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Meninas boas vão pro céu e as más vão pra qualquer lugar

Esse mundo machista espera que a gente seja bela recatada e do lar. Mas qualquer cara que valha a pena conhecer e ficar não é machista no nível de pensar que você é uma vaca desprezível porque já saiu com outros caras, já transou com outros caras, e fica com outros caras sem precisar estar apaixonada por eles.

Se um cara te desprezar ou desvalorizar porque você não é virgem e recatada, ele não vale a pena, fique longe dele, que bom que você descobriu logo de cara.  Só gente muito idiota pensa que mulheres de 20 e poucos anos não têm todo o direito de fazer o que qualquer pessoa devia estar fazendo nessa idade: experimentando muito.

Essa é a idade pra experimentar, pra ousar, pra pagar mico, pra sair com vários caras. Quem não faz isso com 20 e poucos corre mais risco de se tornar um adulto idiota, ressentido, tapado, moralista. Uma pessoa que não tenha experimentado o suficiente nos 20 e poucos corre o risco de se tornar alguém capaz de cair facilmente na lábia de pessoas imorais porque falta experiência de vida e sobra fantasia do que poderia ter vivido.

Você já viu um filme dos anos 1990, Procura-se Amy? Tem o Ben Affleck no papel do macho babaca. Ele está apaixonado por uma garota, a Joey Lauren Adams, e o mundo desaba quando ele descobre que ela mentiu pra ele, que nem sempre ela foi gay, e que ela era muito promíscua desde o colégio. “Você não se importa de eu já ter dormido com metade das mulheres de Nova York, mas ficou arrasado porque eu fiz algum sexo quando estava no colégio!”. E esse “algum sexo” eram histórias como sexo a três, fazendo boquete num cara enquanto o outro fazia anal com ela (e os dois contam pra todo mundo), ser filmada transando (sem saber) e depois o cara passar o vídeo no circuito interno da escola, e ela fala “e qualquer outra história escabrosa que você tiver ouvido sobre mim provavelmente é verdade”. Ele fica bravo, fala que tem uma diferença entre sexo normal e o que ela fez, que ela foi usada. “Não, eu não fui usada. Eu usei eles! Eu fiz porque eu quis”.

Só gente bem idiota acha que existe essa história de sexo normal. Sexo é desejo e você faz com quem quiser como quiser, se é de consentimento entre ambos ou entre todos, seja mulher com homem, gay, suruba, as pessoas fazem o que quiserem.

Tem uma cena do filme em que o Ben Affleck está num bar, deprimido porque é apaixonado pela Joey, mas não consegue aceitar esse passado, e aparece o diretor (Kevin Smith), que faz o papel de Silent Bob. Ele e o Jason Mewes são uma dupla maconheira que inspirou uns personagens de sucesso do Ben Affleck, que faz papel de quadrinista. Affleck conta a situação, e fala “o que eu vou pensar disso?”, e o Mewes fala algo parecido com o que meu amigo de Limeira falou “você devia se sentir sortudo porque ela já experimentou de tudo e agora decidiu ficar com um babaca como você”.

Sexo é poder. Ter experiências sexuais aumenta o conhecimento e segurança sobre si, sobre os outros, sobre os seres humanos.

Claro, partindo do princípio de que há desejo. Entendo que tem gente que não tem o mínimo de desejo sexual, nesse caso não se deve fazer algo forçado. Mas acredito que é muito importante a gente vencer a barreira moralista do que não podemos fazer por medo de sermos julgadas, especialmente julgadas como putas vacas piranhas.

Pensa como é machista essa ideia de mulher fácil. Como se a mulher fosse um objeto passivo, e não que rolou porque ela também quis. Ou então, a ideia de que se ela quis ela é uma puta. O homem que sai com várias é garanhão campeão mito. A mulher que sai com vários é piranha vagabunda.

Saia com quem você quiser, faça o que você quiser, e coloca como nota de corte a questão da reputação. O cara que tiver alguma aversão a você porque você sai com vários, porque não é recatada, é alguém com quem você não vai querer um relacionamento sério, deixa ele pra lá sem se preocupar que ele poderia ser legal, simplesmente não dá pra fica com homem tão machista a ponto de pensar que uma mulher solteira, ainda mais nos 20 e poucos anos, não tem direito a uma intensa vida sexual.

E se tiver chance, faça um favor pro mundo. Todas as vezes que ouvir alguém falando mal de uma mulher que sai com vários caras, combata isso. Pergunte por que homens podem e ela não. Se a pessoa não é comprometida, está ofendendo quem? O que tem de errado em ficar ou transar? Se ela fez suruba, se foi uma sessão sadomasoquista, ou com frutas e chantilly, se teve anões besuntados ou sei lá o que, o que as pessoas têm a ver com isso? É inveja? Que elas sejam mais ousadas na própria vida sexual, entendam e aceitem que na privacidade e se for de consentimento entre todos os presentes, os adultos fazem o que quiserem.

— x —

Ok, experimente e viva muito, mas vou ter que falar das coisas chatas também.

Nunca custa reforçar: segurança sempre. Camisinha sempre. Engolir porra não é algo pra primeiros encontros, há risco de DSTs.

Há mais de 400 mil estupros por ano no Brasil (45 mil registrados com certeza de subnotificação). A maioria dos casos notificados é de menores de idade, porque uma mulher adulta que sofre um estupro em geral não notifica (no caso das meninas estupradas, um adulto fica sabendo e denuncia). No Brasil não tem muitos estudos, mas na época da USP a gente sabia que tinha estupros dentro do campus. Na faculdade é mais comum ainda o cara confundir liberdade sexual com o direito de abusar e violentar.

Lembra sempre que álcool e sexo é uma combinação perigosa entre gente que mal se conhece. Tenho uma amiga que bebia muito nas festas de faculdade, até que tomou um susto grande. Uma manhã acordou nua na cama de um cara e não lembrava como tinha ido parar lá. Não foi boa noite cinderela, ele era um cara legal, mas ela passou pela humilhação de ter que perguntar pra ele o que tinha acontecido, se eles tinham usado camisinha. Depois disso ela nunca mais bebeu tanto.

Beber bastante e ficar bêbada é maravilhoso, mas tenha certeza de estar num ambiente seguro, com pessoas em quem você confia. Infelizmente a verdade é que estar bêbada aumenta o risco de você ser abusada.

Se mesmo com todos os cuidados tiver algum problema com camisinha, não hesite em tomar pílula do dia seguinte (eu já tomei, duas vezes. Por camisinha mal colocada e pela bobagem de deixar o cara gozar duas vezes sem tirar).

Na minha época não tinha isso, mas sei que hoje em dia também é possível tomar os coquetéis antirretrovirais, mas não sei o quanto isso é fácil de obter num posto de saúde. Mas tem que procurar logo, quanto antes melhor, e estamos falando de horas. O tratamento diminui de eficácia conforme passam as horas, 72 horas é o limite máximo pra começar e o ideal é começar 2 horas depois da exposição.

http://www.drakeillafreitas.com.br/profilaxia-profilaxia-pos-exposicao-ao-hiv-o-que-voce-precisa-saber/

http://ladobi.uol.com.br/2016/11/camisinha-preservativo-estourar/

http://www3.crt.saude.sp.gov.br/profilaxia/hotsite/

Lembra também que prazer sexual não é só coito com porra. Estou falando dos risco de contaminação com sêmen ou fluidos vaginais, mas lembra que os momentos de prazer com outra ou outras pessoas não é uma receitinha de bolo que começa com beijo, depois boquete, depois sexo vaginal, depois sexo anal. Isso é idiotice de filme pornô barato. Há muito prazer na pele, em várias partes do corpo, na provocação, na espera, na ansiedade por mais. É simplesmente experimentar e lembrar que filme pornô é só filme pornô, que somos muito melhores do que isso.

Outra merda que a gente tem que lembrar nos dias de hoje: cuidado com a ideia de nudes, ou de se deixar ser fotografada ou filmada transando. O cara pode parecer bem legal na hora, mas o mundo dá muitas voltas. Eu simplesmente não deixaria.

Desculpe se falei demais das coisas chatas, mas com as DSTs e estupros, infelizmente não dá pra sair pra farrear e experimentar sem ter isso sempre em mente. Na hora da excitação sexual é fácil esquecer de um monte de coisas, mas se esforce pra ser sempre conservadora na questão dos riscos. Camisinha sempre. Cuidado com álcool + sexo. Cautela ao se envolver. Não é errado beijar ou ficar ou até transar com um cara que você acabou de conhecer, mas se você sabe pouco sobre ele, evite ir pra algum lugar isolado de ajuda. Esse terceiro é o mais chato, e eu já quebrei isso muitas vezes, mas a gente sempre tem que lembrar que os riscos existem.

 

Misantropos são invisíveis?

oi …! Adorei seu email, estou bem animada pra falar disso, me pergunte sempre qualquer coisa que quiser.

Você me perguntou se misantropos são invisíveis.

Eu acho que somos sim, pra maioria das pessoas. É triste, mas é compreensível e óbvio. Mais de 90% das pessoas não valem a pena. Mais de 90% das pessoas não fazem ideia de quem nós somos, não há vibe, não há sintonia, não rola. Se mais de 90% das pessoas vivem confusas, sem saber seus valores, quem são, do que gostam, o que é importante, sendo facilmente enganadas e manipuladas, escravizadas pela publicidade, pelos orcs… pensa bem, não faz todo o sentido que essas pessoas não nos enxerguem?

Pra elas somos apenas gente quieta, tímida, feia, sapatas ou sei lá. Porque é assim que elas enxergam o mundo. Ou você é um estereótipo de gostosa, ou não é ninguém.

Quer deixar de ser invisível? É fácil, entre no jogo. Vista-se, mova-se, e fale pra ser vista. Você vai ficar horrorizada, mas é verdade que saia curta, decote, batom são grandes facilitadores. O dia que eu virei o pescoço do Angeli na Bienal estava brincando de colegial japonesa, com minissaia e meião até o joelho. Mas não teria chamado atenção se estivesse de roupas grandes e largas.

Se você tiver uma aparência mais chamativa, você deixa de ser invisível. Pelo menos à primeira vista, pelo menos pra ser considerada ser humano. Você pode escolher não entrar no jogo, mas isso diminui bastante suas chances de começar algo com alguém. Você viu como é.

Hoje eu me sinto bem confortável em ser invisível, em não chamar a atenção. Mas tenho o Cris, há 13 anos. Posso te contar como era quando eu estava na pescaria.

Como falei, cresci me sentindo feia e sem graça, achando que ser feliz como nos filmes não era pra mim, sem conseguir enxergar interesse dos garotos porque ninguém poderia se interessar por alguém como eu. Mas daí em São Paulo aconteceu a tal revolução, que foi o início da minha vida sexual e a descoberta de que padrão de beleza importa pouco se você está disposta a transar.

Fiquei e transei com vários caras só por ficar, por experiência de vida, por achar que isso era bom pra mim como ser humano. Há 20 anos atrás, no início dos chats, quando ainda havia reportagens que falavam do quanto era perigoso se encontrar com gente que você conheceu pela internet. Começávamos a conversar, às vezes a conversa evoluía a ponto de querer encontrar a pessoa, e às vezes rolava.

Você encontra gente ao vivo, às vezes se interessa por um cara, começa a conversar com ele e ele se assusta com você. Eu sei bem como é. E não vou te falar que é fácil. Os vários caras com quem fiquei, fiquei por ficar, mas não achava que ia dar alguma coisa mais séria. Um dos motivos de me apaixonar pelo Cris foi porque ele não tinha medo de mim, da minha intensidade. Claro, depois fomos descobrindo tantas coisas em comum. Mas só de encontrar alguém que não se assusta com você, que não reage com agressividade ou algo assim, já é muita coisa.

Eu também descobri que era mais fácil me relacionar com caras mais velhos ou mais novos. Os da minha idade em geral eram os mais inseguros e agressivos.

O que estou querendo te dizer é que você está mesmo numa situação difícil. Acho que não vai ser fácil ficar com um cara legal, da sua faixa etária, que você conhece conversando ao vivo. O que você me descreveu é o que provavelmente vai continuar acontecendo.

Estamos na pescaria, e talvez você encontre alguém que não tenha medo de você, alguém à sua altura. Mas é pescaria, entende? Tem a espera, o acaso, a sorte.

Você é uma misantropa. Portanto, inteligente, consciente, esperta. Talvez você tenha um pouco de timidez, e sabe o que penso da timidez. Não serve pra nada, é algo pra gente extirpar da vida.

Acho que você devia experimentar mais. Ficar com uns caras sem precisar pensar muito. Como experiência de vida, vivência, curiosidade antropológica. Quando eu tinha uns 24 passei um tempo saindo com um jornalista de mais de 60. Meus amigos estavam horrorizados. “Ele… ele… ele é um velho!” (15 anos atrás as pessoas de 60 eram bem mais velhas do que hoje em dia). Eu não me importava. Também passei um tempo saindo com um garoto de 18, que a gente chamava de meu Lolito, barely legal :).

Experimenta.

Vença o monstro da timidez, ou do medo de ser julgada, de ser rejeitada, e se exponha. Essas coisas fazem muita diferença na vida, tenho certeza de que sou uma pessoa melhor pelas coisas que eu vivi. Somos misantropos, mas também somos inteligentes, e sabe que a interação com as outras pessoas é uma das formas mais intensas e rápidas de aprender, amadurecer, ganhar mais tranquilidade, mais amplitude, mais visão do mundo.

Sabe que eu sou feminista. Mas não vejo nada de errado em jogar o jogo a nosso favor. Em se vestir pra ser vista, em passar batom, em usar decote, isso não diminui ninguém. É só uma forma de chamar atenção, de deixar bem claro que você está querendo chamar atenção. Seria mais fácil se a gente só pudesse ligar uma luzinha verde “tô a fim”, ou a vermelha, mas infelizmente, como não tem a luzinha, temos que lidar com aparência. E lembrando sempre que não importa sua roupa ou sua maquiagem, nada, absolutamente nada justifica um cara ser agressivo ou achar que pode abusar de você. Podemos nos vestir pra chamar a atenção, mas só um cara uga-buga acha que chamar a atenção é sinônimo de abuso.

Você é linda …, tenho certeza. Como todas as pessoas podem ser lindas quando elas se livram dos entulhos de neuroses com padrão de beleza, insegurança, medo de ser julgada, medo de que vão falar mal de você.

Você deve ter uns 20 e poucos anos. É uma fase terrível, os caras são muito inseguros e idiotas, é difícil mesmo… Um dos meus melhores amigos, alguém que eu conheço desde que ele tinha 12, reencontrei umas semanas atrás em Limeira. Fazia 7 anos que a gente não se falava, mas quando nos encontramos, parecia que ontem ele estava em casa tocando violão no meu quarto, a gente cantando músicas do Legião Urbana. Ele está namorando uma menina 17 anos mais nova, ela tem 23. Ele falou que um dos problemas é que ela é muito ciumenta, a ponto dele quase ter terminado. E ele fala coisas do tipo “… você é linda, você é nova, você tem seu trabalho, quem devia ter ciúme sou eu, você não tem motivo pra ter ciúme”. E que ela já perguntou “você não se incomoda por eu já ter transado com outros caras?”, resposta “imagine, de jeito nenhum, acho ótimo que você tenha tido várias experiências. Você ficou com vários e escolheu ficar comigo, é uma honra isso pra mim”, ela “puxa… como é diferente um cara mais velho”.

Imagino como deve ser difícil encontrar alguém legal da sua faixa etária.

Mas tentando ser mais prática, e me desculpa por um texto comprido e sem muita preocupação com estrutura, mas acho que é pela nossa… amizade, acho que podemos nos considerar amigas, faz meses que a gente conversa pelo blog :), estou escrevendo dessa forma mais frouxa, mas voltando, as sugestões são:

1 – experimenta entrar no jogo. Como experiência de vida, como experiência antropológica. Vista-se pra ser vista, usa batom, muda algo do cabelo. Use decote, use saia curta, use calça justa, ou roupas que mostrem que você se sente à vontade com seu corpo. E se olhe no espelho, e arrume seu rosto (daquele jeito que falei, que é menos maquiagem ou acessórios, mas principalmente magia. Energia, pensamentos), se olhe até saber que você é linda. Linda não pra seguir um padrão de beleza, mas linda por gostar de si, por saber quem você é, por ter orgulho de você, sei que você tem orgulho de ser quem é, deixa isso transparecer, deixa que seu olhar, sua linguagem corporal, o espaço que você ocupa transpareçam isso. Sei que também pode assustar os fracos, mas se você estiver vestida pra ser vista, o mix fica bom 🙂

— essa história de se vestir pra ser vista é triste, mas o fato é que os homens morrem de medo de serem rejeitados. Então você tem que dar sinais bem claros de que eles têm chance. Fora isso, na faixa dos 20 e poucos infelizmente rola muito insegurança também, o cara pode até gostar de você, mas ele não vai ficar com você se achar que os amigos podem rir dele porque ele ficou com uma menina que não está dentro de uns padrões mínimos de beleza, entende?

2 – Vista-se pra ser vista, e quando estiver conversando com o cara que te interessa, você tem que tentar a aproximação física. Sabe como é, certo? Você invade um pouco o espaço da pessoa e vê como ela reage, se ela gosta ou não. Toca a mão, o braço, o ombro, em algum momento da conversa passa a mão pelo ombro da pessoa como se fosse um semi-abraço rápido, e vai percebendo se ela gosta disso ou não. É uma dança com passos pequenos. Você dá um pequeno passo, e vê se ele corresponde. Se ele corresponder, você avança um pouco mais. Se ele não corresponder ou até recuar, você também recua. É bem fácil, basta você cultivar sua auto-confiança. E por isso que é importante se sentir bonita. Se você não se sente bonita, é fácil cair em armadilhas de insegurança, transparecer isso na linguagem corporal, na falta de coragem em tentar algo.

3 – Seu cabelo está bom? Eu tive cabelo curto por vários anos, depois cresceu, e hoje em dia sou ruiva a maior parte do tempo, em tons variados, às vezes mais pro cobre, às vezes mais pro incêndio. Pinto todo mês, uso água oxigenada 40. Descobri que faz muita diferença se eu uso cremes leave in ou não. Gostei bastante de uns da Forever Lizz, mas acabou, e resolvi experimentar um baratinho da Tresemeé Keratin Smooth, é ótimo.

4 – Cabelo e pele boas, batom, um pouco de decote ou saia curta, linguagem corporal de quem se sente à vontade com o próprio corpo, e você vai deixar de ser invisível.

Sobre eles tirarem sarro do jeito como você fala… as pessoas podem ser cruéis mesmo. Acho que a melhor estratégia é você tirar sarro de você quando alguém começar a falar. Não se deixe intimidar. Conte alguma história bem ridícula de algo que aconteceu com você, ou tire sarro, compare com algo. Demonstre que você não se incomoda com isso. Eu não saberia dizer qual exemplo usar, mas posso falar de outras situações.

Lembro de uns colegas de trabalho, um deles tinha acabado de ter um filho, o outro (eles são grandes amigos), falou “E o … acha que o filho é dele… mas tudo bem, pai é quem cria”, e o outro respondeu “Cara, sabe que o menino nasceu a cara de um amigo da … que é modelo, mas eu não consigo entender, não sei o que aconteceu”. E teve alguma vez, numa conversa com uns amigos, eu estava com uma mochila e falei “pode por aqui atrás”, eles falaram algo do tipo “sei, pode por atrás”, e eu respondi com algo como “claro que sim, pode por atrás que eu gosto” – e vi que eles ficaram surpresos, porque acharam que eu ia ficar constrangida, ou vermelha de vergonha, e não fiquei. A graça do bullying, mesmo quando não é um bullying pesado, mais aquela azucrinação entre amigos ou colegas, a diversão é incomodar o outro. Se você mostrar que aquilo não te incomoda, perde a graça. Ou vocês riem juntos, ou então eles mudam de assunto.

E os aplicativos pra conhecer gente, você já experimentou?

Experimente. Também é pescaria, mas ao mesmo tempo é mais fácil pra conversar com as pessoas, pra descobrir rápido se há interesses em comum.

Eu acho que você devia fazer tudo. Escolher os momentos que você quer ser vista, saber e sentir que você é linda, enfrentar os momentos de interação e não deixar mais ninguém te zoar pelo jeito que você fala, porque você vai zoar mais ainda, vai mostrar que aquilo não te atinge, que você tem bom humor e sagacidade. E experimentar os aplicativos também.

Será que falei demais? Será que consegui ajudar de algum jeito? Me fale o que você achou, o que você discorda, o que você tem dúvida. É sempre um prazer conversar com você.

Top 10 Mitos sobre Introvertidos

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“Myth #1 : Introverts don’t like to talk.

This is not true. Introverts just don’t talk unless they have something to say. They hate small talk. Get an introvert talking about something they are interested in, and they won’t shut up for days.

Myth #2 : Introverts are shy.

Shyness has nothing to do with being an Introvert. Introverts are not necessarily afraid of people. What they need is a reason to interact. They don’t interact for the sake of interacting. If you want to talk to an Introvert, just start talking. Don’t worry about being polite.

Myth #3 : Introverts are rude.

Introverts often don’t see a reason for beating around the bush with social pleasantries. They want everyone to just be real and honest. Unfortunately, this is not acceptable in most settings, so Introverts can feel a lot of pressure to fit in, which they find exhausting.

Myth #4 : Introverts don’t like people.

On the contrary, Introverts intensely value the few friends they have. They can count their close friends on one hand. If you are lucky enough for an introvert to consider you a friend, you probably have a loyal ally for life. Once you have earned their respect as being a person of substance, you’re in.

Myth #5 : Introverts don’t like to go out in public.

Nonsense. Introverts just don’t like to go out in public FOR AS LONG. They also like to avoid the complications that are involved in public activities. They take in data and experiences very quickly, and as a result, don’t need to be there for long to “get it.” They’re ready to go home, recharge, and process it all. In fact, recharging is absolutely crucial for Introverts.

Myth #6 : Introverts always want to be alone.

Introverts are perfectly comfortable with their own thoughts. They think a lot. They daydream. They like to have problems to work on, puzzles to solve. But they can also get incredibly lonely if they don’t have anyone to share their discoveries with. They crave an authentic and sincere connection with ONE PERSON at a time.

Myth #7 : Introverts are weird.

Introverts are often individualists. They don’t follow the crowd. They’d prefer to be valued for their novel ways of living. They think for themselves and because of that, they often challenge the norm. They don’t make most decisions based on what is popular or trendy.

Myth #8 : Introverts are aloof nerds.

Introverts are people who primarily look inward, paying close attention to their thoughts and emotions. It’s not that they are incapable of paying attention to what is going on around them, it’s just that their inner world is much more stimulating and rewarding to them.

Myth #9 : Introverts don’t know how to relax and have fun.

Introverts typically relax at home or in nature, not in busy public places. Introverts are not thrill seekers and adrenaline junkies. If there is too much talking and noise going on, they shut down. Their brains are too sensitive to the neurotransmitter called Dopamine. Introverts and Extroverts have different dominant neuro-pathways. Just look it up.

Myth #10 : Introverts can fix themselves and become Extroverts.

A world without Introverts would be a world with few scientists, musicians, artists, poets, filmmakers, doctors, mathematicians, writers, and philosophers. That being said, there are still plenty of techniques an Extrovert can learn in order to interact with Introverts. (Yes, I reversed these two terms on purpose to show you how biased our society is.) Introverts cannot “fix themselves” and deserve respect for their natural temperament and contributions to the human race. In fact, one study (Silverman, 1986) showed that the percentage of Introverts increases with IQ.”

De: http://carlkingdom.com/10-myths-about-introverts

 

 

https://www.amazon.com/Introvert-Advantage-People-Thrive-Extrovert/dp/0761123695/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1502394226&sr=8-1&keywords=the+introvert+advantage

Dizem que é um bom livro: “The Introvert Advantage dispels introverts’ belief that something is wrong with them and instead helps them recognize their inner strengths-their analytical skills, ability to think outside the box, and strong powers of concentration. It helps readers understand introversion and shows them how to determine where they fall on the introvert/extrovert continuum.”

 

https://www.wired.com/2011/06/top-10-myths-about-introverts/ “I feel like someone has written an encyclopedia entry on a rare race of people to which I belong. Not only has it explained many of my eccentricities, it helps me to redefine my entire life in a new and positive context.”

Problemas com família, dinheiro, gostar de si, vida estagnada

oi meu amigo. Vou te responder pelo blog porque é daqueles assuntos que pode interessar a outras pessoas.

Problemas na família, problemas com dinheiro, auto estima pela parte visual do corpo, vida estagnada

É foda.

Posso não ter problemas com dinheiro agora, mas passei um bom tempo da minha vida vivendo com pouco, sei o que é querer ter roupas bonitas e não ter dinheiro, querer fazer passeios ou sair com os amigos e não ter dinheiro.  No geral não tenho problemas com a família, mas quando aparecem é como um elefante na sala. Também sei o que é ser infeliz por pensar “não sou bonita, não sou atraente, quem vai se interessar por mim”. E também sei o que é se sentir estagnado, pior até, achando que nada nunca vai acontecer na minha vida, pra que continuar vivendo, será que eu não devia simplesmente saltar da janela do 12o?

Vou te falar de coisas que já conversamos, espero que você não se importe de ouvir de novo. Eu não me importo de escrever de novo, porque sei que nossos problemas não desvanecem como fumaça. É um longo caminho numa espiral, a gente passando sempre pelo mesmo ponto x, mas um pouquinho melhor no y.

Vou falar de cada tema.

Família

É horrível ter problemas com a família e sei como é difícil não pensar neles, como eles parecem ocupar tudo, contaminar tudo. Mas também é verdade que o ser humano é inteligente e adaptável, especialmente os misantropos 🙂 Se você tem problemas frequentes com a sua família, você tem que criar suas formas de desconectar deles. Válvulas de escape. Pequenos rituais.

  • Você pode escrever furiosamente tudo que gostaria de falar pra eles e não pode. Guarde isso, ou queime, imaginando que sua raiva está queimando junto.
  • Montar uma trilha sonora especial pra ser ouvida muito alto nos fones, e depois dessa meia ou uma hora de terapia musical você abre os olhos, grita muito (se não puder gritar, se imagine gritando), e fala coisas como “cansei dessa bosta”, “eu não mereço isso”.
  • Arrume alguma atividade física extenuante.
  • Invente uma novela em que as pessoas da sua família são os personagens, e você os coloca nas situações mais absurdas, os diálogos mais cafonas, as situações mais Tarantino ou Irmãos Cohen. O humor sempre ajuda.
  • Crie algum ritual de ir pra um determinado lugar jogar pedras no mar, ou ir comer alguma comida específica, ou ir pra algum ponto da cidade desenhar.

Alguma coisa você tem que fazer. Quando os problemas são pesados, em geral só pensar não adianta, a gente fica no loop. Uma ação, atividade, ou mesmo só de escrever pode te ajudar a sair dele.

E como você falou, é sempre importante lembrar que você não tem culpa da sua família ser como é. E que sua família não é você, vocês são entidades separadas. Muita gente vive como se fosse uma coisa só, mas é totalmente possível ter vidas independentes e ser honrado. Você pode se afastar deles, e se aproximar quando precisarem de ajuda — e você puder ajudar.

 

Dinheiro, gostar de si, auto-estima

é muito difícil mesmo. E esse problema em geral afeta todas as outras áreas. Não sei bem em que nível são seus problemas, se é de não conseguir pagar as contas, ou se é de não poder comprar uma calça, um sapato, sair no sábado com os amigos. Desconfio que não seja no nível de não conseguir pagar as contas, então vou escrever por aí.

É chato não ter dinheiro. Mas não é motivo de vergonha. Sei que é uma droga não ter dinheiro pra comprar uma calça nova, mas fazer o quê? Ninguém que presta vai te apreciar menos porque você não está com roupas novinhas ou da moda.

Sair nos fins de semana custa dinheiro mesmo. Mas você pode pesquisar e sugerir locais mais baratos ou até passeios que não custem, que sejam só caminhar por algum lugar.

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Você tem que enfiar na sua cabeça que ter pouco dinheiro e não ser sarado não são motivos pra alguém não gostar de você. A história da menina que te esnobou? Foi feio o que ela fez, entenda que ela é a feia nessa história, não se trata as pessoas assim. E qualquer um que te desprezar porque você não está com roupas novinhas ou porque não tem um super bíceps, essas pessoas não te merecem.

Tenha certeza de uma coisa: quem vale a pena você se conectar, seja como namoro ou amizade, não vai ficar reparando se você está com roupas bem novas, se você é bombado. Se as pessoas julgam por isso, elas não servem pra você.

Não tem nada de errado com você, pelo contrário, você tem muitas qualidades.

ESPERO SINCERAMENTE que você esteja trabalhando na porra da sua lista de qualidades (quando você me viu usando maiúsculas no blog ou nos emails?), e que a lista esteja grande. É uma das poucas coisas bem simples e eficazes que a gente pode fazer pra combater os quartinhos fedorentos, e se você não estiver trabalhando nisso, se  tenta escrever e não sai nada, você está muito fraco e covarde. Tem que escrever, com a generosidade como se estivesse falando de um amigo querido. Só que é muito mais do que isso, é você, e você tem que cuidar muito bem de você. Você é a pessoa que mais devia te amar e saber sobre você.

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Aura, energia, projeção. Saber de cor suas qualidades e por que você é incrível. Se olhar no espelho até saber que você é lindo e incrível.

Quando comecei a namorar o Cris eu era pobre, tinha espinhas, cabelo curto, dentes tortos (não são muito retos até hoje, mas os dois da frente eram desalinhados), usava óculos. E o Cris era o sócio-diretor da empresa onde eu trabalhava, recém-separado, alto, filho de europeus.

Se eu pensasse “sou pobre, feia, quatro-olhos, japonesa, sem graça” nunca haveria nem chance da gente começar um relacionamento, porque quando a gente pensa assim, nós projetamos isso na nossa energia, nas nossas ações e palavras. A gente se boicota na linguagem corporal, nas coisas que a gente faz, nas nossas decisões e pensamentos.

Essa é a fonte de tantos problemas das pessoas.

Mas você, meu amigo, tem a possibilidade de superar isso. Com a porra da sua lista, e com uma mudança na sua disposição em se dar mal e se machucar.

 

Vida estagnada

Onde a mágica acontece?

Não é fechado em casa. Não é na rotina do dia a dia, fazendo sempre as mesmas coisas, vendo as mesmas pessoas.

A mágica acontece na interação com outras pessoas. Seja amigos, amor, inimigos, traíras. Você tem que se relacionar mais, se abrir mais, experimentar mais, se foder mais.

As pessoas têm essa ideia tão, mas tão errada de que você tem que se proteger, se resguardar. Não.

Pensa bem: “se proteger, se resguardar”, sabe o que é isso? É ficar dentro de uma caixinha.  Colocar uma parede de vidro entre você e o mundo. Seguro, tranquilo, sem perigos. Bom, não? Só que estéril também. Estagnado. Morte.

Bom, eu sei que esse seu ressabiamento tem a ver com sua insegurança. Mas você é um misantropo. Usa a porra da sua inteligência pra alimentar a porra da sua lista (espero que você esteja rindo como eu estou). Pare de ser injusto com você, olhe pra você com mais carinho, com menos distorção.

A gente é tão inteligente, pra que serve tanta inteligência se a gente não consegue nem mesmo nos julgar? Se a gente não consegue pensar nas coisas, nas pessoas, na gente, aplicando princípios e valores? Posso estar mal no quesito dinheiro, roupas novas, bíceps? Mas esses são os meus valores? As pessoas que eu quero perto de mim, eu gostaria que esses fossem os valores delas? Claro que não? Então por que eu estou me preocupando tanto com isso? Só porque isso parece ser o que mais importa pra tanta gente? Foda-se o que a maioria das pessoas quer, eu sou uma pessoa especial e incrível, sei que existem outras pessoas como eu, e mesmo que sejam poucas, eu vou me conectar com elas.

 

Você vai gostar mais de você. Pensar em você com mais generosidade. Se olhar no espelho e gostar de você. Pegar seu celular ou alguma camerazinha e tirar várias fotos de você, até ter várias que te representem, que você esteja lindo, brilhante, confiante, o que você quiser projetar. E vai pensar em você assim.

Você vai ter que se expor mais. Se relacionar mais, arriscar mais, e com isso provavelmente você vai se foder mais, mas isso é o que estar vivo. Fora da caixinha protetora.

Você tem que conhecer mais gente, e você tem que ser menos fechado. Não tem outro jeito de deixar de ter vida estagnada.

“Elas vão me machucar”, dane-se. A gente está tão acostumado a dores e problemas, vai doer na hora, depois sara. Pensa em quantas pedreiras você já enfrentou na vida, que você enfrenta. Uma a mais ou a menos. Você é forte! Só precisa tirar da cabeça essa ideia de agir pra se resguardar, pra não se machucar, porque isso também te impede de viver.

 

A porra da lista.

O hábito diário de se olhar no espelho e saber que você é uma pessoa incrível por tais e tais e tais e tais motivos.

A consciência de que mais de 90% das pessoas não valem a pena, então, se estou me dando mal, tenho que lembrar que a proporção de acerto e fracasso vai ser por aí.

Se livrar totalmente do medo de se ferrar. De ser julgado. Das pessoas falarem mal, de ficarem rindo pelas suas costas. E daí? Exponha-se mais. Você pode ter os risinhos dos que não te interessam, mas vai atrair a atenção dos 10% com quem vale a pena se conectar.

Extirpar dos seus miolos a ideia de que tem algo de errado com você. Se você não conseguir de uma vez, faça um teste. Alguns dias, brinque de personagem, de andar com se você fosse uma pessoa que é lindo, incrível, inteligente, sensível, carinhoso, leal, ponta firme, sabe desenhar, não tem problemas cabeludos — ou melhor, que consegue separar as coisas, e sabe que os problemas cabeludos não são você, que você não tem culpa de nada. E que também sabe que a vida é finita, absurdamente bela e frágil, e que a gente tem a obrigação de viver todos os dias horando essa consciência, tentando fazer do nosso dia um dia bom.

A gente tem que cuidar da gente. Temos obrigação de nos conhecer, gostar de si, nos amar, ter uma vida boa. Você é misantropo, você tem consciência sobre si e sobre o mundo, não tem desculpa pra não agir, pra não lutar contra os seus quartinhos fedorentos e vencer.

Ame-se mais.

Assédio moral, agressividade, gente que não deixa barato, quando vale a pena fazer o circo, nunca deixe alguém te falar que você é melindrosa ou que sua reclamação é mi-mi-mi, e quando você descobre que você estava errada

Ontem passei por uma situação que envolve tantos temas que nem sei por onde começar.

 

Os fatos

Num grupo de WhatsApp de gente que eram meus amigos e colegas em Limeira, 20 anos atrás, um dos caras passou a mandar muitos quadrinhos, vídeos, piadinhas, panfletagem contra PT, Lula, Dilma. Pessoas com quem eu andei falando, todos diziam como aquilo estava chato. Pensávamos até em criar outro grupo. Daí eu decidi que era errado criar outro grupo e pedi, da forma mais delicada que consegui escrever, pro cara parar.

Ontem nesse grupo escrevi um texto tirando sarro com o fato de que eu faço treinamento funcional quase 1x por semana (porque falto muito, viajo, saio do pique), puxando assunto sobre atividade física com outras pessoas. Esse cara pra quem eu havia pedido pra parar com os repasses participou da conversa, mandou um áudio dizendo que realmente era ridículo essa história de quase 1x por semana (mas não era um ridículo de amigo, eu senti que tinha um outro tom, mas não era nada grave), e no meio do áudio me chamou de “tia”. Eu comecei a reclamar do “tia” – que é tão horrível quanto “senhora”, pergunte pra qualquer mulher, só aceito ser chamada de tia quando estou na companhia dos filhos dos meus amigos, de parentes 🙂

E nessa hora aconteceram duas coincidências infelizes. Meu celular tocou, era uma amiga pra quem eu tinha ligado antes e com quem não falo há meses. E um amigo tirou o tal cara do grupo, pra zoar. Falou que o fulano foi mal educado comigo e por isso ficaria 2h fora do grupo.

O fulano achou que eu tinha tirado ele do grupo e mandou um áudio quase me xingando, e reclamando de eu ter pedido pra ele parar com os repasses, dizendo que pras outras eu não falava nada. Ele estava mandando um monte, depois que ele parou, uma menina mandou um quadrinho tirando sarro de São Paulino num dia, na semana seguinte mandou a montagem do Papa com o Trump. Ele falou que pra ela eu não falei nada, e que eu usava dois pesos e duas medidas.

 

O circo

Eu podia ter só deixado passar, mas resolvi subir nas tamancas e reclamar dele falar que eu era desonesta e injusta – que é o significado de dois pesos e duas medidas.

Resumindo várias idas e vindas, falei que éramos um grupo de amigos, que a gente devia ser sempre franco uns com os outros, que se ele tinha ficado chateado com o que eu falei e achou que eu estava sendo injusta devia ter me falado, que era uma questão da alta frequência com que ele estava mandando os repasses, que eu poderia fazer um gráfico pra mostrar pra ele. Que a gente tinha que falar e se resolver, que qualquer coisa que nos chateia tem que ser falada na hora senão envenena, que ele devia ter me falado e que eu estava falando agora pra ele que tinha ficado chateada por ele duvidar da minha honra e caráter, por dizer que eu usava dois pesos e duas medidas. Que ele podia me mandar tomar no cu, eu mandaria ele se foder, e pronto, estava resolvido.

Ele me falou que eu era melindrosa, que era um saco ter que ficar pensando em tudo que você vai falar, que estava de saco cheio de mi-mi-mi, que nem com o filho de 17 anos ele tinha que ter conversas desse tipo, e escreveu coisas do tipo “ô loco, até conversa sobre gráfico saiu” – que é uma das técnicas retóricas sujas. Você está discutindo com alguém, na presença de um grupo, e em vez de conversar com a pessoa você faz comentários pro grupo, debochando de algo que a pessoa falou. O que eu também reclamei, falei “não, fulano, fale direto comigo, não escreva com deboche sobre algo que eu falei, fale direto comigo, aqui”.

 

O discurso cala-a-boca e o abandono

“Estou de saco cheio desse papo, você é cheia de melindres, isso é tudo mi-mi-mi, que droga ter que ficar falando disso” – vocês sabem o que é isso, não sabem? É o típico discurso contra minorias. É frequentemente usado contra manifestações feministas, e qualquer outra minoria.

Veja, não era uma situação de luta feminista. Era só uma situação de “o que te ofendeu não tem a menor importância e você é uma fresca por estar reclamando disso”.

Senti uma fraçãozinha do que sentem as pessoas que passam por assédio moral ou sexual, ou situações de racismo, homofobia, e muitas vezes não têm pra quem recorrer, ninguém acredita, ninguém se importa.

Os meus colegas que tinham me falando o quanto o fulano estava chato, sabe o que eles fizeram? Nada. Tinha pelo menos quatro pessoas que eu sabia que também estavam descontentes com os repasses do fulano, mas ninguém quis falar isso pra ele, nem em público, nem em particular (conversei no privativo com um deles).

Por coincidência, ou não, mais tarde, depois de já ter acabado a discussão, a Ju me mandou um áudio com um pequeno comentário sobre uma situação que ela viu, contei pra ela por cima do que tinha acontecido comigo, e chorei. Ela falou que a gente vive mesmo num mundo de merda e que eu tinha todo o direito de chorar.

À noite quando o Cris chegou contei pra ele durante o jantar, ele ouviu tudo, me falou coisas boas do tipo “você é assim mesmo… deixar barato não é com você. Outras pessoas poderiam só ter deixado pra lá, mas você não é assim, você é espinhuda mesmo, muita gente nem desconfia”.

 

Promoção de valores, sobre quando não brigar, e consequências do circo

Eu acredito que pra um grupo de amigos a gente devia falar de qualquer coisa que nos chateia, e que só vale a pena se relacionar voluntariamente com um grupo de pessoas se for pra ser com franqueza e honestidade. Expressei isso.

Sou contra o discurso de “vamos deixar isso de lado, deixa pra lá” – enquanto não tiver havido uma discussão intensa. Claro que sou contra ficar prolongando por dias, mas acho errado evitar qualquer confronto.

A maioria das pessoas teme o confronto, acham que é sempre errado só porque é tenso ou desagradável na hora. Mas não é verdade. Se você quer se relacionar de verdade com as pessoas, a coisa mais errada que tem é engolir sapo e ir envenenando a alma. O confronto serve pra não criar o veneno. Ou você resolve, ou você rompe, mas nada de relacionamentos que são só uma fachada.

 

Quando eu não discuto? Com a minha sogra e meu cunhado, por exemplo. Porque não tenho nenhuma esperança de que vá mudar as opiniões deles, e porque acho que isso traria um grau desnecessário de tensões nos nossos encontros. É muito melhor eles acharem que sou burra, que não tenho o que falar, que não tenho assunto, do que eu expressar o que penso de verdade e queimar o filme pra sempre.

Ou seja, com parentes, colegas de trabalho, qualquer um que você tem que conviver, não que você está escolhendo conviver, acho que o certo é assumir a postura garantida do não-confronto, da máscara social.

 

Uma das consequências do circo: uma das pessoas do grupo, que estava bem calada até então, e que não vai poder participar do encontro em junho, quer me rever e almoçar comigo.

O circo geralmente tem um grande desgaste com seu oponente, mas também é o momento pra você expressar seus valores, seus pensamentos, e atrair gente que sintoniza com você.

É cansativo e estressante, mas todos os circos de que participei até agora renderam.

 

Descobrir que você estava errada e ter que pedir desculpas

Ontem o cerne das minhas reclamações foi o fulano ter me falado que eu usava dois pesos e duas medidas. Fiquei ofendida e reclamei claramente disso. Ele não me falou “eu só envio 1, 2, no máximo 3 repasses por dia, tem dias que não envio”, ele falou “que saco ter que discutir isso, que saco ter que pensar no que vou falar, você é cheia de melindres, isso é mi-mi-mi”.

Hoje acordei cedo como sempre e descobri que o fulano estava certo em se sentir injustiçado, e que eu estava errada em dizer que ele tinha um alta frequência de envios de repasses.

Juro.

Que cacete, não?

Fiz uma tabela com os dias e as quantidades de repasses dele, e descobri que ele estava enviando cada vez menos, e que eu não tinha direito de ter pedido pra ele parar de mandar, porque o fato é que ele já estava mandando numa quantidade razoável. Fiquei uns minutos olhando pra tabela, pensando no que eu ia fazer, e decidi pedir perdão público no grupo. Minha dúvida sobre o que fazer não era receio de assumir o erro, era considerações de que muita gente acha que esse assunto já deu, nem devia ter começado, e que vão achar errado eu voltar a falar dele. Mas eu errei. Briguei com alguém partindo de uma premissa errada. Achei que tinha que pedir desculpas públicas.

Colei abaixo o texto que mandei pro grupo.

 

E se você chegou até aqui no texto, obrigada. Quis compartilhar algo tão comprido porque achei que era um dos momentos pra falar de teoria na prática.

 

Continuando a conversa sobre agressividade

Sobre agressividade, A., acho que nunca vou deixar de ser agressiva, espinhuda. Reconheço que há formas de falar as coisas, que há momentos em que é melhor calar e parecer burra do que criar polêmica, e há outros em que eu podia deixar a molecagem de lado.

Acho que serei sempre agressiva, porque o fato é que franqueza e verdade são coisas agressivas. Mesmo o tal episódio de Girls, com a garota borderline, ela era agressiva com todos do grupo, com sarcasmo e deboches, mas o que a fez ser duramente repreendida pelo moderador do grupo foi porque ela falou que a outra garota do grupo era lésbica e ainda não tinha se descoberto. Isso fez a garota lésbica jogar café na borderline e sair pisando duro. Mas era verdade, e depois a borderline prova isso transando com a outra e sendo pega pela administração.

Outra verdade doída? “Seu filho está com problemas de desenvolvimento, você devia procurar ajuda, dar uma atenção especial pra ele, mudar sua rotina, ser capaz de fazer coisas que você não gosta de fazer pra fazer coisas que uma criança precisa fazer, como aprender a nadar, aprender a andar de bicicleta”.

É o tipo de verdade que faz as pessoas mandarem você calar a boca, nunca mais fale do meu filho.

A molecagem é a provocação, não é a pura verdade, é quando falo coisas que eu sei que vão ofender. 3×4-Sensação. O Cris, e o Universo, estão certos em dizer que o Sensação era desnecessário. Há formas muito mais neutras de descrever esse tipo de foto, mas eu escolhi a molecagem só pela diversão, e acho que esse é o tipo de coisa que eu devia evitar.

Essa foi uma jornada bem interessante pra refletir sobre um tema. Começou com um seriado visto em avião, que rendeu um postzinho, que rendeu umas boas conversas com leitora do blog, e culmina aqui. Com essa porra de orgulho de ser espinhuda, não ter medo de confronto, expressar meus valores, ser cabeça dura mas não a ponto de não reconhecer que errei e pedir desculpas públicas, não a ponto de reconhecer que posso evitar a molecagem.

 

Obrigada pela conversa, A.. Escreva sempre.

 

=== texto pro grupo de Limeira

Queria pedir desculpas pro …. …, eu agi errado em te pedir pra parar com os repasses. Não sei como foi com você, mas eu fiquei muito chateada e incomodada com nossa discussão de ontem, não tanto com você, e mais por eu ter protagonizado um tumulto num grupo de amigos.

Hoje eu fiz uma contagem, que é a base de um gráfico. Meu marido é economista, eu trabalhei numa consultoria econômica. Fazer um gráfico não é uma expressão como “deixa eu desenhar pra você”, é um jeito de mostrar dados, e não há retórica, são apenas dados.

Sabe o que eu descobri?

Que você tem razão em se sentir injustiçado. Você passou um período de uma semana com uma frequência mais alta de repasses, e nas duas semanas seguintes passou a enviar bem menos, em alguns dias não enviou, em outros foram 1, 2, no máximo 3. Num período de 22 dias você enviou uns 50 e poucos, o que dá uma média de menos de 3 por dia. Mas se alguém me perguntasse, eu diria que você mandava pelo menos 5 por dia, que é a média da primeira semana.

Eu parei de prestar atenção no grupo da …, que parecia ter virado um grupo que só tinha os seus repasses, e com temas que eu não gosto. Principalmente política. Eu panfletei pelo impeachment, mas não gosto de ver as polarizações de coxinha x mortadela e a demonização do PT e do Lula. Pra mim a nossa luta é contra corrupção, não contra um partido ou algumas figuras.

Sei de outras pessoas que estavam incomodadas com as postagens. A gente tinha até falado de criar ou outro grupo, um subgrupo de gente que estava disposta a se reunir. Mas depois achei que seria errado essa história de subgrupo, que era preciso ter inclusão de todo mundo.

Nessa tentativa de não excluir ninguém, eu errei. Deixei meu emocional, o fato de eu não gostar dos seus repasses, falar mais alto do que os fatos, que deveria ser fazer uma contagem desde o começo, que mostraria que você estava enviando cada vez menos.

Você tem razão em se sentir injustiçado. Quando eu te pedi pra não mandar mais repasses, você não era mais uma pessoa que mandava um monte de repasses por dia, e eu falei como se fosse, só porque eu não gosto do conteúdo. Isso foi muito errado da minha parte.

Por favor, sinta-se livre pra enviar o que quiser, na questão de quantidade não vejo nenhum problema em mandar até uns 3 por dia, que foi o máximo que você estava fazendo. Na questão do conteúdo, como não é nada obsceno ou discurso de ódio não tem motivo pra eu dizer que não pode, as pessoas são livres pra expressar sua opinião.

Peço desculpas de coração.

Pode enviar os quadrinhos que quiser, e juro que nunca mais vou reclamar deles.

Um abraço,

Claudia

Pra A.G., pensamentos sobre agressividade e orgulho de ser quem somos

Sabe, A., você me fez me sentir foda e incrível, obrigada, obrigada, obrigada, do fundo do coração. Não tenho prazer quando faço um álbum de fotos feitas pra impressionar e chovem elogios, não gostava de ser chamada de inteligente, foi sofrido receber os troféus de melhor aluna da cidade no primeiro e no segundo grau. Mas pensar nos meus leitores. Saber que posso escrever, e uma pessoa que nunca me viu vai ler (esses textos monstruosamente grandes), e que aquilo pode ajudá-la de alguma forma a gostar mais de si, a se sentir menos sozinha ou menos estranha, a se conhecer melhor, a viver mais feliz, a se questionar. Isso me deixa nas nuvens, faz eu me sentir foda, grande, não pra me pavonear, mas é um orgulho muito grande aqui dentro do peito, do tipo que não contaria pra ninguém exceto os bem queridos e os queridos leitores desconhecidos. Em geral fujo de qualquer coisa que cheire a orgulho (pode ser de personalidade, mas também sei que é cultural, o livro do Wabi-Sabi comenta que os japoneses têm como valor cultural não cultivar glória pessoal), mas eu senti isso e quis contar. Que eu tenho um puta orgulho de pensar que tenho leitores como você. O que você me escreveu é digno de Dr. Lecter, meu lado canibal vai ficar satisfeito e sossegado por um bom tempo.

O lado canibal. Acho que é porque o que você contou mostra um pouco de quem você é, da pessoa incrível que você é, e saber que você gosta das coisas que escrevo me enche de orgulho. Como abrir um restaurante e ser elogiada por um crítico gastronômico, ou receber a visita de um outro chef que quer saber como faço tal prato. Um momento pra pensar na fraçãozinha de pessoas que valem a pena, e não nos 90% que nos exasperam.

— x — x

Estou pensando nas coisas que você escreveu. Eu não sei. Ando numa fase em que tenho me dado o direito de pensar que não sei, talvez sim, talvez não. Sem nenhuma certeza sobre o que quero fazer.

Tenho certeza de que o caminho mais polido é mais seguro, e que o Cris ou o Universo estão certos em me falar que se eu for menos agressiva eu consigo chegar mais longe como pessoa jurídica (lutas pela natureza) e pessoa física (interações com amigos e família).

Mas é o que eu realmente quero?

Não sei.

Não tenho certeza se quero mesmo ser a pessoa que não escreve batendo, que não fala batendo. Hoje mesmo não consegui, menos do que não conseguir, nem tentei. Dei uma chapoletada no meu BFF, acho que o chateou, mas era verdade e talvez seja útil, e se eu não falar pra ele, quem vai falar? Estávamos falando da namorada dele, perguntei por que ele não falava tais e tais coisas pra ela, ele disse que fala, mas que ela não dá bola porque santo de casa não faz milagre, o que em geral é verdade, mas deu exemplo ruim. Falou que se ele chegar dizendo “gente, a casa está pegando fogo”, com a voz bem tranquila, ninguém vai se importar, que ele teria que chegar gritando, agitando os braços (coisas que ele odiaria fazer). Falei “mas você é uma pessoa conhecida por falar muitas coisas zoeira. Se você fala tudo do mesmo jeito, não é culpa das pessoas se elas não souberem quando você está falando coisas sérias e importantes. Se você não torna o momento solene ela tem motivos pra não dar bola pros seus conselhos”.

Não falei achando que foi agressivo, mas ele ter ficado quieto depois me indica que pode ter sido.

Depois encontrei uma pessoa que foi minha amiga durante muito tempo, ou pelo menos eu achava que era. Teve uma época que eu achava que ela era minha melhor amiga, e ela é uma das minhas inspirações pra juntar vários quadrinhos de Pinterest que falam sobre deixar de ser trouxa, amor-próprio, etc. Não converso com ela faz muito tempo, talvez mais de 2 anos. Eu e meu BFF concordamos que um momento que marcou o rompimento foi ela ter me mostrado o perfil do Tinder, perguntado o que eu achava, e eu falei. Nada contra perfis de Tinder, o dela é que estava com coisas que eu achava errado. Claro que esse não foi o único motivo, a gente já vinha se afastando faz tempo, mas aquele foi um ponto que marcou. Hoje a revi, num enterro. Nos abraçamos, falamos algo sobre não nos vermos há muito tempo, e pra minha grande surpresa ela falou algo como “estou sempre chamando vocês pra beber e vocês nunca aparecem”, eu “nossa, que mentira!”, e rimos.

Era o enterro da mãe de um amigo querido, então nada de polemizar na hora. Mas fiquei surpresa (faz muito anos que ela não me convida pra nada. O tal momento de descobrir que eu era trouxa foi perceber que só eu convidava, oferecia jantares na minha casa, e ela nunca me convidava pra nada), e teria falado disso mais explicitamente se não fosse o momento delicado, então só deixei passar. Mas não consegui deixar de dizer “que mentira”.

— x — x

O amor-próprio misantropo. O se amar. Esse enamoramento por si, por tudo que é nosso, só porque é nosso. Será que todo mundo é assim? Em geral qualquer um tem dificuldade pra aceitar que tem defeitos e que deveria mudar, mas há uma imagem romântica que alimento, não sei se é assim com você também.

Passei muitos anos da minha vida achando que tinha algo de errado comigo. Triste por não conseguir ser falante, alegre, leve, inconsequente e risonha como meus amigos. Me sentindo sempre desenquadrada de qualquer coisa, à parte de tudo. Me sentindo feia, chata e sem graça.

Como contei, no início dos 20, o começo da minha vida sexual e a influência do meu BFF mudaram muita coisa, fui aprendendo a gostar de mim, a ter orgulho de mim.

A imagem romântica é pensar que esse enamoramento por si é fruto dessa época de sofrimento. Que não foi fácil gostar de si, quando o mundo inteiro parecia dizer o tempo todo que estávamos errados no nosso comportamento, personalidade e, no meu caso, minha cara. Crescer se sentindo miserável por não ter um rosto comum como das outras pessoas, por não ser bonita como as meninas bonitas.

Acho que foi uma historinha do Questão (personagem de HQ) que o parceiro dele consegue um super carro, algo com um super-motor – mas monta tudo num chasi de Fusca. Eu sabia que era inteligente e perspicaz e esperta. Mas tenho esse chasi de Fusca.

Foi difícil aprender a gostar de mim.

Foi assim com você também?

Talvez. Talvez seja o motivo… acho que pra qualquer um é difícil aceitar a ideia de que temos defeito e que devemos mudar, mas acho que pra muitas pessoas é tapadice e burrice. Mas pra gente, talvez o primeiro motivo seja esse orgulho de sobrevivente de naufrágio. Levei décadas pra aprender a gostar de mim e agora ninguém me tira essa porra de orgulho de gostar de mim, talvez algo por aí?

Se você me disser que sempre gostou de si, daí não sei o que falar, teria que pensar numa outra hipótese.

Acredito que há sim um caminho de ponderação, algo que talvez pudéssemos fazer sem abrir mão de quem somos, mas vai ter que ficar pra um outro post. Vou tentar dormir e acordar cedo, volto amanhã ou daqui a uns dias, mas saiba que estarei passarinhando e pensando nessa nossa conversa.

Um beijo.

misantropia

Na torre misantropa, mas nem tanto

Fico falando que eu sou misantropa velha, com marido, amigos queridíssimos, sentido pra vida, tranquilidade, que eu tenho o ticket dourado e posso ficar muito tempo sozinha.

Mas conversar com vocês também me influencia. Posso ficar na torre, mas decidi que ia aplicar um pouco dos meus conselhos sobre exposição e técnicas pra conhecer gente legal.

Nesta semana compartilhei os links do G1 com as minhas fotos (ou melhor, fotos tiradas por mim). http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2017/03/avestruzes-tomam-banho-de-areia-e-sao-fotografados-na-africa-do-sul.html.

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/vc-no-terra-da-gente/noticia/2017/03/macaco-prego-dourado-e-galo-da-serra-andino-fazem-parte-de-galeria.html. Aliás, eu descobri que qualquer fotógrafo de natureza pode ter fotos publicadas no G1, se quiser saber como, leia este post: http://virtude-ag.com/eu-divulgo-natureza-voce-no-terra-da-gente-mar17-por-claudia-komesu/

Esse link rende pouco retorno. Daí eu faço um álbum com as fotos que estão no link, e aí sim recebo um monte de comentários, elogios pra me deixar desconfortável, mas tenho a oportunidade de falar como é importante divulgar a natureza.

Também me meti numa conversa em que um amigo, um guia ornitológico de quem eu gosto bastante, pergunta por que compartilhar fotos boas no Wikiaves. Outra oportunidade pra fazer discursos sobre a importância de divulgar a natureza, fazer o bem, se unir com outras pessoas que queiram fazer o bem.

Nesse post havia gente com postura bem contrária ao altruísmo, mas não discuti com eles. Só falei pra esse meu amigo “circule suas fotos. Foto guardada no computador não ajuda a natureza. Se você tem fotos boas e não divulga, é como enterrar um tesouro”. Sei que tinha várias pessoas acompanhado o debate, algumas curtiram.

Aproveitei esse raro momento de atividade no Facebook pra continuar chamando a atenção de quem estiver antenado. Hoje contei de alguns livros e filmes que já me fizeram chorar muito, por motivos particulares, e pedi pras pessoas contarem histórias próprias. Falei que estou numa campanha por mundo mais humano, por gente menos de papelão.

Está rendendo.

É simples assim: quem acha o tema um porre, me chame de chata, babaca, ignore. Não me importa. Aliás, não saber contar algo sobre você ou que te comoveu pra mim já é fator de corte.

Mas eu entro no radar das pessoas que buscam um mundo mais humano. Elas sabem que podem conversar comigo sobre determinados assuntos e, igualmente importante, essa informação te fortalece nos momentos em que você está rodeado de futilidades, leviandades. Você lembra que nem todo mundo é assim.

Foram dias bons pra aumentar minha reputação de fotógrafa, promover a importância de divulgar a natureza, em pensar no bem do mundo e não só em questões pessoais, pra me expor como pessoa.

E você, meu querido leitor misantropo, tem se exposto mais?