A favor da descriminalização do aborto, a favor da vida das mulheres

Esperança! PSOL protocolou na segunda-feira, dia 6 de março, a primeira ação que pede ampla legalização do aborto para qualquer gestação com até 12 semanas.

A BBC fez uma ótima reportagem:

“As advogadas que assinam a ação destacam que a criminalização do aborto leva muitas mulheres a recorrer a práticas inseguras, provocando mortes. Argumentam também que o problema afeta de forma ainda mais intensa mulheres pobres, negras e das periferias, já que elas têm menos conhecimento e recursos para evitar a gravidez, assim como menos meios para pagar por métodos abortivos mais seguros, ainda que clandestinos.

Quando se põe em debate o aborto, o que se oferece, num primeiro lance de discussões, é se o embrião e o feto seriam pessoas, porque, a se responder afirmativamente, eles titularizariam o primeiro de todos como é o direito à vida digna, a qual, como antes lembrado, é intangível e inviolável. Mas não se há de ignorar que a vida é o direito que se exerce com o outro, no espaço das relações entre sujeitos, não se podendo anular, portando, a condição de pessoa-mulher que, em sua dignidade, é livre para exercer a escolha da maternidade ou não”, escreveu a ministra no livro.

— Carmem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, no livro Direito à Vida Digna, 2004.

(…)

Por que agora?

A discussão sobre a legalização do aborto não é nova, então por que justamente agora a ação chega ao STF? Segundo Luciana Boiteux, professora de Direito Penal da UFRJ e filiada ao PSOL, a iniciativa do partido reflete um fortalecimento recente do movimento das mulheres no país.

No final de 2015, por exemplo, uma série de protestos feministas nas principais cidades do país conseguiu barrar o andamento no Congresso de um projeto de lei que buscava aumentar as penas para aborto.

“Essa ação está sintonizada com o movimento das ruas, com todo o fortalecimento desse debate feminista que o Supremo agora vai ter que enfrentar”, afirmou.

Na sua opinião, é preciso levar a questão à Corte porque o Congresso “não é representativo para as mulheres”. Atualmente, 90% dos parlamentares são homens.”

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39190495

————————-

Você já olhou o mapa das leis de aborto no mundo e parou pra pensar qual a relação entre desenvolvimento econômico e o direito de decidir em que momento você vai criar um filho?

Se você é contra a descriminalização do aborto, como é que você lida com o fato de que 55% das mães brasileiras não queriam ter filhos?

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,55-das-maes-nao-queriam-ter-filhos-aponta-pesquisa,10000092047

Ou como você lida com os quase 60 mil assassinatos de brasileiros todos os anos? Sabia que 30 mil são jovens com menos de 30 anos? E que desses 30 mil, 77% são negros, a maioria pobres? E você já parou pra pensar qual a conexão entre pobreza-violência e ter nascido numa família pobre, em que a mãe engravida jovem, tem que largar a escola, o pai some?

O Mapa da Violência de 2014 da Unesco mostra que há uma queda de 32,3% no número de homicídios de jovens brancos, enquanto o percentual de homicídios de jovens negros cresceu na mesma proporção, com um aumento de 32,4%. O que isso indica?

(…) quando olhamos a linha de crescimento de homicídios no Brasil, a conclusão imediata é que o crescimento das mortes está muito sustentado na morte do jovem negro.

Se a tendência de redução que encontramos nas mortes de jovens brancos prevalecesse, estaríamos em um processo de redução das taxas de homicídio, o que não está acontecendo. Estamos há mais de dez anos na faixa de 50 mil homicídios por ano, o que é um número absolutamente espantoso, mesmo comparando com situações de guerra e conflitos.

Isso também sugere que a sociedade brasileira está claramente admitindo que não se importa, pelo silêncio e pela indiferença. Está dizendo que o jovem negro pode morrer e que há um tipo de pessoa que é “matável”. Isso tem muito dos nossos preconceitos e dos estereótipos que formam a visão do Estado e da sociedade em relação a seus cidadãos.”

https://www.cartacapital.com.br/sociedade/violencia-brasil-mata-82-jovens-por-dia-5716.html

Se você é contra a descriminalização do aborto, por que a vida só é sagrada enquanto está na barriga da parideira? A partir do momento que nasce, foda-se a mãe que tem aniquiladas as chances de mudar de estrato social, foda-se o filho que vai crescer em meio a condições tão adversas que é comum ele se envolver com o crime e morrer assassinado com menos de 30 anos, fodam-se as pessoas que ele vai roubar, estuprar ou matar.

Que tipo de bom cristão você é?

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/12/12/so-mulheres-solteiras-fazem-aborto-veja-mitos-e-verdades.htm

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/estado/2016/12/18/diariamente-4-mulheres-morrem-nos-hospitais-por-complicacoes-do-aborto.htm

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/12/07/ministro-barroso-diz-que-mulher-nao-e-utero-a-servico-da-sociedade.htm

Pela vida das mulheres: PSOL protocola ação no STF contra criminalização do aborto

obs: o texto ficaria comprido demais no banner, mas eu queria dizer que se você é contra a descriminalização do aborto, além de cuidar da gestação e depois criar o filho, você também teria que dar uma indenização milionária pra mulher que vai ter que se sujeitar a 9 meses sendo torturada, sofrendo mudanças drásticas no corpo, com um alien crescendo dentro dela, se sujeitando a mudanças permanentes no corpo e ao risco de morrer.

A gravidez só é linda quando é desejada, senão é só tortura.