A intervenção federal nem começou, mas já rendeu

É ridículo, eu sei. Mas a verdade que foi só falar de analista, marcar primeira sessão, e já tive um sonho desses que se conta pra analista. Um sonho dentro de um sonho. No sonho dentro de um sonho eu dizia pro Cris que não queria mais ficar com ele, e aquela era nossa última noite juntos. Estar deitado ao lado de alguém que você ama, e saber que é a última vez que você olha pra essa pessoa, não dá nem pra escrever sobre isso sem chorar. Ele aceitava minha decisão, e dizia que continuaríamos sendo amigos, mas que seriam muitos anos até a gente se ver de novo, que ele ia sumir no mundo. Esse foi o sonho dentro do sonho. Quando acordei (ainda no sonho), tentava contar isso pra alguém que não lembro quem era, mas não conseguia nem falar, só chorava.

Então acordei – dessa vez de verdade, o despertador do Cris já tinha tocado, contei o sonho pra ele. E mais tarde naquele dia, ele contou meu sonho pro analista dele, e eles passaram a sessão falando sobre o relacionamento, e a conclusão é que eu demando muito tempo e dedicação, ainda mais porque não sei dar desconto, deixar barato, deixar pra lá, fazer de conta que nada aconteceu. Tudo tem que estar sempre claro e resolvido. Fazemos muita coisa juntos e temos que estar sempre satisfeitos e felizes um com o outro, e quando surge algo que turva isso, a questão precisa ser debatida até o final. É claro que cansa deveras, mas a conclusão é que o Cris gosta. E o próprio analista do Cris comentou que ele nunca reclamou disso.

A intervenção federal nem começou na prática, mas já rendeu seu primeiro resultado. Sentir-se ainda mais próximo e conectado um com o outro.

Pode ter começado com o bater de asas de borboleta, reflexões sobre liberdade e feminismo, e eu posso ter xingado num primeiro momento, pela ideia de ter que fazer algo que eu não tinha vontade. Mas tenho certeza de que vai ser bom. E reafirmo as vantagens de falarmos e escrevermos sobre os assuntos que julgamos importantes, principalmente os temas que podem ajudar alguém a se sentir menos sozinho, mais forte, mais corajoso pra fazer alguma mudança na própria vida. Mesmo que sejam temas que ganham o rótulo de assuntos desprezíveis, fora de moda, em baixa. Digo sempre: um grande foda-se pra opinião pública sobre o que é in ou out. Você é a melhor pessoa pra julgar se algo é digno do seu tempo e atenção ou não.