A Grande Beleza

Um dos melhores dos últimos meses. Diálogos muito bons – como a conversa com a performista “não estou gostando do seu tom, vou ligar pra sua editora e pedir para ela mandar um jornalista de mais alto nível” “pode ligar, mas cuidado com o que você vai dizer – ela é anã”.

E uma frase que incorporamos pra nossa vida:

“Descobri que não tenho mais idade para fazer o que eu não quero fazer”, acho que não é literal, mas guardamos assim e pensamos nela sempre.

A cara do Jap diante daquela apresentação também foi muito boa. Todo mundo aplaudindo, e ele com aquela expressão de não acredito que estou aqui assistindo a essa porcaria.

A fotografia é mesmo um destaque – todos ficaram falando da cidade como um elemento forte do filme, que você assiste e dá muita vontade de ir pra Roma. Não senti isso mais do que se sente por cidades bonitas, e mesmo as não tão bonitas. Nova York é deliciosa, Paris é linda, os lugarzinhos do sul da França também são lindos.

Sei de gente que assistiu e perguntou “Qual o objetivo do filme? Não tem história?”. Não. Sem objetivo, sem história. É só pelo prazer de ver filme com gente que não é caricatura, protagonista carismático, o tipo de pessoa que você consegue passar duas horas observando, mesmo que ele esteja fazendo quase nada. Grau zero de sofrimento. E para nós, uma nota a mais, uma imagem a mais nesse tom de luz dourada e nostálgica, um homem de 65 anos, íntegro, abandonando a loira bonitona com fotos de Facebook, pra nos lembrar que não deveríamos desperdiçar nosso tempo fazendo o que não queremos fazer.