10. Qual a coisa mais maluca que você já fez?

Continuo barbarizando no meu grupo do 1o grau. Hoje respondi mais uma pergunta do caderno, e decidi que não seria algo como filhos ou cor favorita.

“Vocês podem pensar que a coisa mais maluca que eu já fiz é propor um caderno de perguntas pra gente que se conheceu só até os 14 anos, a maioria nem lembra um do outro e faz 25 anos que essas pessoas não se encontram. E, além de propor, ir respondendo as perguntas uma a uma.

Mas é claro que não! Já tive muito tempo pra fazer várias coisas malucas, e o bom de fazer coisas malucas é que fica cada vez mais fácil fazer outras coisas malucas. Sou daquelas pessoas que acredita de verdade que a vida é curta, que a gente não devia ter medo de fazer as coisas por receio de vexame, críticas, ou fracasso. Que é sempre melhor fazer e depois rir e ter uma história, do que não fazer. Sempre aconselho as pessoas a fazerem, com a ressalva “desde que não seja nada que dê cadeia”.

Entre as várias coisas malucas que já fiz, tem uma especialmente mico. Eu trabalhava numa consultoria econômica, naquela época coordenava um pequeno departamento de marketing que, além de cuidar do site, revisão, formatação, impressão dos trabalhos, também cuidava dos eventos internos e externos, incluindo a festa de final de ano. Minha equipe era bem unida, e naquele ano decidimos fazer um show de talentos. Tínhamos os músicos, o pessoal que sabia tocar algum instrumento ou cantar, mas a gente queria que várias pessoas participassem, não só quem era bom em algo. Pela confraternização.

Pra dar o exemplo, eu e o Cris cantaríamos uma música do Chico Buarque (o Cris, meu marido, conheci na empresa. Eu não estou mais lá, ele é sócio-diretor e continua). A gente não tem nenhum dote musical. Nenhum. Mas a música era Biscate, que é um dueto alegre, a gente ia apresentar pela diversão de dublar e fazer caras e bocas.

De última hora um diretor decidiu tocar no violão a música pra gente cantar. Isso acabou com nosso playback, mas a gente não teve coragem de falar pra ele não participar, já que estávamos incentivando todo mundo.

Então eu e o Cris, com microfones, totalmente desafinados, cantamos uma música difícil do Chico Buarque na frente de 60 pessoas. Um dos sócios dele, que é da música, afinado, toca bem violão, estava com tanta vergonha alheia que começou a aplaudir no meio da música, daquele jeito pra finalizar logo e acabar com a tortura.

Ouvi um dos economistas falando “vocês falaram que podia ser qualquer coisa pra apresentar, mas não imaginei que podia ser mesmo qualquer coisa”.

Foi bem ridículo e mico, mas nunca senti vergonha. A empresa era bem legal, informal, descontraída, ninguém puxava o tapete dos outros, e a gente achava que valia a pena cultivar esse clima de fraternidade.

Não espero que você também conte alguma coisa maluca que você já fez, ou que queira participar da brincadeira do caderno de perguntas. Mas eu vou responder todas as perguntas, algumas por semana, e quando nos encontramos daqui a 2 meses, ou no dia 15, não serei uma completa desconhecida: você pode querer conversar comigo e não vai precisar ser naquele nível superficial de “onde você trabalha, quantos filhos você tem”. Ou você pode decidir que é melhor ficar longe e manter as crianças longe :). Mas não precisa ter medo, como disse o César, minha mente é extrovertida, mas ao vivo eu sou uma pessoa quieta e reservada. Não sou tímida, mas em geral ouço mais do que falo, e só falo se a pessoa está mesmo interessada no assunto.

Abraços e beijos!”