas as vezes elas resolveram o problema, e ficamos mais próximos e mais conectados. Tive aquela briga com o meu pai, pra dizer que ele tinha que parar de comprar coisas pro meu sobrinho. Foi ruim na época, mas olha só: neste Natal não compramos nada. Já faz uns anos que decidimos não ter mais troca de presentes, e sim juntar o dinheiro que gastaríamos com presentes e dar pra algum parente que precisa. Neste ano nem meu sobrinho ganhou nada, eu queria comprar, mas meu pai falou “ele está brincando tanto com esses Smurfs, não precisa de nada novo”.

Talvez isso tivesse acontecido sem a discussão, talvez não, mas eu achei maravilhoso e me sinto no direito de pensar que aquela briga de meses atrás lançou uma semente.

Ver alguém se livrando de uma ilusão, de um preconceito, de um hábito ruim, de uma escravidão a algum valor que a sociedade tenta impor. Ver alguém se sentindo cada vez mais no controle da própria vida, capaz de enxergar que a felicidade ou no mínimo a satisfação depende muito mais de fatores internos, de como escolhemos ver e interpretar as coisas que acontecem com a gente. Esse é o tipo de coisa que me traz alegria e que eu gostaria de vivenciar todos os dias.

Não numa grande escala, porque entrar em modo Mission from God exige diversos sacrifícios da sua vida pessoal que eu não me sinto nem um pouco propensa a praticar.

Mas nessa microescala do que consigo fazer dando espadadas em família, amigos, amores,

e saber que há pessoas que leem o blog, às vezes loucamente (picos no contador de visitas sem links externos em geral indicam alguém que se identificou e clicou em vários posts), pensar que talvez eu ajude essas pessoas a se sentirem cada vez mais livres,

Essas coisas me alegram.

Pra quem está precisando de um filhote de panda

Foi-se Angelina e Brad. Pra quem era ligado no cenário nacional, teve Fátima e William.

Em outro patamar teve a tragédia de Domingos Montagner e o no more Derek Morgan.

Se você também se sente precisando de um filhote de panda pra abraçar, selecionei fotos de um casal que me chama a atenção. Acho que depois de True Detective Matthew Mcconaughey se consolidou como meu ator favorito. E tem os outros filmes bons: Contato, Interestelar, Clube de Compras Dallas, Mud, Como Perder um Homem em 10 Dias, A Time to Kill. O Lobo de Wall Street é só uma ponta, mas foi inesquecível, um dos melhores momentos do filme.

E daí tem a cereja do bolo: o cabra é casado há 9 anos com uma modelo mineira e de vez em quando aparece em Belo Horizonte. Tem fotos dele sambando no camarote da Brahma, a família com camisas de futebol do Brasil.

Não estou reencontrando a citação, mas tenho certeza de que li uma entrevista em que ele conta que no Oscar 2014 (que ele ganhou de melhor ator pelo Clube de Compras Dallas), ele disse que um dos filhos dele falou “papai, você não vai ganhar”. Não “Daddy”, e sim “papai”.

Um ator de quem eu já gostava desde Contato, depois fez True Detective e Interestelar, casado com uma mineira há quase 10 anos, falando português com os filhos.

É filhote de panda suficiente pra mim por enquanto, vida longa ao casal.

“O ator estava com amigos na balada, incluindo Lance Armstrong, quando viu Camila Alves. “Eu vi de canto de olho aquela figura flutuante em verde água próximo de mim”, lembra ele. “Lembro o que saiu da minha boca. Eu não disse “quem é essa?”. Veio a minha cabeça ‘esse não é um tipo de mulher que você chama do outro lado da sala. Levante seu traseiro e vá buscá-la’. E eu fiz isso”.

Quase uma década depois e três filhos (Livingston, Levi e Vida), ainda é fácil para McConaughey descrever o que chamou atenção na mulher. “O auto-respeito que ela tem, o modo como eu a entendi e seu relacionamento com a família, o jeito como ela me respeitou sem esperar nada em troca”, conta.

O ator diz ainda que o primeiro encontro com a brasileira aconteceu três noites depois de se conhecerem. “E eu tenho tido vontade de sair com ela durante os últimos nove anos e com ninguém mais”, declarou.”

http://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2016/06/matthew-mcconaughey-diz-que-se-apaixonou-primeira-vista-por-camila-alves.html

Comidas não tão light, mas irresistíveis parte 3/3

Lanches, panquecas, brunch — acompanhados de cerveja, ou espumante, ou vinho. E, fora as panquecas, sempre com bons pães. Essa é uma das nossas perdições. Não são refeições light, mas se você come quantidades pequenas e fez exercício aeróbico durante o dia, no geral a gente fica no 0 a 0 com a balança, mesmo com o pão e o álcool. Mas isso é como funciona com a gente, você tem que ter sua balança, se pesar todo dia e ver como as coisas funcionam com você.

Os queijos

Em São Paulo tem um lugar em Pinheiros chamado O Mestre Queijeiro, que sempre tem queijos bons. Se você vai a uma loja especializada, papeie com o vendedor, fale dos seus gostos, peça indicações.

Se você só tem acesso a supermercados, os mais comuns de serem encontrados (e que a gente acha que valem a pena) são o brie e o camembert, o parmesão, o gorgonzola, queijo de cabra (o Cablanca). Às vezes você encontra Saint Paulin ou Taleggio da Serra das Antas. Essa é uma marca boa, mas esses queijos, (assim como o brie e o camembert) para serem saborosos precisam estar bem maduros. No caso do Taleggio e o Saint Paulin é um fedor de queijo, ou seja, é o tipo de coisa que não é pra qualquer um. A gente adora, são dos nossos queijos favoritos — além do coulommier, que lembra o brie e camembert, mas não é tão fácil de achar.

Se você já comeu um brie, camembert, Saint Paulin, taleggio ou colommier e achou sem graça, com certeza provou um queijo ainda não maduro. Nesse caso eles são bem sem graça mesmo. Comprei um Saint Paulin num Mambo antes da viagem pra Romênia — escolhi o mais mole, e que já tinha um aroma característico. Abrimos, estava verde. Ficou 1 mês e meio na minha geladeira, e quando voltamos da viagem é que estava bom.

Se você não tem acesso ou não tem verba pra nenhum desses queijos, não tem problema: você pode picar a mussarela em cubinhos e temperar com orégano e azeite, ou pegar o queijo branco, cortar cubos médios e tostar na frigideira com um pouco de azeite.

Os pães

O ideal é ter algum dos pães tchaptuchura, com fermentação natural. Quando você encontrar pães desse tipo que você gosta, pode comprar a mais e congelar. Para ressuscitá-los, pode tirar umas horas antes do congelador, ou deixar uns 20 segundos no microondas, e depois levar pra uma frigideira (sem nada de óleo, só a panela) em fogo totalmente baixo, com tampa, e ir virando de vez em quando.

Esse processo no fogo baixo deixa a casquinha crocante e o miolo quentinho, melhora qualquer pão, inclusive os franceses, mesmo que for do dia anterior. Mas tem que ser fogo bem baixo e deixar bastante tempo, mais de 10 minutos. Em geral estamos preparando outras coisas e já deixamos o pão na panela. Ele também é bom pra pizzas amanhecidas, com a diferença que a gente não fica virando, só no final (e dependendo da cobertura), viramos a pizza pra aquecer a parte de cima.

Nunca fique com preguiça de fazer isso com os pães, faz toda a diferença na refeição. Quer dizer, se seu objetivo for sabor. Se for questão de dieta, é melhor não fazer, porque o pão fica muito mais gostoso e você come mais.

As frutas e legumes

Peras portuguesas, maçãs, uvas, figo, morangos. Procure um bom fornecedor, é a diferença de frutas doces ou não. O Natural da Terra da Vila Madalena é bem confiável pra frutas.

Sempre lave as frutas ou legumes em água corrente e depois deixe uns minutos de molho em água e vinagre.

Adoramos palitos de cenoura (e também gosto de palitos de pepino, e às vezes salsão quando tenho). Basta cortar fino.

Uma variação dos legumes é deixar esses palitos imersos em água com bastante limão e um pouco de sal, e uns cubos de gelo ou um tempinho no congelador, só pra gelar, não pra congelar. Fica uma delícia.

Embutidos

Não é saudável. Mas gostamos de salame, presunto cru, alheira. Fazem parte da alegria das refeições. O Fricco tem ótimos embutidos e pães artesanais: http://www.fricco.com.br/

Ovos

Bom de todos os jeitos. Se for fazer mexido, faça em fogo baixo, mexendo o tempo todo, e tire do fogo enquanto ainda estão bem moles, você vai ver como fica muito mais cremoso e saboroso. Também gostamos de ovo frito com gema mole, ou cozido com gema mole (são uns 8 minutos de fervura), e os poché — esses são mais complexos, não vou conseguir explicar, melhor ver uma receita na internet.

Omeletes também são bons, e às vezes fazemos a tortilha, mas no geral a tortilha é o único prato do lanche, junto com um pouco de pão (e vinho).

Salmão defumado e outros peixes

Salmão defumado é sempre uma delícia. E uma das vezes tinha sobrado um pedaço de atum cru (o jantar tinha sido sashimi), e no brunch do dia seguinte o Cris temperou esse pedacinho com vinagre, alho, cebola, tostou, e ficou muito bom com o bruch.

Waffles

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Não é nada diet, eu sei, mas de vez em quando, principalmente pra café da manhã de fins de semana preguiçosos, é um luxo.

Temos o aparelho de fazer waffle, e seguimos uma receita que vai leite azedado com limão e claras em neve, é muito boa: http://www.grandbaby-cakes.com/2014/03/buttermilk-waffles/

Como os waffles puros, ou com algo salgado, como presunto cru. O Daniel prefere com Nutela.

Umas poucas vezes a gente faz a esbórnia de fazer uma receita típica do Sul dos Estados Unidos, que é waffles com frango frito (e pode colocar quiabo, milho como acompanhamentos). Descobrimos essa maravilha no Amy Ruth’s, em NY http://amyruths.com/

http://www.grandbaby-cakes.com/2014/03/homemade-chicken-and-waffles/

 

Cobb salad

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Não é coisa de brunch, mas achei que não fazia parte da comida rotineira. É uma salada altamente satisfatória, dá pra comer só ela e pão, ainda que da última vez que comemos foi acompanhada de um ótimo acem Wagyu. Há várias receitas, a nossa foi: alface frisée, tomate, avocado, cubinhos de lombo defumado bem fritinhos, ovo cozido com gema mole, molho de coalhada com um queijo do Mestre Queijeiro que lembra Roquefort, mas na ausência dele teríamos colocado gorgonzola. Delícia.

Todos os pratos descritos vão muito bem com espumante, mas é claro que você pode tomar com cerveja, vinho branco ou tinto — ou água, se você for forte.

Outros

Azeitonas, manteiga boa, nozes, geleia, anchovas, pepino em conserva, cogumelos tostados com um pouco de azeite: o que você quiser colocar na mesa. E arrume um azeite trufado também. O Collavita tartufo branco está bom, custa uns R$ 40. O azeite trufado é ótimo para colocar nos ovos, batatas e, por estranho que pareça, fica ótimo no steak tartare também.

Eu era um bêbado e vivia drogado hoje estou curado encontrei Jesus

Depois de ter passado meses brigando com meus colegas birdwatchers, e ter visto coisas que eu nunca imaginei ver, mentira, desonra, jogo sujo, as coisas tinham chegado a um ponto de estragar minha relação com o birdwatching. Fui pra Campos do Jordão no final do ano e nem me dispus a sair pra passarinhar na chuva, algo que eu sempre faço.

Pensava em passarinhar e não vinha mais aquele calor de sol morno no peito. Tinha um ranço amargo, não conseguia deixar de pensar nos meus colegas desonrados, e depois em atitudes de um gestor de parque que me deixou surtada de tanta raiva.

Mas agora passou. Passou, desapareceu.

Estou mexendo ainda nas fotos de Ouro Preto, especialmente as do cauré e do gavião-de-rabo-branco melânico, e tudo que eu sinto é alegria, orgulho, vontade de passarinhar mais, ver mais, fotografar mais. E olha que hoje meu dia começou tendo que ouvir de um amigo mais tranqueiras que o tal gestor desonrado está aprontando. Fiquei muito brava na hora, mas isso não foi o suficiente pra voltar a foder minha relação com as aves.

Aves. Passarinhar. Ver bichos lindos. Voltou a alegria sem tamanho.

Não sei dizer o que curou. Acho que o tempo. Ou talvez ajuda de alguma entidade, não sei. Tudo que eu posso falar é obrigada, obrigada, obrigada. Como é delicioso voltar a se sentir encantada.

Diálogo diversos

Quem faz o papel do Michael Douglas jovem?

Acho que é o próprio Michael Douglas com bastante maquiagem. Legal, né?

Mas ele não tem um filho? Péra… ele é o filho. O pai é o Kirk Douglas, certo?

Bom, ele deve ter filhos… sabe, a Catherina Zeta-Jones.

O quê??? A Catherina Zeta-Jones é filha dele?

Antes de eu conseguir rir e responder ele mesmo respondeu “não, é esposa, certo?”

Certo.

Acho lindo o quanto o Cris pode ser desinformado do mundo.

PS: depois eu fui pesquisar, e vi que além da maquiagem teve muita pesquisa de imagem da época em que ele tinha 45 anos, e alteração digital: http://yahoo-movies-uk.tumblr.com/post/124824225403/how-exactly-did-ant-man-make-michael-douglas

—- x —

Diálogos em caixa do WhatsApp:

“eu sabia que você ia me mandar uma foto com o dedo do meio levantado. Você está ficando sem criatividade”

“é, talvez eu esteja, deve ser porque faz tempo que eu não vejo vocês, que são duas fodas criativas” (a gente se chama de foda, fodo, fodos queridos — tudo com muito carinho. Mesmo assim, quando você ouve um “vocês são duas fodas criativas”, não dá pra ouvir o resto

A … pensou o mesmo que eu e disse “…,,  de tudo que você falou, só consegui prestar atenção no ‘fodas criativas’, então me fala uma coisa, como é que seria uma foda criativa? Seriam duas pessoas trepando se equilibrando em cima de uma garrafa pet, enquanto em volta está chovendo purpurina e confete? Clau, me ajuda, como seria uma foda criativa?”

Minha criatividade é péssima, não consegui imaginar nada na hora, só falei que talvez algo relacionado com os exibicionistas que devem encontrar formas de se exibir mas também não serem pegos.

A mensagem seguinte do … veio com a voz dele meio ofegante, e comentei que aquela voz ofegante só me fazia pensar bobagem, ele falou que estava quase chegando em casa, e tinha que tomar cuidado com a borda da garrafa, falei pra tomar cuidado pra não ir pro lugar errado, ele falou que o pé quase escorregou e por pouco não foi uma tragédia, eu falei “bom, se tivesse escorregado, quem nunca?”, e a … voltou pra conversa a tempo de comentar “pelo o que eu entendi, o … acabou de executar uma foda criativa no meio da rua”,

 

e é pra isso que servem os amigos.

 

Remorso no cu

Diálogos 1

O … leu o Tarot pra mim e falou que estou numa fase boa, que estou no controle e posso tomar decisões, sem nada do passado impedindo. Que posso seguir em frente sem remorso ou culpa.

O quê????

Falou que eu posso seguir sem remorso ou culpa.

Ah, que susto. Achei que tinha ouvido “sem remorso no cu”.

“Remorso no cu” é coisa de quem queria ter dado o cu mas não deu?

Claro que não, remorso é sempre por algo que você fez, não que você deixou de fazer. Remorso no cu é coisa de quem deu o cu e se arrependeu.

É verdade… não existe remorso por não ter dado, seria arrependimento por não ter dado.

— x —

E parece que 2016 será assim. Poderei me aposentar da aposentadoria. Consertar minha asa quebrada. Descansar. Praticar minha nerdice no campo das ilustrações e dos jogos. Jogar muito com o Daniel. Comprei um monitor 21:9, nem está configurado direito mas já fico pensando como pude passar tanto tempo sem um negócio desses. Amanhã deve chegar meu desktop gamer, desses com placa Asus, placa de vídeo GTX 950, 16GB de RAM. E HD de 4TB por causa das fotos. Muito mais tempo de misantropia, silêncio, sossego, leitura, escrita, desenhos, arte. E, segundo o guruzinho, sem remorso ou culpa, ou como pensou o Cris, sem remorso no cu.

 

Diálogos 2

Descendo o elevador, só nós dois, nos olhando no espelho. Falei “meu cabelo cor de abóbora” — não contei, mas depois da crise do fim do ano, a primeira coisa que fiz em São Paulo foi o que as mulheres tipicamente fazem quando precisam marcar alguma coisa: mudei o cabelo. Voltei a ser ruiva, mas ruiva como nunca fui, de ter cabelo descolorido e quase loiro.

O Cris cantarolou “meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora” — e completou: “a gente pode tirar uma foto assim e postar no Instagram… não, não pensando bem é melhor não, porque é música de corno”.

Eu: “é. Essa de Às vezes ela pinta a boca e sai / fique à vontade eu digo / take your time”.

“Já pensou? Jogador de poker já tem fama de corno”

“E eu de vez em quando viajo sozinha só com um guia. A gente não precisa mesmo disso”

“Tem um pessoal do H2 que fala ‘minha mulher pode fazer o que quiser, é só me deixar jogar’, ou ‘agora é 5h, não posso voltar pra casa senão topo com o Ricardão. Melhor ir só lá pelas 8h, que daí o Ricardão já saiu pra ir pro trabalho’  — qualquer coisa é desculpa pra jogar”.

E, apesar de ser péssima pra contar piadas, fui capaz de conseguir umas risadas de uns amigos pra quem contei outra história típica de jogador de poker “minha mulher vivia reclamando que eu nunca estava em casa. Mas daí comprei uma bicicleta ergométrica pra ela e agora está tudo resolvido, ela está sempre na bicicleta. Eu ligo, ela atende “alô? É, amor, estou na bicicleta” — voz ofegante”. E pior que já aconteceu do Cris me ligar enquanto eu estava na bicicleta ergométrica — de verdade, sem metáforas, atendi e falei a mesma frase, e a gente riu muito.