Quando você precisar rebater o desespero com as caixas de comentários: navegue pelo Quora

O Quora é definitivamente uma rede social de sonhos. Não sei como eles conseguiram, se só deram sorte de ter as pessoas certas no começo que imprimiram a personalidade, mas o que prevalece é gentileza, autenticidade, franqueza, bondade, humildade, contar coisas pessoais, contar coisas humilhantes. Mostrar-se humano. Em geral essas são as respostas mais votadas.

Tenho certeza de que deve ter seu grau de competitividade e loucura também, a ansiedade de ser votado, comentado. Mas aparentemente muita gente é madura o suficiente pra não estar nem aí pra isso.

Sabem como é: passear pelas caixas de comentários dos portais brasileiros é um convite pra depressão, ainda que eu tenha sentido uma leve mudança nos últimos meses. Há um pouco menos comentários totalmente idiotas, e há um pouco mais de comentários com bom senso. Ainda tem muita bobagem, é claro, mas parece haver esperança. Quem sabe um dia a gente chega no nível dos países desenvolvidos… uma amiga que mora na Inglaterra me falou que quando ela abre uma notícia do The Guardian, em geral ela vai primeiro pra caixa de comentários, porque há tantas opiniões sensatas e bem estruturadas.

Não sei o quanto tenho uma leitura enviesada, de só prestar atenção no que me interessa. Mas vou te falar: ler o Quora é astral. Te faz acreditar que pode haver esperança pra humanidade.

O quora.com é só em inglês. Já pensei em participar algumas vezes, mesmo com todos os prásticos que eu vou escrever. Mas sempre tem o problema com o conflito de tempo, das outras coisas que quero fazer, como a fotografia, desenho, divulgação da natureza. Já basta o blog que sempre me absorve. Fora isso, tem a sensação de que eu realmente não preciso participar, que um monte de coisas que eu penso já está representadas lá de alguma forma, ou em vários trechos de pessoas diversas.

As pessoas são educadas e gentis.

Ninguém escreve grosserias pros outros, não se xingam.

As pessoas escrevem o quanto querem, e ninguém vai comentar “lá vem textão”. Escreva o quanto quiser, lê quem quiser. Quem tem preguiça de ler, não leia.

O tempo todo há promoção dos valores de ser você mesmo, de ajudar os outros, de ser humilde, de não ser escravo de padrões.

Recomendo muito.

Sei que tem a pequena tristeza de ser em inglês, e bate um pouco aquela dor de se saber país de terceiro mundo, de pensar em como são as redes sociais em português: aquele mar de lama de futilidade, infantilidade, agressividade, jocosidade, vaidade, carência. Mas quem sabe um dia a gente evolui.

Until we are loved

“Perhaps it is true that we do not really exist until there is someone there to see us existing, we cannot properly speak until there is someone who can understand what we are saying in essence, we are not wholly alive until we are loved.”

Alain de Botton

 

Misantropia ou introvertimento não significa solidão e isolamento o tempo todo. A gente só precisa de sossego, de um tempo só nosso. Temos uma consciência aguda sobre quem somos, sobre a passagem do tempo, e não queremos desperdiçar nossas vidas nas companhias erradas, fazendo o que não queremos.

É possível viver sem um grande amor. Mas a vida é bem melhor em meio a pessoas queridas e amadas.

 

“You’re Nobody ‘Til Somebody Loves You”
You’re a nobody till somebody loves you
You’re nobody till somebody cares
You may be king, you may possess the world and its gold
But gold won’t bring you happiness when you’re growin’ old

The world still is the same, you’ll never change it
As sure as the stars shine above
You’re nobody till somebody loves you
Find yourself somebody to love

[very brief instrumental]

You’re a nobody till somebody loves you
You’re nobody till somebody cares
You may be a king, you may possess the whole world and its gold
But gold won’t bring you happiness when you’re gettin’ old

The world still is the same, you’ll never change it
As sure as the stars shine above
You’re nobody, nobody till somebody loves you
So find yourself somebody

[bridge]
Gotta get yourself somebody

Because you’re nobody till somebody loves you
You’re nobody till somebody cares
You may a king, you might possess the big fat world and its gold
But gold won’t bring you happiness when you’re growin’ old

The world, the whole world’s the same, you’ll never change it, change it
As sure as the stars shine above
You’re a nobody till somebody loves you
So find yourself somebody somebody to love

O caso Aziz Ansari e o que podemos aprender com ele

Sei que a notícia circulou em janeiro, mas sabem como eu sou pra atualidades. Vi agora um artigo do The Guardian, que cita a história, e fui ler a respeito.

https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2018/feb/14/carnality-and-consent-how-to-navigate-sex-in-the-modern-world. É grande e vale a pena ler inteiro, mas selecionei alguns trechos aqui, no final do post.

Este artigo do El Pais explica bem (em português) o imbróglio Aziz Ansari e a fotógrafa codinome Grace: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/15/cultura/1516034198_916720.html

O relato da fotógrafa pode ser lido aqui: https://babe.net/2018/01/13/aziz-ansari-28355

 

Quando um cara te dá um soco, ou te aponta um revólver, ou está com uma faca, ninguém duvida do estupro. Quando ele é seu chefe, ou sua família deve dinheiro pra ele, ou ele tem alguma outra posição de poder em que pode te chantagear, hoje em dia as pessoas até aceitam que foi abuso e estupro. Mas e a tal zona cinzenta?

No caso da fotógrafa e de Aziz Ansari, muita gente a criticou ferozmente, perguntando “por que ela só não foi embora?”, “por que ela não falou claramente não quero?”.

É uma boa pergunta. Quando eu era adolescente nunca entendia por que minhas amigas aguentavam tantos caras folgados enchendo o saco delas, por que elas simplesmente não diziam “desaparece daqui, não quero falar com você”. Elas estavam visivelmente entediadas, mas não falavam isso de forma explícita, só respondiam de forma meio monossilábica. Talvez por que culturalmente é errado uma mulher dar uma resposta explícita a ponto de ser rude, principalmente se é um não para um homem? Acredito que tem bastante disso sim.

Mas também há um outro elemento, que acho que não se aplicava nessas situações de xaveco furado adolescente, mas sim numa situação de sexo como descrito pela fotógrafa: a paralisia. O artigo do El Pais tem a declaração de uma psicóloga explicando o mecanismo:

“A psicóloga clínica Violeta Alcocer diz que a situação descrita por Grace levou a um ambiente “de encurralamento, em que temos visto muitas mulheres, várias vezes, e onde é realmente difícil reagir com rapidez e ir embora. No momento em que esse homem se comporta de uma forma que claramente ultrapassa os limites, você entra num estado que a psicologia chama de dissonância cognitiva. Acontece quando você precisa gerenciar dois pensamentos-emoções contraditórios sobre o mesmo fato: ‘Este garoto me parece adorável e por isso vim até aqui, mas está se comportando como um estuprador, o que não faz sentido.”

“O sistema nervoso não costuma resolver essa equação com rapidez”, prossegue a psicóloga. “A surpresa (‘por um lado não parece um cara mau, por outro sinto que posso estar em perigo’) produz paralisia e embotamento cognitivo – uma maneira que o cérebro tem de ganhar tempo para tentar compreender qual das suas percepções está errada. Além disso, no momento em que um homem que você acaba de conhecer começa a se comportar de um jeito que não esperava, você não sabe aonde ele pode chegar, de modo que prefere fazer o que ele te pede para evitar uma situação pior. Depois, na sua casa, você pode pensar que deveria ter saído correndo, mas por algum motivo seus músculos não foram ativados para fazer isso. É um dos três tipos de respostas de nosso sistema límbico ante uma ameaça: luta, fuga ou – como nesse caso – paralisia.” “

Parece loucura, não?

Mas posso falar uma coisa pra vocês: é totalmente verdade. Eu já passei por isso. Conhecer um cara legal, que sabe conversar com você, é inteligente, atencioso, perspicaz. Sair com ele, ir pro escritório dele porque ele diz que tem que pegar algo que esqueceu lá, e acabar fazendo sexo. Sem ter certeza de que você queria. Se sentindo abusada, mas também se perguntando “por que eu não briguei, por que eu não gritei, por que eu não falei não?”. Nunca descreveria isso como estupro, nunca o acusaria. Mas o que é essa coisa que faz você chorar quando pensa no que aconteceu, mesmo muitos anos depois?

Uma colunista do New York Times disse que a divulgação do relato da fotógrafa é a pior coisa que aconteceu ao #MeToo. Discordo. Acho que todo mundo, inclusive a fotógrafa, concorda que não foi estupro, que não é o caso do cara ser preso ou demitido. Alguns disseram “foi só uma noite de sexo ruim, qual o problema?” Não, não. Sexo ruim é quando não rola química, vocês dois estão tentando mas não acontece nada. No caso da fotógrafa, ela estava passiva, obedeceu algumas ordens, falou que era melhor ir devagar, se sujeitou às ações dele. Sexo ruim é só frustrante. Não é essa coisa que traz um peso no peito e lágrimas.

 

A CNN traz várias opiniões legais sobre o caso, inclusive de uma colunista que comentou “obrigada a Aziz e Grace por trazerem essa história, isso me ajuda a conversar com meu filho sobre sexo. Não tinha sentido eu falar “nunca espanque, ameace ou drogue uma garota pra ter sexo com ela”. Mas entender que você precisa estar atento à linguagem corporal do outro é uma conversa importante.

Também mostra um tweet em que o cara inverte a situação: muita gente criticou a fotógrafa, dizendo “por que ela apenas não foi embora?”, mas esse cara escreveu “se Aziz Ansari não queria ter sua intimidade exposta, por que ele não foi embora quando as coisas começaram e ficar esquisitas? Ela não estava bloqueando a porta”.

https://edition.cnn.com/2018/01/21/opinions/how-to-date-in-2018-opinion-roundup/index.html

E é tudo muito complicado e difícil mesmo, porque a gente tem essa cultura em que os homens são incentivados a serem viris, violentos, ativos, e as mulheres a serem passivas. Além do tal mecanismo psicológico da confusão cerebral e paralisia, que por mais maluco que pareça ser, infelizmente é verdade.

Um artigo do Contardo Calligaris trazia um dado que não fui checar os detalhes, de onde exatamente é, deve ser EUA, mas dizia que 25% das prisões de estupradores aconteciam porque depois do estupro, o cara voltava e entrar em contato com a vítima — porque existe essa fantasia de que a mulher pode não querer no começo, ou não estar muito animada, mas que isso é apenas uma crosta de gelo e que depois de você enfiar o pau nela, você vai fazê-la mudar de ideia e ela vai ficar louca por você. Ele não falou com essas palavras, mas é essa a ideia.

Vocês ouviram falar de um garoto de 9 anos que estuprou uma colega de classe? Uns ano atrás, na Inglaterra. Perguntaram pra ele “por que você fez, mesmo ela pedindo pra você parar?”, ele respondeu “porque nos filmes elas sempre falam não no começo, mas depois gostam”.  Quer dor no coração, não?

Tudo muito complicado e difícil,  e mais complicado e difícil ainda porque temos uma cultura em que a mulher tem que ser “difícil” pra ser respeitada, mulher que faz sexo no primeiro encontro é vagabunda. E durante o encontro ou o ato sexual, a resistência ou reticência da mulher é vista como parte do jogo, e pra alguns homens é algo que aumenta o tesão, a ideia de que será sexo à força, mas que ela vai gamar e pedir mais. Ou então, que ela é só uma boneca, um pedaço de carne com alguns buracos e não importa o que ela pensa ou sente.

O artigo do The Guardian fala de uma consultora em Los Angeles que ensina como é um encontro, como se comportar. Em geral os clientes são jovens ricos que não querem correr o risco de virar notícia. Ela diz que nos dias de hoje, “Não é não” é um conceito antiquado, pois coloca toda a responsabilidade e pressão na parte mais fraca, a mulher tem que falar um não bem claro e explícito, ou então não pode reclamar de nada. O que ela ensina pros clientes é que você não pode se fixar no não é não, e sim procurar por um entusiasmado sim! sim!.

 

Este artigo de Justin Myers foi um dos mais lidos da GQ: http://www.gq-magazine.co.uk/article/aziz-ansari-consent, com direito a trechos lindos como este: “It’s very easy to check whether someone you want to have sex with is on the same page. Yes, it may sound unromantic, but stopping every now and again to ask if they’re OK, whether they’re sure, or telling them you can ease off for a while, maybe chill a little, are all very simple ways of staying on the right side of creepiness. Listen not only to your own instincts and desires but theirs. Don’t pretend you haven’t noticed their body language just because it’s inconvenient for you to do so right now. You know you can control yourself, you urges are not primal; you are a grown man, not a wild dog.

The end to all this won’t come from victims continually speaking out – which they will do, by the way; this won’t be over for a long time – it must come from us, from you. No more excuses, no more ignoring the signals. Time’s up.”

 

É uma mudança lenta e difícil, e os anti-feministas vão gritar e espernear muito sobre os absurdos das complicações que essas malditas feministas estão impondo ao sexo, e que nesse passo haverá e extinção da raça humana porque ninguém mais poderá transar. (Como se isso fosse argumento… a gente já ultrapassou faz tempo o limite da capacidade do planeta, menos gente na Terra não é algo ruim).

É uma mudança lenta e difícil, mas me sinto sorrindo por dentro por ver esses temas sendo discutidos. De forma tão trôpega, capenga, desajeitada, aos poucos vamos caminhando pra um mundo em que cada vez mais as mulheres serão tratadas como gente.

 

https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2018/feb/14/carnality-and-consent-how-to-navigate-sex-in-the-modern-world

It is in this climate that online magazine Babe’s infamous account of a date between the comedian Aziz Ansari and a young woman called Grace went viral last month – it catalogued in excruciating detail his allegedly relentless attempts to get her into bed and her apparent inability to extricate herself. It resonated with younger women precisely because of its ordinariness – because the feeling of being alone with a man who is all hands, feeling pressured and panicked, but unsure quite how to get out of it, is so instantly recognisable, even if women are divided over what to call it.

(…)

“Just this week I had a man who wrote a really nice email, a follow-up responding to her, saying basically: ‘I also love nature and hiking and we have so much in common.’ Then, at the end, he just said: ‘And I would love to jump your bones,’” sighs Pompey. “That’s the sort of thing women get all the time.” It is not just dating apps, either: unwarranted penises and crude propositions now crop up all over young women’s social media accounts, from Twitter to the job-hunting site LinkedIn.

(…)

Perhaps only he can explain, but in her book Pornland: How Porn Has Hijacked Our Sexuality, sociologist Gail Dines traces the spread of more violent sexual behaviour in ordinary relationships – gagging, hair-pulling, mock-throttling – back to porn tropes, filtering down through pop culture. Combined with traditional ideas of all-powerful masculinity, it is a recipe for trouble.

(…)

Alarmed by the use of her private details, Midwinter complained to JustEat; exasperated by its lacklustre response, she posted her exchange with the driver and the company on Twitter. Then the floodgates opened. She was deluged with stories from young women sick of being hassled for dates by men who got their numbers through work: taxi drivers, delivery guys, shop assistants, maintenance men who texted suggestively within minutes of leaving a single woman’s flat. What seems to have grated most is the assumption that women would be flattered by the attention, no matter what the situation; that they are always up for being propositioned.

(…)

Yet “no means no” is increasingly seen by younger women as an embarrassingly basic approach to consent. They argue it encourages men to assume that, so long as their partner did not audibly say “no”, they are covered, even if that partner was shrinking away, asking them to slow down or frozen with fear. Badgering someone into queasy submission might technically be within the law, but it is not the road to a happy sex life and it may no longer protect a man from public censure. What young men should look for, Tillman argues, is not the potentially ambiguous absence of “no”, but the enthusiastic presence of a “yes, yes, yes” or affirmative consent. “In 2018, ‘no means no’ is totally antiquated. It puts all the pressure on the person in the most vulnerable position, that if someone doesn’t have the capacity or the confidence to speak up, then they’re going to be violated,” she says. “If somebody isn’t an enthusiastic yes, if they’re hesitating, if they’re like: ‘Uh, I don’t know’ – at this point in time, that equals no.”

Você me faz sorrir grande

Uma amiga que conheci por Facebook, mas não é amiga de internet. Apesar da gente nunca ter se visto, é daquelas pessoas que você percebe o quanto bondade e amor são valores concretos.

Nunca nos vimos. Mas é uma amizade de verdade, dessas que você compartilha sentimentos e momentos importantes, que você sabe que a pessoa se importa com você de coração e que você pode chamá-la a qualquer momento.

A gente pode passar meses sem nos falar, mas quando conversamos, é sempre com esse carinho de irmãs.

Hoje ela mandou uma mensagem pra me contar que uma amiga está passando por um momento difícil, e ela quis enviar um texto que escrevi pra ela um tempo atrás. http://claudiakomesu.club/estamos-todos-pendurados-sobre-o-abismo/.

Procurando o texto pra mandar pra amiga, ela topou com o blog, acho que ela conhecia, mas provavelmente fazia tempo que não visitava. E me contou que riu bastante com várias coisas que escrevi, como a ideia de que espero chegar a madrugada pra entrar no Facebook e não correr o risco de ser chamada no chat, e que talvez ela seja um pouco misantropa também.

Essa minha amiga é querida demais, alguém de quem gosto muito. É guerreira, já atravessou coisas que destroem muita gente, mas ela não. Não perdeu a fé, não na ideia de fé em Deus, mas a fé de que a vida é boa, apesar de tantas coisas horríveis que acontecem com pessoas boas.

Saber que ela se divertiu e riu lendo os textos do blog, e até mesmo a vaidade de ler um “você é foda”, essas coisas me fazem sorrir grande. Um orgulho e felicidade pra durar por um bom tempo.

Obrigada, soul sister.

Pra quem gosta de sushi mas ficou com medo da tênia: tome vermífugo

Umas semanas atrás circulou a história bizarra, porém real, de um cara na Califórnia que chegou num pronto-socorro dizendo que um pedaço do intestino dele tinha se desprendido com as fezes. Não era um pedaço dele, era só uma tênia de 1,7m. (A reportagem do The Guardian diz que há relatos de tênias de 25m).

É nojento e assustador, mas raramente é mortal. E, o melhor de tudo: é muito fácil de resolver. Tome vermífugo 1 ou 2 vezes por ano. E pronto.

É o tipo de medida que todo mundo devia fazer, mesmo quem não come peixe cru. Porque é muito fácil comer algo contaminado.

O uol publicou uma matéria que tem mais a ver com cuidados pra evitar intoxicação alimentar do que vermes, e achei uma pena eles não terem comentado sobre os vermífugos, que simplesmente resolvem a questão.

https://vivabem.uol.com.br/listas/11-cuidados-que-voce-deve-ter-na-hora-de-comprar-e-consumir-peixe.htm

Eu e o Cris sempre tomávamos. Como a gente viaja bastante, era costume tomar um Anitta 500mg uma vez por ano. Nos últimos três anos a gente tinha esquecido do Anitta, e a história do camarada da Califórnia nos lembrou.

Pergunte pro seu médico sobre vermífugo. A gente toma o Anitta por recomendação da mãe do Daniel, que é médica. Esse Anitta são 6 cápsulas pra tomar de 12h em 12h. Pra mim é comum que no primeiro dia eu sinta uma leve dor, como se fosse uma gastrite leve, mas nada grave e é só no primeiro dia. Seu xixi vai sair esverdeado, é normal. Custa uns R$ 65.

 

 

Quem não tem vida sexual devia ser proibido de opinar sobre gravidez e aborto

Virgens, celibatários, assexuados, múmias, os que praticam sexo no casamento ou no namoro por mera obrigação e qualquer outro que não consegue enxergar a gafe do “só engravida quem quer, não tenho dó de quem engravida sem querer”: vocês não têm direito de opinar.

Quem é ignorante sobre um assunto não pode falar como se soubesse, você simplesmente perde o direito de se manifestar sobre algo que você não tem conhecimento.

Tudo bem não ter vida sexual. Nem todo mundo precisa ter vida sexual. Mas a questão é: se você não tem vida sexual, você não pode opinar sobre as questões que envolvem gravidez e aborto.

Só engravida quem quer?

Bastava ter usado camisinha?

Hoje em dia há tantos métodos de se prevenir, há tantas fontes de informação, é impossível alguém que não saiba se prevenir.

Pessoas que falam esse tipo de coisa com certeza não têm vida sexual. Me dá raiva, mas até entendo que esse povo tenha zero de consideração com o outro, de imaginar a realidade de pessoas que vivem na pobreza, miséria, violência. Mas esse tipo de comentário evidencia outro fato: esse povo não transa! Quem fala que só engravida quem quer com certeza não tem vida sexual, não entende o que é desejo.

E tem outra: muitas vezes não tem nada a ver com falta de informação ou de dinheiro pra comprar uma camisinha ou pílula. Como Drauzio Varella falou, até médicas ginecologistas engravidam sem querer. Por quê? Porque é muito fácil engravidar sem querer.

Eu já coloquei esse dado e coloco de novo: pesquisa feita em 2016 com 24 mil brasileiras que tinham acabado de dar a luz. Sabem quantas planejaram ter o filho? 45%. Pra 55% foi um oops. Desses 55%, 25% queria que fosse em outro momento, e 30% não queria ter filho em nenhum momento da vida.

https://g1.globo.com/bemestar/noticia/mais-de-55-das-brasileiras-com-filhos-nao-planejaram-engravidar.ghtml

Uns dias atrás o The Guardian publicou uma reportagem contando que em mais da metade dos estados americanos não há idade mínima pra casamento. Um cara de 40 pode se casar com uma garota de 5. Sherry Johnson está lutando pra ter uma idade mínima, 18 anos. É algo pessoal. Quando Sherry tinha 11 anos ela foi estuprada por um cara de 19, e engravidou. A família achou melhor exigir o casamento, para evitar o escândalo. Bonito, não?

Quando Sherry começou a luta para criarem uma lei, ela achou que não seria difícil. Que os políticos ouviriam as histórias e imediatamente concordariam que era preciso ter uma lei que proíba situações como a dela. Mas ela descobriu que não! Uma das políticas pra quem ela expôs a situação falou que não era a favor, porque “isso não vai elevar a taxa de aborto entre adolescentes?” — afinal, mulher é receptáculo de esperma e parideira, não uma pessoa.  Não importa o que uma gravidez indesejada ou mesmo vinda de um estupro cause pra vida da garota, só o que importa é não abortar, com a graça de Deus.

No ano passado a escoteira Cassandra Levesque (17 anos) iniciou uma campanha em New Hampshire, pra que a idade mínima do casamento seja 18, e sabem o que aconteceu? Os políticos bloquearam, colocaram uma lei pra impedir que o tema seja discutido pelos próximos anos, e falaram que ela não tem idade pra discutir esses temas.

Os dados nos EUA:

“Girls who get married before 18 have a significantly higher risk of heart attacks, cancer, diabetes and strokes and a higher risk of psychiatric disorders. They are 50% more likely to drop out of high school and run a higher risk of living in poverty. They are also three times more likely to become victims of domestic violence. Really, child marriage helps no one. The only people who benefit are paedophiles.”

https://www.theguardian.com/inequality/2018/feb/06/it-put-an-end-to-my-childhood-the-hidden-scandal-of-us-child-marriage

No Brasil é bem pior. http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/03/no-brasil-75-das-adolescentes-que-tem-filhos-estao-fora-da-escola.html. 75% das adolescentes que engravidam param  de estudar.

Uma reportagem do G1 de dezembro de 2017 traz estes números: 1 em cada 5 bebês nascem de meninas entre 10 e 19 anos. Em algumas regiões do país é 1 em cada 3.

“São muitas as histórias de gravidez precoce na Ilha do Marajó: Shirlene Alcântara, de 15 anos, ficou grávida com 13. Ela é casada com Claudiu Guedes, de 36 anos, que não é o pai de sua filha. Thais engravidou do primeiro filho aos 11 anos. Quando estava grávida do segundo filho, descobriu que tinha sífilis, mas não vai ao médico, pois o marido, de 18 anos, tem ciúmes.”

(…)

“Raimunda Vieira é agente de saúde na ilha e tem duas filhas adolescentes. A mais velha engravidou aos 15 anos. A mais nova, de 14 anos, está grávida.”

“Meu sonho era fazer intercâmbio, estudar e falar bem inglês. Mas esse sonho já foi. Eu sinto falta da minha liberdade”, lamenta Camila. Ela está em busca de emprego, mas está difícil conseguir uma vaga: “Quando engravidei, perdi todas as oportunidades de trabalhar”.

http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2017/12/uma-em-cada-5-criancas-no-brasil-e-filha-de-meninas-entre-10-e-19-anos.html

E tem a caixa de comentários. Que dá vontade de vomitar.

Se vocês não fazem sexo, se vocês não sabem o que é desejo e tesão, vocês não podem opinar. Criatura, se você realmente não acha horrível imaginar uma menina de 10, 11, 12 anos grávida, você é uma pessoa totalmente desalmada.

Tenho nojo de pensar em gente que lê uma história sobre meninas que engravidaram aos 11 anos, e só o que conseguem falar é “os agentes de saúde dão instruções, elas são culpadas porque tiveram relação sem proteção”. Tenho nojo da sua burrice e total falta de consideração pelo ser humano. Não sei o que é pior, a burrice ou total falta de empatia, de capacidade de imaginar o que é essa situação. “Os agentes de saúde dão instruções”, claro, nossos sistema de saúde é o melhor do mundo, os agentes de saúde são incríveis, cobrem tudo. Se os seus pais não conversam sobre sexo com você quando você tem 9 anos, aparece um agente de saúde na sua casa pra te explicar como não ficar grávida, pra te implantar um diu, ou pra te dar 2.000 camisinhas, pra fazer um treinamento emocional de como controlar o desejo e nunca fazer sexo sem proteção, ou técnicas de negociação com seu estuprador, para exigir que ele use camisinha.

Teste de personalidade grátis

Por causa dos emails do Quora topei com uma sigla das denominações dos tipos de personalidade. Nunca tinha ouvido falar. Pesquisei e caí num site. Fiz o teste gratuito, e diz que sou um ISTJ (Sentinela – Logística): https://www.16personalities.com/br/personalidade-istj

Concordo em partes, em outras não. Concordo em linhas gerais, mas há detalhes importantes que a descrição não pega. Por exemplo minhas ideias sobre liberdade, prazer, sexo, autonomia, só se viver uma vez. O texto do 16 Personalities descreve alguém bem mais conservador do que eu me vejo. Mas fazer o quê… como diz meu quadrinho de Pinterest, “eu praguejo como um marujo e falo por favor e obrigado como um santo — sou complicada”.

Engraçado que na barra “Introvertida – Extrovertida”, apesar de me considerar tão introvertida-misantropa-panfletária, deu 61%-39%. Acho que o texto padrão não reflete isso, mas talvez esse seja o pedaço que abarca o tal lado menos quadradinho. E eu sei que também tenho algo que não é tipicamente introvertido, que é a relação com a comunicação pras massas. Alguém me falou que isso é relacionado com gêmeos, um signo com quem não me identifico, apesar de ter uns amigos queridos e pessoas relevantes nesse signo…

Nas outras características, a relação dos 60 e pouco x 30 e pouco também prevaleceu, ou seja, é como se no geral eu não radicalizo pra nenhum aspecto. A não ser no quesito assertividade 94% x 6% de turbulência. https://www.significados.com.br/assertividade/. Isso é algo que eu concordo totalmente. http://www.marisapsicologa.com.br/assertividade.html

Dizem que ISTJ é o tipo de personalidade mais comum, com cerca de 13% da população, mas abrindo por gênero vai pra 6,9% https://www.careerplanner.com/MB2/TypeInPopulation-Males-Females.cfm. Gostei da abertura por gênero. Culturalmente faz sentido que 19% das mulheres sejam ISFJ (Sentinelas – Defensoras).

O artigo da Wikipedia também é interessante, me identifiquei mais na descrição das características, mesmo sendo mais breve do que o 16 Personalities. https://en.wikipedia.org/wiki/ISTJ

É no mínimo tão divertido quanto horóscopo, recomendo fazer o teste e ler os seus resultados. https://www.16personalities.com/free-personality-test