Abraçando desconhecidos

Na área de café do Fleury todas as mesas estavam ocupadas. Escolhi uma (achando que era ao acaso), pedi licença pra mulher e me sentei à mesma mesa.

Uma conversa que começou com algo sobre preguiça, horário, tempo chuvoso. Mas eu sou assim, então logo estávamos falando do câncer dela, dos problemas com o tratamento, as dificuldades no trabalho.

Não era desalmada. Ela também fez perguntas sobre mim, me olhou nos olhos, agradeceu muito pela conversa, pediu desculpas por ter chorado.

Saímos mais ou menos ao mesmo tempo, esperávamos juntas os carros chegarem, o meu chegou, não tive dúvidas: fui me despedir e perguntei se podia dar um abraço nela. Abracei-a bem apertado, falei que vai ficar tudo bem, pra ela pensar em coisas boas, ela chorou mais um pouco.

Esse encontro explica por que me perdi na ida, fiz algo bem idiota e levei 10 minutos a mais pra chegar. Sei que às vezes essas coisas acontecem pra acertar o timing com os encontros que precisam acontecer.

Tenho certeza de que essas situações fazem parte das minhas obrigações como bruxa, e ser humano. Espero que esse mínimo de atenção, e um abraço, tenham feito diferença no dia dessa mulher de quem não sei nem o nome.

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Abraçando gente que eu não via há 25 anos

Neste fim de semana encontrei alguns dos meus colegas do primeiro grau. Foi incrível. Mestre Choa e Mãe Terra, agradeço. Agradeço muito pelas preces atendidas, pelas oportunidades de relações mais humanas. Sei que não caiu do céu, que sempre é preciso atitude da nossa parte, mas também sei que pedi e aconteceu.

Encontrar gente que eu não via há tanto tempo, que teoricamente são desconhecidos, mas pudemos conversar como amigos de verdade. Posso só estar sendo enviesada, mas o que eu vi e senti? Bondade, carinho, compreensão, honestidade. Ninguém se pavoneando. Todos falando de problemas ou dificuldades ou os momentos difíceis de filhos, casamento.

Não vimos o tempo passar. Teve um momento que eu levantei da cadeira e me falaram “você tem que ir?”, “não, é que eu vou falar algo importante” (me ovacionaram). Um dos colegas tinha acabado de contar que era muito orgulhoso, que era capaz de passar 3 dias brigado com a esposa, os dois só falando bom dia, boa noite, e mais nada. Levantei da cadeira e falei “não imagino isso, gente, passar tanto tempo brigado. Vou falar de duas técnicas que a gente usa pra dissipar logo as brigas: viagem no tempo e bop”.

Tinha certeza de que já havia escrito sobre isso, mas não achei no blog, acho que ficou só no livro, então vou colar como próximo post.