2016 é o ano da virada: o birdwatching agora aparece no Parque Nacional da Tijuca

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Fotos do João Sérgio Barros

O Parque Nacional da Tijuca é o único parque brasileiro que recebe milhões de visitantes por ano. Ele é a entrada pro Cristo Redentor, então quem vai ver o Cristo passa pela Tijuca.

Neste fim de semana, no dia 30 de julho, foi inaugurada a exposição permanente “Floresta Protetora”, com centenas de imagens da Mata Atlântica. E agora nós fazemos parte disso. Tem fotos minhas, do Cris, dos amigos João Sérgio Barros, Ivan César, Cláudio Lopes, Luiz Ribenboim. Tem nossos nomes na placona do projeto, com o nome de todos os participantes. E, pra minha surpresa, está todo o textinho que eu pedi pra Tatiana Belli incluir de alguma forma. Achei que seria uma plaquinha pequena em algum canto, ou algum comentário resumido nos efêmeros textos da assessoria de imprensa. Em vez disso o texto inteiro está lá, em português, inglês e espanhol:

“Várias das fotos do painel foram feitas por observadores de aves, também conhecidos como birdwatchers. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta. Temos mais de 1.900 espécies de aves, que podem ser observadas e fotografadas em todos os ambientes, inclusive nas cidades. O birdwatching tem milhões de adeptos, e pessoas do mundo todo vêm para o Brasil para admirar as aves e a natureza brasileira. Para saber mais: wikiaves.com.br e virtude-ag.com. Os birdwatchers doaram o pagamento pelos direitos de uso das imagens para a SAVE Brasil, uma ONG dedicada à conservação das aves brasileiras.”

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E sabem quanto foi a doação pra SAVE? R$ 10 mil. Por cerca de 90 fotos do nosso grupo.

Ah, que vontade de sair gritando de alegria.

Tem um pedaço de vaidade? Tem. Mas vaidade não é o tipo de coisa que te dá vontade de gritar de alegria. A vontade de sair gritando e pulando é pela sensação de compensação, de justiça, de doce vingança do bem.

Durante anos, e durante meses com uma grande intensidade, eu briguei com autoridades sobre o direito de fotografar em um parque público. Ah, quanta gente que acha que tamanho é documento, quantos problemas só porque minha câmera é grande (eu e tantos outros colegas que sofreram a famosa abordagem “tem autorização para fotografar?” – O Brasil é um dos únicos lugares no mundo que não sabe que câmera grande não é o sinônimo de fotógrafo profissional).

Quanta raiva eu passei. Tanto por experiências próprias, quanto por saber das histórias ocorridas com colegas que também foram proibidos de fotografar.

Mas estamos mudando essa história. Depois de meses de um intenso trabalho nosso, e a sorte de ter ótimos interlocutores do outro lado, em março deste ano a Fundação Florestal publicou uma portaria normativa pra deixar claro que observação e fotografia de aves é atividade permitida e que deve ser incentivada. Desde o ano passado há um grupo de trabalho liderado por um guerreiro da Secretaria do Turismo, o Arnaldo Rodrigues, para desenvolver o birdwatching no Estado de São Paulo. E agora saiu o Painel da Mata Atlântica no lugar mais turístico do Brasil.

Eu sei que tem muito chão pela frente. Sei que um dos caras mais poderosos do ICMBio é o tipo de gente que fala com toda a tranquilidade “pra mim vocês não têm nada de especial, vocês são como um outro grupo qualquer” – (vocês, birdwatchers). Ele não nos vê como aliados, como pessoas capazes de produzir uma das coisas mais importantes da atualidade: fotos bonitas e movimentação em redes sociais divulgando a natureza brasileira.

Mas tudo bem, nenhuma mudança pode ser efetuada inteira de uma vez. Após tantos anos de invisibilidade e até sendo tratados como infratores por princípio, só por carregar uma câmera que você consegue ver de longe, o cenário começa a mudar.

Eu não sei sair gritando de alegria. Mas por dentro me sinto assim.

Obrigada João Sérgio, Ivan César, Cláudio Lopes, Tatiana Belli e Cris.

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E um muito obrigada também ao James, o canadense que cuida da hospedagem do Virtude-ag. Não sei seu sobrenome, não sei seu rosto, são apenas conversas pelo Skype. Mas quando tive problemas com o Hostgator, foi ele que se ofereceu pra olhar o site e resolver, mesmo sem ter nenhuma obrigação disso, eu só o conhecia porque ele é um dos membros do suporte do tema Striking, que é o tema que eu uso em quase todos os meus sites (exceto este blog).

James não só resolveu meu problema, como se ofereceu pra hospedar o Virtude no provedor dele, que tem muito mais segurança, estabilidade e velocidade. Era bem mais caro do que o Hostgator (US$ 29 por mês, em vez de R$ 155 por ano), mas eu vi que se não fizesse isso, ficaria sujeita a ter de novo os problemas que tiraram o Virtude do ar duas vezes no ano passado.

O fato é que não consegui pagar o James até hoje. Eles estavam com algum problema no Paypal, e da última vez que tentei o pagamento voltou. Fico aflita pra pagar, ele sempre diz que não tem problema. Espero conseguir pagá-lo em algum momento, mas acho que ganhei o apreço dele numa conversa de Skype em que ele descobriu que o Virtude tem muitos visitantes, e me perguntou “você faz algum dinheiro com esse site?”, “não, nenhum”, “por que você o mantém?”, “porque é minha pequena contribuição pra ajudar a divulgar e valorizar a natureza do Brasil”. Ele ficou quieto alguns segundos e depois ofereceu a hospedagem no provedor dele. Um dos anjos que cruzou o meu caminho. Obrigada, James, sem você seria bem mais difícil.

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