Aos misantropos e outros leitores queridos

Queridos, estimados, importantes e neglegenciados fiéis leitores,

Peço desculpas pela falta de regularidade nas postagens. Não é falta de interesse no blog, não é falta de assunto, é só falta de tempo. Quer dizer, eu tenho tempo, mas tenho escolhido ficar com o Cris e o Daniel, me manter firme na academia (ainda não escrevi sobre isso), e tem toda esse turbilhão nos assuntos relacionados com parques e birdwatching. Também tenho escolhido dormir, não muito, mas tem tardes em que eu simplesmente pifo. Desculpem. Gosto muito daqui, sinto que o .club é um espaço aconchegante, aos poucos vou colecionando as grandes alegrias de saber que algo que eu escrevi ajudou alguém a se sentir melhor. Quero escrever sempre, só me desculpem por não conseguir postar direito.

Vocês têm acompanhado o Barking up at the Wrong Tree? Esse blog tem publicado posts excelentes. Várias coisas que ele escreve tenho vontade de pegar um pedacinho do texto para dissecar, comentar… eu só precisava de um dia com mais horas. Leiam, vale a pena. O post sobre neurociência é este:

http://www.bakadesuyo.com/2015/09/make-you-happy-2/

Que tem trechos assim: Making decisions includes creating intentions and setting goals — all three are part of the same neural circuitry and engage the prefrontal cortex in a positive way, reducing worry and anxiety. Making decisions also helps overcome striatum activity, which usually pulls you toward negative impulses and routines. Finally, making decisions changes your perception of the world — finding solutions to your problems and calming the limbic system.

e nesta semana ele publicou um que não é algo com que eu me identifique, mas acho que vai interessar a outros, especialmente mulheres: http://www.bakadesuyo.com/2015/09/impostor-syndrome/ . Tem trechos assim:

Multiple studies in multiple industries show that women often judge their own performance as worse than it actually is, while men judge their own performance as better than it actually is. Assessments of students in a surgery rotation found that when asked to evaluate themselves, the female students gave themselves lower scores than the male students despite faculty evaluations that showed the women outperformed the men. A survey of several thousand potential political candidates revealed that despite having comparable credentials, the men were about 60 percent more likely to think that they were “very qualified” to run for political office. A study of close to one thousand Harvard law students found that in almost every category of skills relevant to practicing law, women gave themselves lower scores than men. Even worse, when women evaluate themselves in front of other people, or in stereotypically male domains, their underestimations can become even more pronounced.

Queria escrever mais, mas hoje meu dia já vai acabar… daqui a pouco é hora de pegar o carro, ir encontrar o Cris, ter um jantar rrromântico.

Mas não podia sair antes de falar oi aqui. Dizer que sempre penso no blog, que estou sempre pensando em coisas que eu queria escrever, postar.

Precisava passar por aqui pra contar que continuo feliz, cada vez mais dias com mais horas de felicidade, alegria, entusiasmo, energia. Encontros com criaturas mitológicas, fazer academia e me aproveitar das endorfinas, me sentir ganhando super-poderes – mais força, mais disposição, o prazer de ver o corpo mudando, perder sapatos, ficar com roupas largas, poder vestir uma roupa qualquer e me sentir bem na fita (é mais um dos posts ainda não escritos, contar como fazer academia é legal, e que é ótimo para quem não quer ter que conversar com ninguém).

Tenho me envolvido com assuntos importantes, como a luta pra valorizar a natureza, fim das proibições à fotografia e à divulgação, participar de um grupo de trabalho que vai tentar criar uma Unidade de Conservação no litoral paulista. Conhecer outras pessoas que também se engajam, sair do ambiente sufocante e desesperador de sentir que a maioria dos birdwatchers só quer saber de lifers e likes. Provavelmente a maiora dos birdwatchers só quer lifers e likes, mas a quantidade já não importa porque estou conseguindo me conectar com os outros pra quem a vida é mais ampla.

Eu vou arrumar tempo pra comentar os posts do Eric. Que provavelmente é no mínimo meio misantropo também, talvez misantropo e meio. Alguém que pesquisa e escreve tanto não está na praia, no estádio ou na balada.

Também queria compartilhar que na semana passada tive a alegria de receber outra mensagem de leitor agradecendo pelos posts. Uma leitora. Que está vivendo o dilema de gravidez ou não-gravidez, se sente meio misantropa, jogou uma pesquisa no Google e caiu aqui. Me escreveu pra agradecer, e pra dizer que se sentiu acolhida. É das coisas que enchem meus zoio dágua. Momentos pra me sentir repleta de ternura pelo o que é humano. Quando eu penso em tantos misantropos (ou qualquer outro rótulo de tudo que não é o padrão), tantas pessoas que vivem tendo que brigar consigo, se perguntar se não devíamos estar fazendo o que os outros estão fazendo, indo a mais festas, postando mais selfies, lendo mais notícias de atualidades, participando de mais papo-furado, se importando mais com roupa, cabelo, maquiagem, carro, celular.

Ai que vontade de colocar todo mundo no colo e embalar até dormirem. De passar os dedos de leve sobre a testa e fazer todas essas angústias evaporarem. De ter o prazer de estar ao lado da pessoa no momento em que ela pode se olhar no espelho e se sentir feliz e orgulhosa de ser quem ela é, sem precisar seguir padrões, sem ter que agradar os outros, sendo fiel só a si mesma.

Amo vocês, meus misantropos queridos. Sei o que é se sentir errado no mundo, essa é uma angústia que nos torna irmãos. E quero ajudar cada vez mais pessoas a superarem isso, a passarem pro outro lado, atravessarem o espelho e terem cada vez mais horas, dias, meses, anos de sol brilhando morno no peito e sorriso sem motivo algum.

 

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